São centenas de milhões de anos de evolução que estão concentrados no primeiro alimento de qualquer mamífero. Agora, sabe-se que a complexidade do leite materno envolve mais um factor. Quando um bebé humano bebe pela primeira vez o colostro, o leite que a mãe produz logo a seguir ao parto, está a levar à boca mais de 700 espécies diferentes de bactérias que vão definir para sempre a flora do seu tubo digestivo, revela um estudo publicado recentemente na revista American Journal of Clinical Nutrition.
O leite é um alimento que está adaptado às espécies. Nos cangurus, onde o desenvolvimento fora da placenta começa mais cedo, a composição do leite vai-se transformando à medida que a cria, na bolsa da mãe, cresce e desenvolve ora o cérebro, ora as unhas e o pêlo. E quando duas mamas são usadas por cangurus com idades diferentes, o leite de cada uma é adequado a cada um deles.
Nos países em desenvolvimento, nos primeiros seis meses de vida de um bebé, a amamentação aumenta seis vezes a hipótese de sobrevivência e evita a diarreia e infecções pulmonares. "O leite materno dá os nutrientes, as vitaminas e os minerais necessários a uma criança nos primeiros seis meses e ainda anticorpos da mãe que ajudam a combater doenças", lê-se no site da UNICEF.
Só há pouco tempo se descobriu que há bactérias no leite materno, mas as suas características continuam a surpreender. Uma equipa espanhola analisou agora, em três momentos distintos, as bactérias do leite que 18 mulheres produziram depois de terem filhos: à nascença, um mês e seis meses depois. As técnicas moleculares permitiram identificar as bactérias presentes em maior e em menor quantidade.
A equipa descobriu que o colostro tem mais de 700 espécies diferentes e é dominado por bactérias ácido-lácticas do género da Weisella e da Leuconostoce por outras como os Staphylococcus, Streptococcus e Lactococcus. Ao fim de um mês e seis meses, o que passa a dominar são géneros típicos da cavidade oral: Veillonella, Leptotrichia e Provetella.
Mas que função terão? "Talvez as bactérias do leite materno sejam estimuladores imunitários para reconhecer bactérias específicas e para lutarem contra outras", responderam ao PÚBLICO, por email, Alex Mira e María Carmen Collado, dois dos autores do artigo que pertencem, respectivamente, ao Instituto de Agroquímica e Tecnologia do Alimento, do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha, e ao Centro Superior de Investigação em Saúde Pública, em Valência. "Se isto for verdade, o sistema imunitário materno pode regular as bactérias a que o bebé é exposto de uma forma atempada e a falta desta modulação pode ter consequências importantes no desenvolvimento da flora microbiana da criança e na maturação do seu sistema imunitário."
Via interna de transmissão
Quando os investigadores compararam as bactérias do leite em mulheres com um peso normal e obesas notaram uma diferença importante na composição. As bactérias do leite das mulheres obesas eram menos diversas. Esta mudança pode ser um "mecanismo adicional que explica o maior risco de obesidade dos filhos de mães obesas", lê-se no artigo.
Outra surpresa foi a composição bacteriana do leite das mães que fizeram uma cesariana programada, em relação a mães que tiveram um parto natural ou que, durante o parto, foram obrigadas a fazer uma cesariana. As bactérias no leite eram diferentes e menos diversas. "Isto poderá ter consequências nas alergias, na asma e noutras doenças influenciadas por uma resposta imunitária deficiente", dizem os dois autores.
Ainda ninguém sabe ao certo como é que as bactérias aparecem no leite. A equipa analisou a composição bacteriana da pele das mães e dos bebés, do sistema digestivo das mães, da flora vaginal, mas a composição do leite é única. Supõe-se que seja por uma via interna, controlada pelo sistema imunitário, que bactérias específicas do tubo digestivo chegam ao leite. Esta transmissão pode ser influenciada pelo stress fisiológico e pela descarga hormonal do parto, já que nas cesarianas não programadas a composição bacteriana do leite da mãe é semelhante à do leite de mulheres que tiveram parto natural.
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/na-formula-magica-do-leite-materno-ha-700-especies-de-bacterias-1581019
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
domingo, 28 de outubro de 2012
Público: Portugal vai adoptar novas curvas de crescimento para bebés e crianças
A "tabela dos percentis" que está em todos os boletins de saúde individuais vai mudar. O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil prevê a adopção das curvas de crescimento propostas pela Organização Mundial de Saúde.
