Muito interessante! Um assunto a pesquisar!
Boas notícias!
...
Foi uma adolescente obesa e conseguiu eliminar o excesso de peso fazendo muito exercício físico. Jillian Michaels, de 38 anos, tornou-se especialista em fitness. A treinadora do reality show 'The Biggest Loser' é doutorada em Química e nos últimos anos tem investigado a influência dos produtos artificiais no corpo humano e na acumulação de gordura. Acaba de lançar em Portugal o livro 'Domine o Seu Metabolismo' (ed. Lua de Papel), em que explica como alguns produtos tóxicos podem desregular o organismo, levando ao excesso de peso. Falou com a SÁBADO por telefone a partir da Califórnia, onde vive.
Quais foram as conclusões mais surpreendentes da sua investigação?
Sempre pensei que o peso dependia do balanço das calorias que ingeríamos e das que gastávamos na actividade física. Mas descobri, por experiência própria, que o peso depende muito do balanço hormonal e que há muitos outros factores decisivos. Dos químicos que ingerimos na comida aos que estão nos produtos de beleza, na água e no ar e que têm um impacto dramático no balanço hormonal e na bioquímica do corpo. O creme hidratante para a cara pode ter influência na forma como armazenamos gordura e onde essa gordura se acumula.
Sabendo isso, alterou alguns hábitos diários?
Claro. Mudei todos os produtos de beleza e de limpeza para a casa. Agora só uso ingredientes naturais – cremes hidratantes à base de azeite e açúcar mascavado como esfoliante. Quando limpo a casa, uso vinagre e sumo de limão como desinfectante.
E nos alimentos processados industrialmente quais são os maiores riscos?
A carne produzida industrialmente tem hormonas, antibióticos e outros compostos artificiais que afectam o funcionamento do nosso organismo e que podem conduzir à obesidade, entre outros problemas, prejudicando até o nosso sistema imunitário.
Quando era adolescente tinha excesso de peso. Como ultrapassou esse problema?
A obesidade e o excesso de peso não são apenas questões físicas. O descontrolo emocional está muitas vezes na raiz do problema que leva à compulsão de comer de forma desregulada. Além da dependência física há também a dependência emocional. A comida é reconfortante, é algo que podemos controlar, que associamos a boas memórias de infância, e preenche o vazio emocional de muitas pessoas, torna-se reconfortante. Além disso, alguns alimentos, como os doces, estimulam a produção de serotonina, uma hormona que dá sensações de prazer e ajuda a combater a depressão.
Comer em excesso torna-se um ciclo vicioso?
Exactamente. Mas quando se exagera torna-se contraproducente, a pessoa fica mais deprimida, sente-se mal e come ainda mais. E isso foi o mais difícil para mim, lutar contra essa dependência emocional da comida. Depois de conseguir controlar isso, a informação sobre o que devemos comer e as quantidades torna-se mais fácil de gerir.
Esse foi um dos seus segredos no 'The Biggest Loser', muitas vezes fez o papel de psicóloga para ver que traumas emocionais levavam os concorrentes a comer descontroladamente. Qual foi o caso mais marcante?
Uma concorrente chamada Abby Rike, que tinha perdido os dois filhos e o marido num acidente de carro. Ela não só ultrapassou a sua tragédia pessoal, como depois ajudou outras pessoas a perder peso.
Quais são as medidas mais eficazes para lutar contra a obesidade infantil?
O melhor a fazer é os adultos seguirem eles mesmo uma dieta equilibrada, as crianças acabam por imitar esse estilo de vida. Ter comida saudável em casa, ter hábitos saudáveis, fazer exercício regularmente. Podem ser coisas muito simples, criar rotinas, caminhar regularmente (como ir passear o cão) jogar à bola ao ar livre. E impor algumas regras: limitar o tempo que passam ao computador ou a ver televisão, para não ficarem sedentários durante horas a fio.
Foi o que você fez?
No meu caso, foram as aulas de artes marciais que me ajudaram a perder peso e a vencer muitas das minha inseguranças. Ajuda-nos a sermos mais autoconfiantes. Pode ser futebol, dança ou artes marciais... não importa, desde que seja uma actividade física interessante, que cada um queira explorar. E se as crianças quiserem desistir logo, não as deixem: digam-lhes que é um compromisso que assumiram e têm de tentar terminar. Dêem-lhes essa responsabilidade e não cedam, até ao fim do ano escolar, por exemplo. Muitas vezes os miúdos desistem cedo e é preciso dar mais tempo para eles apreciarem a actividade física.
E o controlo da comida das crianças?
Isso é muito importante. Devem levar comida de casa, para os pais controlarem melhor o que eles comem, não lhes dar dinheiro para guloseimas e falar com outros pais para os sensibilizar, evitando que os seus filhos vão com outros miúdos a cadeias de fast food.
Defende que a fast-food devia ter impostos mais altos e rótulos a avisar dos malefícios?
Sim. Na Califórnia isso já é obrigatório. São excelentes medidas. Estamos em risco de criar uma geração com graves problemas de saúde por causa da comida cheia de químicos, excesso de gordura, sal e açúcar. Alguns pais ficam chocados quando lhes pergunto: “Gostavam de ver os vossos filhos a consumir drogas com moderação?” Na realidade é isso que estão a fazer ao deixarem-nos comer fast food e alimentos industriais.
Porquê?
Sabemos que este tipo de alimentação causa danos cerebrais, problemas de rins, de fígado, doenças cardiovasculares, etc. É uma das piores coisas a que podemos expor os nossos filhos. Honestamente, eu ficaria menos preocupada se o meu filho chegasse a casa e me dissesse que tinha fumado marijuana uma ou duas vezes, do que se me dissesse que comia fast food regularmente.
Isso é uma afirmação muito forte, não é?
Eu sei. Fumar marijuana não é bom para a saúde, mas acho que é mais fácil de controlar. Se as crianças comerem fast food regularmente é muito provável que tenham doenças graves ou morram mesmo por volta dos 40 ou dos 50 anos.
Então acha mesmo que é muito perigoso?
Sim. Porque sei que os ingredientes dessa comida são sinistros. Um deles é o glicol, usado para manter a humidade dentro dos alimentos, (e que era usado originalmente para descongelar os motores). Estamos a engolir venenos. Não é só o problema do excesso de calorias e da obesidade. Podemos dar aos nossos filhos algumas guloseimas, um cupcake ou um hambúrguer de vez em quando, desde que sejam preparados em casa ou em sítios de confiança.
Defende que as pessoas deviam cozinhar mais para saberem o que estão a comer, mesmo que os pratos sejam um pouco mais calóricos?
Sim, por exemplo bolachas feitas com manteiga verdadeira, com açúcar não refinado, com farinha integral. Ingredientes naturais. Sem corantes artificiais, nem conservantes químicos. O problema é quando se consome farinha ultra-refinada, que é tão branca porque se usa lixívia no seu processamento.
Lixívia?
Absolutamente. As farinhas do pão branco são processadas com lixívia, por exemplo. Eu não defendo que as pessoas não devem comer isto ou aquilo, mas devem saber o que comem. A massa por exemplo: desde que seja integral, é uma boa opção. Não comam as massas refinadas.
http://www.sabado.pt/Multimedia/FOTOS/-span--b-Sociedade-b---span--%281%29/Fotogaleria-%28329%29.aspx
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sexta-feira, 12 de julho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Equilibrando: Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?
Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.
http://equilibrando.me/2013/05/16/por-que-as-criancas-francesas-nao-tem-deficit-de-atencao/
(notícia partilhada pela leitora e amiga Babi. Obrigada!)
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.
http://equilibrando.me/2013/05/16/por-que-as-criancas-francesas-nao-tem-deficit-de-atencao/
(notícia partilhada pela leitora e amiga Babi. Obrigada!)
domingo, 26 de maio de 2013
Público: "Há pais que compram muitos brinquedos porque não se sabem relacionar com o bebé"
Nove meses de gravidez trazem a promessa de um relacionamento intuitivo com o bebé que nem sempre se cumpre. Como pegar-lhe ao colo? É normal que ele não olhe para a mãe? A que é que se brinca com um recém-nascido? Numa visita a Portugal, a pediatra Nadia Bruschweiler-Stern explica como método Brazelton pode ajudar famílias a lidar com estas e outras questões.
A busca de Nadia Bruschweiler-Stern do “bebé” começou na Medicina. Quando se especializou em Pediatria, sentiu que “se tratava o bebé como um organismo, com coração, pulmões, rins e tudo o resto, como um sistema onde tudo tinha que funcionar”, mas não era suficiente. Seguiu Pedopsiquiatria, onde trabalhou “a representação que a mãe faz do bebé, como ela o imagina e o que anseia para ele”. Mais uma vez não estava a olhar para o bebé. “Quando descobri o trabalho de Brazelton, encontrei finalmente o bebé”, conta-nos numa visita a Lisboa para participar na conferência internacional “Valuing Baby and Family Passion Towards a Science of Happiness”, a 7 e 8 de Maio, na Fundação Calouste Gulbenkian.
Nadia encontrou o método que procurava no trabalho iniciado por Berry Brazelton, que criou a Neonatal Behavioral Assessment Scale (NBAS), uma escala inovadora que funciona como instrumento de avaliação e permite aos médicos “ler” o bebé, o seu temperamento, vulnerabilidade e capacidade de relacionamento. É esta a orientação do Centro Brazelton, actualmente dirigido por Nadia Bruschweiler-Stern na Suíça, englobado numa rede internacional com mais de 15 centros pela América, Ásia e Europa. Em Portugal, o primeiro centro foi criado em 2000, tendo em 2010 sido incorporado na Fundação Brazelton/Gomes-Pedro para as Ciências do Bebé e da Família.
“Ao observar-se metodicamente um recém-nascido percebe-se que, tal como os adultos, todos os bebés são diferentes. Interrogamo-nos sempre: ‘Que tipo de bebé será e o que iremos descobrir sobre ele?’. Se analisarmos a criança no momento certo, descobrimos muito sobre o seu temperamento”, afirma Nadia que, regra geral, trabalha com bebés até aos dois meses de idade. Ao contrário do que se pensava quando a NBAS dava os primeiros passos, é impossível prever como será a criança uns anos mais tarde. “Uma questão essencial é que só conseguimos ver o bebé no contexto do ‘agora’, não conseguimos prever que tipo de pessoa será no futuro… E ainda bem. Isso seria assustador!”, desabafa.
Todos bebés, todos diferentes
Na impossibilidade de traçar um perfil psicológico a longo prazo, os pediatras interessados no método Brazelton ajudam as famílias a conectar-se com o bebé, chegando em muitas sessão a haver aquilo que designam por “momento de encontro”, a altura em que a mãe, por exemplo, percebe que o recém-nascido a reconhece como tal. Imagine-se uma mãe a olhar o filho recém-nascido no seu colo: “eu sei que sabes que sou tua mãe”. Depois deste encontro, que nem sempre acontece em ambientes de consulta, “o bebé é visto e compreendido como uma pessoa e a comunicação é totalmente diferente”, defende Nadia Bruschweiler-Stern.
Um dos exemplos práticos mais utilizados pela pediatra suíça é o caso do pequeno Lucas, um recém-nascido com uma deformação no pé. Os pais, em choque com a desfiguração, “congelaram”, como se “o processo de ligação tivesse sido interrompido”, e apresentavam dificuldades no relacionamento com o recém-nascido. Na consulta, conforme relembrou Nadia perante a plateia cheia da conferência na Gulbenkian, a mãe percebeu que o bebé lhe reconhecia a voz e descobriu finalmente “que apesar da deformação, havia um bebé ali que queria a sua atenção e amor. Foi um momento único e essencial para que a família ultrapassasse aquele problema”, recorda a médica.
Não há um “paciente-tipo” no consultório de Nadia, alojado na clínica privada Grangettes, em Genebra. “Os curiosos às vezes aparecem apenas porque sabem que há alguma coisa a acontecer com o bebé e não querem perder a oportunidade de descobrir o que é. Depois, há as razões psicológicas: pode ter havido uma perda na família e os pais não querem que a dor passe para o filho ou problemas no casamento. É possível que um bebé chore muito ou então que seja demasiado passivo e esteja sempre a dormir. Pode ser qualquer coisa…. Problemas de amamentação…é uma lista sem fim”, afirma a pediatra. Contudo, parece haver um padrão: “Nos dias de hoje muitos pais nunca tiveram um bebé nos braços e, como não sabem o que fazer, o que dizer ou como brincar acabam por lhes comprar demasiados brinquedos, em vez de se relacionarem.”
Uma das vertentes das consultas é orientar os pais, ensinando-os a ler os sinais e a interagir. “Ajudamo-los a sentir que controlam a situação. Como têm expectativas altas, alguns pais, sentem-se estúpidos e não querem fazer perguntas, porque acham que já deviam saber tudo. Isso pode gerar sentimentos de inadaptação e culpa”, afirma. O bebé que chora compulsivamente, deixando os pais mais tensos e menos compreensivos, é um exemplo clássico. “Quando não há relacionamento com o bebé é mais fácil culpá-lo. Depois de se estabelecer uma ligação, os pais percebem que não está a chorar só para os fazer acudir, mas sim porque não se sente bem. Aí entram em jogo as regas de sobrevivência e os pais acodem prontamente. É inato. É a natureza.”
http://lifestyle.publico.pt/artigos/320066_ha-pais-que-compram-muitos-brinquedos-porque-nao-se-sabem-relacionar-com-o-bebe
A busca de Nadia Bruschweiler-Stern do “bebé” começou na Medicina. Quando se especializou em Pediatria, sentiu que “se tratava o bebé como um organismo, com coração, pulmões, rins e tudo o resto, como um sistema onde tudo tinha que funcionar”, mas não era suficiente. Seguiu Pedopsiquiatria, onde trabalhou “a representação que a mãe faz do bebé, como ela o imagina e o que anseia para ele”. Mais uma vez não estava a olhar para o bebé. “Quando descobri o trabalho de Brazelton, encontrei finalmente o bebé”, conta-nos numa visita a Lisboa para participar na conferência internacional “Valuing Baby and Family Passion Towards a Science of Happiness”, a 7 e 8 de Maio, na Fundação Calouste Gulbenkian.
