Uma técnica raríssima salvou uma bebé de apenas três semanas em Kansas City, no estado de Kansas, Estados Unidos. A técnica consistiu em introduzir supercola para colar a parede de um vaso sanguíneo de um recém-nascido que sofreu um aneurisma.
O mal já é raro, Ashlyn Julian sofreu de um aneurisma antes de fazer um mês, numa idade muito pouco comum para haver uma dilatação da parede de um vaso sanguíneo do cérebro que cria uma espécie de bolha interior de sangue. Se esta bolha rebentar, pode causar muitos danos no cérebro. Normalmente o aneurisma leva anos a crescer.
Mas o tratamento que a bebé recebeu ainda é mais extraordinário. Segundo o pediatra e neurocirurgião Koji Ebersole, que fez a operação no Hospital da Universidade de Kansas, esta técnica da supercola terá sido usada menos do que 20 vezes, talvez nunca em bebés com tão pouco tempo.
Gina Julian teve Ashlyn a 16 de Maio. O parto correu normalmente e a recém-nascida foi para casa. Mas passados alguns dias a bebé começou a mostrar-se cansada e a vomitar. Os pais levaram-na a uma clínica pediátrica onde, depois de Ashlyn realizar um exame de ressonância magnética, descobriram que a filha tinha um aneurisma do tamanho de uma azeitona.
O tratamento começou na quarta-feira depois de a bebé ter uma segunda hemorragia. Mas a complexa cirurgia que durou apenas 45 minutos resolveu o problema. Uma equipa de cirurgiões de vários hospitais introduziu um pequeno cateter por um vaso sanguíneo da anca direita da bebé. Depois, Koji Ebersole navegou com o cateter até ao pescoço.
Com a ajuda de um sistema que gera imagens dos vasos sanguíneos do cérebro a partir de dois ângulos diferentes, o cirurgião conseguiu enfiar o microcateter pelos vasos sanguíneos do cérebro até chegar à localização do aneurisma. Aí, depositou uma porção de supercola esterilizada no vaso sanguíneo afectado. A cola secou em segundos, selando a parede do vaso sanguíneo. “É literalmente o mesmo composto da supercola que se encontra nas lojas”, disse Ebersole, citado pelo jornal The Kansas City Star.
Normalmente, os aneurismas tratam-se com uma intervenção no cérebro, abrindo o crânio, mas no caso de Ashlyn, o sangue que ela perderia neste tipo de cirurgia poderia ter sido um risco para a sua vida, por isso os médicos optaram por aquele método.
Na sexta-feira, Ashlyn já estava a recuperar no quarto do hospital. Agora, o que falta fazer é drenar o resto do sangue que se libertou do aneurisma. É muito provável que nunca se descubra a causa deste problema, mas os médicos acreditam que daqui a seis meses a bebé será uma criança normal. “Não consigo expressar o quão incrivelmente sortudos nos sentimos”, disse Gina Julian, agradecendo ao pediatra.
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/supercola-salva-bebe-de-tres-semanas-com-aneurisma-1596830
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domingo, 16 de junho de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
Diário Digital: Medicina da Reprodução rejeita limitação dos tratamentos de casais a um por ano
A Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR) criticou hoje a limitação dos tratamentos de casais inférteis a um por ano no Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que pode comprometer o sucesso do apoio médico à reprodução.
«Esta limitação acaba por desmotivar os casais e diminuir a taxa de êxito dos tratamentos», disse a presidente da SPMR, Teresa Almeida Santos, alertando que «muitos casais podem perder a oportunidade» de ter filhos devido àquela imposição.
No SNS, cada casal pode realizar apenas um ciclo de tratamento por ano, podendo, se for necessário, fazer um total de três tentativas custeadas pelo Estado.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=630793
«Esta limitação acaba por desmotivar os casais e diminuir a taxa de êxito dos tratamentos», disse a presidente da SPMR, Teresa Almeida Santos, alertando que «muitos casais podem perder a oportunidade» de ter filhos devido àquela imposição.
No SNS, cada casal pode realizar apenas um ciclo de tratamento por ano, podendo, se for necessário, fazer um total de três tentativas custeadas pelo Estado.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=630793
domingo, 21 de abril de 2013
Diário Digital: Automedicação pode aumentar alergias a medicamentos
A toma de alguns medicamentos provoca no organismo reacções adversas, e em alguns casos alergias potencialmente graves e até fatais. Em 90% dos casos, as alergias manifestam-se na pele e nas mucosas, com vermelhidão (urticária), comichão ou edema. Em muitos casos, mais graves, provocam também vómitos e dor abdominal, dificuldade em respirar, asma, rinite, hipotensão arterial ou choque anafiláctico, o que pode constituir um perigo para a própria vida.
«Antes de tomar qualquer medicamento é importante ler atentamente a informação para excluir a presença de um possível princípio activo a que é alérgico, devendo informar sempre os profissionais de saúde sobre a sua história clínica. Quem se automedica torna-se também mais susceptível a reacções alérgicas, principalmente se não conhecer o seu perfil alérgico», explica Mário Morais de Almeida, coordenador do Centro de Imunoalergologia do hospitalcuf descobertas.
E acrescenta: «Anti-inflamatórios e analgésicos, antibióticos e medicamentos usados em anestesia, são fármacos mais susceptíveis de provocarem reacções alérgicas devido à sua composição, assim como o contacto com pomadas, cremes ou colírios. A maioria das alergias associadas a fármacos ocorre em mulheres em idade média da vida, em doentes polimedicados ou com histórico de alergias, e são menos comuns em crianças. As reacções mais graves surgem, na maioria dos casos, na primeira hora após a administração do fármaco.»
Em casos de reacção anafiláctica surgem sintomas de falta de ar e a pressão arterial pode baixar, tornando-se necessário consultar o médico. «O doente deve parar de imediato de tomar o fármaco de que suspeita. Uma reacção alérgica ligeira desaparece, em geral, com a interrupção do fármaco mas muitos casos necessitam de cuidados imediatos», conclui Mário Morais de Almeida, também presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica.
A imunoalergologia é a especialidade médica que previne e trata as doenças alérgicas e que alteram as defesas do organismo.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=627270
«Antes de tomar qualquer medicamento é importante ler atentamente a informação para excluir a presença de um possível princípio activo a que é alérgico, devendo informar sempre os profissionais de saúde sobre a sua história clínica. Quem se automedica torna-se também mais susceptível a reacções alérgicas, principalmente se não conhecer o seu perfil alérgico», explica Mário Morais de Almeida, coordenador do Centro de Imunoalergologia do hospitalcuf descobertas.
E acrescenta: «Anti-inflamatórios e analgésicos, antibióticos e medicamentos usados em anestesia, são fármacos mais susceptíveis de provocarem reacções alérgicas devido à sua composição, assim como o contacto com pomadas, cremes ou colírios. A maioria das alergias associadas a fármacos ocorre em mulheres em idade média da vida, em doentes polimedicados ou com histórico de alergias, e são menos comuns em crianças. As reacções mais graves surgem, na maioria dos casos, na primeira hora após a administração do fármaco.»
Em casos de reacção anafiláctica surgem sintomas de falta de ar e a pressão arterial pode baixar, tornando-se necessário consultar o médico. «O doente deve parar de imediato de tomar o fármaco de que suspeita. Uma reacção alérgica ligeira desaparece, em geral, com a interrupção do fármaco mas muitos casos necessitam de cuidados imediatos», conclui Mário Morais de Almeida, também presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica.
A imunoalergologia é a especialidade médica que previne e trata as doenças alérgicas e que alteram as defesas do organismo.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=627270
domingo, 17 de março de 2013
Diário Digital: Resistência a antibióticos é ameaça tão grande como terrorismo - diretora-geral saúde britânica
A diretora-geral de saúde britânica, Sally Davies, defendeu hoje que a crescente ineficiência dos antibióticos é «catastrófica» e global, uma ameaça tão grande como terrorismo ou alterações climáticas que deve ser encarada pelo G8 e Organização Mundial de Saúde.
A resistência cada vez maior das bactérias aos medicamentos existentes é «uma bomba relógio», não apenas para o Reino Unido, mas para todo o mundo, disse a professora universitária Sally Davies.
«Temos de trabalhar com todos para nos assegurarmos de que o cenário apocalíptico de resistência antibiótica generalizada não se torna numa realidade», adiantou.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=620500
A resistência cada vez maior das bactérias aos medicamentos existentes é «uma bomba relógio», não apenas para o Reino Unido, mas para todo o mundo, disse a professora universitária Sally Davies.
«Temos de trabalhar com todos para nos assegurarmos de que o cenário apocalíptico de resistência antibiótica generalizada não se torna numa realidade», adiantou.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=620500
sábado, 9 de março de 2013
Sol: O primeiro caso de cura de bebé infectado com VIH/sida
Pela primeira vez, um bebé infectado com o vírus da sida ficou curado, anunciaram no domingo médicos norte-americanos.
Trata-se do primeiro caso de uma "cura funcional", de uma criança contaminada à nascença com o VIH, transmitido pela mãe seropositiva, que desconhecia estar infectada durante a gravidez.
Para os virologistas, não se trata da erradicação do vírus, mas sim do seu enfraquecimento, de tal maneira que o sistema imunitário da criança pôde controlá-lo sem antirretrovirais.
A apresentação do caso foi feita na 20.ª Conferência Anual de Retrovírus e Infeções Oportunistas, em Atlanta, Estados Unidos, escreve a agência France Presse.
O bebé, natural do Estado rural do Mississipi, começou a ser tratado com antirretrovirais cerca de 30 horas após o seu nascimento, um método pouco habitual.
A terapêutica usada, mais agressiva e precoce, poderá explicar a cura funcional da criança, ao bloquear a formação de reservatórios virais difíceis de tratar, de acordo com os médicos.
As células contaminadas "dormentes" relançam a infecção na maior parte das pessoas seropositivas, em algumas semanas após a suspensão dos antirretrovirais.
Deborah Persaud, médica e professora associada no Centro Infantil Johns Hopkins, que liderou a investigação, assegura que a criança, com 2 anos e meio, esteve quase um ano sem medicação, período durante o qual não apresentou sinais do vírus activo.
Segundo a especialista, principal autora do relatório clínico, a carga viral no sangue do bebé começou a baixar assim que começou a ser tratado.
Persaud e outros médicos garantem que a criança esteve realmente infectada com o VIH, ao responder positivo à presença do vírus no sangue em cinco testes, efectuados no primeiro mês de vida.
O bebé foi tratado com antirretrovirais até ter um ano e meio, idade a partir da qual os médicos perderam o seu rasto, durante dez meses. Ao longo deste período, a criança não recebeu qualquer terapêutica.
Os médicos fizeram, posteriormente, uma série de testes sanguíneos, sem detetar a presença do VIH no sangue do bebé.
De acordo com os virologistas, a supressão da carga viral do VIH, sem tratamento, é extremamente rara, sendo observada em menos de 0,5% dos casos de adultos infectados, cujo sistema imunitário impede a replicação do vírus e o torna clinicamente indetectável.
Novos estudos estão a ser equacionados para aferir se tratamentos precoces e agressivos, como os da criança do Mississipi, funcionam noutros bebés infectados.
Os tratamentos antirretrovirais na mãe permitem evitar a transmissão do vírus ao feto em 98% dos casos, segundo os especialistas.