Os bebés nascidos em 2013 em Portugal vão receber uma nova versão dos boletins individuais de saúde. Entre outras alterações, o caderno azul ou cor-de-rosa será diferente nas páginas reservadas para as "tabelas de percentis" que servem de referência para monitorizar o desenvolvimento de bebés, crianças e adolescentes portugueses. A substituição das actuais curvas de crescimento pelos padrões defendidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) está prevista no Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Na prática, esta mudança vai fazer com que os valores expressos nestas tabelas de percentis traduzam um crescimento mais próximo do "ideal" e vai ainda permitir detectar com mais rigor algumas situações problemáticas, como os casos de obesidade.
A cada consulta, o pediatra ou médico de família vai assinalando num gráfico impresso no boletim individual de saúde a evolução do peso, do comprimento/altura e do perímetro cefálico da criança. Se, há alguns anos atrás, este era um espaço que só merecia a atenção dos médicos, hoje são muitos os pais que se ocupam e preocupam na análise desta curva de crescimento e com o percentil correspondente. De acordo com o novo Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, elaborado pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) e actualmente em revisão, estes gráficos e os valores que serviam de referência vão mudar.
A questão não é nova. Desde a publicação dos resultados do exaustivo trabalho da OMS, publicado em 2006, que vários especialistas defendem a adopção destes novos valores de referência. Em Agosto de 2011, de acordo com a DGS, 125 países em todo o mundo já usavam as curvas de crescimento da OMS. Portugal, que desde a década de 1970 usa outras tabelas, deverá juntar-se no próximo ano ao grupo de países que se guia pelas curvas da OMS.
Actualmente, para monitorizar o estado de nutrição e crescimento das crianças e adolescentes, guiamo-nos pelos valores de referência propostos pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC) e baseados num estudo que envolveu apenas crianças norte-americanas.
Além de estar limitado à análise da população de um país, este registo de padrões apoiou-se maioritariamente numa amostra de bebés alimentados com fórmulas lácteas. Desta forma, as curvas não reflectem de forma correcta o que pode acontecer quando estamos perante o cenário (recomendado) de um bebé alimentado exclusivamente com leite materno. E, segundo os especialistas, isso faz diferença.
Por essas e por outras, a OMS considerou as curvas de crescimento da CDC inadequadas e publicou uma nova versão destes valores de referência para o desenvolvimento infantil e juvenil. A versão da OMS é baseada num estudo realizado, entre 1997 e 2003, em diferentes continentes e que incluiu amostras selectivas de milhares de lactentes e crianças. Desta vez, o gráfico reflecte o resultado de um crescimento em "cenário ideal" que, entre muitos outros factores, como o acesso a cuidados de saúde adequados, passa também pelo aleitamento materno exclusivo durante os primeiros quatro/seis meses de vida.
O pediatra António Guerra, que fez parte do grupo de peritos consultados pela DGS, defende esta substituição há já vários anos. "As curvas de crescimento da OMS valorizam de modo mais correcto o estado de nutrição e outros factores que têm influência no desenvolvimento", diz, acrescentando que as principais diferenças entre os valores de referência são sobretudo perceptíveis no primeiro ano de vida, uma altura "determinante" para a saúde futura do bebé.
O presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria deixa um exemplo das diferenças que podemos encontrar entre as actuais e as futuras "tabelas de percentis": de acordo com os especialistas, os bebés alimentados apenas com leite materno crescem mais nos primeiros quatro/seis meses, mas sofrem depois uma desaceleração do ritmo de crescimento. Essa "natural" desaceleração não está prevista nas curvas de crescimento do CDC, o que muitas vezes pode fazer com que se introduza suplementos como o leite artificial ou a papa na dieta do bebé. Um erro, de acordo com a opinião de muitos especialistas. As curvas da OMS prevêem já essa desaceleração "natural". Por outro lado, António Guerra nota ainda que as curvas de crescimento da OMS vão também melhorar a detecção de situações de obesidade, que actualmente é um dos problemas mais preocupantes da saúde infantil e juvenil portuguesa.
Apesar de sublinhar a importância desta medida, António Guerra sabe que muitas vezes o percentil de uma criança é sobreavaliado e, pior do que isso, mal interpretado pelos pais. Não há um bom percentil e muito menos é verdade que, quanto mais alto o percentil, melhor. "Não importa se a criança tem o percentil 25, 50 ou 75. O importante é crescer a uma velocidade normal, em paralelo com as curvas de referência, e ter o peso e o comprimento a progredir de forma proporcionada e harmoniosa", avisa o pediatra.