Nadia encontrou o método que procurava no trabalho iniciado por Berry Brazelton, que criou a Neonatal Behavioral Assessment Scale (NBAS), uma escala inovadora que funciona como instrumento de avaliação e permite aos médicos “ler” o bebé, o seu temperamento, vulnerabilidade e capacidade de relacionamento. É esta a orientação do Centro Brazelton, actualmente dirigido por Nadia Bruschweiler-Stern na Suíça, englobado numa rede internacional com mais de 15 centros pela América, Ásia e Europa. Em Portugal, o primeiro centro foi criado em 2000, tendo em 2010 sido incorporado na Fundação Brazelton/Gomes-Pedro para as Ciências do Bebé e da Família.
“Ao observar-se metodicamente um recém-nascido percebe-se que, tal como os adultos, todos os bebés são diferentes. Interrogamo-nos sempre: ‘Que tipo de bebé será e o que iremos descobrir sobre ele?’. Se analisarmos a criança no momento certo, descobrimos muito sobre o seu temperamento”, afirma Nadia que, regra geral, trabalha com bebés até aos dois meses de idade. Ao contrário do que se pensava quando a NBAS dava os primeiros passos, é impossível prever como será a criança uns anos mais tarde. “Uma questão essencial é que só conseguimos ver o bebé no contexto do ‘agora’, não conseguimos prever que tipo de pessoa será no futuro… E ainda bem. Isso seria assustador!”, desabafa.
Todos bebés, todos diferentes
Na impossibilidade de traçar um perfil psicológico a longo prazo, os pediatras interessados no método Brazelton ajudam as famílias a conectar-se com o bebé, chegando em muitas sessão a haver aquilo que designam por “momento de encontro”, a altura em que a mãe, por exemplo, percebe que o recém-nascido a reconhece como tal. Imagine-se uma mãe a olhar o filho recém-nascido no seu colo: “eu sei que sabes que sou tua mãe”. Depois deste encontro, que nem sempre acontece em ambientes de consulta, “o bebé é visto e compreendido como uma pessoa e a comunicação é totalmente diferente”, defende Nadia Bruschweiler-Stern.
Um dos exemplos práticos mais utilizados pela pediatra suíça é o caso do pequeno Lucas, um recém-nascido com uma deformação no pé. Os pais, em choque com a desfiguração, “congelaram”, como se “o processo de ligação tivesse sido interrompido”, e apresentavam dificuldades no relacionamento com o recém-nascido. Na consulta, conforme relembrou Nadia perante a plateia cheia da conferência na Gulbenkian, a mãe percebeu que o bebé lhe reconhecia a voz e descobriu finalmente “que apesar da deformação, havia um bebé ali que queria a sua atenção e amor. Foi um momento único e essencial para que a família ultrapassasse aquele problema”, recorda a médica.
Não há um “paciente-tipo” no consultório de Nadia, alojado na clínica privada Grangettes, em Genebra. “Os curiosos às vezes aparecem apenas porque sabem que há alguma coisa a acontecer com o bebé e não querem perder a oportunidade de descobrir o que é. Depois, há as razões psicológicas: pode ter havido uma perda na família e os pais não querem que a dor passe para o filho ou problemas no casamento. É possível que um bebé chore muito ou então que seja demasiado passivo e esteja sempre a dormir. Pode ser qualquer coisa…. Problemas de amamentação…é uma lista sem fim”, afirma a pediatra. Contudo, parece haver um padrão: “Nos dias de hoje muitos pais nunca tiveram um bebé nos braços e, como não sabem o que fazer, o que dizer ou como brincar acabam por lhes comprar demasiados brinquedos, em vez de se relacionarem.”
Uma das vertentes das consultas é orientar os pais, ensinando-os a ler os sinais e a interagir. “Ajudamo-los a sentir que controlam a situação. Como têm expectativas altas, alguns pais, sentem-se estúpidos e não querem fazer perguntas, porque acham que já deviam saber tudo. Isso pode gerar sentimentos de inadaptação e culpa”, afirma. O bebé que chora compulsivamente, deixando os pais mais tensos e menos compreensivos, é um exemplo clássico. “Quando não há relacionamento com o bebé é mais fácil culpá-lo. Depois de se estabelecer uma ligação, os pais percebem que não está a chorar só para os fazer acudir, mas sim porque não se sente bem. Aí entram em jogo as regas de sobrevivência e os pais acodem prontamente. É inato. É a natureza.”
http://lifestyle.publico.pt/artigos/320066_ha-pais-que-compram-muitos-brinquedos-porque-nao-se-sabem-relacionar-com-o-bebe
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Expresso: Especialista alerta: Crianças estão a ser mal educadas
A Maria tem três anos e adora a palavra "não". Gosta de dizê-la - com dedinho indicador a abanar e cabeça a acompanhar o compasso - em relação à sesta da tarde, à arrumação dos brinquedos, à hora de ir dormir, à escuridão do quarto, aos sapatos que não são ténis, à roupa que não tem a "Hello Kitty", à comida que não é massa, ao brinquedo que não seja plasticina, ao canal de televisão que não seja o Panda, ao DVD que não tenha o Ruca, à rua onde não exista um parque. A resposta pronta e negativa só muda para sim, se a mãe disser não. Porque na boca da mamã a palavra perde a graça, limita-lhe as vontades ilimitadas, traça fronteiras entre o possível que ela não quer e o impossível que deseja, gere-lhe o comportamento infantil. "Impor barreiras dói, negar algo custa, mas é uma forma de amar. É uma prenda que se dá aos filhos e que lhes assegura uma entrada firme no mundo real", explicou ao Expresso a psicoterapeuta infantil Asha Phillips, autora de "Um Bom Pai Diz Não", um livro best-seller mundial lançado agora em Portugal.
Confessa a mãe da Maria que dizer não nem é uma tarefa hercúlea, o pior mesmo é mantê-lo. Porque a seguir às três letrinhas vem logo a tristeza chantageante da petiz, ou a insistência repetida à exaustão que leva ao limite a paciência de qualquer adulto, ou a vergonha que sobe vermelha ao rosto materno quando a birra se esparrama no chão do supermercado. "Os pais modernos têm muita dificuldade em dizer não aos filhos e essa permissividade tem consequências terríveis. Estão a criar pequenos tiranos, que não sabem reagir a adversidades porque nunca foram contrariados. Ou então criam crianças medricas, absolutamente dependentes, que não sabem fazer nada sozinhas."
Já a imaginar a Maria no seu pedestal de ditadora, ou com 40 anos e grudada que nem lapa à casa dos pais, a mãe vai procurar socorro e soluções no livro de Asha. O título é duplamente apelativo (ainda que faça torcer o nariz quanto à tirada lógica de que é mau pai aquele que diz sim). Não há pai que não deseje ser perfeito e ponho as duas mãozinhas no lume se algum tem certezas absolutas sobre os limites que deve impor aos filhos para atingir essa plenitude parental. Pode dormir de luz acesa? E na cama dos pais? Quantas horas de televisão? Pode escolher o que vai comer? E o que vai vestir? O que fazer perante uma birra? Quando se pode dizer sim? E quando se deve começar a dizer não? E quando é tarde de mais para começar a traçar limites?
A psicoterapeuta britânica conhece cada uma das dúvidas de cor, ri-se sempre quando se sente como o manual de instruções onde os pais querem encontrar soluções concretas. "Não há uma resposta única nem o meu livro é de receitas", diz com um sorriso aberto. Mas reconhece-se nestas dúvidas. Ela também é mãe, de duas raparigas agora já adultas, e foi a sua enorme dificuldade em contrariá-las que a levou a procurar literatura de ajuda. Como não encontrou, escreveu ela o livro - a primeira edição é de 1999 -, dividido por conselhos para bebés, crianças dos dois aos cinco anos, os anos da escola primária e os adolescentes.
"Os limites devem começar a ser colocados quando ainda andam ao colo. É geralmente nessa altura que dizemos pela primeira vez sim quando devíamos ter dito não". Para Asha, os erros cometidos pelos pais nesta fase prendem-se com a ansiedade de tudo quererem fazer e sempre bem. Ao mínimo ruído do bebé, a mãe entra no quarto. Mal abre os olhos pega-lhe. Mal ouve um choro dá-lhe de comer. A chucha cai e a mãe apanha. O bebé quer colo e a mãe dá. "Os pais querem o seu bebé sempre a sorrir, fazem-lhe todas as vontades, dizem que sim a tudo e ele consegue tudo sem esforço. Nem lhe dão a possibilidade de descobrir o que consegue fazer sozinho".
O medo dos pais de errar é grande, mas em vez de transmitirem segurança asfixiam o desenvolvimento da sua independência e criam crianças infelizes e inadaptadas. "Às vezes acertamos, outra não. É normal. Não existem pais ou mães perfeitos, não se espera que acertemos sempre. Aliás, o encaixe perfeito - uma mãe que poupa o filho a todo e qualquer tipo de irritação - não é benéfico. A recuperação de um desencontro promove o desenvolvimento, e é certo que serão sempre mais as vezes em que as necessidades do bebé são satisfeitas do que o inverso."
Dizer não a um bebé é não ir a correr para o quarto quando ele choraminga, é deixá-lo encontrar a chucha sozinho, é permitir que ele descubra uma fonte de conforto alternativa à mãe ou ao pai (o polegar, por exemplo). Dizer não é não deixar a luz do quarto acesa ou não mergulhar a casa num silêncio sepulcral, para que o bebé cresça no mundo real. "Nesta fase, o estabelecimento de limites surge não tanto como uma restrição mas mais como uma porta aberta à criatividade".
No segundo capítulo do manual, Asha Phillips fala das crianças dos dois aos cinco anos, que vivem tudo com paixão e emoções extremadas. "É o período mais desafiante. Acham que podem fazer tudo. Conseguem andar, falar e odeiam ser tratados como bebés", explica a psicoterapeuta. A mãe de Maria parece que está a ler uma descrição da filha "Eu já sou grande" (dita em bicos de pés). "Eu faço", "Eu consigo" são as frases mais repetidas pela menina de três anos. "Por um lado isso é maravilhoso e deve ser encorajado, mas os pais também têm de lhes lembrar que não podem fazer tudo, de uma forma que não esmague o seu empreendorismo, a sua paixão pela descoberta", explica Asha. Os principais limites devem ser impostos por estes anos. Com firmeza e consistência. De nada vale uma nega pouco convicta; a criança reverte-a em três tempos. E um sim excepcional nunca mais voltará a ser aceite como não.
Na vida normal de uma casa onde existe uma criança pequena, impulsiva, activa, exigente, curiosa, o não pode muito bem passar a ser a palavra mais usada - na casa da Maria é, garantidamente. Mas o adulto que a diz tem de acreditar que está a fazer o que está certo. "Se as respostas ao seu comportamento forem consistentes, a criança adquire uma boa ideia do que é permitido e do que é proibido, do que é seguro e perigoso."
Quando a criança rejeita relutantemente o não, Asha Phillips recomenda o recurso ao castigo ou mesmo uma "leve palmada ocasional" para deter uma escalada de conflito. "Não é o castigo em si que importa, mas aquilo que o seu comportamento transmite. Não é preciso uma marreta para partir uma noz". O excesso de autoridade tem, em geral, o efeito oposto ao desejado. O mesmo é verdade em relação a perder a calma, humilhar a criança e entrar numa batalha de vontades. "Mas se alguma vez um pai perder a cabeça e disser ou fizer algo de que se arrepende, não é o fim do mundo. Isso pode ajudar a criança a perceber que o pai ou a mãe também são humanos." A mãe, humana, de Maria suspira de alívio. Asha Phillips absolveu-a.
Asha Phillips explicou ao Expresso como a sociedade actual, de mães trabalhadoras, sem nenhum tempo e com muito sentimento de culpa, e o aumento das famílias monoparentais, estão a estimular a permissividade parental.
Porque é tão difícil dizer não?
Ao negarmos algo, ao contrariarmos uma vontade, somos impopulares e geramos conflitos. E fugimos disso. É uma herança do pós-guerra. As pessoas passaram a achar que tudo o que era rígido era fascista. Nós, os pais que viveram o flower power, tornámo-nos tão contra tudo isso que começámos a fazer o oposto. O legado negativo dos anos 60 foi deseducar. Essa geração educou outra que cresceu desamparada, com demasiada liberdade.
A estrutura actual de família, com pai e mãe a trabalhar, ou mesmo monoparental, não facilita a tarefa.
Há uma enorme culpa, por parte das mães que trabalham, e que sentem que não se dedicam a tempo inteiro aos filhos. O facto de terem de os deixar faz com que pensem não estar a cumprir bem o seu papel. E como a maioria das mulheres ainda tem a exclusividade das tarefas domésticas mal chega a casa...
E diz-se sim para compensar os filhos e para amainar a culpa...
Não queremos discussões porque tivemos saudades deles o dia todo, queremos que nos achem amorosas. E por isso não dizemos "Chega de televisão" ou "Está na hora de ir para a cama".
Quando é que é demasiado tarde para se começar a ditar limites?
Nunca. Só que quanto mais tarde mais difícil. O ideal é começar quando os filhos são bebés. Chegar à idade escolar sem regras, por exemplo, pode ser muito complicado. A forma como os miúdos reagem ao "não" tem um enorme impacto na sua capacidade de se adaptarem, fazerem amigos e aprenderem na escola. Tentar impor regras a um adolescente que nunca as teve é quase uma impossibilidade.
Há erros práticos que se devem evitar?
O maior é os pais quererem ser perfeitos. Por exemplo, com os bebés: custa-lhes ouvi-los chorar e por isso correm até eles ao mínimo ruído. Mas várias investigações recentes deixam-me descansada como mãe: concluíram que é bom não acertar sempre, que o ajuste perfeito não é benéfico. O que é bom para o desenvolvimento é existirem acertos, erros e reparos. E isso é que é a vida real.
Todos os pais querem ser perfeitos.
Mas isso é o que interessa aos pais. Não o que interessa ao filho.
Os filhos podem tomar decisões?
Claro que deixá-los decidir, de vez em quando, dá-lhes independência, iniciativa, criatividade. É maravilhoso ver o seu entusiasmo e energia. Mas não é benéfico dar-lhes demasiada escolha, porque depois torna-se uma responsabilidade deles e isso é de mais quando se é criança.
Podem, por exemplo, opinar sobre o que vão comer?
Ui. Não sei como é em Portugal, mas em Inglaterra a hora da refeição tornou-se terrível. Imagine-se que se tem três crianças, e uma quer comer massa, outra carne e a outra é vegetariana, e a mãe cozinha três refeições diferentes. Isso é de loucos. Deve-se dizer: "Esta é a refeição hoje, eu sou tua mãe e sei o que é bom para ti e por isso é isto que vamos comer." Se não quer, paciência. Porque se a nossa criança quer massa todos os dias e nós satisfazemos esse capricho, então quando vamos comer a casa de amigos ou na escola eles não vão querer comer porque não é massa. E aí a mãe tem um grande problema. É tudo uma questão de flexibilidade e de os pais fazerem o seu filho sentir que ele se consegue adaptar às coisas do mundo e que não é sempre o mundo que se adapta a ele.