A investigação foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano (National Institutes of Health) e a Fundação Americana para a Investigação da Sida (American Foundation for AIDS Research).
O caso está a ser visto pela Liga Portuguesa contra a Sida como um 'sinal de esperança'.
http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=69260
Trata-se do primeiro caso de uma "cura funcional", de uma criança contaminada à nascença com o VIH, transmitido pela mãe seropositiva, que desconhecia estar infectada durante a gravidez.
Para os virologistas, não se trata da erradicação do vírus, mas sim do seu enfraquecimento, de tal maneira que o sistema imunitário da criança pôde controlá-lo sem antirretrovirais.
A apresentação do caso foi feita na 20.ª Conferência Anual de Retrovírus e Infeções Oportunistas, em Atlanta, Estados Unidos, escreve a agência France Presse.
O bebé, natural do Estado rural do Mississipi, começou a ser tratado com antirretrovirais cerca de 30 horas após o seu nascimento, um método pouco habitual.
A terapêutica usada, mais agressiva e precoce, poderá explicar a cura funcional da criança, ao bloquear a formação de reservatórios virais difíceis de tratar, de acordo com os médicos.
As células contaminadas "dormentes" relançam a infecção na maior parte das pessoas seropositivas, em algumas semanas após a suspensão dos antirretrovirais.
Deborah Persaud, médica e professora associada no Centro Infantil Johns Hopkins, que liderou a investigação, assegura que a criança, com 2 anos e meio, esteve quase um ano sem medicação, período durante o qual não apresentou sinais do vírus activo.
Segundo a especialista, principal autora do relatório clínico, a carga viral no sangue do bebé começou a baixar assim que começou a ser tratado.
Persaud e outros médicos garantem que a criança esteve realmente infectada com o VIH, ao responder positivo à presença do vírus no sangue em cinco testes, efectuados no primeiro mês de vida.
O bebé foi tratado com antirretrovirais até ter um ano e meio, idade a partir da qual os médicos perderam o seu rasto, durante dez meses. Ao longo deste período, a criança não recebeu qualquer terapêutica.
Os médicos fizeram, posteriormente, uma série de testes sanguíneos, sem detetar a presença do VIH no sangue do bebé.
De acordo com os virologistas, a supressão da carga viral do VIH, sem tratamento, é extremamente rara, sendo observada em menos de 0,5% dos casos de adultos infectados, cujo sistema imunitário impede a replicação do vírus e o torna clinicamente indetectável.
Novos estudos estão a ser equacionados para aferir se tratamentos precoces e agressivos, como os da criança do Mississipi, funcionam noutros bebés infectados.
Os tratamentos antirretrovirais na mãe permitem evitar a transmissão do vírus ao feto em 98% dos casos, segundo os especialistas.
A investigação foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano (National Institutes of Health) e a Fundação Americana para a Investigação da Sida (American Foundation for AIDS Research).
O caso está a ser visto pela Liga Portuguesa contra a Sida como um 'sinal de esperança'.
http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=69260
sexta-feira, 8 de março de 2013
Diário Digital: Estudo contra-indica consumo diário de vitamina D após a menopausa
Uma comissão do governo norte-americano recomendou formalmente em Fevereiro que mulheres saudáveis na menopausa evitem tomar baixas doses diárias de vitamina D e cálcio para se protegerem de fracturas ósseas.
O grupo, chamado Comissão de Serviços Preventivos dos Estados Unidos, que é um júri independente de especialistas em prevenção e cuidados de saúde primários, baseou as suas recomendações em extensas revisões de mais de uma centena de estudos.
Eles caracterizam doses baixas como 400 unidades internacionais ou menos de vitamina D e 1000 miligramas ou menos de cálcio. A ingestão desses valores diariamente, de acordo com as recomendações da comissão, «não apresenta nenhum benefício líquido para a prevenção primária de fracturas».
Mas existem boas evidências, disse o grupo, de que essa ingestão pode aumentar a probabilidade de pedras nos rins.
O grupo de trabalho também analisou o uso dos suplementos em mulheres na pré-menopausa e em homens. O grupo concluiu que não era possível «avaliar o equilíbrio dos benefícios e malefícios» do uso de suplementos para prevenir fracturas nesses grupos.
As recomendações, porém, não se aplicam às pessoas com osteoporose ou deficiência de vitamina D, segundo o grupo.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=618617
O grupo, chamado Comissão de Serviços Preventivos dos Estados Unidos, que é um júri independente de especialistas em prevenção e cuidados de saúde primários, baseou as suas recomendações em extensas revisões de mais de uma centena de estudos.
Eles caracterizam doses baixas como 400 unidades internacionais ou menos de vitamina D e 1000 miligramas ou menos de cálcio. A ingestão desses valores diariamente, de acordo com as recomendações da comissão, «não apresenta nenhum benefício líquido para a prevenção primária de fracturas».
Mas existem boas evidências, disse o grupo, de que essa ingestão pode aumentar a probabilidade de pedras nos rins.
O grupo de trabalho também analisou o uso dos suplementos em mulheres na pré-menopausa e em homens. O grupo concluiu que não era possível «avaliar o equilíbrio dos benefícios e malefícios» do uso de suplementos para prevenir fracturas nesses grupos.
As recomendações, porém, não se aplicam às pessoas com osteoporose ou deficiência de vitamina D, segundo o grupo.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=618617
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Diário Digital: Coçar os olhos e usar colírio podem causar problemas irreversíveis
No Verão, é comum as pessoas lembrarem-se de usar protector solar. Mas muitos esquecem-se de usar óculos escuros. Os olhos, que também precisam de cuidados especiais nessa época do ano, geralmente são negligenciados. Não cuidar bem deles pode causar uma série de problemas – alguns irreversíveis.
O principal cuidado é fazer visitas periódicas ao oftalmologista. Muitos só procuram esse profissional quando sente algum incómodo – o que geralmente é sinal de um problema já enraizado ou em estágio avançado. «Muitos problemas de visão podem ser prevenidos com visitas periódicas ao oftalmologista. Casos que acabam por tornar-se graves poderiam ser resolvidos com um simples consulta», alerta a oftalmologista Andréa Lima Barbosa, directora-médica da Clínica dos Olhos São Francisco de Assis (RJ).
Para as pessoas que já têm problema de visão ou estão acima dos 40 anos, a recomendação é que a consulta seja feita anualmente. Os mais jovens e sem problemas oculares podem ser consultados a cada dois anos.
Usar óculos de sol é fundamental. E isso não deve ser feito apenas no Verão: durante todo o ano os olhos devem ser protegidos dos raios ultravioletas.
«Óculos com protecção contra raios UV devem ser usados em todas as estações, sempre que se fica exposto a essa radiação por mais de 15 minutos», explica Eduardo Rocha, professor de oftalmologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Sem a protecção adequada, a radiação pode causar problemas como irritações, queimaduras na córnea e tumores, além de favorecer o desenvolvimento de catarata e degeneração macular.
Mas é preciso ficar atento à qualidade dos óculos. Não basta que sejam escuros; também devem ter filtro contra os raios ultravioletas – caso contrário, podem ter efeito oposto, pois dilatam a pupila, permitindo a entrada de mais luz e, consequentemente, de mais raios nocivos.
Também é preciso prestar muita atenção a alguns hábitos que muitas pessoas têm, como coçar os olhos ou usar colírios sem prescrição médica. Coçar os olhos pode causar sérias lesões na córnea, e até mesmo levar ao desenvolvimento da ceratocone, uma deformação da córnea que a torna mais fina e com formato mais cónico.
Além disso, coçar os olhos com as mãos sujas aumenta o risco de alergias, irritações e até mesmo conjuntivite infecciosa. Usar colírio sem receita também traz riscos: «o uso indiscriminado de colírios pode causar uma importante perda de visão e até cegueira», alerta Carlos Eduardo Arieta, professor do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Unicamp.
Uma alimentação adequada é essencial para manter a saúde dos olhos. Pode ajudar a fortificá-los e até mesmo a evitar o aparecimento de alguns problemas. «Uma alimentação equilibrada, a fim de se ter um aporte de diversas vitaminas (incluindo a vitamina A), é muito importante para os olhos», diz o médico Jayter Silva de Paula, professor da faculdade de medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo).
Um dos principais nutrientes para a saúde dos olhos é a vitamina A. Tanto que um dos primeiros sintomas da sua deficiência no organismo é a cegueira nocturna. Portanto, é importante consumir alimentos ricos neste nutriente, como cenoura, abóbora, espinafre e fígado. Certos minerais também estão ligados à saúde dos olhos, como o zinco, que ajuda a reduzir o risco de DMRI (degeneração macular relacionada à idade).
Os carotenóides luteína e zeaxantina estão directamente ligados à saúde dos olhos, pois são encontradas na mácula (parte central da retina). Encontrados na laranja, mamão, couve-flor, ervilha e brócolos, absorvem o excesso de luz, têm efeito antioxidante e evitam a acumulação de gordura no interior dos vasos oculares.
Os antioxidantes também são muito importantes para a visão. Isso porque os olhos sofrem, assim como o resto do corpo, um processo natural de degeneração. E esses nutrientes impedem o dano celular causado pela oxidação. Segundo um estudo feito pelo National Institute of Health (The Age-Related Eye Disease Study - AREDS) os altos níveis de antioxidantes presentes nas vitaminas A, C e E reduzem significativamente o risco de desenvolver DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), e protegem os olhos contra a aterosclerose (acumulação de gordura nas paredes internas dos vasos oculares).
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=613367
O principal cuidado é fazer visitas periódicas ao oftalmologista. Muitos só procuram esse profissional quando sente algum incómodo – o que geralmente é sinal de um problema já enraizado ou em estágio avançado. «Muitos problemas de visão podem ser prevenidos com visitas periódicas ao oftalmologista. Casos que acabam por tornar-se graves poderiam ser resolvidos com um simples consulta», alerta a oftalmologista Andréa Lima Barbosa, directora-médica da Clínica dos Olhos São Francisco de Assis (RJ).
Para as pessoas que já têm problema de visão ou estão acima dos 40 anos, a recomendação é que a consulta seja feita anualmente. Os mais jovens e sem problemas oculares podem ser consultados a cada dois anos.
Usar óculos de sol é fundamental. E isso não deve ser feito apenas no Verão: durante todo o ano os olhos devem ser protegidos dos raios ultravioletas.
«Óculos com protecção contra raios UV devem ser usados em todas as estações, sempre que se fica exposto a essa radiação por mais de 15 minutos», explica Eduardo Rocha, professor de oftalmologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Sem a protecção adequada, a radiação pode causar problemas como irritações, queimaduras na córnea e tumores, além de favorecer o desenvolvimento de catarata e degeneração macular.
Mas é preciso ficar atento à qualidade dos óculos. Não basta que sejam escuros; também devem ter filtro contra os raios ultravioletas – caso contrário, podem ter efeito oposto, pois dilatam a pupila, permitindo a entrada de mais luz e, consequentemente, de mais raios nocivos.
Também é preciso prestar muita atenção a alguns hábitos que muitas pessoas têm, como coçar os olhos ou usar colírios sem prescrição médica. Coçar os olhos pode causar sérias lesões na córnea, e até mesmo levar ao desenvolvimento da ceratocone, uma deformação da córnea que a torna mais fina e com formato mais cónico.