De acordo com Bárbara Menezes, da equipa da DGS que redigiu o novo programa, as mudanças previstas deverão ser implementadas até ao final do ano. Ou seja, os bebés nascidos em 2013 já terão novos boletins individuais de saúde. "Os actuais boletins serão mantidos e não serão substituídos, mas os profissionais de saúde terão acesso a toda a informação sobre as novas normas, nomeadamente nos sistemas informáticos".
Além desta mudança nas curvas de crescimento, está também prevista a alteração na cronologia das consultas referentes a idades-chave da vigilância e um "novo enfoque nas questões relacionadas com o desenvolvimento infantil, as perturbações do comportamento e os maus tratos". Sobre as consultas, o programa prevê a introdução de uma consulta "aos 5 anos, com o objectivo de avaliar a existência de competências para o início da aprendizagem, aos 6/7 anos, para detecção precoce de dificuldades específicas de aprendizagem, e aos 10 anos, para preparar o início da puberdade e a entrada para o 5.º ano de escolaridade".
http://www.publico.pt/Sociedade/portugal-vai-adoptar-novas-curvas-de-crescimento-para-bebes-e-criancas-1566206?all=1
Os bebés nascidos em 2013 em Portugal vão receber uma nova versão dos boletins individuais de saúde. Entre outras alterações, o caderno azul ou cor-de-rosa será diferente nas páginas reservadas para as "tabelas de percentis" que servem de referência para monitorizar o desenvolvimento de bebés, crianças e adolescentes portugueses. A substituição das actuais curvas de crescimento pelos padrões defendidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) está prevista no Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Na prática, esta mudança vai fazer com que os valores expressos nestas tabelas de percentis traduzam um crescimento mais próximo do "ideal" e vai ainda permitir detectar com mais rigor algumas situações problemáticas, como os casos de obesidade.
A cada consulta, o pediatra ou médico de família vai assinalando num gráfico impresso no boletim individual de saúde a evolução do peso, do comprimento/altura e do perímetro cefálico da criança. Se, há alguns anos atrás, este era um espaço que só merecia a atenção dos médicos, hoje são muitos os pais que se ocupam e preocupam na análise desta curva de crescimento e com o percentil correspondente. De acordo com o novo Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, elaborado pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) e actualmente em revisão, estes gráficos e os valores que serviam de referência vão mudar.
A questão não é nova. Desde a publicação dos resultados do exaustivo trabalho da OMS, publicado em 2006, que vários especialistas defendem a adopção destes novos valores de referência. Em Agosto de 2011, de acordo com a DGS, 125 países em todo o mundo já usavam as curvas de crescimento da OMS. Portugal, que desde a década de 1970 usa outras tabelas, deverá juntar-se no próximo ano ao grupo de países que se guia pelas curvas da OMS.
Actualmente, para monitorizar o estado de nutrição e crescimento das crianças e adolescentes, guiamo-nos pelos valores de referência propostos pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC) e baseados num estudo que envolveu apenas crianças norte-americanas.
Além de estar limitado à análise da população de um país, este registo de padrões apoiou-se maioritariamente numa amostra de bebés alimentados com fórmulas lácteas. Desta forma, as curvas não reflectem de forma correcta o que pode acontecer quando estamos perante o cenário (recomendado) de um bebé alimentado exclusivamente com leite materno. E, segundo os especialistas, isso faz diferença.
Por essas e por outras, a OMS considerou as curvas de crescimento da CDC inadequadas e publicou uma nova versão destes valores de referência para o desenvolvimento infantil e juvenil. A versão da OMS é baseada num estudo realizado, entre 1997 e 2003, em diferentes continentes e que incluiu amostras selectivas de milhares de lactentes e crianças. Desta vez, o gráfico reflecte o resultado de um crescimento em "cenário ideal" que, entre muitos outros factores, como o acesso a cuidados de saúde adequados, passa também pelo aleitamento materno exclusivo durante os primeiros quatro/seis meses de vida.