E dormir na cama dos pais, é proibido?
Não há um não ou um sim claro. Se a criança dorme bem, se os pais dormem bem não há problema. Mas se isso é feito mais pelos pais do que pelas crianças, se é o pai que precisa de conforto, então está errado.
E o que fazer durante as birras no supermercado, com as crianças que esperneiam no chão?
Mais uma vez, não há uma regra mágica. Se acha que já está há demasiado tempo no shopping e que a criança está cansada, então a culpa é dos pais e é altura de ir para casa. Se, por outro lado, passam o tempo todo "eu quero, eu quero", é muito importante não ceder. E se a criança se atira para o chão, que isso não afecte os pais porque é quando nos preocupamos com o que os outros comentam que se tomam decisões erradas. Podemos deixá-la espernear por 5 ou 10 minutos, esperar que acabe e continuar o que se estava a fazer. Regras dão-lhes estrutura, um objectivo e, depois, o sentimento de vitória quando o alcançarem.
Mas como podem os pais saber quando devem dizer sim ou dizer não?
É muito difícil. O livro não encerra nenhuma fórmula secreta, porque ela simplesmente não existe. É importante não dizer sempre não, porque seria ridículo, temos que escolher os nossos 'nãos' com muito cuidado, os verdadeiramente importantes. E quando os escolhemos temos que os segurar, não ceder. O que realmente não é bom para as crianças é dizer não, não, não e depois dizer sim. Porque assim nunca saberão quais são os limites. E uma criança usará os nossos argumentos, a nossa linguagem, e vai lembrar-se sempre daquela vez em que dissemos sim - "Se naquele dia deixaste porque não deixas hoje?" São muito lógicos e encostam-nos a um canto com os seus argumentos.
Há alguma altura do dia mais propícia para a transmissão dessas regras?
Se está a tentar impor limites comece nas alturas fáceis do dia - nunca de manhã quando se corre para a escola e para o emprego.
http://expresso.sapo.pt/especialista-alerta-criancas-estao-a-ser-mal-educadas=f528155
[notícia partilhada por Ana :)]
Confessa a mãe da Maria que dizer não nem é uma tarefa hercúlea, o pior mesmo é mantê-lo. Porque a seguir às três letrinhas vem logo a tristeza chantageante da petiz, ou a insistência repetida à exaustão que leva ao limite a paciência de qualquer adulto, ou a vergonha que sobe vermelha ao rosto materno quando a birra se esparrama no chão do supermercado. "Os pais modernos têm muita dificuldade em dizer não aos filhos e essa permissividade tem consequências terríveis. Estão a criar pequenos tiranos, que não sabem reagir a adversidades porque nunca foram contrariados. Ou então criam crianças medricas, absolutamente dependentes, que não sabem fazer nada sozinhas."
Já a imaginar a Maria no seu pedestal de ditadora, ou com 40 anos e grudada que nem lapa à casa dos pais, a mãe vai procurar socorro e soluções no livro de Asha. O título é duplamente apelativo (ainda que faça torcer o nariz quanto à tirada lógica de que é mau pai aquele que diz sim). Não há pai que não deseje ser perfeito e ponho as duas mãozinhas no lume se algum tem certezas absolutas sobre os limites que deve impor aos filhos para atingir essa plenitude parental. Pode dormir de luz acesa? E na cama dos pais? Quantas horas de televisão? Pode escolher o que vai comer? E o que vai vestir? O que fazer perante uma birra? Quando se pode dizer sim? E quando se deve começar a dizer não? E quando é tarde de mais para começar a traçar limites?
A psicoterapeuta britânica conhece cada uma das dúvidas de cor, ri-se sempre quando se sente como o manual de instruções onde os pais querem encontrar soluções concretas. "Não há uma resposta única nem o meu livro é de receitas", diz com um sorriso aberto. Mas reconhece-se nestas dúvidas. Ela também é mãe, de duas raparigas agora já adultas, e foi a sua enorme dificuldade em contrariá-las que a levou a procurar literatura de ajuda. Como não encontrou, escreveu ela o livro - a primeira edição é de 1999 -, dividido por conselhos para bebés, crianças dos dois aos cinco anos, os anos da escola primária e os adolescentes.
"Os limites devem começar a ser colocados quando ainda andam ao colo. É geralmente nessa altura que dizemos pela primeira vez sim quando devíamos ter dito não". Para Asha, os erros cometidos pelos pais nesta fase prendem-se com a ansiedade de tudo quererem fazer e sempre bem. Ao mínimo ruído do bebé, a mãe entra no quarto. Mal abre os olhos pega-lhe. Mal ouve um choro dá-lhe de comer. A chucha cai e a mãe apanha. O bebé quer colo e a mãe dá. "Os pais querem o seu bebé sempre a sorrir, fazem-lhe todas as vontades, dizem que sim a tudo e ele consegue tudo sem esforço. Nem lhe dão a possibilidade de descobrir o que consegue fazer sozinho".
O medo dos pais de errar é grande, mas em vez de transmitirem segurança asfixiam o desenvolvimento da sua independência e criam crianças infelizes e inadaptadas. "Às vezes acertamos, outra não. É normal. Não existem pais ou mães perfeitos, não se espera que acertemos sempre. Aliás, o encaixe perfeito - uma mãe que poupa o filho a todo e qualquer tipo de irritação - não é benéfico. A recuperação de um desencontro promove o desenvolvimento, e é certo que serão sempre mais as vezes em que as necessidades do bebé são satisfeitas do que o inverso."
Dizer não a um bebé é não ir a correr para o quarto quando ele choraminga, é deixá-lo encontrar a chucha sozinho, é permitir que ele descubra uma fonte de conforto alternativa à mãe ou ao pai (o polegar, por exemplo). Dizer não é não deixar a luz do quarto acesa ou não mergulhar a casa num silêncio sepulcral, para que o bebé cresça no mundo real. "Nesta fase, o estabelecimento de limites surge não tanto como uma restrição mas mais como uma porta aberta à criatividade".
No segundo capítulo do manual, Asha Phillips fala das crianças dos dois aos cinco anos, que vivem tudo com paixão e emoções extremadas. "É o período mais desafiante. Acham que podem fazer tudo. Conseguem andar, falar e odeiam ser tratados como bebés", explica a psicoterapeuta. A mãe de Maria parece que está a ler uma descrição da filha "Eu já sou grande" (dita em bicos de pés). "Eu faço", "Eu consigo" são as frases mais repetidas pela menina de três anos. "Por um lado isso é maravilhoso e deve ser encorajado, mas os pais também têm de lhes lembrar que não podem fazer tudo, de uma forma que não esmague o seu empreendorismo, a sua paixão pela descoberta", explica Asha. Os principais limites devem ser impostos por estes anos. Com firmeza e consistência. De nada vale uma nega pouco convicta; a criança reverte-a em três tempos. E um sim excepcional nunca mais voltará a ser aceite como não.
Na vida normal de uma casa onde existe uma criança pequena, impulsiva, activa, exigente, curiosa, o não pode muito bem passar a ser a palavra mais usada - na casa da Maria é, garantidamente. Mas o adulto que a diz tem de acreditar que está a fazer o que está certo. "Se as respostas ao seu comportamento forem consistentes, a criança adquire uma boa ideia do que é permitido e do que é proibido, do que é seguro e perigoso."
Quando a criança rejeita relutantemente o não, Asha Phillips recomenda o recurso ao castigo ou mesmo uma "leve palmada ocasional" para deter uma escalada de conflito. "Não é o castigo em si que importa, mas aquilo que o seu comportamento transmite. Não é preciso uma marreta para partir uma noz". O excesso de autoridade tem, em geral, o efeito oposto ao desejado. O mesmo é verdade em relação a perder a calma, humilhar a criança e entrar numa batalha de vontades. "Mas se alguma vez um pai perder a cabeça e disser ou fizer algo de que se arrepende, não é o fim do mundo. Isso pode ajudar a criança a perceber que o pai ou a mãe também são humanos." A mãe, humana, de Maria suspira de alívio. Asha Phillips absolveu-a.
Asha Phillips explicou ao Expresso como a sociedade actual, de mães trabalhadoras, sem nenhum tempo e com muito sentimento de culpa, e o aumento das famílias monoparentais, estão a estimular a permissividade parental.
Porque é tão difícil dizer não?
Ao negarmos algo, ao contrariarmos uma vontade, somos impopulares e geramos conflitos. E fugimos disso. É uma herança do pós-guerra. As pessoas passaram a achar que tudo o que era rígido era fascista. Nós, os pais que viveram o flower power, tornámo-nos tão contra tudo isso que começámos a fazer o oposto. O legado negativo dos anos 60 foi deseducar. Essa geração educou outra que cresceu desamparada, com demasiada liberdade.
A estrutura actual de família, com pai e mãe a trabalhar, ou mesmo monoparental, não facilita a tarefa.
Há uma enorme culpa, por parte das mães que trabalham, e que sentem que não se dedicam a tempo inteiro aos filhos. O facto de terem de os deixar faz com que pensem não estar a cumprir bem o seu papel. E como a maioria das mulheres ainda tem a exclusividade das tarefas domésticas mal chega a casa...
E diz-se sim para compensar os filhos e para amainar a culpa...
Não queremos discussões porque tivemos saudades deles o dia todo, queremos que nos achem amorosas. E por isso não dizemos "Chega de televisão" ou "Está na hora de ir para a cama".
Quando é que é demasiado tarde para se começar a ditar limites?
Nunca. Só que quanto mais tarde mais difícil. O ideal é começar quando os filhos são bebés. Chegar à idade escolar sem regras, por exemplo, pode ser muito complicado. A forma como os miúdos reagem ao "não" tem um enorme impacto na sua capacidade de se adaptarem, fazerem amigos e aprenderem na escola. Tentar impor regras a um adolescente que nunca as teve é quase uma impossibilidade.
Há erros práticos que se devem evitar?
O maior é os pais quererem ser perfeitos. Por exemplo, com os bebés: custa-lhes ouvi-los chorar e por isso correm até eles ao mínimo ruído. Mas várias investigações recentes deixam-me descansada como mãe: concluíram que é bom não acertar sempre, que o ajuste perfeito não é benéfico. O que é bom para o desenvolvimento é existirem acertos, erros e reparos. E isso é que é a vida real.
Todos os pais querem ser perfeitos.
Mas isso é o que interessa aos pais. Não o que interessa ao filho.
Os filhos podem tomar decisões?
Claro que deixá-los decidir, de vez em quando, dá-lhes independência, iniciativa, criatividade. É maravilhoso ver o seu entusiasmo e energia. Mas não é benéfico dar-lhes demasiada escolha, porque depois torna-se uma responsabilidade deles e isso é de mais quando se é criança.
Podem, por exemplo, opinar sobre o que vão comer?
Ui. Não sei como é em Portugal, mas em Inglaterra a hora da refeição tornou-se terrível. Imagine-se que se tem três crianças, e uma quer comer massa, outra carne e a outra é vegetariana, e a mãe cozinha três refeições diferentes. Isso é de loucos. Deve-se dizer: "Esta é a refeição hoje, eu sou tua mãe e sei o que é bom para ti e por isso é isto que vamos comer." Se não quer, paciência. Porque se a nossa criança quer massa todos os dias e nós satisfazemos esse capricho, então quando vamos comer a casa de amigos ou na escola eles não vão querer comer porque não é massa. E aí a mãe tem um grande problema. É tudo uma questão de flexibilidade e de os pais fazerem o seu filho sentir que ele se consegue adaptar às coisas do mundo e que não é sempre o mundo que se adapta a ele.
E dormir na cama dos pais, é proibido?
Não há um não ou um sim claro. Se a criança dorme bem, se os pais dormem bem não há problema. Mas se isso é feito mais pelos pais do que pelas crianças, se é o pai que precisa de conforto, então está errado.
E o que fazer durante as birras no supermercado, com as crianças que esperneiam no chão?
Mais uma vez, não há uma regra mágica. Se acha que já está há demasiado tempo no shopping e que a criança está cansada, então a culpa é dos pais e é altura de ir para casa. Se, por outro lado, passam o tempo todo "eu quero, eu quero", é muito importante não ceder. E se a criança se atira para o chão, que isso não afecte os pais porque é quando nos preocupamos com o que os outros comentam que se tomam decisões erradas. Podemos deixá-la espernear por 5 ou 10 minutos, esperar que acabe e continuar o que se estava a fazer. Regras dão-lhes estrutura, um objectivo e, depois, o sentimento de vitória quando o alcançarem.
Mas como podem os pais saber quando devem dizer sim ou dizer não?
É muito difícil. O livro não encerra nenhuma fórmula secreta, porque ela simplesmente não existe. É importante não dizer sempre não, porque seria ridículo, temos que escolher os nossos 'nãos' com muito cuidado, os verdadeiramente importantes. E quando os escolhemos temos que os segurar, não ceder. O que realmente não é bom para as crianças é dizer não, não, não e depois dizer sim. Porque assim nunca saberão quais são os limites. E uma criança usará os nossos argumentos, a nossa linguagem, e vai lembrar-se sempre daquela vez em que dissemos sim - "Se naquele dia deixaste porque não deixas hoje?" São muito lógicos e encostam-nos a um canto com os seus argumentos.
Há alguma altura do dia mais propícia para a transmissão dessas regras?
Se está a tentar impor limites comece nas alturas fáceis do dia - nunca de manhã quando se corre para a escola e para o emprego.
http://expresso.sapo.pt/especialista-alerta-criancas-estao-a-ser-mal-educadas=f528155
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sábado, 13 de abril de 2013
Sol: Portugal terá cerca de 40 mil crianças sobredotadas, maioria não está detectada
Cerca de 40 mil crianças até aos 12 anos em Portugal serão sobredotadas, mas a maioria não está identificada, segundo especialistas que apontam como principal lacuna a falta de formação para detectar estes meninos e encaminhá-los de forma adequada.
“A lacuna principal é a falta de conhecimento do fenómeno. Há muito tipo de crianças sobredotadas e temos poucos especialistas para as detectar. Devia haver formação específica entre professores e psicólogos que fizessem destrinça entre os diferentes tipos de sobredotados”, afirmou à agência Lusa o presidente do Instituto da Inteligência.