Além disso, coçar os olhos com as mãos sujas aumenta o risco de alergias, irritações e até mesmo conjuntivite infecciosa. Usar colírio sem receita também traz riscos: «o uso indiscriminado de colírios pode causar uma importante perda de visão e até cegueira», alerta Carlos Eduardo Arieta, professor do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Unicamp.
Uma alimentação adequada é essencial para manter a saúde dos olhos. Pode ajudar a fortificá-los e até mesmo a evitar o aparecimento de alguns problemas. «Uma alimentação equilibrada, a fim de se ter um aporte de diversas vitaminas (incluindo a vitamina A), é muito importante para os olhos», diz o médico Jayter Silva de Paula, professor da faculdade de medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo).
Um dos principais nutrientes para a saúde dos olhos é a vitamina A. Tanto que um dos primeiros sintomas da sua deficiência no organismo é a cegueira nocturna. Portanto, é importante consumir alimentos ricos neste nutriente, como cenoura, abóbora, espinafre e fígado. Certos minerais também estão ligados à saúde dos olhos, como o zinco, que ajuda a reduzir o risco de DMRI (degeneração macular relacionada à idade).
Os carotenóides luteína e zeaxantina estão directamente ligados à saúde dos olhos, pois são encontradas na mácula (parte central da retina). Encontrados na laranja, mamão, couve-flor, ervilha e brócolos, absorvem o excesso de luz, têm efeito antioxidante e evitam a acumulação de gordura no interior dos vasos oculares.
Os antioxidantes também são muito importantes para a visão. Isso porque os olhos sofrem, assim como o resto do corpo, um processo natural de degeneração. E esses nutrientes impedem o dano celular causado pela oxidação. Segundo um estudo feito pelo National Institute of Health (The Age-Related Eye Disease Study - AREDS) os altos níveis de antioxidantes presentes nas vitaminas A, C e E reduzem significativamente o risco de desenvolver DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), e protegem os olhos contra a aterosclerose (acumulação de gordura nas paredes internas dos vasos oculares).
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=613367
domingo, 27 de janeiro de 2013
Diário Digital: Estudo: Fármaco para epilepsia tomado por grávidas tem efeito a longo prazo no QI das crianças
Investigadores norte-americanos concluíram que um fármaco que afeta a capacidade cognitiva de filhos de mulheres que tomaram medicação para a epilepsia durante a gravidez tem um impacto a longo prazo no seu quociente de inteligência (QI).
Os investigadores realizaram testes de acompanhamento no mesmo grupo de crianças cujo estudo em 2009 levou ao alerta do instituto regulador para a saúde nos Estados Unidos sobre os potenciais riscos do medicamento valproate na gravidez.
As crianças, examinadas aos três anos, tinham uma capacidade cognitiva abaixo da média, o que levou a agência para o medicamento norte-americana (FDA – Food and Drug Administration) a emitir um alerta acerca do uso do remédio durante a gravidez.
A nova investigação, publicada na revista The Lancet Neurology, analisou as mesmas crianças aos seis anos, descobrindo que os filhos de mulheres que tinham utilizado valproate na gravidez tinham um QI sete a 10 pontos inferior ao de crianças cujas mães tinham tomado um de três outros medicamentos para a epilepsia.
Quanto maior era a dose de valproate tomada pela mãe durante a gravidez maior era a divergência ao nível do quociente de inteligência. As capacidades verbais e de memória também foram afetadas.
O estudo, realizado entre outubro de 1999 e fevereiro de 2004, por Kimford Meador, na Universidade Emory, em Atlanta (Geórgia), englobou 305 mulheres grávidas que utilizaram valproate, carbamazepine, lamotrigine ou phenytoin.
A primeira investigação integrou 311 crianças nos Estados Unidos e no Reino Unido e a segunda 224 daquelas.
Para algumas pessoas, o valproate é o único medicamento que consegue controlar a epilepsia.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=611894
Os investigadores realizaram testes de acompanhamento no mesmo grupo de crianças cujo estudo em 2009 levou ao alerta do instituto regulador para a saúde nos Estados Unidos sobre os potenciais riscos do medicamento valproate na gravidez.
As crianças, examinadas aos três anos, tinham uma capacidade cognitiva abaixo da média, o que levou a agência para o medicamento norte-americana (FDA – Food and Drug Administration) a emitir um alerta acerca do uso do remédio durante a gravidez.
A nova investigação, publicada na revista The Lancet Neurology, analisou as mesmas crianças aos seis anos, descobrindo que os filhos de mulheres que tinham utilizado valproate na gravidez tinham um QI sete a 10 pontos inferior ao de crianças cujas mães tinham tomado um de três outros medicamentos para a epilepsia.
Quanto maior era a dose de valproate tomada pela mãe durante a gravidez maior era a divergência ao nível do quociente de inteligência. As capacidades verbais e de memória também foram afetadas.
O estudo, realizado entre outubro de 1999 e fevereiro de 2004, por Kimford Meador, na Universidade Emory, em Atlanta (Geórgia), englobou 305 mulheres grávidas que utilizaram valproate, carbamazepine, lamotrigine ou phenytoin.
A primeira investigação integrou 311 crianças nos Estados Unidos e no Reino Unido e a segunda 224 daquelas.
Para algumas pessoas, o valproate é o único medicamento que consegue controlar a epilepsia.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=611894
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Jornal i: Anti-depressivos não aumentam gravidez de risco
O uso de anti-depressivos durante a gravidez não está associada a um maior risco de morte fetal e de morte nos recém-nascidos, indica um estudo divulgado na terça-feira.
O estudo sueco tem por base mais de 1,6 milhões de nascimentos em cinco países, incluindo cerca de 30.000 mulheres às quais foi prescrita medicação SSRI (ou ISRS - inibidores seletivos da recaptação da serotonina, fármacos usados no tratamento de síndromes depressivas) durante a gravidez.
Os investigadores descobriram que 1,79 % das mães expostas ao SSRI apresentaram maiores riscos de morte fetal (4,62 contra 3,69 em 1.000) e morte pós-neonatal (1,38 versus 0,96) do que aquelas que não estavam a tomar medicamentos anti-depressivos.
De acordo com o estudo, o tabagismo e a idade avançada das mães estavam igualmente associados a taxas de mortalidade neonatal mais elevadas.
O estudo "sugere que o uso de ISRS durante a gravidez não foi associado ao aumento do risco de óbito fetal, óbito neonatal, ou morte pós-neonatal", disseram os autores da investigação liderada por Olof Stephansson, do Karolinska Institutet, em Estocolmo.
http://www.ionline.pt/mundo/anti-depressivos-nao-aumentam-gravidez-risco
O estudo sueco tem por base mais de 1,6 milhões de nascimentos em cinco países, incluindo cerca de 30.000 mulheres às quais foi prescrita medicação SSRI (ou ISRS - inibidores seletivos da recaptação da serotonina, fármacos usados no tratamento de síndromes depressivas) durante a gravidez.
Os investigadores descobriram que 1,79 % das mães expostas ao SSRI apresentaram maiores riscos de morte fetal (4,62 contra 3,69 em 1.000) e morte pós-neonatal (1,38 versus 0,96) do que aquelas que não estavam a tomar medicamentos anti-depressivos.
De acordo com o estudo, o tabagismo e a idade avançada das mães estavam igualmente associados a taxas de mortalidade neonatal mais elevadas.
O estudo "sugere que o uso de ISRS durante a gravidez não foi associado ao aumento do risco de óbito fetal, óbito neonatal, ou morte pós-neonatal", disseram os autores da investigação liderada por Olof Stephansson, do Karolinska Institutet, em Estocolmo.
http://www.ionline.pt/mundo/anti-depressivos-nao-aumentam-gravidez-risco
sábado, 29 de dezembro de 2012
Diário Digital: Antibióticos não funcionam contra tosse, diz estudo
Antibióticos são ineficazes para tratar pacientes com tosse persistente causada por infecções pulmonares, segundo um estudo publicado pela revista especializada Lancet.
O estudo, realizado com mais de 2.000 pacientes de 12 países europeus, verificou que a duração e a gravidade dos sintomas nos que foram tratados com antibióticos não foi diferente dos que foram tratados com placebos.
Mas especialistas advertem que em casos de suspeita de pneumonia, os antibióticos devem, ainda assim, ser usados, devido à gravidade da doença.
A pesquisa, realizada entre Novembro de 2007 e Abril de 2010 em países como a Bélgica, Grã-Bretanha, França e Alemanha, contou com a participação de 2.061 pacientes que apresentavam uma tosse persistente por mais de 28 dias, com suspeita de infecções pulmonares, como bronquite.
Os participantes preencheram um «diário da doença» ao longo do tratamento e classificaram a gravidade dos seus sintomas, que incluíam tosse, falta de ar, dores no peito e narizes entupidos.
Paul Little, da Universidade de Southampton, que liderou a pesquisa, afirmou: «a receita do antibiótico amoxicilina no tratamento de infecções respiratórias em pacientes em que não há suspeitas de pneumonia não deve contribuir para a melhoria do paciente e pode até provocar danos».
De acordo com o pesquisador, «a prescrição médica excessiva de antibióticos, especialmente quando eles são ineficazes, pode fazer com que estes pacientes desenvolvam resistência e sofram efeitos colaterais, como diarreia, alergias e vómitos».
«As nossas conclusões mostram que as pessoas estão melhores quando não tomam nada. Mas como um pequeno número de pacientes irá beneficiar dos efeitos dos antibióticos, o nosso desafio continua a ser identificar esses indivíduos», afirma.
Michael Moore, do Colégio Real de Clínicos Gerais da Grã-Bretanha e co-autor do estudo, afirmou que «é importante que clínicos gerais tenham conhecimento claro sobre quando podem ou não prescrever antibióticos para pacientes de modo a reduzir o aparecimento da resistência bacteriana».
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608056
O estudo, realizado com mais de 2.000 pacientes de 12 países europeus, verificou que a duração e a gravidade dos sintomas nos que foram tratados com antibióticos não foi diferente dos que foram tratados com placebos.
Mas especialistas advertem que em casos de suspeita de pneumonia, os antibióticos devem, ainda assim, ser usados, devido à gravidade da doença.
A pesquisa, realizada entre Novembro de 2007 e Abril de 2010 em países como a Bélgica, Grã-Bretanha, França e Alemanha, contou com a participação de 2.061 pacientes que apresentavam uma tosse persistente por mais de 28 dias, com suspeita de infecções pulmonares, como bronquite.
Os participantes preencheram um «diário da doença» ao longo do tratamento e classificaram a gravidade dos seus sintomas, que incluíam tosse, falta de ar, dores no peito e narizes entupidos.
Paul Little, da Universidade de Southampton, que liderou a pesquisa, afirmou: «a receita do antibiótico amoxicilina no tratamento de infecções respiratórias em pacientes em que não há suspeitas de pneumonia não deve contribuir para a melhoria do paciente e pode até provocar danos».
De acordo com o pesquisador, «a prescrição médica excessiva de antibióticos, especialmente quando eles são ineficazes, pode fazer com que estes pacientes desenvolvam resistência e sofram efeitos colaterais, como diarreia, alergias e vómitos».