O pediatra António Guerra, que fez parte do grupo de peritos consultados pela DGS, defende esta substituição há já vários anos. "As curvas de crescimento da OMS valorizam de modo mais correcto o estado de nutrição e outros factores que têm influência no desenvolvimento", diz, acrescentando que as principais diferenças entre os valores de referência são sobretudo perceptíveis no primeiro ano de vida, uma altura "determinante" para a saúde futura do bebé.
O presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria deixa um exemplo das diferenças que podemos encontrar entre as actuais e as futuras "tabelas de percentis": de acordo com os especialistas, os bebés alimentados apenas com leite materno crescem mais nos primeiros quatro/seis meses, mas sofrem depois uma desaceleração do ritmo de crescimento. Essa "natural" desaceleração não está prevista nas curvas de crescimento do CDC, o que muitas vezes pode fazer com que se introduza suplementos como o leite artificial ou a papa na dieta do bebé. Um erro, de acordo com a opinião de muitos especialistas. As curvas da OMS prevêem já essa desaceleração "natural". Por outro lado, António Guerra nota ainda que as curvas de crescimento da OMS vão também melhorar a detecção de situações de obesidade, que actualmente é um dos problemas mais preocupantes da saúde infantil e juvenil portuguesa.
Apesar de sublinhar a importância desta medida, António Guerra sabe que muitas vezes o percentil de uma criança é sobreavaliado e, pior do que isso, mal interpretado pelos pais. Não há um bom percentil e muito menos é verdade que, quanto mais alto o percentil, melhor. "Não importa se a criança tem o percentil 25, 50 ou 75. O importante é crescer a uma velocidade normal, em paralelo com as curvas de referência, e ter o peso e o comprimento a progredir de forma proporcionada e harmoniosa", avisa o pediatra.
De acordo com Bárbara Menezes, da equipa da DGS que redigiu o novo programa, as mudanças previstas deverão ser implementadas até ao final do ano. Ou seja, os bebés nascidos em 2013 já terão novos boletins individuais de saúde. "Os actuais boletins serão mantidos e não serão substituídos, mas os profissionais de saúde terão acesso a toda a informação sobre as novas normas, nomeadamente nos sistemas informáticos".
Além desta mudança nas curvas de crescimento, está também prevista a alteração na cronologia das consultas referentes a idades-chave da vigilância e um "novo enfoque nas questões relacionadas com o desenvolvimento infantil, as perturbações do comportamento e os maus tratos". Sobre as consultas, o programa prevê a introdução de uma consulta "aos 5 anos, com o objectivo de avaliar a existência de competências para o início da aprendizagem, aos 6/7 anos, para detecção precoce de dificuldades específicas de aprendizagem, e aos 10 anos, para preparar o início da puberdade e a entrada para o 5.º ano de escolaridade".
http://www.publico.pt/Sociedade/portugal-vai-adoptar-novas-curvas-de-crescimento-para-bebes-e-criancas-1566206?all=1
domingo, 21 de outubro de 2012
Diário Digital: Cancro da mama mata quatro portuguesas por dia
Todos os dias morrem em Portugal quatro mulheres vítimas de cancro de mama e são detectados 12 novos casos, lembra a Liga Portuguesa Contra o Cancro, que critica a falta de apoio às doentes.
Outubro é o 'Mês do Cancro da Mama' e, para marcar a início da efeméride que começa hoje, a fundadora da Cister Hope, uma associação sem fins lucrativos que recolhe fundos para a investigação deste cancro, tocou o sino da Euronext de Lisboa, à hora de fecho da bolsa.
«Aparentemente esta é uma questão desligada do mundo das bolsas, mas cada vez mais as bolsas integram acções de responsabilidade cooperativa. Não nos podemos esquecer que nenhuma sociedade prospera se os seus cidadãos não prosperarem», lembrou o presidente da Bolsa Portuguesa, Luís Laginha de Sousa, em declarações à agência Lusa.
Luís Laginha explicou que o toque do sino, que antes era usado para chamar quem trabalhava na bolsa para o início das sessões, é agora usado para «chamar a atenção para acontecimentos que se passam na bolsa e fora dela».
Além do presidente da Euronext Lisboa, a cerimónia contou ainda com a presença da presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, e Joana Paredes, investigadora do Grupo de Genética de Tumores, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.
Tal como em Lisboa, a cerimónia aconteceu em simultâneo, em várias cidades do mundo, nas instalações do Grupo NYSE que desta forma se juntou à chamada de atenção para uma doença que, em Portugal, mata 1.500 mulheres por ano.