Ao todo, em Portugal, calcula-se que sejam entre 30 e 50 mil as crianças sobredotadas até ao fim do segundo ciclo de escolaridade.
Para Nelson Lima, além da falta de informação e formação, há ainda muitos mitos, como o de que a criança sobredotada “tem de ser boa em tudo” e, caso não seja, já não se considera sobredotada.
Contudo, há crianças sobredotadas que manifestam uma inteligência geral, ampla, diversificada, enquanto outras dirigem o seu talento apenas para uma área específica, sobretudo para as artes, como a pintura, a dança ou a escrita.
“Geralmente, estes sobredotados talentosos definem uma área de vida e uma trajectória à qual se dedicam inteiramente. Apaixonam-se por uma área e dedicam-se a ela”, explicou Nelson Lima.
Para o presidente do Instituto de Inteligência, o problema existe no grande número de crianças sobredotadas que, finda a adolescência, “ficam sem saber o que fazer”.
“É importante ajudar a definir o projecto de vida, apelando à sua imaginação e à descoberta de quem são. E a forma como a inteligência se manifesta, se é mais analítica, mais prática”, disse.
Aliás, diversos estudos revelam que, apesar da grande expectativa gerada na infância, muitos dos sobredotados apresentam, mais tarde, um grau de insucesso igual ou maior do que o das outras pessoas.
Nelson Lima, que hoje dá uma conferência na Universidade Lusíada, em Lisboa, sobre o futuro dos sobredotados no fim da adolescência, garante que é a escola que tem o papel mais importante na trajectória das crianças sobredotadas, preparando um caminho para as orientar no futuro.
“Quando se fala de sobredotados, a atenção é centrada nas crianças. À medida que entram na adolescência, deixa-se de falar no assunto, mesmo que estejam detectadas. A partir de uma certa idade há um certo abandono, estão um pouco por conta própria. E não se potenciam as suas capacidades e inteligência”, adiantou à Lusa.
Em 1998, o Ministério da Educação produziu um manual com instruções para os professores com indicações para detectar crianças sobredotadas.
“Ainda não encontrei um único professor que diga que o conhece. É altamente provável que os exemplares deste manual tenham ficado numa gaveta do Ministério da Educação”, lamentou Nelson Lima, defendendo que seja criado um novo manual actualizado, dirigido sobretudo aos professores do primeiro ciclo.
Também a Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas considera que falta nas escolas uma estrutura que tenha como função central apoiar os professores dos alunos sobredotados.
Helena Serra, presidente da associação, admitiu que há em Portugal uma baixa cobertura de “respostas de qualidade” ao nível da formação de professores e de apoios nas escolas para detectar e acompanhar os meninos sobredotados.
Mas, para esta associação, é também importante apoiar os pais destas crianças, que enfrentam várias dificuldades.
“São crianças cansativas, que fazem perguntas dificílimas e têm constante necessidade de respostas. E muito cedo afirmam a sua vontade própria e independência. É preciso ensinar os pais a gerir isso”, explicou à Lusa.
A associação organiza, no Porto, a iniciativa “Sábados Diferentes”, que serve para que as crianças sobredotadas estejam com os seus pares numa perspectiva de “desenvolvimento pessoal e social”. Ao mesmo tempo, os pais também podem usufruir, recebendo formação e orientação.
O projecto deverá alargar-se a Lisboa, mas, por enquanto, no resto do país escasseiam iniciativas que dêem este tipo de apoio a crianças e aos seus educadores.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=72695
“A lacuna principal é a falta de conhecimento do fenómeno. Há muito tipo de crianças sobredotadas e temos poucos especialistas para as detectar. Devia haver formação específica entre professores e psicólogos que fizessem destrinça entre os diferentes tipos de sobredotados”, afirmou à agência Lusa o presidente do Instituto da Inteligência.
Ao todo, em Portugal, calcula-se que sejam entre 30 e 50 mil as crianças sobredotadas até ao fim do segundo ciclo de escolaridade.
Para Nelson Lima, além da falta de informação e formação, há ainda muitos mitos, como o de que a criança sobredotada “tem de ser boa em tudo” e, caso não seja, já não se considera sobredotada.
Contudo, há crianças sobredotadas que manifestam uma inteligência geral, ampla, diversificada, enquanto outras dirigem o seu talento apenas para uma área específica, sobretudo para as artes, como a pintura, a dança ou a escrita.
“Geralmente, estes sobredotados talentosos definem uma área de vida e uma trajectória à qual se dedicam inteiramente. Apaixonam-se por uma área e dedicam-se a ela”, explicou Nelson Lima.
Para o presidente do Instituto de Inteligência, o problema existe no grande número de crianças sobredotadas que, finda a adolescência, “ficam sem saber o que fazer”.
“É importante ajudar a definir o projecto de vida, apelando à sua imaginação e à descoberta de quem são. E a forma como a inteligência se manifesta, se é mais analítica, mais prática”, disse.
Aliás, diversos estudos revelam que, apesar da grande expectativa gerada na infância, muitos dos sobredotados apresentam, mais tarde, um grau de insucesso igual ou maior do que o das outras pessoas.
Nelson Lima, que hoje dá uma conferência na Universidade Lusíada, em Lisboa, sobre o futuro dos sobredotados no fim da adolescência, garante que é a escola que tem o papel mais importante na trajectória das crianças sobredotadas, preparando um caminho para as orientar no futuro.
“Quando se fala de sobredotados, a atenção é centrada nas crianças. À medida que entram na adolescência, deixa-se de falar no assunto, mesmo que estejam detectadas. A partir de uma certa idade há um certo abandono, estão um pouco por conta própria. E não se potenciam as suas capacidades e inteligência”, adiantou à Lusa.
Em 1998, o Ministério da Educação produziu um manual com instruções para os professores com indicações para detectar crianças sobredotadas.
“Ainda não encontrei um único professor que diga que o conhece. É altamente provável que os exemplares deste manual tenham ficado numa gaveta do Ministério da Educação”, lamentou Nelson Lima, defendendo que seja criado um novo manual actualizado, dirigido sobretudo aos professores do primeiro ciclo.
Também a Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas considera que falta nas escolas uma estrutura que tenha como função central apoiar os professores dos alunos sobredotados.
Helena Serra, presidente da associação, admitiu que há em Portugal uma baixa cobertura de “respostas de qualidade” ao nível da formação de professores e de apoios nas escolas para detectar e acompanhar os meninos sobredotados.
Mas, para esta associação, é também importante apoiar os pais destas crianças, que enfrentam várias dificuldades.
“São crianças cansativas, que fazem perguntas dificílimas e têm constante necessidade de respostas. E muito cedo afirmam a sua vontade própria e independência. É preciso ensinar os pais a gerir isso”, explicou à Lusa.
A associação organiza, no Porto, a iniciativa “Sábados Diferentes”, que serve para que as crianças sobredotadas estejam com os seus pares numa perspectiva de “desenvolvimento pessoal e social”. Ao mesmo tempo, os pais também podem usufruir, recebendo formação e orientação.
O projecto deverá alargar-se a Lisboa, mas, por enquanto, no resto do país escasseiam iniciativas que dêem este tipo de apoio a crianças e aos seus educadores.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=72695
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Vida de mãe e pai hoje em dia
Pensei
muito antes de me decidir a escrever sobre este assunto. É demasiado complexo e
difícil de resolver para ser simplesmente comentado em meia dúzia de linhas,
mas a verdade é que é algo que me indigna e que procuro combater como posso.
Comecemos
por observar como é o ritmo de trabalho nos dias que correm (isto para quem
ainda tem trabalho, claro): das 9h00 às 18h00 (com sorte!) incluindo a hora de
almoço, mais o tempo passado em deslocações... vá, vamos contar com 45 minutos
para cada lado (este factor varia demasiado...).
Agora
pensemos no ritmo das nossas crianças. Chegam à escola às 8h00 e saem às 19h00,
mais coisa, menos coisa. A não ser que tenham a sorte de ter avós disponíveis
para os ir buscar (felizmente ainda há muita gente que tem).
Somemos
ainda o tempo passado a dormir (essencial), a preparar refeições e a comê-las,
a arranjarmo-nos e a arrumar a casa (pelo menos limpar o pó de quando em
quando...).
O
que sobra?
É
para isto que nos dizem que temos de ter mais filhos? É a isto que chamam
incentivo à natalidade? Eu sei que temos de produzir, até porque temos contas
para pagar (as de casa e as do país), mas será que devemos medir a produtividade
na quantidade de horas que passamos no trabalho?
Tenho,
frequentemente, a sensação que medimos a dedicação e empenho no trabalho
meramente em função das horas que lá passamos. Quem é que nunca ouviu algo do
género ao sair às 17h00 para ir a uma consulta: “Já vais?! Grandes vidas!”... Sem
comentários...
Não
deveríamos estar todos a lutar por um aumento efectivo da produtividade, medido
com base em resultados? Não deveríamos todos dedicar mais tempo e atenção à
família e amigos na procura de um melhor equilíbrio emocional? Não seríamos
todos mais felizes e produtivos assim?
Não
posso dizer que tive uma infância tradicional: os meus pais trabalhavam por
conta própria, o que sempre os obrigou a dedicar bastante tempo a fazer o
negócio resultar. Era preciso dedicação para que se conseguissem resultados.
Hoje compreendo isso (embora nem sempre concorde). Teve as suas consequências:
não havia passeios de fim-de-semana, nem férias de Verão, nem outras coisas
tidas como garantidas pelos nossos amigos.
Mas,
apesar de todas as contingências, reconheço um enorme esforço (bem sucedido) no
acompanhamento do meu crescimento e do da minha irmã: pude fazer penteados à
minha mãe enquanto ela tratava da contabilidade, pude acompanhar o meu pai na
distribuição, pude frequentar natação e inglês mesmo implicando levarem-me lá,
pude estar com os meus pais sempre que queria (apesar de estarem a trabalhar),
pude conhecer uma realidade bem diferente da habitual, pude dedicar-me ao
estudo, pude brincar na rua, pude trabalhar e ganhar o meu dinheiro, pude
aprender a lidar com trabalho/estudo e pude fazer e aprender muito com esta
realidade. Apesar de tudo, sinto que fui acompanhada tão bem quanto lhes foi
possível.
Isto
tudo para dizer que me revolta que os pais de hoje não consigam acompanhar,
como certamente desejariam, os seus próprios filhos e que tenham de confiar a
sua educação aos avós e professores. Não é suposto ser assim!
De
alguma maneira, a sociedade tem de encontrar um equilíbrio entre trabalho, família
e lazer. Pelo bem da nossa sanidade mental, pelo bem das gerações vindouras e
pelo bem da própria sociedade e do seu futuro enquanto tal.
Temos
de perder menos tempo em deslocações. Temos de rentabilizar melhor o tempo
passado no trabalho, evitando distracções, reuniões sem interesse, conversas
sem fim e tarefas sem resultados. Temos de optimizar as tarefas domésticas, com
organização, sinergias e trabalho de equipa. Temos de ter tempo!
Temos
de alcançar a disciplina necessária para que cada um possa trabalhar com
flexibilidade de horário, com trabalho a partir de casa, com trabalho por
tarefas e organizado sem obrigatoriedade de horário.
O
problema é chegar a esse nível de disciplina e organização, mas porque não
tentar? Em nome de um melhor equilíbrio para todos...
Boa
sorte!
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Aprender com os amigos
Há
uns tempos atrás, combinei com uma amiga ir fazer um curso de costura. Ela até
tem alguns conhecimentos, mas aceitou o desafio de ir aprender algo mais
enquanto eu me iniciava nestas andanças. O factor “umas horas de conversa de
gajas” também ajudou :)
Mas
algumas contingências orçamentais fizeram-nos optar por adiar esta aventura,
pelo menos, por uns tempos. Ficámos as duas desiludidas, mas eis que lhe surgiu
uma ideia: “e se juntássemos os meus conhecimentos à tua vontade de aprender,
com um pouco de conversa à mistura?!?”.
Máquina
de costura, tecidos e acessórios e um projecto para um saco do pão! Depois foi
só combinar uma tarde e conversar mais do que costurar! Não, estou a brincar. Aprendi
bastante e por isso agradeço a paciência dela.
Uma
tarde acabou por não ser suficiente para concluirmos o nosso projecto (a
conversa não ajudou), mas fiquei com trabalho para casa. Não está a correr lá
muito bem, por isso acho que vou simplificar.
Entretanto
esta amiga lá foi de viagem para mais um trabalho no estrangeiro, mas quero ver
se tenho o saco pronto para quando ela regressar o poder exibir com orgulho...
e algumas costuras tortas...
Isto
tudo para dizer que, lá porque temos de pensar bem antes de gastar dinheiro,
não quer dizer que não possamos aprender algo de novo com os amigos ou família.
Se
cozinhar não é o vosso forte, que tal pedir umas aulas a uma tia. Ou aprender a
costurar com a avó. Ou até carpintaria ou electricidade ou qualquer outro
ofício. Estas lições certamente darão muito jeito no futuro. Aproveitam e
passam tempo de qualidade com as pessoas de quem gostam.
O
mesmo se aplica no que toca a ensinar os nossos filhos. Se sabemos fazer algo
minimamente bem, devemos passar esses ensinamentos às gerações seguintes, pois
nem tudo se aprende na escola. Um médico que sabe fazer uma bainha, um
contabilista que sabe reparar um cano ou um gestor que sabe arranjar uma
máquina da roupa, serão certamente profissionais mais competentes até no
próprio exercício das suas funções habituais. São conhecimentos úteis no dia-a-dia
de qualquer um! Quanto mais amplo o saber de habilidades, mais rica será essa
pessoa!
Boas
aprendizagens!
segunda-feira, 4 de março de 2013
Deixá-los explorar... sob vigilância...
Quer
isto dizer que ela pode mexer nos telemóveis, na máquina fotográfica, na máquina
de filmar, no portátil, na aparelhagem e afins... (temos um amigo que até se
arrepia!)
A
única condição é que tem de pedir sempre antes se pode. Esta parte ainda está
em desenvolvimento...
Até
agora tem corrido mais ou menos bem. Tenho um teclado virtual instalado no
desktop que não sei como veio cá parar...
Concorde-se
ou não, achamos nós que é uma maneira de lhe dar alguma responsabilidade e
liberdade de conhecer um mundo para além dos brinquedos. E atenção, há coisas
com as quais ela só pode brincar sob vigilância apertada (minha rica máquina de filmar
que foi mais cara do que devia).