«As nossas conclusões mostram que as pessoas estão melhores quando não tomam nada. Mas como um pequeno número de pacientes irá beneficiar dos efeitos dos antibióticos, o nosso desafio continua a ser identificar esses indivíduos», afirma.
Michael Moore, do Colégio Real de Clínicos Gerais da Grã-Bretanha e co-autor do estudo, afirmou que «é importante que clínicos gerais tenham conhecimento claro sobre quando podem ou não prescrever antibióticos para pacientes de modo a reduzir o aparecimento da resistência bacteriana».
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608056
sábado, 10 de novembro de 2012
Sol: Crianças mais medicadas
Ricardo era um miúdo irrequieto que, aos cinco anos, dificilmente conseguia concentrar-se ou cumprir uma tarefa até ao fim. Mais complicado ainda, conta o pai, era conseguir «que obedecesse a qualquer ordem dos adultos».
Até que, desesperados, os pais decidiram consultar um psiquiatra. Diagnóstico: hiperactividade e défice de atenção. Tratamento: algumas gotas, várias vezes ao dia, de um fármaco chamado Ritalina – o mais famoso dos três psicoestimulantes comercializados em Portugal e cujo consumo em crianças disparou nos últimos anos.
Segundo dados da consultora IMS Health avançados ao SOL, nos primeiros nove meses deste ano, foram comercializadas nas farmácias quase 164 mil embalagens destes medicamentos, mais 21 mil do que no mesmo período do ano passado. E o aumento tem sido constante nos últimos anos. Em 2011, foram vendidas 203.523 embalagens, quase o dobro das transaccionadas quatro anos antes.
Os números estão a preocupar a comunidade médica, que alerta para os perigos do excesso de diagnósticos, e dividem os pais, com alguns a temerem os efeitos de um medicamento que interfere no sistema nervoso central dos filhos durante o crescimento, e que causa, entre outros efeitos secundários, a perda de apetite e a dificuldade em adormecer. Aliás, muitos decidem mesmo não seguir as recomendações médicas.
Foi o caso dos pais de Ricardo que, há um ano, optaram por experimentar outras terapias. «Com a Ritalina, ele começou a ter tiques. Mexia constantemente no nariz, e balançava-se em onda, lembra António, o pai, explicando que a falta de apetite tinha-se tornado outro obstáculo. Além disso, acrescenta, «a personalidade dele também mudou, tornou-se mais apático».
Até agora, a experiência de lidar com um filho «mais difícil» que as duas irmãs mais velhas, sem medicação, «está a correr bem»: «No quinto ano, o Ricardo teve alguns cincos e vários quatros, conseguiu ter notas medianas». Quanto ao comportamento, ainda está longe de ser perfeito: «Continua a ter dificuldade em lidar com ordens e tivemos de estabelecer regras muito definidas, ajudá-lo a treinar o traço, a lidar com a frustração. Tem de ser um dia de cada vez».
Cem mil hiperactivos
Ricardo, hoje com 11 anos, é uma das 100 mil crianças portuguesas em idade escolar diagnosticadas com hiperactividade e défice de atenção (o número de rapazes sinalizados é quatro vezes superior ao das raparigas), segundo dados da Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva.
Grande parte estará medicada com o metilfenidato, o princípio activo do medicamento indicado nestas situações e que, em Portugal, é comercializado sob os nomes de Ritalina, de Conserta e de Rubinefe. «Apenas metade destas crianças sofre do distúrbio. Diria 50 mil, no máximo», avisa a presidente e fundadora da associação, Linda Serrão.
Mãe de três crianças hiperactivas– e que cresceram a tomar os três fármacos que actuam de formas diferentes no organismo (ver entrevista ao lado) –, Linda Serrão conhece bem os métodos de tratamento disponíveis em Portugal e a evolução dos números nos últimos anos. E é peremptória: «Há demasiadas más avaliações. Muitas crianças têm outros problemas, como a dislexia, por exemplo, e são diagnosticadas com hiperactividade, e muitas outras são hiperactivas e nunca chegam a ser diagnosticadas. Isto é muito preocupante».
A dificuldade na avaliação da doença é, aliás, um dos problemas apontados pelos especialistas que falam numa «epidemia de hiperactividade»: «Passa-se o mesmo do que com as depressões. Se as pessoas estão tristes, a tendência é para apontar logo para uma depressão», avisa Fernando Santos, director do serviço de pedopsiquiatria do Hospital da Luz, em Lisboa.
A questão, explica o médico, é que «não há nenhum exame que determine se a criança é hiperactiva ou se tem outro problema».
Daí que seja «fundamental excluir outros distúrbios com sintomas semelhantes, como é o caso da depressão ou de traumas por que a criança passe, como um divórcio, que também provocam agitação, por exemplo», acrescenta o especialista.
A cautela no diagnóstico é sublinhada pelos vários especialistas. Mónica Pinto, pediatra do neurodesenvolvimento do Centro Diferenças, especializado neste tipo de distúrbios, defende que «deve haver um grande cuidado na avaliação», especialmente nas «crianças em idade pré-escolar [altura em que se faz a maior parte dos diagnósticos], uma vez que há crianças agitadas que aos 6-7 anos normalizam e não precisam de medicação».
Para a médica, o aumento dos casos diagnosticados tem uma justificação: «Houve um período em que a hiperactividade foi a ‘doença da moda’». Por isso, avisa: «Devem primeiro esgotar-se outras formas de intervenção».
Consumo controverso
O facto de o consumo destes medicamentos ser controverso tem criado conflitos nas próprias famílias. Nuno, pai divorciado de um rapaz de 12 anos, tem dificuldades em lidar com a decisão da mãe de dar Ritalina ao filho, apesar da sua oposição. «Há três anos, achou que ele andava muito nervoso, agitado, que tirava más notas», , conta, considerando ser fácil perceber o motivo da agitação: «Foi pouco depois de nos separarmos!».
Mas a pedopsiquiatra concordou com mãe e diagnosticou ao menor hiperactividade e défice de atenção numa fase ligeira. Desde então, Tomás faz tratamentos diários com as famosas gotas. Mesmo no tempo em que está com o pai, o tratamento não é interrompido.
Nuno vive cheio de dúvidas e medo dos efeitos da Ritalina a longo prazo. «Ele fica demasiado parado, não parece o mesmo», lamenta. E, acrescenta, «custa-me estar a dar-lhe estas coisas tão novo, que interferem no sistema nervoso».
Os médicos, porém, garantem que estes psicoestimulantes não deixam sequelas no crescimento. Mas admitem outros efeitos. «Há a possibilidade de comprometer em um ou dois centímetros a estatura final em alguns casos», diz a pediatra Mónica Pinto.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=61408
Até que, desesperados, os pais decidiram consultar um psiquiatra. Diagnóstico: hiperactividade e défice de atenção. Tratamento: algumas gotas, várias vezes ao dia, de um fármaco chamado Ritalina – o mais famoso dos três psicoestimulantes comercializados em Portugal e cujo consumo em crianças disparou nos últimos anos.
Segundo dados da consultora IMS Health avançados ao SOL, nos primeiros nove meses deste ano, foram comercializadas nas farmácias quase 164 mil embalagens destes medicamentos, mais 21 mil do que no mesmo período do ano passado. E o aumento tem sido constante nos últimos anos. Em 2011, foram vendidas 203.523 embalagens, quase o dobro das transaccionadas quatro anos antes.
Os números estão a preocupar a comunidade médica, que alerta para os perigos do excesso de diagnósticos, e dividem os pais, com alguns a temerem os efeitos de um medicamento que interfere no sistema nervoso central dos filhos durante o crescimento, e que causa, entre outros efeitos secundários, a perda de apetite e a dificuldade em adormecer. Aliás, muitos decidem mesmo não seguir as recomendações médicas.
Foi o caso dos pais de Ricardo que, há um ano, optaram por experimentar outras terapias. «Com a Ritalina, ele começou a ter tiques. Mexia constantemente no nariz, e balançava-se em onda, lembra António, o pai, explicando que a falta de apetite tinha-se tornado outro obstáculo. Além disso, acrescenta, «a personalidade dele também mudou, tornou-se mais apático».
Até agora, a experiência de lidar com um filho «mais difícil» que as duas irmãs mais velhas, sem medicação, «está a correr bem»: «No quinto ano, o Ricardo teve alguns cincos e vários quatros, conseguiu ter notas medianas». Quanto ao comportamento, ainda está longe de ser perfeito: «Continua a ter dificuldade em lidar com ordens e tivemos de estabelecer regras muito definidas, ajudá-lo a treinar o traço, a lidar com a frustração. Tem de ser um dia de cada vez».
Cem mil hiperactivos
Ricardo, hoje com 11 anos, é uma das 100 mil crianças portuguesas em idade escolar diagnosticadas com hiperactividade e défice de atenção (o número de rapazes sinalizados é quatro vezes superior ao das raparigas), segundo dados da Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva.
Grande parte estará medicada com o metilfenidato, o princípio activo do medicamento indicado nestas situações e que, em Portugal, é comercializado sob os nomes de Ritalina, de Conserta e de Rubinefe. «Apenas metade destas crianças sofre do distúrbio. Diria 50 mil, no máximo», avisa a presidente e fundadora da associação, Linda Serrão.
Mãe de três crianças hiperactivas– e que cresceram a tomar os três fármacos que actuam de formas diferentes no organismo (ver entrevista ao lado) –, Linda Serrão conhece bem os métodos de tratamento disponíveis em Portugal e a evolução dos números nos últimos anos. E é peremptória: «Há demasiadas más avaliações. Muitas crianças têm outros problemas, como a dislexia, por exemplo, e são diagnosticadas com hiperactividade, e muitas outras são hiperactivas e nunca chegam a ser diagnosticadas. Isto é muito preocupante».
A dificuldade na avaliação da doença é, aliás, um dos problemas apontados pelos especialistas que falam numa «epidemia de hiperactividade»: «Passa-se o mesmo do que com as depressões. Se as pessoas estão tristes, a tendência é para apontar logo para uma depressão», avisa Fernando Santos, director do serviço de pedopsiquiatria do Hospital da Luz, em Lisboa.
A questão, explica o médico, é que «não há nenhum exame que determine se a criança é hiperactiva ou se tem outro problema».
Daí que seja «fundamental excluir outros distúrbios com sintomas semelhantes, como é o caso da depressão ou de traumas por que a criança passe, como um divórcio, que também provocam agitação, por exemplo», acrescenta o especialista.
A cautela no diagnóstico é sublinhada pelos vários especialistas. Mónica Pinto, pediatra do neurodesenvolvimento do Centro Diferenças, especializado neste tipo de distúrbios, defende que «deve haver um grande cuidado na avaliação», especialmente nas «crianças em idade pré-escolar [altura em que se faz a maior parte dos diagnósticos], uma vez que há crianças agitadas que aos 6-7 anos normalizam e não precisam de medicação».
Para a médica, o aumento dos casos diagnosticados tem uma justificação: «Houve um período em que a hiperactividade foi a ‘doença da moda’». Por isso, avisa: «Devem primeiro esgotar-se outras formas de intervenção».