Uma em cada onze mulheres portuguesas acaba por desenvolver cancro da mama e todos os anos surgem cerca de 4.500 novos casos.
A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) voltou hoje a lembrar que este é o cancro com maior taxa de mortalidade e a defender a necessidade de aumentar o apoio às doentes com cancro da mama metastizado.
«Existem muitos projectos nacionais e regionais de sensibilização para o rastreio e detecção precoce da doença do cancro da mama. Contudo, verifica-se uma escassez de projectos direccionados especificamente a mulheres com doença avançada», alerta o presidente da LPCC, Carlos Freire de Oliveira.
O cancro da mama metastizado desenvolve-se em 30 por cento das doentes diagnosticadas, e «mata uma mulher a cada seis minutos e meio, na Europa Ocidental», diz a associação, lembrando que o tempo de sobrevivência dos doentes diagnosticados com cancro da mama avançado se situa entre18 a38 meses.
De acordo com a associação, as mulheres com cancro da mama avançado ou metastizado «sentem-se isoladas e marginalizadas», sendo que22 a50% destas doentes apresentam altos níveis de sofrimento psicológico e depressão. Uma em cada três mulheres pode mesmo desenvolver um transtorno de ‘stress’ agudo, alerta a Liga.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=594588
Outubro é o 'Mês do Cancro da Mama' e, para marcar a início da efeméride que começa hoje, a fundadora da Cister Hope, uma associação sem fins lucrativos que recolhe fundos para a investigação deste cancro, tocou o sino da Euronext de Lisboa, à hora de fecho da bolsa.
«Aparentemente esta é uma questão desligada do mundo das bolsas, mas cada vez mais as bolsas integram acções de responsabilidade cooperativa. Não nos podemos esquecer que nenhuma sociedade prospera se os seus cidadãos não prosperarem», lembrou o presidente da Bolsa Portuguesa, Luís Laginha de Sousa, em declarações à agência Lusa.
Luís Laginha explicou que o toque do sino, que antes era usado para chamar quem trabalhava na bolsa para o início das sessões, é agora usado para «chamar a atenção para acontecimentos que se passam na bolsa e fora dela».
Além do presidente da Euronext Lisboa, a cerimónia contou ainda com a presença da presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, e Joana Paredes, investigadora do Grupo de Genética de Tumores, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.
Tal como em Lisboa, a cerimónia aconteceu em simultâneo, em várias cidades do mundo, nas instalações do Grupo NYSE que desta forma se juntou à chamada de atenção para uma doença que, em Portugal, mata 1.500 mulheres por ano.
Uma em cada onze mulheres portuguesas acaba por desenvolver cancro da mama e todos os anos surgem cerca de 4.500 novos casos.
A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) voltou hoje a lembrar que este é o cancro com maior taxa de mortalidade e a defender a necessidade de aumentar o apoio às doentes com cancro da mama metastizado.
«Existem muitos projectos nacionais e regionais de sensibilização para o rastreio e detecção precoce da doença do cancro da mama. Contudo, verifica-se uma escassez de projectos direccionados especificamente a mulheres com doença avançada», alerta o presidente da LPCC, Carlos Freire de Oliveira.
O cancro da mama metastizado desenvolve-se em 30 por cento das doentes diagnosticadas, e «mata uma mulher a cada seis minutos e meio, na Europa Ocidental», diz a associação, lembrando que o tempo de sobrevivência dos doentes diagnosticados com cancro da mama avançado se situa entre18 a38 meses.
De acordo com a associação, as mulheres com cancro da mama avançado ou metastizado «sentem-se isoladas e marginalizadas», sendo que22 a50% destas doentes apresentam altos níveis de sofrimento psicológico e depressão. Uma em cada três mulheres pode mesmo desenvolver um transtorno de ‘stress’ agudo, alerta a Liga.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=594588
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Correio da Manhã: Banco de Leite da MAC esteve à beira da ruptura
O Banco de Leite Humano da Maternidade Alfredo da Costa passou por uma fase difícil devido a limitações orçamentais, com forte diminuição de dadoras e uma quase ruptura de stock, mas o projecto deverá continuar, segundo o médico Israel Macedo.
O clínico Macedo revelou à agência Lusa que o número de mulheres que doam o seu leite "diminuiu bastante", passando de uma média de 30 para sete.