Mas
o melhor disto tudo é ver o resultado da exploração da máquina fotográfica! E não
é que a migalhinha está a ganhar jeito :)
Estas
fotos são de sua autoria! Com direitos de autor!!! :)
Boa
exploração... sob vigilância!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Diário de Notícias: Tablets podem ser úteis ao desenvolvimento dos bebés
A utilização de tablets visuais e táteis por crianças menores de dois anos pode ser útil ao seu desenvolvimento, desde que por períodos curtos e com acompanhamento, defende um parecer da Academia das Ciências de França.
No parecer "A criança e os ecrãs", a Academia considera que os tablets podem ser úteis ao desenvolvimento sensório-motor do bebé, constituindo um objeto de exploração e aprendizagem como os peluches ou os cubos de madeira.
Mas a utilização deve ser por períodos curtos, acompanhada por pais, avós ou irmãos mais velhos e não deve substituir outras atividades indispensáveis naquela idade, indica o documento divulgado no "site" da instituição.
O princípio, segundo a Academia, deve ser o de que para o bom desenvolvimento do cérebro contam formas de estimulação variadas, digitais e não digitais.
Já em relação aos ecrãs não interativos (televisão e DVD) diante dos quais o bebé é passivo, o parecer considera não terem qualquer efeito positivo, podendo levar ao aumento de peso, a um atraso na linguagem e a um défice de concentração e atenção.
Os pais devem ser informados daqueles perigos e os pediatras e médicos de clínica geral podem desempenhar um importante papel de alerta junto das famílias, defende a Academia.
O parecer da Academia das Ciências, que integra os dados científicos mais recentes da neurobiologia, psicologia e ciências cognitivas, foi elaborado em colaboração com a Fundação La main à la pâté - que procura contribuir para melhorar a qualidade do ensino da ciência e da tecnologia no ensino básico e secundário -- e é acompanhado de um módulo pedagógico destinado aos professores do primeiro ciclo.
A Academia realizou na terça-feira um debate para apresentação do documento que será editado e estará disponível a partir de dia 29.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3012457&seccao=Tecnologia&page=-1
No parecer "A criança e os ecrãs", a Academia considera que os tablets podem ser úteis ao desenvolvimento sensório-motor do bebé, constituindo um objeto de exploração e aprendizagem como os peluches ou os cubos de madeira.
Mas a utilização deve ser por períodos curtos, acompanhada por pais, avós ou irmãos mais velhos e não deve substituir outras atividades indispensáveis naquela idade, indica o documento divulgado no "site" da instituição.
O princípio, segundo a Academia, deve ser o de que para o bom desenvolvimento do cérebro contam formas de estimulação variadas, digitais e não digitais.
Já em relação aos ecrãs não interativos (televisão e DVD) diante dos quais o bebé é passivo, o parecer considera não terem qualquer efeito positivo, podendo levar ao aumento de peso, a um atraso na linguagem e a um défice de concentração e atenção.
Os pais devem ser informados daqueles perigos e os pediatras e médicos de clínica geral podem desempenhar um importante papel de alerta junto das famílias, defende a Academia.
O parecer da Academia das Ciências, que integra os dados científicos mais recentes da neurobiologia, psicologia e ciências cognitivas, foi elaborado em colaboração com a Fundação La main à la pâté - que procura contribuir para melhorar a qualidade do ensino da ciência e da tecnologia no ensino básico e secundário -- e é acompanhado de um módulo pedagógico destinado aos professores do primeiro ciclo.
A Academia realizou na terça-feira um debate para apresentação do documento que será editado e estará disponível a partir de dia 29.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3012457&seccao=Tecnologia&page=-1
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Correio da Manhã: Taxa de abandono escolar cai 15,6%
A taxa de abandono escolar precoce baixou 15,6% entre 2005 e 2011 e o número de alunos inscritos no ensino superior aumentou 7,9%, revelam esta quinta-feira os Indicadores Sociais do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Nesse período, "a taxa de abandono precoce de educação e formação passou de 38,8% para 23,2%", refere o INE no "Retrato social de Portugal", em que faz "uma leitura de evoluções ocorridas nos últimos anos".
Em 2001, a proporção de jovens entre os 18 e os 24 anos que concluíram no máximo o 3º ciclo do ensino básico e que não se encontravam em educação ou formação situou-se em 23,2%, o que representa uma redução de 5,5 pontos percentuais (pp) face ao ano anterior.
Esta redução ocorreu tanto em homens (4,5% pp) como em mulheres (6,5 pp).
O número de pessoas inscritas em estabelecimentos de ensino superior aumentou 3,3% em 2011 relativamente a 2010. Perto de 53% eram mulheres.
Estiveram inscritos em cursos de Mestrado 117.116 alunos e em Doutoramentos 18.293, o que significa, respectivamente, crescimentos de 11,1% e 11,7 % relativamente a 2010.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/taxa-de-abandonor-escola-cai-156
Nesse período, "a taxa de abandono precoce de educação e formação passou de 38,8% para 23,2%", refere o INE no "Retrato social de Portugal", em que faz "uma leitura de evoluções ocorridas nos últimos anos".
Em 2001, a proporção de jovens entre os 18 e os 24 anos que concluíram no máximo o 3º ciclo do ensino básico e que não se encontravam em educação ou formação situou-se em 23,2%, o que representa uma redução de 5,5 pontos percentuais (pp) face ao ano anterior.
Esta redução ocorreu tanto em homens (4,5% pp) como em mulheres (6,5 pp).
O número de pessoas inscritas em estabelecimentos de ensino superior aumentou 3,3% em 2011 relativamente a 2010. Perto de 53% eram mulheres.
Estiveram inscritos em cursos de Mestrado 117.116 alunos e em Doutoramentos 18.293, o que significa, respectivamente, crescimentos de 11,1% e 11,7 % relativamente a 2010.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/taxa-de-abandonor-escola-cai-156
domingo, 11 de novembro de 2012
Diário Digital: Oito maneiras de estimular as crianças a escovar os dentes
Ensinar as crianças a escovar os dentes exige paciência e muita criatividade, mas por mais trabalhosa que a tarefa se revele, é necessário insistir.
«A partir dos dois anos, são criados os costumes que vão perdurar por toda a vida, os pais não podem deixar-se vencer por uma birra ou uma crise de choro», afirma a odontopediatra antroposófica Carmem Silvia Patriani de Carvalho, especializada em psicologia.
Até porque, com um pouco de insistência, a dificuldade vai acabar por transformar-se em motivo de festa e todos vão divertir-se na hora de ir para o lavatório em frente do espelho. Se acha que jamais verá a hora de atingir essa fase, veja as dicas dos especialistas para fazer com que a as crianças até peçam para escovar os dentes.
Lição 1: O exemplo dos pais
Um dos passos mais importantes para estimular as crianças a escovar os dentes é o próprio exemplo dos pais. O dentista Marcos Moura, presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), defende que é muito mais fácil para a criança entender que a escovagem faz parte dos hábitos saudáveis quando ela cresce num ambiente em que a família, logo após as refeições, escova os dentes, usa o fio dental e higieniza a língua. Afinal, porque é que ela precisa de usar o fio dentário se o pai e a mãe não usam? Os pais são um espelho para os filhos na maioria das situações, dê o exemplo.
Lição 2: Um momento família
Como as crianças copiam a postura dos adultos, fazer da escovagem um momento divertido pode funcionar muito bem. A dentista infantil antroposófica Carmem Silvia sugere que pais escovem os dentes junto dos filhos, ao sair da cama e antes de se deitar. Nessa hora, os pais devem aproveitar para verificar se a criança está a escovar os dentes de forma correcta e fazer correcções quanto a força (a gengiva infantil é muito sensível e pede movimentos delicados para não sangrar) e sentido dos movimentos da escova (circulares ao fundo e sobe-desce nos dentes da frente).
Lição 3: O ambiente adequado
Já colocou seu filho de pé sobre a sanita para ele alcançar o espelho? Se já o fez, o melhor é não repetir. De acordo com a odontopediatra Carmem Silvia, é fundamental criar um ambiente seguro para a escovagem infantil. «Já atendi vários casos em que a criança não gostava de escovar os dentes simplesmente porque tinha medo de cair ou porque já se tinha magoado durante a tentativa de alcançar a torneira». Em vez de colocar o seu filho em cima da sanita, ofereça um banquinho firme. Outra opção é usar um copinho com água para a criança poder enxaguar a boca em vez de se esticar no lavatório para alcançar a torneira.
Lição 4: De igual para igual
Os pais precisam de ser firmes com as crianças, mas isso não significa irritação ou voz alta. «Se for o caso, baixe-se para conversar na mesma altura dele», afirma a odonpediatra. Para a especialista, é preciso explicar de forma carinhosa aos filhos que eles necessitam de escovar os dentes e comentar os benefícios imediatos da higienização (gosto bom na boca e dentes mais brancos) sem deixar de mencionar a prevenção de cáries.
Lição 5: Incentive oferecendo atenção
Participe das actividades que o seu filho tem prazer. Uma boa táctica também é incentivar as crianças com mecanismos de compensação, como prometer brincar com ela, contar uma história ou ouvir uma música depois de escovar os dentes. A disposição calorosa e firme mostra que a tarefa é importante para todos e estimula a criança a cooperar.
Lição 6: Nunca ameace ou crie medos
Assustar as crianças não é uma boa saída, ela pode criar traumas que irão ser prejudiciais para a sua saúde bucal. O «monstro das cáries» é uma brincadeira de péssimo gosto, segundo o dentista Marcos Moura, presidente da ABHA. Além do fantasma do bichinho das cáries, muitos pais usam o dentista como uma figura má que tem um motor capaz de torturar crianças desobedientes. «Dizer à criança que vai levá-la ao dentista para apanhar uma injecção é um erro, a cadeira de dentista é para tratar os dentes e deixar o sorriso mais saudável, e não um local de tortura», afirma o presidente da ABHA.
Lição 7: Consultar um profissional
Vá ao dentista com o seu filho e sente-se na cadeira com naturalidade, isso ajuda a combater qualquer tipo de medo. Se possível, leve o seu filho a um consultório odontológico infantil - normalmente eles são adaptados com um cenário agradável para a criança, colorido, com um lavatório pequeno, espelho e vários brinquedos educativos. «Na consulta, aproveite para tirar dúvidas e aprender como fazer e monitorizar a limpeza bucal infantil», afirma a odontopediatra Carmem Silvia. No consultório, os odontopediatras ensinam as crianças a escovarem os dentes em frente ao espelho.
Lição 8: Fazer da rotina um ritual
Criar um ritual para o hábito de escovar os dentes é excelente. Existem pais que compram fantasias para incentivar as crianças a ter prazer pelo momento da escovagem, uma espécie de «operação contra as cáries», quando personagens entram em acção para fazer a limpeza bucal. A brincadeira pode ir muito além, com alguns artifícios como escovas de dentes coloridas, que piscam ou apresentam desenho de personagens. «A música e os livros de histórias específicas sobre a saúde bucal também são grandes aliados», afirma a odontopediatra Carmem Silvia.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=598526
«A partir dos dois anos, são criados os costumes que vão perdurar por toda a vida, os pais não podem deixar-se vencer por uma birra ou uma crise de choro», afirma a odontopediatra antroposófica Carmem Silvia Patriani de Carvalho, especializada em psicologia.
Até porque, com um pouco de insistência, a dificuldade vai acabar por transformar-se em motivo de festa e todos vão divertir-se na hora de ir para o lavatório em frente do espelho. Se acha que jamais verá a hora de atingir essa fase, veja as dicas dos especialistas para fazer com que a as crianças até peçam para escovar os dentes.
Lição 1: O exemplo dos pais
Um dos passos mais importantes para estimular as crianças a escovar os dentes é o próprio exemplo dos pais. O dentista Marcos Moura, presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), defende que é muito mais fácil para a criança entender que a escovagem faz parte dos hábitos saudáveis quando ela cresce num ambiente em que a família, logo após as refeições, escova os dentes, usa o fio dental e higieniza a língua. Afinal, porque é que ela precisa de usar o fio dentário se o pai e a mãe não usam? Os pais são um espelho para os filhos na maioria das situações, dê o exemplo.
Lição 2: Um momento família
Como as crianças copiam a postura dos adultos, fazer da escovagem um momento divertido pode funcionar muito bem. A dentista infantil antroposófica Carmem Silvia sugere que pais escovem os dentes junto dos filhos, ao sair da cama e antes de se deitar. Nessa hora, os pais devem aproveitar para verificar se a criança está a escovar os dentes de forma correcta e fazer correcções quanto a força (a gengiva infantil é muito sensível e pede movimentos delicados para não sangrar) e sentido dos movimentos da escova (circulares ao fundo e sobe-desce nos dentes da frente).
Lição 3: O ambiente adequado
Já colocou seu filho de pé sobre a sanita para ele alcançar o espelho? Se já o fez, o melhor é não repetir. De acordo com a odontopediatra Carmem Silvia, é fundamental criar um ambiente seguro para a escovagem infantil. «Já atendi vários casos em que a criança não gostava de escovar os dentes simplesmente porque tinha medo de cair ou porque já se tinha magoado durante a tentativa de alcançar a torneira». Em vez de colocar o seu filho em cima da sanita, ofereça um banquinho firme. Outra opção é usar um copinho com água para a criança poder enxaguar a boca em vez de se esticar no lavatório para alcançar a torneira.
Lição 4: De igual para igual
Os pais precisam de ser firmes com as crianças, mas isso não significa irritação ou voz alta. «Se for o caso, baixe-se para conversar na mesma altura dele», afirma a odonpediatra. Para a especialista, é preciso explicar de forma carinhosa aos filhos que eles necessitam de escovar os dentes e comentar os benefícios imediatos da higienização (gosto bom na boca e dentes mais brancos) sem deixar de mencionar a prevenção de cáries.
Lição 5: Incentive oferecendo atenção
Participe das actividades que o seu filho tem prazer. Uma boa táctica também é incentivar as crianças com mecanismos de compensação, como prometer brincar com ela, contar uma história ou ouvir uma música depois de escovar os dentes. A disposição calorosa e firme mostra que a tarefa é importante para todos e estimula a criança a cooperar.