Consumo controverso
O facto de o consumo destes medicamentos ser controverso tem criado conflitos nas próprias famílias. Nuno, pai divorciado de um rapaz de 12 anos, tem dificuldades em lidar com a decisão da mãe de dar Ritalina ao filho, apesar da sua oposição. «Há três anos, achou que ele andava muito nervoso, agitado, que tirava más notas», , conta, considerando ser fácil perceber o motivo da agitação: «Foi pouco depois de nos separarmos!».
Mas a pedopsiquiatra concordou com mãe e diagnosticou ao menor hiperactividade e défice de atenção numa fase ligeira. Desde então, Tomás faz tratamentos diários com as famosas gotas. Mesmo no tempo em que está com o pai, o tratamento não é interrompido.
Nuno vive cheio de dúvidas e medo dos efeitos da Ritalina a longo prazo. «Ele fica demasiado parado, não parece o mesmo», lamenta. E, acrescenta, «custa-me estar a dar-lhe estas coisas tão novo, que interferem no sistema nervoso».
Os médicos, porém, garantem que estes psicoestimulantes não deixam sequelas no crescimento. Mas admitem outros efeitos. «Há a possibilidade de comprometer em um ou dois centímetros a estatura final em alguns casos», diz a pediatra Mónica Pinto.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=61408
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Diário Digital: Cientistas japoneses desenvolveram radioterapia que distingue células malignas
Uma equipa de investigadores japoneses desenvolveu uma tecnologia de radioterapia com neutrões que destrói apenas as células malignas em casos de tumor cerebral sem danificar o tecido saudável, informou hoje o diário «Nikkei».
A equipa que alcançou este feito é formada por cientistas da Faculdade de Medicina de Osaka, da Universidade de Quioto, da farmacêutica Stella Pharma e da empresa Suimoto Heavy Industries.
A técnica desenvolvida passa pela utilização de um acelerador de partículas, com cerca de três metros de largura e cujo preço varia entre os dois e os três mil milhões de ienes (entre 20 e 30 milhões de euros) em vez de um reator para criar neutrões destinados à terapia.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=590103
A equipa que alcançou este feito é formada por cientistas da Faculdade de Medicina de Osaka, da Universidade de Quioto, da farmacêutica Stella Pharma e da empresa Suimoto Heavy Industries.
A técnica desenvolvida passa pela utilização de um acelerador de partículas, com cerca de três metros de largura e cujo preço varia entre os dois e os três mil milhões de ienes (entre 20 e 30 milhões de euros) em vez de um reator para criar neutrões destinados à terapia.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=590103
domingo, 15 de julho de 2012
Público: Proteína do casulo do bicho-da-seda dispensa refrigeração de medicamentos
Uma equipa norte-americana conseguiu manter activos durante meses, a temperaturas bastante acima da temperatura ambiente, vacinas e medicamentos que normalmente precisam de ser refrigerados, embrulhando-os dentro de uma espécie de “plástico de nanobolhas”.
Sob a acção do calor e da água, as proteínas activas de muitas vacinas e fármacos não conservam a sua estrutura tridimensional (essencial à sua acção), desdobrando-se e perdendo eficácia. Do fabrico ao destino final, a vacina tríplice contra o sarampo, papeira e rubéola, por exemplo, ou antibióticos como a penicilina, exigem uma refrigeração constante e condições controladas de humidade. Estima-se que quase metade das doses de vacinas produzidas no mundo se estraguem devido a quebras nessa “cadeia do frio”.
A técnica agora descoberta por David Kaplan e colegas da Universidade Tufts, EUA – e descrita na revista Proceedings of the National Academy of Sciences –, consiste em estabilizar as moléculas dos fármacos utilizando fibroína, uma proteína da seda do casulo do bicho-da-seda. Para isso, a seda é “embebida” com o fármaco a conservar.
A fibroína apresenta-se em camadas cristalinas entrelaçadas e a sua estrutura contém um grande número de diminutas cavidades. É dentro dessas cavidades que foi agora possível “capturar” e imobilizar as proteínas medicamentosas, impedindo que elas se desdobrem, mesmo a temperaturas elevadas. E como as cavidades são “hidrofóbicas”, ou seja repelem a água, as biomoléculas também ficaram protegidas da humidade.
Os investigadores observaram então que a penicilina “armazenada” neste invólucro (inócuo para a saúde) retinha toda a sua eficácia após um mês a 60 graus Celsius, ao passo que numa solução convencional, a mesma a substância, à mesma temperatura, perdera toda a sua actividade antibiótica em apenas 24 horas. Quanto aos componentes da vacina tríplice, retinham 85% da sua potência inicial após seis meses de armazenamento, a 45 graus Celsius, dentro de películas de seda liofilizada.
A estabilização dentro da seda “tem o potencial de mudar significativamente a maneira de conservar os fármacos, em particular nos países em desenvolvimento”, diz Jeney Zhang, co-autor dos resultados.
Os cientistas descobriram ainda algo que não tinham previsto: que o tratamento também protege as biomoléculas da degradação pela luz. E por enquanto, salientam, não encontraram nenhum fármaco que não fosse possível estabilizar.
Mais: como a seda pode ser moldada em forma de micro-agulhas, micro-vesículas e em finas películas, o próprio meio de armazenamento também poderá servir, directamente, como veículo para a sua administração.
http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/proteina-do-casulo-do-bichodaseda-dispensa-refrigeracao-de-medicamentos-1554257
Sob a acção do calor e da água, as proteínas activas de muitas vacinas e fármacos não conservam a sua estrutura tridimensional (essencial à sua acção), desdobrando-se e perdendo eficácia. Do fabrico ao destino final, a vacina tríplice contra o sarampo, papeira e rubéola, por exemplo, ou antibióticos como a penicilina, exigem uma refrigeração constante e condições controladas de humidade. Estima-se que quase metade das doses de vacinas produzidas no mundo se estraguem devido a quebras nessa “cadeia do frio”.
A técnica agora descoberta por David Kaplan e colegas da Universidade Tufts, EUA – e descrita na revista Proceedings of the National Academy of Sciences –, consiste em estabilizar as moléculas dos fármacos utilizando fibroína, uma proteína da seda do casulo do bicho-da-seda. Para isso, a seda é “embebida” com o fármaco a conservar.
A fibroína apresenta-se em camadas cristalinas entrelaçadas e a sua estrutura contém um grande número de diminutas cavidades. É dentro dessas cavidades que foi agora possível “capturar” e imobilizar as proteínas medicamentosas, impedindo que elas se desdobrem, mesmo a temperaturas elevadas. E como as cavidades são “hidrofóbicas”, ou seja repelem a água, as biomoléculas também ficaram protegidas da humidade.
Os investigadores observaram então que a penicilina “armazenada” neste invólucro (inócuo para a saúde) retinha toda a sua eficácia após um mês a 60 graus Celsius, ao passo que numa solução convencional, a mesma a substância, à mesma temperatura, perdera toda a sua actividade antibiótica em apenas 24 horas. Quanto aos componentes da vacina tríplice, retinham 85% da sua potência inicial após seis meses de armazenamento, a 45 graus Celsius, dentro de películas de seda liofilizada.
A estabilização dentro da seda “tem o potencial de mudar significativamente a maneira de conservar os fármacos, em particular nos países em desenvolvimento”, diz Jeney Zhang, co-autor dos resultados.
Os cientistas descobriram ainda algo que não tinham previsto: que o tratamento também protege as biomoléculas da degradação pela luz. E por enquanto, salientam, não encontraram nenhum fármaco que não fosse possível estabilizar.
Mais: como a seda pode ser moldada em forma de micro-agulhas, micro-vesículas e em finas películas, o próprio meio de armazenamento também poderá servir, directamente, como veículo para a sua administração.
http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/proteina-do-casulo-do-bichodaseda-dispensa-refrigeracao-de-medicamentos-1554257
domingo, 27 de maio de 2012
Diário Digital: Estudo: DIU é mais eficaz que pílula para prevenir gravidez
As mulheres que usam pílula, adesivo contraceptivo ou anel vaginal têm 20 vezes mais probabilidades de ficarem grávidas que as que utilizam métodos de longa duração, como o dispositivo intra-uterino (DIU), segundo um estudo publicado nos Estados Unidos.
Entre as mulheres de até 21 anos que optam pela pílula, pelo adesivo (trocado uma vez por semana) ou pelo anel vaginal, o risco de gravidez é quase duas vezes maior que entre as mulheres mais velhas, constataram os autores dessa pesquisa, realizada com 7.500 participantes de 14 e 45 anos.
O trabalho foi publicado na revista médica The New England Journal of Medicine de 24 de Maio.
Os resultados sugerem que um uso mais frequente dos DIU ou dos implantes hormonais no lugar de outros métodos contraceptivos poderia evitar um número importante de concepções não desejadas.
«Este estudo é a melhor demonstração de que os métodos contraceptivos de longo prazo são superiores que a pílula, o adesivo ou o anel vaginal», disse Jeffrey Peipert, professor de ginecologia da Escola de Medicina da Universidade de Washington (Missouri, centro), principal autor do estudo.
«O DIU e os implantes são muito mais eficazes porque as mulheres podem esquecer-se da questão uma vez que o ginecologista os coloca», completou.
O DIU hormonal é eficaz durante cinco anos e o DIU de cobre pelo menos 10 anos, enquanto o implante hormonal permanece activo por três anos, disse o médico.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=574462
Entre as mulheres de até 21 anos que optam pela pílula, pelo adesivo (trocado uma vez por semana) ou pelo anel vaginal, o risco de gravidez é quase duas vezes maior que entre as mulheres mais velhas, constataram os autores dessa pesquisa, realizada com 7.500 participantes de 14 e 45 anos.
O trabalho foi publicado na revista médica The New England Journal of Medicine de 24 de Maio.
Os resultados sugerem que um uso mais frequente dos DIU ou dos implantes hormonais no lugar de outros métodos contraceptivos poderia evitar um número importante de concepções não desejadas.
«Este estudo é a melhor demonstração de que os métodos contraceptivos de longo prazo são superiores que a pílula, o adesivo ou o anel vaginal», disse Jeffrey Peipert, professor de ginecologia da Escola de Medicina da Universidade de Washington (Missouri, centro), principal autor do estudo.
«O DIU e os implantes são muito mais eficazes porque as mulheres podem esquecer-se da questão uma vez que o ginecologista os coloca», completou.
O DIU hormonal é eficaz durante cinco anos e o DIU de cobre pelo menos 10 anos, enquanto o implante hormonal permanece activo por três anos, disse o médico.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=574462
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Público: Crioestaminal suspendeu anúncio polémico
Depois de o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo ter exigido junto do Instituto Português do Sangue e Transplantação a suspensão imediata de um anúncio da Crioestaminal em que uma criança aparece a perguntar aos progenitores se tinham guardado as suas células estaminais, a empresa anunciou, em nota informativa, que já tinha decidido cancelar na sexta-feira o filme publicitário que tantas críticas suscitou, “a pedido de muitos Pais e Mães”.
O anúncio publicitário em causa indica que há uma hipótese em 200 de as crianças virem a sofrer de doenças como a leucemia, linfoma ou tumores sólidos, “cujo tratamento pode encontrar-se nas suas células estaminais”. No fim do spot televisivo ouve-se uma criança sentada no que parece ser uma marquesa perguntar: ‘Mãe, pai, guardaram as minhas células?”