A integração da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) no Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), aliada à contenção de custos, levou a que o Banco de Leite diminuísse a capacidade de resposta aos bebés prematuros nos casos em que a mãe não o tem em quantidade suficiente, adiantou o médico.
Segundo Israel Macedo, o Centro Hospitalar decidiu restringir a metade o que paga à empresa que faz a recolha e transporte refrigerado do leite das mães dadoras.
O médico e responsável pelo Banco de Leite Humano disse que só há cerca de uma semana foram desbloqueados os pagamentos a essa empresa referentes a este ano.
"A empresa tem gasóleo que gasta nas viaturas. Com a redução do orçamento e com atrasos no pagamento, tivemos de confinar [a doação e recolha de leite] mesmo só à Grande Lisboa e tivemos de recusar dadoras da margem sul. A quantidade de leite reduziu bastante", contou Israel Macedo.
A presidente da administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, Teresa Sustelo, disse desconhecer problemas com o Banco de Leite da MAC e garantiu que a unidade é para manter.
Ainda segundo Israel Macedo, de uma média de 30 dadoras de leite, a MAC teve de restringir para 10 e neste momento conta apenas com cinco. E de uma média de 15 litros de leite por semana, a maternidade passou a contar apenas com oito.
Com estas reduções, frisou, o Banco de Leite Humano teve de passar a ser dirigido para bebés com menor idade gestacional. Quanto ao impacto destas restrições nos bebés, o médico afirma que ao introduzir-se leite artificial começam a manifestar-se casos de intolerância e surgem mais problemas com os prematuros.
"Entretanto o problema foi desbloqueado. Passámos um mau bocado, com stocks muito residuais. Estamos neste momento a começar a tentar aumentar o número de dadoras", afirmou o responsável. Israel Macedo diz acreditar que o Banco de Leite vai "continuar a ser um caso de sucesso, dentro das limitações do país": "Temos de encontrar um equilíbrio entre os recursos mínimos de que precisamos e os custos que temos de ter para esses recursos".
Depois de uma "contenção grande do ponto de vista financeiro", esta unidade da MAC está a recuperar da "fase complicada" e os profissionais mantêm-se "esperançados", apesar de terem passado "um mau bocado".
Segundo Israel Macedo, a intenção do Centro Hospitalar e dos profissionais do Hospital D. Estefânia, que integrará a MAC, é a de apoiar este projecto.
Em três anos de funcionamento, o Banco de Leite Humano já alimentou cerca de 300 bebés da MAC e quase 30 do Hospital Fernando Fonseca (Amadora).
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/banco-de-leite-da-mac-esteve-a-beira-da-ruptura
O clínico Macedo revelou à agência Lusa que o número de mulheres que doam o seu leite "diminuiu bastante", passando de uma média de 30 para sete.
A integração da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) no Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), aliada à contenção de custos, levou a que o Banco de Leite diminuísse a capacidade de resposta aos bebés prematuros nos casos em que a mãe não o tem em quantidade suficiente, adiantou o médico.
Segundo Israel Macedo, o Centro Hospitalar decidiu restringir a metade o que paga à empresa que faz a recolha e transporte refrigerado do leite das mães dadoras.
O médico e responsável pelo Banco de Leite Humano disse que só há cerca de uma semana foram desbloqueados os pagamentos a essa empresa referentes a este ano.
"A empresa tem gasóleo que gasta nas viaturas. Com a redução do orçamento e com atrasos no pagamento, tivemos de confinar [a doação e recolha de leite] mesmo só à Grande Lisboa e tivemos de recusar dadoras da margem sul. A quantidade de leite reduziu bastante", contou Israel Macedo.
A presidente da administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, Teresa Sustelo, disse desconhecer problemas com o Banco de Leite da MAC e garantiu que a unidade é para manter.
Ainda segundo Israel Macedo, de uma média de 30 dadoras de leite, a MAC teve de restringir para 10 e neste momento conta apenas com cinco. E de uma média de 15 litros de leite por semana, a maternidade passou a contar apenas com oito.
Com estas reduções, frisou, o Banco de Leite Humano teve de passar a ser dirigido para bebés com menor idade gestacional. Quanto ao impacto destas restrições nos bebés, o médico afirma que ao introduzir-se leite artificial começam a manifestar-se casos de intolerância e surgem mais problemas com os prematuros.