Lição 6: Nunca ameace ou crie medos
Assustar as crianças não é uma boa saída, ela pode criar traumas que irão ser prejudiciais para a sua saúde bucal. O «monstro das cáries» é uma brincadeira de péssimo gosto, segundo o dentista Marcos Moura, presidente da ABHA. Além do fantasma do bichinho das cáries, muitos pais usam o dentista como uma figura má que tem um motor capaz de torturar crianças desobedientes. «Dizer à criança que vai levá-la ao dentista para apanhar uma injecção é um erro, a cadeira de dentista é para tratar os dentes e deixar o sorriso mais saudável, e não um local de tortura», afirma o presidente da ABHA.
Lição 7: Consultar um profissional
Vá ao dentista com o seu filho e sente-se na cadeira com naturalidade, isso ajuda a combater qualquer tipo de medo. Se possível, leve o seu filho a um consultório odontológico infantil - normalmente eles são adaptados com um cenário agradável para a criança, colorido, com um lavatório pequeno, espelho e vários brinquedos educativos. «Na consulta, aproveite para tirar dúvidas e aprender como fazer e monitorizar a limpeza bucal infantil», afirma a odontopediatra Carmem Silvia. No consultório, os odontopediatras ensinam as crianças a escovarem os dentes em frente ao espelho.
Lição 8: Fazer da rotina um ritual
Criar um ritual para o hábito de escovar os dentes é excelente. Existem pais que compram fantasias para incentivar as crianças a ter prazer pelo momento da escovagem, uma espécie de «operação contra as cáries», quando personagens entram em acção para fazer a limpeza bucal. A brincadeira pode ir muito além, com alguns artifícios como escovas de dentes coloridas, que piscam ou apresentam desenho de personagens. «A música e os livros de histórias específicas sobre a saúde bucal também são grandes aliados», afirma a odontopediatra Carmem Silvia.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=598526
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Diário de Notícias: 90 mil crianças veem televisão entre a meia-noite e as 2.30
A medição de audiências em Portugal indica que há, em média, 89 mIl e 820 crianças a ver televisão depois da meia-noite. Um valor considerado alarmante pelos espcialistas.
No total, há milhão e meio de portugueses que, entre as 00.00 e as duas e meia da manhã, estão a ver televisão. Dentro daquele valor médio registado no mês de outubro, perto de 90 mil são crianças e jovens com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos.
"Olho para estes números com surpresa e aflição", declara Eduardo Sá, pedopisquiatra. Este especialista teme que tal valor na medição de audiências possa significar uma ausência de acompanhamento por parte dos adultos. "Significa que os pais, em suaves prestações, se demitem de ser pais. E isso é um perigo. Grave", sustenta.
Estas quase 90 mil crianças representam cerca de 6% da totalidade da população portuguesa na faixa etária dos 4 aos 14 anos, segundo os censos admIitidos neste estudo, os de 2001.
http://www.dn.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=2827891
No total, há milhão e meio de portugueses que, entre as 00.00 e as duas e meia da manhã, estão a ver televisão. Dentro daquele valor médio registado no mês de outubro, perto de 90 mil são crianças e jovens com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos.
"Olho para estes números com surpresa e aflição", declara Eduardo Sá, pedopisquiatra. Este especialista teme que tal valor na medição de audiências possa significar uma ausência de acompanhamento por parte dos adultos. "Significa que os pais, em suaves prestações, se demitem de ser pais. E isso é um perigo. Grave", sustenta.
Estas quase 90 mil crianças representam cerca de 6% da totalidade da população portuguesa na faixa etária dos 4 aos 14 anos, segundo os censos admIitidos neste estudo, os de 2001.
http://www.dn.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=2827891
sábado, 27 de outubro de 2012
Correio da Manhã: Um em cada cinco jovens não lê bem
O défice de literacia na União Europeia, onde, segundo o estudo PISA, um em cada cinco jovens de 15 anos revela dificuldades de leitura, esteve ontem em foco no encerramento da VI Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura (PNL), na Gulbenkian, Lisboa.
"A Europa precisa de acordar para este problema", alertou a princesa Laurentien da Holanda, líder de um grupo de peritos que elaborou um relatório e cujas conclusões serão apresentadas amanhã e sábado no Chipre a ministros da Educação da UE. "Explique ao seu colega das Finanças que investir na literacia compensa, quando forem de férias falem disso", desafiou a princesa, dirigindo-se ao ministro da Educação, Nuno Crato, provocando risos. Crato, que encontrou na conferência a sua antecessora Isabel Alçada, destacou o apoio dado pelo Governo à continuidade do PNL.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/ensino/um-em-cada-cinco-jovens-nao-le-bem
"A Europa precisa de acordar para este problema", alertou a princesa Laurentien da Holanda, líder de um grupo de peritos que elaborou um relatório e cujas conclusões serão apresentadas amanhã e sábado no Chipre a ministros da Educação da UE. "Explique ao seu colega das Finanças que investir na literacia compensa, quando forem de férias falem disso", desafiou a princesa, dirigindo-se ao ministro da Educação, Nuno Crato, provocando risos. Crato, que encontrou na conferência a sua antecessora Isabel Alçada, destacou o apoio dado pelo Governo à continuidade do PNL.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/ensino/um-em-cada-cinco-jovens-nao-le-bem
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Sol: Crise: Pais e professores esperam demasiado das crianças
A crise está a fazer com que pais e professores aumentem a pressão que exercem sobre as crianças para serem “alguém no futuro”, sufocando-as com exigência e contribuindo para desencadear perturbações obsessivo-compulsivas, constata a investigadora Maria José Araújo.
“A maioria das crianças tem imensos trabalhos para casa (TPC) para fazer depois do horário escolar e sentem-se sufocadas com a pressão dos pais, da escola, mas também dos centros de estudo e do ATL (atividades de tempos livres), que não compreendem que depois das aulas elas precisam de brincar. Com a crise, a pressão está a aumentar imenso”, afirma à agência Lusa a investigadora com experiência de trabalho com crianças nesta área.
Maria José Araújo considera que é necessário refletir sobre a angústia dos pais, sobre o que significa a excelência e o sucesso, já que as crianças são diferentes e têm ritmos de vida que devem ser respeitados.
A ideia de que se as crianças trabalharem muito hoje vão ser alguém no futuro não tem, no contexto atual, grande sustentação, além de se ter tornado numa pressão social, refere, em entrevista à agência Lusa.
“O discurso é toda à volta do sucesso, sem se explicar muito bem de que sucesso estamos a falar. E isto exerce uma pressão enorme. Os pais pressionam os filhos, os professores pressionam os alunos e a sociedade pressiona as crianças”, diz.
Segundo a especialista, alguns pediatras e psicólogos têm mostrado muita preocupação com esta situação, relatando atitudes de cansaço e angústia nas crianças e comportamentos de grande mal-estar que desencadeiam stress ou depressão.
“O receio alimentado pelo espetro do desemprego e pela incerteza económica tem aumentado brutalmente. E aumenta a pressão sobre os pais, que exercem mais pressão sobre as crianças”, nota Maria José Araújo.
O pediatra Mário Cordeiro defende que o objetivo do sistema de ensino não deve ser “começar a formar cavalos de corrida para a retoma económica”.
“O objetivo deve ser ensinar, dar informação que permita formar conhecimento, transmitir sabedoria, dar instruções práticas para situações concretas, desenvolver a capacidade de pensar, raciocinar, refletir, dialogar”, declarou à Lusa.
O sistema, diz Mário Cordeiro, deveria tentar que cada aluno sinta brio e vontade de ser melhor e não, como nos quadros de honra e rankings, o melhor de todos.
Crianças trabalham tanto ou mais que os adultos
“A vida das crianças a partir dos seis anos não pode funcionar só a partir da escola. A escola é muito importante, mas a educação informal e os momentos de lazer e o brincar são fundamentais”, argumenta Maria José Araújo,.
Vendo o tempo médio de trabalho de um adulto, entre 37,5 a 40 horas semanais, percebe-se que muitas crianças trabalham no seu ofício de alunas tanto como um trabalhador adulto. Contudo, enquanto o trabalho profissional dos adultos é seguido de descanso para a maioria das pessoas, o trabalho escolar é cada vez mais desenvolvido dentro e fora da sala de aula, nota a investigadora, em declarações à agência Lusa.
Opinião idêntica revela o pediatra Mário Cordeiro, para quem as crianças trabalham mais do que os adultos: “Qualquer sindicato das crianças, se existisse, nunca permitiria tamanha carga horária”.
O tempo para brincar, descansar e preguiçar é, segundo os especialistas, subvalorizado.
“A cultura escolar sobrepõe-se à cultura lúdica”, refere Maria José Araújo, que lamenta que o tempo livre das crianças seja invadido pela escola, não deixando que a criança possa descansar e escolher o que fazer.
Trata-se sobretudo da forma como as atividades são estruturadas, já que mesmo as atividades de enriquecimento curricular são pensadas em termos de escolarização.
“O ensino formal é muito importante e devemos estimular as crianças para isso. Mas depois de cinco horas de atividade letiva, é preciso descansar e brincar. As outras atividades que as crianças realizem devem ter uma metodologia lúdica”, defende.
Atualmente, a escola e a família parecem ter esquecido que a brincar se “aprende muito”: “as crianças não brincam para aprender, aprendem porque brincam. Brincar é viver, para as crianças. É necessário respeitar a cultura lúdica e as culturas da infância”.
Repetir em casa o que se fez na escola, prolongando o tempo de trabalho escolar, é um dos erros que se tem vulgarizado, defende.
“Os TPC [trabalhos para casa] são muitas vezes repetitivos e inúteis. Meninos de seis e sete anos andarem a repetir letras e fichas, com o argumento de que eles gostam e precisam, devia ser proibido, como acontece já nalguns países”, sustenta Maria José Araújo.
Contudo, a investigadora diz que é necessário distinguir entre estudar e fazer TPC: “Estudar é importantíssimo e deve ser ensinado e incentivado. Deve ser mostrado isso às crianças. Mas estudar tem de ter a adesão voluntária de quem o faz. Já os TPC repetitivos podem ajudar a mecanizar, mas afastam a criança do sentido e do valor do conhecimento”.
Para Maria José Araújo, os TPC, a existirem, devem ser feitos na escola, eventualmente no apoio ao estudo e nada mais, até porque “representam muito em termos de tempo que ocupam, mas muito pouco em termos de estímulos cognitivos”.
“Na verdade, se os TPC, tal como os conhecemos, ajudassem as crianças a ter sucesso escolar já se teria notado”, indica, sugerindo que se deve antes ajudar as crianças a compreender o significado do conhecimento e das diferentes formas de aprendizagem.
“Saber não é só repetir e há muitos educadores que apostam mais nesta versão", defende.
Também para o pediatra Mário Cordeiro, a escola, onde os meninos permanecem tanto tempo, tem a obrigação de ensinar “sem invadir o espaço-casa, onde as crianças devem estar sem pressões”.
“Os TPC diários, na versão ‘mais do mesmo’, são uma invasão da privacidade, na pior hora possível para a família e quando o aluno não tem capacidade de resposta, originando stress familiar e pessoal. Deviam ser abolidos”, defende Mário Cordeiro.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=60110
“A maioria das crianças tem imensos trabalhos para casa (TPC) para fazer depois do horário escolar e sentem-se sufocadas com a pressão dos pais, da escola, mas também dos centros de estudo e do ATL (atividades de tempos livres), que não compreendem que depois das aulas elas precisam de brincar. Com a crise, a pressão está a aumentar imenso”, afirma à agência Lusa a investigadora com experiência de trabalho com crianças nesta área.
Maria José Araújo considera que é necessário refletir sobre a angústia dos pais, sobre o que significa a excelência e o sucesso, já que as crianças são diferentes e têm ritmos de vida que devem ser respeitados.
A ideia de que se as crianças trabalharem muito hoje vão ser alguém no futuro não tem, no contexto atual, grande sustentação, além de se ter tornado numa pressão social, refere, em entrevista à agência Lusa.
“O discurso é toda à volta do sucesso, sem se explicar muito bem de que sucesso estamos a falar. E isto exerce uma pressão enorme. Os pais pressionam os filhos, os professores pressionam os alunos e a sociedade pressiona as crianças”, diz.
Segundo a especialista, alguns pediatras e psicólogos têm mostrado muita preocupação com esta situação, relatando atitudes de cansaço e angústia nas crianças e comportamentos de grande mal-estar que desencadeiam stress ou depressão.
“O receio alimentado pelo espetro do desemprego e pela incerteza económica tem aumentado brutalmente. E aumenta a pressão sobre os pais, que exercem mais pressão sobre as crianças”, nota Maria José Araújo.
O pediatra Mário Cordeiro defende que o objetivo do sistema de ensino não deve ser “começar a formar cavalos de corrida para a retoma económica”.
“O objetivo deve ser ensinar, dar informação que permita formar conhecimento, transmitir sabedoria, dar instruções práticas para situações concretas, desenvolver a capacidade de pensar, raciocinar, refletir, dialogar”, declarou à Lusa.
O sistema, diz Mário Cordeiro, deveria tentar que cada aluno sinta brio e vontade de ser melhor e não, como nos quadros de honra e rankings, o melhor de todos.
Crianças trabalham tanto ou mais que os adultos
“A vida das crianças a partir dos seis anos não pode funcionar só a partir da escola. A escola é muito importante, mas a educação informal e os momentos de lazer e o brincar são fundamentais”, argumenta Maria José Araújo,.
Vendo o tempo médio de trabalho de um adulto, entre 37,5 a 40 horas semanais, percebe-se que muitas crianças trabalham no seu ofício de alunas tanto como um trabalhador adulto. Contudo, enquanto o trabalho profissional dos adultos é seguido de descanso para a maioria das pessoas, o trabalho escolar é cada vez mais desenvolvido dentro e fora da sala de aula, nota a investigadora, em declarações à agência Lusa.
Opinião idêntica revela o pediatra Mário Cordeiro, para quem as crianças trabalham mais do que os adultos: “Qualquer sindicato das crianças, se existisse, nunca permitiria tamanha carga horária”.
O tempo para brincar, descansar e preguiçar é, segundo os especialistas, subvalorizado.
“A cultura escolar sobrepõe-se à cultura lúdica”, refere Maria José Araújo, que lamenta que o tempo livre das crianças seja invadido pela escola, não deixando que a criança possa descansar e escolher o que fazer.
Trata-se sobretudo da forma como as atividades são estruturadas, já que mesmo as atividades de enriquecimento curricular são pensadas em termos de escolarização.
“O ensino formal é muito importante e devemos estimular as crianças para isso. Mas depois de cinco horas de atividade letiva, é preciso descansar e brincar. As outras atividades que as crianças realizem devem ter uma metodologia lúdica”, defende.