À semelhança de vários médicos, que se indignaram com o teor do anúncio, a direcção do colégio da especialidade de Imunohemoterapia da Ordem dos Médicos (OM) criticou também esta campanha com veemência, em carta enviada ao bastonário José Manuel Silva, alegando que contém “falsidades científicas”. Os especialistas pedem a “imediata intervenção” do bastonário e repudiam “a exploração da ignorância e a utilização abusiva e distorcida de dados científicos quanto a doenças onde se aplicam as células estaminais”. “No caso de doença na família tratável com sangue de um dador relacionado, o banco público procede à criopreservação de dádivas dirigidas, pelo que o uso familiar está garantido”, lembram, sublinhando que “não há assim qualquer motivo para recomendar medicamente a criopreservação em banco privado”. Alertam, a propósito, para a a necessidade de dotar o banco público de células estaminais (Lusocord) “dos meios necessários ao seu desenvolvimento e ao seu cabal funcionamento, de forma a rapidamente poder libertar unidades para os doentes que dele necessitam” [o banco público não recebeu ainda o financiamento que estava previsto para este ano].
A direcção do colégio de especialistas da OM chama ainda a atenção “para as repercurssões negativas, a nível internacional, da passividade das autoridades nacionais face ao historial de publicidade enganosa, quer na comunicação social, quer através dos comerciais que contactam com as grávidas” nos hospitais e centros de saúde.
Para responder à proposta de João Semedo (que, além da suspensão do anúncio, sugeriu a abertura de um processo de averiguações), a Crioestaminal aproveita para destacar, na nota informativa, “alguns factos científicos”, nomeadamente o de que “todos os anos 85 mil cordões umbilicais, cheios de células estaminais, não são aproveitados e actualmente “são mais de 80 as doenças tratadas” com sangue do cordão umbilical –e remete, a propósito, para o site do banco público de Nova Iorque. O PÚBLICO pediu uma reacção ao presidente do Instituto do Sangue, mas não obteve resposta.
http://www.publico.pt/Sociedade/crioestaminal-suspendeu-anuncio-polemico-1547056
O anúncio publicitário em causa indica que há uma hipótese em 200 de as crianças virem a sofrer de doenças como a leucemia, linfoma ou tumores sólidos, “cujo tratamento pode encontrar-se nas suas células estaminais”. No fim do spot televisivo ouve-se uma criança sentada no que parece ser uma marquesa perguntar: ‘Mãe, pai, guardaram as minhas células?”
À semelhança de vários médicos, que se indignaram com o teor do anúncio, a direcção do colégio da especialidade de Imunohemoterapia da Ordem dos Médicos (OM) criticou também esta campanha com veemência, em carta enviada ao bastonário José Manuel Silva, alegando que contém “falsidades científicas”. Os especialistas pedem a “imediata intervenção” do bastonário e repudiam “a exploração da ignorância e a utilização abusiva e distorcida de dados científicos quanto a doenças onde se aplicam as células estaminais”. “No caso de doença na família tratável com sangue de um dador relacionado, o banco público procede à criopreservação de dádivas dirigidas, pelo que o uso familiar está garantido”, lembram, sublinhando que “não há assim qualquer motivo para recomendar medicamente a criopreservação em banco privado”. Alertam, a propósito, para a a necessidade de dotar o banco público de células estaminais (Lusocord) “dos meios necessários ao seu desenvolvimento e ao seu cabal funcionamento, de forma a rapidamente poder libertar unidades para os doentes que dele necessitam” [o banco público não recebeu ainda o financiamento que estava previsto para este ano].
A direcção do colégio de especialistas da OM chama ainda a atenção “para as repercurssões negativas, a nível internacional, da passividade das autoridades nacionais face ao historial de publicidade enganosa, quer na comunicação social, quer através dos comerciais que contactam com as grávidas” nos hospitais e centros de saúde.
Para responder à proposta de João Semedo (que, além da suspensão do anúncio, sugeriu a abertura de um processo de averiguações), a Crioestaminal aproveita para destacar, na nota informativa, “alguns factos científicos”, nomeadamente o de que “todos os anos 85 mil cordões umbilicais, cheios de células estaminais, não são aproveitados e actualmente “são mais de 80 as doenças tratadas” com sangue do cordão umbilical –e remete, a propósito, para o site do banco público de Nova Iorque. O PÚBLICO pediu uma reacção ao presidente do Instituto do Sangue, mas não obteve resposta.
http://www.publico.pt/Sociedade/crioestaminal-suspendeu-anuncio-polemico-1547056
Diário Digital: Médicos querem intervenção do bastonário contra falsidades da Crioestaminal
A direção do Colégio de Especialidade de Imunohemoterapia acusou a Crioestaminal de divulgar falsidades no seu anúncio publicitário e de ter um comportamento antiético, pelo que solicitou a imediata intervenção do bastonário da Ordem dos Médicos.
Numa carta assinada pelo presidente do Colégio de Especialistas de Imunohemoterapia, Álvaro Monteiro, estes médicos repudiam também as acusações lançadas contra os médicos pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais, Rui Reis, que na altura criticou os médicos que se opuseram ao anúncio.
Em causa está um anúncio publicitário da crioestaminal, em que é apontada uma hipótese em 200 de as crianças virem no futuro a desenvolver doenças como leucemia, linfoma ou tumores sólidos, passíveis de serem tratadas com células estaminais das próprias ou de um irmão.
Os especialistas em imunohemoterapia repudiam a “exploração da ignorância e a utilização abusiva e distorcida de dados científicos quanto a doenças onde se aplicam as células estaminais” e reprovam a ligação publicitária feita a células criopreservadas para uso pessoal ou familiar, “por ser incorreta e cientificamente falsa”.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, é apontado como antiético promover expectativas nos pais aos quais é vendido um falso seguro de saúde para tratar doenças para as quais ainda não há qualquer evidência clínica de benefício, e lembram que para estas doenças há alternativas terapêuticas.
A direção do Colégio reprova também a confusão intencional do material publicitário das empresas privadas, que misturam doenças, a maioria das quais apenas exclusivamente tratadas com células do cordão de dadores não relacionados.
Os especialistas lembram que no caso de doença na família tratável com sangue de um dador relacionado, o Banco Publico procede à criopreservação de dádivas dirigidas, pelo que o uso familiar está garantido.
Não há assim qualquer motivo para recomendar medicamente a criopreservação em Banco Privado, sublinham.
Sobre o presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais, a direção do colégio repudiou as suas afirmações depreciativas em relação aos médicos proferidas à comunicação social, “pela profunda ignorância demonstrada em relação à aplicação médica autóloga de Células estaminais criopreservadas para o próprio, que defende”.
“Repudia-se ainda a abusiva utilização do cargo de presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais que desonra com posições antiéticas e pelo desrespeito manifestado pelos sócios, alguns médicos, que não o mandataram para fazer estas declarações como presidente dessa sociedade”, afirmam.
Ainda sobre a Sociedade Portuguesa de Células Estaminais, os médicos de imunohemoterapia lamentam que “investigadores que usam os fundos públicos e os impostos dos contribuintes durante anos a fio, passem décadas fazendo promessas a troco de milhões de euros de investimento público sem que nenhum resultado prático de aplicação clínica relevante seja conseguido e sem que haja uma real translação para benefício dos doentes”.
A carta termina com um alerta para a necessidade de dotar o Banco Público de Células dos meios necessários ao seu funcionamento, para rapidamente poder libertar unidades para os doentes que dele necessitam.
“Este sim, de utilidade reconhecida na prática clínica e uma peça fundamental para tratamentos e desenvolvimento de investigação aplicada á clínica e até agora sem apoio do Estado que o criou”.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=573945
Numa carta assinada pelo presidente do Colégio de Especialistas de Imunohemoterapia, Álvaro Monteiro, estes médicos repudiam também as acusações lançadas contra os médicos pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais, Rui Reis, que na altura criticou os médicos que se opuseram ao anúncio.
Em causa está um anúncio publicitário da crioestaminal, em que é apontada uma hipótese em 200 de as crianças virem no futuro a desenvolver doenças como leucemia, linfoma ou tumores sólidos, passíveis de serem tratadas com células estaminais das próprias ou de um irmão.
Os especialistas em imunohemoterapia repudiam a “exploração da ignorância e a utilização abusiva e distorcida de dados científicos quanto a doenças onde se aplicam as células estaminais” e reprovam a ligação publicitária feita a células criopreservadas para uso pessoal ou familiar, “por ser incorreta e cientificamente falsa”.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, é apontado como antiético promover expectativas nos pais aos quais é vendido um falso seguro de saúde para tratar doenças para as quais ainda não há qualquer evidência clínica de benefício, e lembram que para estas doenças há alternativas terapêuticas.
A direção do Colégio reprova também a confusão intencional do material publicitário das empresas privadas, que misturam doenças, a maioria das quais apenas exclusivamente tratadas com células do cordão de dadores não relacionados.
Os especialistas lembram que no caso de doença na família tratável com sangue de um dador relacionado, o Banco Publico procede à criopreservação de dádivas dirigidas, pelo que o uso familiar está garantido.
Não há assim qualquer motivo para recomendar medicamente a criopreservação em Banco Privado, sublinham.
Sobre o presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais, a direção do colégio repudiou as suas afirmações depreciativas em relação aos médicos proferidas à comunicação social, “pela profunda ignorância demonstrada em relação à aplicação médica autóloga de Células estaminais criopreservadas para o próprio, que defende”.
“Repudia-se ainda a abusiva utilização do cargo de presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais que desonra com posições antiéticas e pelo desrespeito manifestado pelos sócios, alguns médicos, que não o mandataram para fazer estas declarações como presidente dessa sociedade”, afirmam.
Ainda sobre a Sociedade Portuguesa de Células Estaminais, os médicos de imunohemoterapia lamentam que “investigadores que usam os fundos públicos e os impostos dos contribuintes durante anos a fio, passem décadas fazendo promessas a troco de milhões de euros de investimento público sem que nenhum resultado prático de aplicação clínica relevante seja conseguido e sem que haja uma real translação para benefício dos doentes”.
A carta termina com um alerta para a necessidade de dotar o Banco Público de Células dos meios necessários ao seu funcionamento, para rapidamente poder libertar unidades para os doentes que dele necessitam.
“Este sim, de utilidade reconhecida na prática clínica e uma peça fundamental para tratamentos e desenvolvimento de investigação aplicada á clínica e até agora sem apoio do Estado que o criou”.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=573945
sábado, 19 de maio de 2012
Diário de Notícias: Tratamento contra malária em grávidas salva crianças
Investigadores anunciaram hoje ter desenvolvido um tratamento que ataca simultaneamente a malária e doenças sexualmente transmissíveis em grávidas, o que poderá salvar milhares de crianças na África subsaariana.
Num estudo publicado hoje na revista Journal of the American Medical Association (JAMA), os cientistas revelam que um número considerável de mulheres grávidas na região têm malária e doenças sexualmente transmissíveis e/ou infeções do trato reprodutivo.
Os investigadores estimam que 25 milhões de gravidezes por ano corram risco de infeção pelo parasita da malária na África subsaariana e o estudo agora divulgado revela que quase quatro em cada 10 mulheres assistidas nos serviços de saúde estejam infetadas com a doença.
Ainda mais mulheres estão infetadas com doenças como a sífilis, a gonorreia, a clamídia, a tricomoníase e a vaginose bacteriana.