"Entretanto o problema foi desbloqueado. Passámos um mau bocado, com stocks muito residuais. Estamos neste momento a começar a tentar aumentar o número de dadoras", afirmou o responsável. Israel Macedo diz acreditar que o Banco de Leite vai "continuar a ser um caso de sucesso, dentro das limitações do país": "Temos de encontrar um equilíbrio entre os recursos mínimos de que precisamos e os custos que temos de ter para esses recursos".
Depois de uma "contenção grande do ponto de vista financeiro", esta unidade da MAC está a recuperar da "fase complicada" e os profissionais mantêm-se "esperançados", apesar de terem passado "um mau bocado".
Segundo Israel Macedo, a intenção do Centro Hospitalar e dos profissionais do Hospital D. Estefânia, que integrará a MAC, é a de apoiar este projecto.
Em três anos de funcionamento, o Banco de Leite Humano já alimentou cerca de 300 bebés da MAC e quase 30 do Hospital Fernando Fonseca (Amadora).
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/banco-de-leite-da-mac-esteve-a-beira-da-ruptura
segunda-feira, 14 de maio de 2012
O estigma da amamentação
Na
semana passada, vi a capa da revista Time, cujo tema principal é “educação intuitiva” (attachment parenting). O que me deixou a
pensar...
Ao
decidir engravidar, achei natural procurar toda a informação possível sobre
tudo o que implica criar e educar um filho, o que inclui a amamentação.
Encontrei
um mundo de opiniões diferentes, cada um com as suas razões, e acabei por me
tornar uma defensora dos princípios defendidos pela Organização Mundial de
Saúde: amamentação exclusiva até aos 6 meses e complementada até, pelo menos,
aos 2 anos. Felizmente, tanto o meu mais-que-tudo como a pediatra da migalhinha
concordam plenamente.
Mas
confesso que não foi fácil. Ao contrário do que nos fazem acreditar, a
amamentação não é totalmente inata, tendo de ser aperfeiçoada pela mãe e pelo
bebé. Também confesso que, nos primeiros meses, ao ver crianças de 18 ou 24
meses já tão grandes, não tinha a certeza de ser capaz. Nessa altura, o
bom-senso do meu mais-que-tudo foi fundamental, dizendo-me “eles não ficam com
aquele tamanho de um dia para o outro e, sendo a tua filha, acho que nem vais
pensar nisso na altura”!
E
não penso! Agora com 16 crescidos meses, a migalhinha continua a mamar. E assim
continuará por mais não sei quanto tempo...
Não
quero saber se não acham correcto, se a acham demasiado crescida ou se acham
que devia ter vergonha! O estigma social que se criou à volta da amamentação
não se deve sobrepor ao instinto natural e à vontade de mãe e cria. É a nossa
vontade e deve ser respeitada!
Não
sei se me identifico completamente com a “educação intuitiva”, mas
identifico-me bastante com este artigo (em inglês) http://healthland.time.com/2012/05/10/extended-breast-feeding-is-it-more-common-than-we-think/?iid=obnetwork
O
meu desejo? Que cada mãe procure informações junto de fontes credíveis e que,
cada mãe, faça as suas opções livre de preconceitos e culpas.
Boa
amamentação!
domingo, 13 de maio de 2012
Diário de Notícias: Time' mostra mãe a amamentar filho de três anos
As novas tendências parentais são o tema de capa da revista Time
desta semana. Mas a imagem escolhida (uma mãe a amamentar o filho de
três anos) está a causar polémica nas redes sociais.
A educação intuitiva (attachment parenting) é uma tendência que privilegia o contacto entre pais e filhos e inclui práticas como a amamentação até tarde ou dormir com os filhos e é este o tema de capa da revista Time desta semana.
O tema já seria controverso, mas a escolha da capa ajudou a que as reações fosse imediatas. No twitter chover criticas à escolha da fotografia com outras mães a considerar "chocante". Os comentários acusam a publicação de pressionar as mães que não são adeptas da educação intuitiva.
http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=2511048
A educação intuitiva (attachment parenting) é uma tendência que privilegia o contacto entre pais e filhos e inclui práticas como a amamentação até tarde ou dormir com os filhos e é este o tema de capa da revista Time desta semana.
O tema já seria controverso, mas a escolha da capa ajudou a que as reações fosse imediatas. No twitter chover criticas à escolha da fotografia com outras mães a considerar "chocante". Os comentários acusam a publicação de pressionar as mães que não são adeptas da educação intuitiva.
http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=2511048
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