Atualmente, a escola e a família parecem ter esquecido que a brincar se “aprende muito”: “as crianças não brincam para aprender, aprendem porque brincam. Brincar é viver, para as crianças. É necessário respeitar a cultura lúdica e as culturas da infância”.
Repetir em casa o que se fez na escola, prolongando o tempo de trabalho escolar, é um dos erros que se tem vulgarizado, defende.
“Os TPC [trabalhos para casa] são muitas vezes repetitivos e inúteis. Meninos de seis e sete anos andarem a repetir letras e fichas, com o argumento de que eles gostam e precisam, devia ser proibido, como acontece já nalguns países”, sustenta Maria José Araújo.
Contudo, a investigadora diz que é necessário distinguir entre estudar e fazer TPC: “Estudar é importantíssimo e deve ser ensinado e incentivado. Deve ser mostrado isso às crianças. Mas estudar tem de ter a adesão voluntária de quem o faz. Já os TPC repetitivos podem ajudar a mecanizar, mas afastam a criança do sentido e do valor do conhecimento”.
Para Maria José Araújo, os TPC, a existirem, devem ser feitos na escola, eventualmente no apoio ao estudo e nada mais, até porque “representam muito em termos de tempo que ocupam, mas muito pouco em termos de estímulos cognitivos”.
“Na verdade, se os TPC, tal como os conhecemos, ajudassem as crianças a ter sucesso escolar já se teria notado”, indica, sugerindo que se deve antes ajudar as crianças a compreender o significado do conhecimento e das diferentes formas de aprendizagem.
“Saber não é só repetir e há muitos educadores que apostam mais nesta versão", defende.
Também para o pediatra Mário Cordeiro, a escola, onde os meninos permanecem tanto tempo, tem a obrigação de ensinar “sem invadir o espaço-casa, onde as crianças devem estar sem pressões”.
“Os TPC diários, na versão ‘mais do mesmo’, são uma invasão da privacidade, na pior hora possível para a família e quando o aluno não tem capacidade de resposta, originando stress familiar e pessoal. Deviam ser abolidos”, defende Mário Cordeiro.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=60110
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Ler um livro
Com
tanta tecnologia à nossa volta, acho que se está a perder um pouco o hábito de
ler um belo livro. Aquele simples gesto de ter um livro na mesa-de-cabeceira ou
de sentar numa tranquila esplanada e folhear estórias e conhecimento...
Não sei se é por trabalhar no mercado editorial, mas não me consigo desprender do lado material de um livro. É verdade que um livro define-se pelo seu conteúdo e não pela sua forma, mas, como diz o outro, “não é a mesma coisa”!
Para fazer uma pesquisa ou esclarecer uma dúvida, a internet permite um acesso à informação como nunca antes havia sido possível, mas não me imagino a ler um romance ou um thriller sem que seja em papel. Mas acho que, mesmo assim, se está a perder o hábito de ler :(
Por isso, hoje, gostaria de fazer uma sugestão. Que tal incentivarmos as nossas crianças a ler livros? Desde bem pequenas, incutir-lhes o gosto pela leitura, pela procura de conhecimento e novas ideias?
Acredito piamente que, assim, teremos crianças mais espertas, inteligentes e capazes de raciocínios mais elaborados. Crianças que não se contentam com um “é assim e pronto!”. Crianças que perguntam porquê e que questionam a resposta. Crianças que contribuirão para um futuro mais dinâmico e desenvolvido.
Boas leituras!
Não sei se é por trabalhar no mercado editorial, mas não me consigo desprender do lado material de um livro. É verdade que um livro define-se pelo seu conteúdo e não pela sua forma, mas, como diz o outro, “não é a mesma coisa”!
Para fazer uma pesquisa ou esclarecer uma dúvida, a internet permite um acesso à informação como nunca antes havia sido possível, mas não me imagino a ler um romance ou um thriller sem que seja em papel. Mas acho que, mesmo assim, se está a perder o hábito de ler :(
Por isso, hoje, gostaria de fazer uma sugestão. Que tal incentivarmos as nossas crianças a ler livros? Desde bem pequenas, incutir-lhes o gosto pela leitura, pela procura de conhecimento e novas ideias?
Acredito piamente que, assim, teremos crianças mais espertas, inteligentes e capazes de raciocínios mais elaborados. Crianças que não se contentam com um “é assim e pronto!”. Crianças que perguntam porquê e que questionam a resposta. Crianças que contribuirão para um futuro mais dinâmico e desenvolvido.
Boas leituras!
domingo, 30 de setembro de 2012
Diário de Notícias: Crianças bilingues de famílias pobres têm melhores notas
As crianças de famílias com baixos rendimentos conseguem melhores resultados escolares quando aprendem duas línguas, pois desta forma treinam o cérebro e a concentração, revela um estudo de uma investigadora portuguesa, publicado este mês na revista Psychological Science.
O estudo, desenvolvido pelas Universidades do Minho, do Luxemburgo e de York (Canadá), revela que as crianças bilingues em famílias de baixos rendimentos têm mais facilidade em direcionar e centrar a sua atenção, comparativamente com crianças monolingues, em resultado do treino do cérebro.
Os investigadores quiseram avaliar de que forma o domínio de duas línguas influenciava as funções mentais destes grupos, e concluíram que o bilinguismo treina o cérebro, fortalecendo funções cognitivas importantes para a aprendizagem.
A investigadora portuguesa envolvida no estudo, Anabela Cruz-Santos, explicou à Lusa que a necessidade de mudar de língua frequentemente ativa um mecanismo cerebral -- sistema de controlo executivo - que ajuda a orientar a atenção e manter o foco.
O enfoque deste estudo está, no entanto, relacionado com as crianças de baixo estatuto sócio-económico, já que estudos anteriores haviam revelado que crianças bilingues provenientes de estatutos sócio-económicos elevados tinham melhores resultados de aprendizagem.
A dúvida residia em saber se esse desempenho resultava do bilinguismo ou do facto de essas crianças serem "provenientes de ambientes estimulantes e cognitivamente enriquecidos".
Esta investigação veio mostrar, "pela primeira vez", que a vantagem cognitiva está relacionada com o bilinguismo, já que se encontra também nas crianças de famílias de baixo estatuto sócio-económico.
Partindo deste pressuposto, de que a aprendizagem de várias línguas "pode ter um efeito profundo em certas funções cerebrais importantes para a aprendizagem", Anabela Cruz-Santos considera que se pode "considerar fundamental o ensino de línguas estrangeiras nas escolas em Portugal, tal como já se faz noutros países".
Para este estudo, intitulado "Bilingualism enriches the poor: Enhanced cognitive control in low-income minority children", os investigadores acompanharam 80 alunos do segundo ano de escolaridade provenientes de famílias de baixos rendimentos.
Metade deste grupo era descendente de emigrantes no Luxemburgo, originalmente do norte de Portugal, e falava português e o alemão ou o dialeto alemão do Luxemburgo, diariamente, enquanto a outra metade vivia no Norte de Portugal e só falava português.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2778333&page=-1
O estudo, desenvolvido pelas Universidades do Minho, do Luxemburgo e de York (Canadá), revela que as crianças bilingues em famílias de baixos rendimentos têm mais facilidade em direcionar e centrar a sua atenção, comparativamente com crianças monolingues, em resultado do treino do cérebro.
Os investigadores quiseram avaliar de que forma o domínio de duas línguas influenciava as funções mentais destes grupos, e concluíram que o bilinguismo treina o cérebro, fortalecendo funções cognitivas importantes para a aprendizagem.
A investigadora portuguesa envolvida no estudo, Anabela Cruz-Santos, explicou à Lusa que a necessidade de mudar de língua frequentemente ativa um mecanismo cerebral -- sistema de controlo executivo - que ajuda a orientar a atenção e manter o foco.
O enfoque deste estudo está, no entanto, relacionado com as crianças de baixo estatuto sócio-económico, já que estudos anteriores haviam revelado que crianças bilingues provenientes de estatutos sócio-económicos elevados tinham melhores resultados de aprendizagem.
A dúvida residia em saber se esse desempenho resultava do bilinguismo ou do facto de essas crianças serem "provenientes de ambientes estimulantes e cognitivamente enriquecidos".
Esta investigação veio mostrar, "pela primeira vez", que a vantagem cognitiva está relacionada com o bilinguismo, já que se encontra também nas crianças de famílias de baixo estatuto sócio-económico.
Partindo deste pressuposto, de que a aprendizagem de várias línguas "pode ter um efeito profundo em certas funções cerebrais importantes para a aprendizagem", Anabela Cruz-Santos considera que se pode "considerar fundamental o ensino de línguas estrangeiras nas escolas em Portugal, tal como já se faz noutros países".
Para este estudo, intitulado "Bilingualism enriches the poor: Enhanced cognitive control in low-income minority children", os investigadores acompanharam 80 alunos do segundo ano de escolaridade provenientes de famílias de baixos rendimentos.
Metade deste grupo era descendente de emigrantes no Luxemburgo, originalmente do norte de Portugal, e falava português e o alemão ou o dialeto alemão do Luxemburgo, diariamente, enquanto a outra metade vivia no Norte de Portugal e só falava português.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2778333&page=-1
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Sol: Os pais não devem dar prémios monetários'
Com o início do ano escolar, o economista e professor universitário Jorge Rio Cardoso acaba de lançar O Método Ser Bom Aluno 'Bora Lá?. O livro tem dicas para que os jovens melhorem as técnicas de estudo e conquistem bons resultados nas aulas.
No seu livro conta que começou por ser um aluno sofrível, mas acabou por tornar-se um aluno invejável. Essa mudança foi uma questão de método?
Sim, essencialmente de método. Em relação ao meu caso, não tinha a ver apenas com falta de metodologia, mas também com o ambiente familiar e com falta de auto-estima. Mas fui crescendo e aprendi a não estar tão dependente dos pais. Há estudos que apontam que para o sucesso de uma pessoa só 20% tem a ver com a questão do quociente de inteligência (QI) e que o restante tem a ver com aspectos de inteligência emocional. E ter inteligência emocional significa ter capacidade de lutar contra a adversidade e conseguir adiar a recompensa. Isso são coisas que se treinam e que influenciam bastante ser bom aluno.
E qual foi o método que seguiu para conseguir o sucesso escolar?
Comecei a fazer atletismo no Benfica e a ter resultados agradáveis, o que me fez acreditar em mim. Depois comecei a ver que, com esforço, a pouco e pouco, conseguia progredir também na escola. Passei a dividir o estudo em pequenos passos e a focar-me em cada um deles. Isso fez com que o estudo deixasse de me esmagar. Outra coisa importante que fiz foi deixar de me comparar com o ‘crânio’ da turma e começar a comparar-me comigo mesmo, e ver de que forma evoluía ao longo dos meses.
Como é que um aluno deve organizar o seu estudo?
O método, que desenvolvo no livro, deve ser dividido em quatro partes: recolha de apontamentos; interiorização ou memorização da matéria – com alguns sublinhados, não em demasia porque coisas que naquele momento lhe possam parecer muito importantes, depois, quando estiver dentro da matéria, podem não o ser; relacionar matérias; e auto-avaliação, em que o aluno testa se, de facto, sabe a matéria. Depois de terem os apontamentos, aconselho a terem uma folha com os vários tópicos da matéria e criarem um mapa mental. Um dos erros que não se deve cometer é eliminar matéria, pensando que não vai sair nos testes.
O que é um bom aluno?
Há a ideia de que o bom aluno é um nerd, um grande cromo. Quando, na realidade, segundo os depoimentos recolhidos para o livro, os bons alunos são tudo miúdos ou miúdas que têm como hóbis o hip-hop ou o basquetebol. Alguns até são líderes. O bom aluno é aquele que joga na antecipação, aquele que antes do problema aparecer já tem uma solução. Na brincadeira, digo que há o modelo ‘ya fixe’ e o modelo ‘tá-se mal’. O modelo ‘ya fixe’ é aquele em que o aluno estuda, tem bons resultados, ninguém o aborrece e pode ir a festas. O outro é aquele em que o aluno tem maus resultados e vão-lhe cortando cada vez mais a liberdade. Com método, consegue ganhar-se tempo para a diversão.
Para que haja um bom desempenho escolar, parece-lhe essencial que o aluno tenha vida para além da escola. Como gerir os dois campos?
Sim, é essencial. Para os alunos serem excelentes seres humanos devem colocar responsabilização não só no estudo, mas também na brincadeira. Se está a divertir-se, está mesmo a divertir-se e nem sequer pensa no estudo. E, à medida que o ano vai avançando, a diversão baixa e o estudo aumenta. A vida é feita de dinâmicas.
Os pais devem recompensar os filhos por terem bons resultados na escola?
Os pais não devem dar prémios monetários, mas imateriais. Deve ser, por exemplo, uma recompensa em termos de tempo livre. Se o aluno teve boas notas, os pais podem dar-lhe uma maior autonomia e permitirem, por exemplo, que saia à noite e chegue um pouco mais tarde que o habitual. É um prémio em confiança.
http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=59220
No seu livro conta que começou por ser um aluno sofrível, mas acabou por tornar-se um aluno invejável. Essa mudança foi uma questão de método?
Sim, essencialmente de método. Em relação ao meu caso, não tinha a ver apenas com falta de metodologia, mas também com o ambiente familiar e com falta de auto-estima. Mas fui crescendo e aprendi a não estar tão dependente dos pais. Há estudos que apontam que para o sucesso de uma pessoa só 20% tem a ver com a questão do quociente de inteligência (QI) e que o restante tem a ver com aspectos de inteligência emocional. E ter inteligência emocional significa ter capacidade de lutar contra a adversidade e conseguir adiar a recompensa. Isso são coisas que se treinam e que influenciam bastante ser bom aluno.
E qual foi o método que seguiu para conseguir o sucesso escolar?
Comecei a fazer atletismo no Benfica e a ter resultados agradáveis, o que me fez acreditar em mim. Depois comecei a ver que, com esforço, a pouco e pouco, conseguia progredir também na escola. Passei a dividir o estudo em pequenos passos e a focar-me em cada um deles. Isso fez com que o estudo deixasse de me esmagar. Outra coisa importante que fiz foi deixar de me comparar com o ‘crânio’ da turma e começar a comparar-me comigo mesmo, e ver de que forma evoluía ao longo dos meses.
Como é que um aluno deve organizar o seu estudo?