Naquela região do continente africano há 880 mil nados mortos e 1,2 milhões de mortes de recém-nascidos, muitos dos quais estão ligados a infeções maternas.
Para o feto, a malária e as doenças sexualmente transmissíveis aumentam o risco de aborto, de morte fetal e de parto pré-termo, contribuindo ainda para nascimentos de bebés com peso insuficiente, a principal causa da mortalidade neonatal.
Os investigadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine estão agora a testar um tratamento conjunto de medicamentos antipalúdicos e antibióticos que poderia prevenir e tratar a malária e as DST ao mesmo tempo.
"Revimos evidência de um período de 20 anos para calcular as estimativas de prevalência de DST e malária. Torna-se claro que um tratamento combinado poderia salvar muitas vidas", disse o líder da equipa, Matthew Chico, epidemiologista e investigador da London School of Hygiene & Tropical Medicine.
Os investigadores esperam ainda que o tratamento combinado possa resolver o problema da resistência aos medicamentos antipalúdicos, que está a alastrar com o tratamento atualmente dado às grávidas.
"O tratamento recomendado pela Organização Mundial da Saúde para prevenir a malária está a falhar devido às resistências", disse Matthew Chico.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2524226&page=-1
Num estudo publicado hoje na revista Journal of the American Medical Association (JAMA), os cientistas revelam que um número considerável de mulheres grávidas na região têm malária e doenças sexualmente transmissíveis e/ou infeções do trato reprodutivo.
Os investigadores estimam que 25 milhões de gravidezes por ano corram risco de infeção pelo parasita da malária na África subsaariana e o estudo agora divulgado revela que quase quatro em cada 10 mulheres assistidas nos serviços de saúde estejam infetadas com a doença.
Ainda mais mulheres estão infetadas com doenças como a sífilis, a gonorreia, a clamídia, a tricomoníase e a vaginose bacteriana.
Naquela região do continente africano há 880 mil nados mortos e 1,2 milhões de mortes de recém-nascidos, muitos dos quais estão ligados a infeções maternas.
Para o feto, a malária e as doenças sexualmente transmissíveis aumentam o risco de aborto, de morte fetal e de parto pré-termo, contribuindo ainda para nascimentos de bebés com peso insuficiente, a principal causa da mortalidade neonatal.
Os investigadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine estão agora a testar um tratamento conjunto de medicamentos antipalúdicos e antibióticos que poderia prevenir e tratar a malária e as DST ao mesmo tempo.
"Revimos evidência de um período de 20 anos para calcular as estimativas de prevalência de DST e malária. Torna-se claro que um tratamento combinado poderia salvar muitas vidas", disse o líder da equipa, Matthew Chico, epidemiologista e investigador da London School of Hygiene & Tropical Medicine.
Os investigadores esperam ainda que o tratamento combinado possa resolver o problema da resistência aos medicamentos antipalúdicos, que está a alastrar com o tratamento atualmente dado às grávidas.
"O tratamento recomendado pela Organização Mundial da Saúde para prevenir a malária está a falhar devido às resistências", disse Matthew Chico.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2524226&page=-1
sexta-feira, 11 de maio de 2012
i online: Vendas de medicamentos para concentração aumentaram 78% em cinco anos
Quando B. chegou ao primeiro ciclo andava a correr à volta das carteiras na sala de aula. Hoje tem 12 anos e toma medicação para a concentração há dois. Marina, com sete filhos, vê o fenómeno por dois ângulos: é mãe e educadora de infância. Os dois rapazes mais velhos passaram por avaliações de neuropediatras, nenhuma aconselhando de forma taxativa os medicamentos. Mas os médicos deixaram-na à vontade e B. e T., com 10 anos, começaram a fazer a medicação: o mais velho para o desafio constante da autoridade e a impulsividade; o mais novo para superar as dificuldades provocadas pela dislexia e fazer render melhor o tempo na escola. “Sinto que seria diferente se tivessem tido uma educação pré-escolar mais estruturada, com objectivos e aprendizagens orientadas para a concentração e a memória. Ficam com ferramentas muito melhores para lidar depois com a guerra da escola e os novos desafios”, diz.
Depois de 12 anos numa IPSS, está agora num colégio onde as crianças, aos três anos, já fazem exercícios de leitura e matemática informais e têm um programa para treinar a concentração e a organização. “Tem muito a ver com os estímulos, e medir resultados. Não tem de ser aprender a ler, pode ser aprender marcas de carros. Não digo que a escola deva substituir os pais, mas quem é que hoje tem tempo para chegar a casa e brincar com eles aos legos ou aos jogos de tabuleiro?”
Embora não seja fácil ter uma percepção do número de crianças e jovens medicados em Portugal para problemas do foro do défice de atenção e hiperactividade, as vendas dos três medicamentos estimulantes do sistema nervoso usados nestes distúrbios mostram uma tendência de consumo crescente. Segundo dados da consultora IMS-Health cedidos ao i para as transacções entre armazenistas e farmácias, entre 2007 e 2011 o número de unidades vendidas de Concerta, Rubifen e Ritalina (princípio activo metilfenidato) aumentou 78% para 196 749 embalagens no ano passado. Nos primeiros três meses deste ano foram vendidas cerca de 65 mil unidades destes medicamentos, um aumento ligeiro em relação ao primeiro trimestre de 2011 (61 200).
Embora o fenómeno da “geração ritalina” seja um tópico de discussão comum nos últimos anos, os dados não permitem uma leitura inequívoca. Ontem o tema voltou a estar em cima da mesa depois do alerta do pediatra do desenvolvimento Miguel Palha a propósito da ruptura do stock de um destes medicamentos (o Rubifen) nas farmácias. À Lusa, o especialista diz que, porque a substituição de medicamentos nem sempre é viável e porque as alternativas são mais caras, a ausência de um medicamento está a levar pais e pediatras ao desespero: “As crianças querem estudar e não conseguem. Sem estudo e concentração não conseguem boas notas. Estão a ser empurradas para o insucesso e até para a reprovação”, disse.
Dois movimentos Se para o pediatra Mário Cordeiro o apelo é algo exagerado, por fazer depender o sucesso estritamente da medicação, a psicóloga Maria João Ferro acredita que há dois movimentos que podem explicar tanto o apelo de Miguel Palha como o aumento das vendas de metilfenidato e algum exagero na prescrição: “Acho que temos mais informação e as crianças que, de facto, estão bem diagnosticadas e a fazer medicação podem não progredir se o tratamento for interrompido. Por outro lado, há casos subvalorizados. A minha dúvida é se em Portugal se faz a escada toda de avaliação até à medicação.” Da mesma opinião é Linda Serrão, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Hiperactivas. Embora acredite que o aumento das vendas não reflicta necessariamente os diagnósticos, sublinha que continuam a existir crianças bem e mal avaliadas. “Há profissionais a fazer diagnósticos aos três anos, há crianças a tomar medicação que não precisam, mas também famílias que precisavam de dar medicação aos filhos e não conseguem, por ser cara.”
Maria João Ferro admite que têm aumentado os pedidos de avaliação, tanto de médicos como por iniciativa dos pais. E alerta que, embora haja abordagens comportamentais importantes, há casos em que a medicação é a solução. “Estamos a falar de uma perturbação neurobiológica, com vários gradientes. Se tivermos um bom centro de desenvolvimento, tenho poucas dúvidas de que as coisas sejam mal feitas. Mas pode haver outros profissionais que os medicam por tudo e por nada.” De qualquer forma, sublinha, o aumento das crianças e jovens medicados não é um problema exclusivo do país. “Há investigações que apontam para a hereditariedade, há outras que apontam para que a falta de exercício e intelectualização da sociedade possam aumentar a agitabilidade, mas neste momento não temos uma causa para o défice de atenção e a hiperactividade. Mas são dois problemas que convém não misturar: os casos bem diagnosticados, com alterações neurobiológicas, e os meninos que se metem neste saco.”
Realidades que se misturam na prática. Para Marina, a frustração e os maus resultados dos dois filhos na escola acabam por pesar mais do que um diagnóstico fechado, com apoio dos médicos. Mas assume que é muito um problema de maturidade e de degradação das relações e dos hábitos das crianças, porque o estilo de vida mudou. Na hora da verdade, o comprimido acaba por ser mais fácil e dar mais segurança a pais e crianças.
http://www.ionline.pt/portugal/vendas-medicamentos-concentracao-aumentaram-78-cinco-anos
Depois de 12 anos numa IPSS, está agora num colégio onde as crianças, aos três anos, já fazem exercícios de leitura e matemática informais e têm um programa para treinar a concentração e a organização. “Tem muito a ver com os estímulos, e medir resultados. Não tem de ser aprender a ler, pode ser aprender marcas de carros. Não digo que a escola deva substituir os pais, mas quem é que hoje tem tempo para chegar a casa e brincar com eles aos legos ou aos jogos de tabuleiro?”
Embora não seja fácil ter uma percepção do número de crianças e jovens medicados em Portugal para problemas do foro do défice de atenção e hiperactividade, as vendas dos três medicamentos estimulantes do sistema nervoso usados nestes distúrbios mostram uma tendência de consumo crescente. Segundo dados da consultora IMS-Health cedidos ao i para as transacções entre armazenistas e farmácias, entre 2007 e 2011 o número de unidades vendidas de Concerta, Rubifen e Ritalina (princípio activo metilfenidato) aumentou 78% para 196 749 embalagens no ano passado. Nos primeiros três meses deste ano foram vendidas cerca de 65 mil unidades destes medicamentos, um aumento ligeiro em relação ao primeiro trimestre de 2011 (61 200).
Embora o fenómeno da “geração ritalina” seja um tópico de discussão comum nos últimos anos, os dados não permitem uma leitura inequívoca. Ontem o tema voltou a estar em cima da mesa depois do alerta do pediatra do desenvolvimento Miguel Palha a propósito da ruptura do stock de um destes medicamentos (o Rubifen) nas farmácias. À Lusa, o especialista diz que, porque a substituição de medicamentos nem sempre é viável e porque as alternativas são mais caras, a ausência de um medicamento está a levar pais e pediatras ao desespero: “As crianças querem estudar e não conseguem. Sem estudo e concentração não conseguem boas notas. Estão a ser empurradas para o insucesso e até para a reprovação”, disse.
Dois movimentos Se para o pediatra Mário Cordeiro o apelo é algo exagerado, por fazer depender o sucesso estritamente da medicação, a psicóloga Maria João Ferro acredita que há dois movimentos que podem explicar tanto o apelo de Miguel Palha como o aumento das vendas de metilfenidato e algum exagero na prescrição: “Acho que temos mais informação e as crianças que, de facto, estão bem diagnosticadas e a fazer medicação podem não progredir se o tratamento for interrompido. Por outro lado, há casos subvalorizados. A minha dúvida é se em Portugal se faz a escada toda de avaliação até à medicação.” Da mesma opinião é Linda Serrão, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Hiperactivas. Embora acredite que o aumento das vendas não reflicta necessariamente os diagnósticos, sublinha que continuam a existir crianças bem e mal avaliadas. “Há profissionais a fazer diagnósticos aos três anos, há crianças a tomar medicação que não precisam, mas também famílias que precisavam de dar medicação aos filhos e não conseguem, por ser cara.”
Maria João Ferro admite que têm aumentado os pedidos de avaliação, tanto de médicos como por iniciativa dos pais. E alerta que, embora haja abordagens comportamentais importantes, há casos em que a medicação é a solução. “Estamos a falar de uma perturbação neurobiológica, com vários gradientes. Se tivermos um bom centro de desenvolvimento, tenho poucas dúvidas de que as coisas sejam mal feitas. Mas pode haver outros profissionais que os medicam por tudo e por nada.” De qualquer forma, sublinha, o aumento das crianças e jovens medicados não é um problema exclusivo do país. “Há investigações que apontam para a hereditariedade, há outras que apontam para que a falta de exercício e intelectualização da sociedade possam aumentar a agitabilidade, mas neste momento não temos uma causa para o défice de atenção e a hiperactividade. Mas são dois problemas que convém não misturar: os casos bem diagnosticados, com alterações neurobiológicas, e os meninos que se metem neste saco.”
Realidades que se misturam na prática. Para Marina, a frustração e os maus resultados dos dois filhos na escola acabam por pesar mais do que um diagnóstico fechado, com apoio dos médicos. Mas assume que é muito um problema de maturidade e de degradação das relações e dos hábitos das crianças, porque o estilo de vida mudou. Na hora da verdade, o comprimido acaba por ser mais fácil e dar mais segurança a pais e crianças.
http://www.ionline.pt/portugal/vendas-medicamentos-concentracao-aumentaram-78-cinco-anos
sábado, 28 de abril de 2012
Diário Digital: Estudo aponta possível avanço para tratar paralisia cerebral
Um novo tratamento ajudou coelhos nascidos com paralisia cerebral a recuperar uma mobilidade quase normal, fazendo surgir a esperança de um potencial avanço no tratamento de pessoas com este distúrbio actualmente incurável, afirmaram cientistas.
O método, parte do campo crescente da nanomedicina, funcionou libertando um medicamento anti-inflamatório directamente nas partes comprometidas do cérebro através de minúsculas moléculas em cascata conhecidas como dendrímeros.
Crias de coelho tratados após seis horas do nascimento registaram uma «melhoria dramática na função motora» no quinto dia de vida, disse a autora principal do estudo, Sujatha Kannan, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e do Departamento de Pesquisa de Perinatologia e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos.
O estudo foi publicado no jornal científico americano Science Translational Medicine.
Os coelhos que nasceram imóveis por causa da paralisia infantil movimentavam-se em «níveis quase normais no quinto dia», destacou um artigo que acompanhou o estudo e foi publicado no mesmo jornal pelo pediatra Sidhartha Tan, de Chicago.
O medicamento usado é frequentemente aplicado para tratar pessoas com intoxicação por acetaminofeno (paracetamol), conhecida como N-acetil-L-cistina ou NAC, e foi administrado numa dose 10 vezes menor.
No entanto, foi bem sucedida porque o método de nano-entrega permitiu que cruzasse a barreira sangue-cérebro, desactivando prontamente a inflamação no cérebro.
Kannan explicou que a sua equipa usou coelhos como cobaias porque, assim como os humanos, os seus cérebros desenvolvem antes e depois do nascimento, enquanto a maioria dos outros animais nascem com as suas habilidades motoras já formadas.
«Uma vantagem disso é que podemos testar tratamentos e olhar para a melhoria na função motora usando este tipo de modelo animal», explicou a médica.
Enquanto especialistas afirmam que levará anos até que se conheça totalmente esta abordagem, a pesquisa demonstra uma prova de conceito importante que algum tipo de intervenção precoce consegue inverter o dano cerebral.
«A importância deste trabalho é que este indica que há uma janela no tempo, imediatamente após o nascimento, quando a neuroinflamação pode ser identificada e quando o tratamento com um nanodispositivo pode reverter os efeitos da paralisia cerebral», afirmou o co-autor do estudo, Roberto Romero, obstetra do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano.
A paralisia cerebral afecta cerca de 750.000 crianças e adultos nos Estados Unidos e a sua taxa de prevalência é de cerca de 3,3 por 1.000 nascimentos, segundo Romero.
O distúrbio pode causar dificuldades severas em controlar os músculos, incapacidade de caminhar, movimentar ou engolir. Alguns pacientes também podem sofrer atrasos cognitivos e anormalidades no desenvolvimento.
Uma das principais causas da paralisia cerebral é o nascimento prematuro, fenómeno em ascensão, mas a doença não costuma ser diagnosticada antes dos dois anos.
«No momento em que fazemos o diagnóstico, há muito pouco que podemos fazer», disse Romero, descrevendo a paralisia cerebral como «uma doença incurável para toda a vida».
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=568931
O método, parte do campo crescente da nanomedicina, funcionou libertando um medicamento anti-inflamatório directamente nas partes comprometidas do cérebro através de minúsculas moléculas em cascata conhecidas como dendrímeros.
Crias de coelho tratados após seis horas do nascimento registaram uma «melhoria dramática na função motora» no quinto dia de vida, disse a autora principal do estudo, Sujatha Kannan, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e do Departamento de Pesquisa de Perinatologia e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos.
O estudo foi publicado no jornal científico americano Science Translational Medicine.
Os coelhos que nasceram imóveis por causa da paralisia infantil movimentavam-se em «níveis quase normais no quinto dia», destacou um artigo que acompanhou o estudo e foi publicado no mesmo jornal pelo pediatra Sidhartha Tan, de Chicago.
O medicamento usado é frequentemente aplicado para tratar pessoas com intoxicação por acetaminofeno (paracetamol), conhecida como N-acetil-L-cistina ou NAC, e foi administrado numa dose 10 vezes menor.
No entanto, foi bem sucedida porque o método de nano-entrega permitiu que cruzasse a barreira sangue-cérebro, desactivando prontamente a inflamação no cérebro.
Kannan explicou que a sua equipa usou coelhos como cobaias porque, assim como os humanos, os seus cérebros desenvolvem antes e depois do nascimento, enquanto a maioria dos outros animais nascem com as suas habilidades motoras já formadas.
«Uma vantagem disso é que podemos testar tratamentos e olhar para a melhoria na função motora usando este tipo de modelo animal», explicou a médica.
Enquanto especialistas afirmam que levará anos até que se conheça totalmente esta abordagem, a pesquisa demonstra uma prova de conceito importante que algum tipo de intervenção precoce consegue inverter o dano cerebral.
«A importância deste trabalho é que este indica que há uma janela no tempo, imediatamente após o nascimento, quando a neuroinflamação pode ser identificada e quando o tratamento com um nanodispositivo pode reverter os efeitos da paralisia cerebral», afirmou o co-autor do estudo, Roberto Romero, obstetra do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano.
A paralisia cerebral afecta cerca de 750.000 crianças e adultos nos Estados Unidos e a sua taxa de prevalência é de cerca de 3,3 por 1.000 nascimentos, segundo Romero.
O distúrbio pode causar dificuldades severas em controlar os músculos, incapacidade de caminhar, movimentar ou engolir. Alguns pacientes também podem sofrer atrasos cognitivos e anormalidades no desenvolvimento.
Uma das principais causas da paralisia cerebral é o nascimento prematuro, fenómeno em ascensão, mas a doença não costuma ser diagnosticada antes dos dois anos.
«No momento em que fazemos o diagnóstico, há muito pouco que podemos fazer», disse Romero, descrevendo a paralisia cerebral como «uma doença incurável para toda a vida».
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=568931
domingo, 8 de abril de 2012
Diário Digital: Dispositivo de silicone ajuda a evitar nascimentos prematuros
Um anel de silicone simples e barato pode reduzir para metade o risco de nascimento prematuro, uma das principais causas de morte de recém-nascidos e de problemas de saúde na vida adulta, segundo uma experiência divulgada na edição desta terça-feira da revista The Lancet.
Médicos espanhóis testaram o dispositivo de 49,50 dólares, conhecido como «pessário», um tipo de supositório vaginal, em mulheres nos últimos três meses de gravidez com estenose vaginal, uma condição que fragiliza o colo do útero e provoca o nascimento prematuro.
O «pessário» é projectado para fortalecer o colo do útero - a extremidade inferior do útero que leva à vagina - de forma que possa suportar o peso extra das últimas semanas da gravidez.
Os pessários de silicone têm sido usados nos últimos 50 anos como um dos vários métodos disponíveis para evitar nascimentos prematuros. Mas a sua eficácia tem sido refutada e esta é a primeira vez que o dispositivo foi estudado numa experiência aleatória.
Seis por cento das mulheres que usaram o pessário deram à luz prematuramente contra 27% daquelas que não fizeram uso do dispositivo, acrescentou o estudo.
A experiência chamada Pecep recrutou 15 mil mulheres que se submeteram a exames de ultra-sonografia em cinco hospitais, e que estavam entre 20 e 23 semanas de gravidez.
Destas, 380 tinham estenose vaginal - definida quando a extensão do colo do útero é de 25 milímetros ou menos - e foram separadas aleatoriamente em dois grupos, cada um com 190 mulheres.
No grupo das mulheres com pessário, 12 tiveram o filho antes das 34 semanas de gravidez, enquanto o número do grupo sem pessário foi de 51.
Nenhum efeito colateral foi reportado no grupo que fez uso do dispositivo e 95 das participantes disseram que recomendariam o tratamento a outras mulheres.
«A colocação de um pessário é um procedimento disponível, não invasivo e fácil de inserir e remover quando necessário», explicou a chefe dos estudos, Maria Goya, obstetra do Hospital Universitário Vall d´Hebron, em Barcelona.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=566525
Médicos espanhóis testaram o dispositivo de 49,50 dólares, conhecido como «pessário», um tipo de supositório vaginal, em mulheres nos últimos três meses de gravidez com estenose vaginal, uma condição que fragiliza o colo do útero e provoca o nascimento prematuro.
O «pessário» é projectado para fortalecer o colo do útero - a extremidade inferior do útero que leva à vagina - de forma que possa suportar o peso extra das últimas semanas da gravidez.
Os pessários de silicone têm sido usados nos últimos 50 anos como um dos vários métodos disponíveis para evitar nascimentos prematuros. Mas a sua eficácia tem sido refutada e esta é a primeira vez que o dispositivo foi estudado numa experiência aleatória.
Seis por cento das mulheres que usaram o pessário deram à luz prematuramente contra 27% daquelas que não fizeram uso do dispositivo, acrescentou o estudo.
A experiência chamada Pecep recrutou 15 mil mulheres que se submeteram a exames de ultra-sonografia em cinco hospitais, e que estavam entre 20 e 23 semanas de gravidez.
Destas, 380 tinham estenose vaginal - definida quando a extensão do colo do útero é de 25 milímetros ou menos - e foram separadas aleatoriamente em dois grupos, cada um com 190 mulheres.
No grupo das mulheres com pessário, 12 tiveram o filho antes das 34 semanas de gravidez, enquanto o número do grupo sem pessário foi de 51.
Nenhum efeito colateral foi reportado no grupo que fez uso do dispositivo e 95 das participantes disseram que recomendariam o tratamento a outras mulheres.
«A colocação de um pessário é um procedimento disponível, não invasivo e fácil de inserir e remover quando necessário», explicou a chefe dos estudos, Maria Goya, obstetra do Hospital Universitário Vall d´Hebron, em Barcelona.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=566525
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