O método, que desenvolvo no livro, deve ser dividido em quatro partes: recolha de apontamentos; interiorização ou memorização da matéria – com alguns sublinhados, não em demasia porque coisas que naquele momento lhe possam parecer muito importantes, depois, quando estiver dentro da matéria, podem não o ser; relacionar matérias; e auto-avaliação, em que o aluno testa se, de facto, sabe a matéria. Depois de terem os apontamentos, aconselho a terem uma folha com os vários tópicos da matéria e criarem um mapa mental. Um dos erros que não se deve cometer é eliminar matéria, pensando que não vai sair nos testes.
O que é um bom aluno?
Há a ideia de que o bom aluno é um nerd, um grande cromo. Quando, na realidade, segundo os depoimentos recolhidos para o livro, os bons alunos são tudo miúdos ou miúdas que têm como hóbis o hip-hop ou o basquetebol. Alguns até são líderes. O bom aluno é aquele que joga na antecipação, aquele que antes do problema aparecer já tem uma solução. Na brincadeira, digo que há o modelo ‘ya fixe’ e o modelo ‘tá-se mal’. O modelo ‘ya fixe’ é aquele em que o aluno estuda, tem bons resultados, ninguém o aborrece e pode ir a festas. O outro é aquele em que o aluno tem maus resultados e vão-lhe cortando cada vez mais a liberdade. Com método, consegue ganhar-se tempo para a diversão.
Para que haja um bom desempenho escolar, parece-lhe essencial que o aluno tenha vida para além da escola. Como gerir os dois campos?
Sim, é essencial. Para os alunos serem excelentes seres humanos devem colocar responsabilização não só no estudo, mas também na brincadeira. Se está a divertir-se, está mesmo a divertir-se e nem sequer pensa no estudo. E, à medida que o ano vai avançando, a diversão baixa e o estudo aumenta. A vida é feita de dinâmicas.
Os pais devem recompensar os filhos por terem bons resultados na escola?
Os pais não devem dar prémios monetários, mas imateriais. Deve ser, por exemplo, uma recompensa em termos de tempo livre. Se o aluno teve boas notas, os pais podem dar-lhe uma maior autonomia e permitirem, por exemplo, que saia à noite e chegue um pouco mais tarde que o habitual. É um prémio em confiança.
http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=59220
sábado, 15 de setembro de 2012
Sol: ACP vai por crianças a aprender regras rodoviárias nas escolas
O Automóvel Clube de Portugal (ACP) vai levar este ano lectivo, às escolas de Lisboa e Porto, um projecto-piloto de educação rodoviária com o objectivo de sensibilizar os mais jovens e estimular comportamentos de segurança.
O Programa Nacional de Educação Rodoviária é hoje apresentado e destina-se a crianças entre os quatro e os sete anos. O projecto-piloto vai arrancar este ano lectivo em escolas públicas e privadas de Lisboa e Porto, envolvendo cerca de 50 mil alunos e três mil professores.
«Mais do que ensinar regras do Código da Estrada, aquilo que o ACP pretende é incutir regras de segurança rodoviária nos mais novos e que eles também sejam porta-vozes das boas práticas junto dos pais e amigos», disse à agência Lusa o presidente do ACP, Carlos Barbosa.
O responsável adiantou que a iniciativa tem por objectivo «ensinar e incutir comportamentos de segurança aos mais jovens», para que, quando chegarem à idade adulta, «não tenham os comportamentos que hoje em dia se vêem na estrada, que são perfeitamente inaceitáveis».
Carlos Barbosa referiu igualmente que os dados da sinistralidade, em 2011, com crianças e jovens dos 0 aos 19 anos, são preocupantes e reveladores que urge inverter a situação e mudar comportamentos.
No ano passado, registaram-se nas estradas portuguesas 358 feridos ligeiros, 18 feridos graves e dois mortos por mês na faixa etária dos 0 aos 19 anos.
O presidente do ACP considerou também que faz «a maior falta», nas escolas portuguesas, acções de educação rodoviária, tendo em conta que é «cada vez mais uma preocupação nacional, um custo nacional e uma desgraça nacional o número de pessoas que continua a morrer nas estradas portuguesas».
O Programa Nacional de Educação Rodoviária (ACP Kids), desenvolvido pelo Automóvel Club de Portugal e que conta com a colaboração do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares, vai contemplar múltiplas iniciativas e acções ao longo do ano lectivo.
Segundo o ACP, no âmbito deste programa extracurricular vão ser enviados materiais didácticos para as escolas e professores, para que possam realizar actividades na sala de aula com os alunos.
Entre o conjunto de materiais referentes à educação rodoviária encontram-se um DVD, com o vídeo lúdico-pedagógico ACP Kids, e um tabuleiro de palavras cruzadas.
Numa segunda fase, um grupo seleccionado de escolas irá receber a acção «para e olha – experimenta e aprende», que permite aos alunos testarem, na prática, os comportamentos aprendidos através da criação de um ambiente rodoviário.
Carlos Barbosa adiantou ainda que a intenção é levar a todas as escolas do país este projecto.
Na apresentação do Programa Nacional de Educação Rodoviária vai estar presente o secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D'Ávila.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=58483
O Programa Nacional de Educação Rodoviária é hoje apresentado e destina-se a crianças entre os quatro e os sete anos. O projecto-piloto vai arrancar este ano lectivo em escolas públicas e privadas de Lisboa e Porto, envolvendo cerca de 50 mil alunos e três mil professores.
«Mais do que ensinar regras do Código da Estrada, aquilo que o ACP pretende é incutir regras de segurança rodoviária nos mais novos e que eles também sejam porta-vozes das boas práticas junto dos pais e amigos», disse à agência Lusa o presidente do ACP, Carlos Barbosa.
O responsável adiantou que a iniciativa tem por objectivo «ensinar e incutir comportamentos de segurança aos mais jovens», para que, quando chegarem à idade adulta, «não tenham os comportamentos que hoje em dia se vêem na estrada, que são perfeitamente inaceitáveis».
Carlos Barbosa referiu igualmente que os dados da sinistralidade, em 2011, com crianças e jovens dos 0 aos 19 anos, são preocupantes e reveladores que urge inverter a situação e mudar comportamentos.
No ano passado, registaram-se nas estradas portuguesas 358 feridos ligeiros, 18 feridos graves e dois mortos por mês na faixa etária dos 0 aos 19 anos.
O presidente do ACP considerou também que faz «a maior falta», nas escolas portuguesas, acções de educação rodoviária, tendo em conta que é «cada vez mais uma preocupação nacional, um custo nacional e uma desgraça nacional o número de pessoas que continua a morrer nas estradas portuguesas».
O Programa Nacional de Educação Rodoviária (ACP Kids), desenvolvido pelo Automóvel Club de Portugal e que conta com a colaboração do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares, vai contemplar múltiplas iniciativas e acções ao longo do ano lectivo.
Segundo o ACP, no âmbito deste programa extracurricular vão ser enviados materiais didácticos para as escolas e professores, para que possam realizar actividades na sala de aula com os alunos.
Entre o conjunto de materiais referentes à educação rodoviária encontram-se um DVD, com o vídeo lúdico-pedagógico ACP Kids, e um tabuleiro de palavras cruzadas.
Numa segunda fase, um grupo seleccionado de escolas irá receber a acção «para e olha – experimenta e aprende», que permite aos alunos testarem, na prática, os comportamentos aprendidos através da criação de um ambiente rodoviário.
Carlos Barbosa adiantou ainda que a intenção é levar a todas as escolas do país este projecto.
Na apresentação do Programa Nacional de Educação Rodoviária vai estar presente o secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D'Ávila.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=58483
sábado, 8 de setembro de 2012
Dinheiro Vivo: Crónicas de uma Desempregada: Um ginásio de bebé por legumes biológicos
A poupança pode ser a melhor amiga da arrumação. E, em jeito de livro de auto-ajuda, confere que viver com menos coisas é sinónimo de viver melhor.
Cá por casa, desde que o orçamento apertou que saem muitas coisas e entram poucas. As novas aquisições estão limitadas à roupa dos miúdos. A roupa que deixa de servir ao mais velho guarda-se para o mais novo. E a roupa que deixa de caber ao mais novo passa para os primos pequenos ou vende-se.
A venda de objectos usados é um mundo fascinante onde se negoceia literalmente tudo. A casa fica mais vazia e a carteira mais cheia. Dá muito jeito., excepto quando num jantar de família o meu filho mais velho anuncia às tias e avós que as prendas do Natal se venderam na internet num instante.
Depois de chantagear o meu filho mais velho como forma de garantir o seu silêncio, voltamos às arrumações-lucrativas. O meu filho pequeno nunca ligou nenhuma ao mobile que lhe comprei. Tanta esperança depositada em manhãs serenas com o meu bebé a olhar para três aviõezinhos a andar à volta. Mandou-me a mim ver os aviões.
E o ginásio teve o seu tempo de utilização. Curto porque o meu mais pequeno ganhou mobilidade cedo demais. Mas haverá com certeza alguma grávida com as mesmas ilusões que eu já perdi.
Tiro uma foto com o telemóvel e passo para o computador. O site www.custojusto.pt é muito simples. Nada de registos. Descarrego as fotos, obras de arte dignas de prémios internacionais no meio de preciosidades assustadoras que se encontram. Tenho a certeza que consegui ver restos de laranja num espremedor “quase novo”.
“Vende-se mobile Chicco e ginásio de bebé IKEA. Estão novos. Não tenho caixa. 15 euros e 9 euros.” A caixa original dos produtos acrescenta-lhe algum valor mas eu tenho este hábito irritante de deitar tudo fora. Mesmo coisas que venho a descobrir fazerem-me falta. Os preços são cerca de 40% do valor original.
“Entrega-se pessoalmente. Zona de Lisboa”. Apesar de acreditar que não é o facto do homem ter ido à lua que alterou o tempo e não ter dinheiro escondido debaixo do colchão, não me meto em transferência bancárias e envios por correio. Evitam-se burlas e poupamo-nos (é sempre esse o objectivo) a chatices.
Ao final do dia tinha já um e-mail de um grávida simpática. Quer muito o mobile mas com caixa. Maldita caixa. Garanto-lhe que os aviõezinhos estão mesmo como novos e ultrapassamos o assunto “caixa”. Encontram-nos perto de minha casa. Entrego-lhe o mobile e recebo 15 euros. Negócio feito. Eu tenho a casa mais vazia e a grávida volta para casa a sonhar com as manhãs calmas de que eu já desisti.
Dois dias depois tenhos alguns e-mails também interessados no mobile e, finalmente um para o ginásio. Mais uma grávida. Diz-me que não tem qualquer possibilidade monetária e pergunta se aceito uma troca por legumes da horta da mãe.
E assim foi. Perto do Campo Grande troquei um ginásio de bebé por legumes biológicos. Escolho sempre locais perto de casa ou que estejam no meu itenerário, caso contrário fico com a sensação que tenho que descontar uns euros ao meu ganho.
Para os miúdos isto funciona como um jogo: escolhe o que quer vender e com o dinheiro pode comprar aquilo que anda a pedir muito. O meu filho grande comprou o jogo para a PlayStation com o dinheiro da venda dos Gormitis. Arrumou-se o quarto e poupou-se dinheiro. Eu confesso que lhe cobro uma comissão pelos serviços prestados mas juro que é coisa pouca.
http://www.dinheirovivo.pt/Emprego/Artigo/CIECO057652.html?page=0
Cá por casa, desde que o orçamento apertou que saem muitas coisas e entram poucas. As novas aquisições estão limitadas à roupa dos miúdos. A roupa que deixa de servir ao mais velho guarda-se para o mais novo. E a roupa que deixa de caber ao mais novo passa para os primos pequenos ou vende-se.
A venda de objectos usados é um mundo fascinante onde se negoceia literalmente tudo. A casa fica mais vazia e a carteira mais cheia. Dá muito jeito., excepto quando num jantar de família o meu filho mais velho anuncia às tias e avós que as prendas do Natal se venderam na internet num instante.
Depois de chantagear o meu filho mais velho como forma de garantir o seu silêncio, voltamos às arrumações-lucrativas. O meu filho pequeno nunca ligou nenhuma ao mobile que lhe comprei. Tanta esperança depositada em manhãs serenas com o meu bebé a olhar para três aviõezinhos a andar à volta. Mandou-me a mim ver os aviões.
E o ginásio teve o seu tempo de utilização. Curto porque o meu mais pequeno ganhou mobilidade cedo demais. Mas haverá com certeza alguma grávida com as mesmas ilusões que eu já perdi.
Tiro uma foto com o telemóvel e passo para o computador. O site www.custojusto.pt é muito simples. Nada de registos. Descarrego as fotos, obras de arte dignas de prémios internacionais no meio de preciosidades assustadoras que se encontram. Tenho a certeza que consegui ver restos de laranja num espremedor “quase novo”.
“Vende-se mobile Chicco e ginásio de bebé IKEA. Estão novos. Não tenho caixa. 15 euros e 9 euros.” A caixa original dos produtos acrescenta-lhe algum valor mas eu tenho este hábito irritante de deitar tudo fora. Mesmo coisas que venho a descobrir fazerem-me falta. Os preços são cerca de 40% do valor original.
“Entrega-se pessoalmente. Zona de Lisboa”. Apesar de acreditar que não é o facto do homem ter ido à lua que alterou o tempo e não ter dinheiro escondido debaixo do colchão, não me meto em transferência bancárias e envios por correio. Evitam-se burlas e poupamo-nos (é sempre esse o objectivo) a chatices.
Ao final do dia tinha já um e-mail de um grávida simpática. Quer muito o mobile mas com caixa. Maldita caixa. Garanto-lhe que os aviõezinhos estão mesmo como novos e ultrapassamos o assunto “caixa”. Encontram-nos perto de minha casa. Entrego-lhe o mobile e recebo 15 euros. Negócio feito. Eu tenho a casa mais vazia e a grávida volta para casa a sonhar com as manhãs calmas de que eu já desisti.
Dois dias depois tenhos alguns e-mails também interessados no mobile e, finalmente um para o ginásio. Mais uma grávida. Diz-me que não tem qualquer possibilidade monetária e pergunta se aceito uma troca por legumes da horta da mãe.
E assim foi. Perto do Campo Grande troquei um ginásio de bebé por legumes biológicos. Escolho sempre locais perto de casa ou que estejam no meu itenerário, caso contrário fico com a sensação que tenho que descontar uns euros ao meu ganho.
Para os miúdos isto funciona como um jogo: escolhe o que quer vender e com o dinheiro pode comprar aquilo que anda a pedir muito. O meu filho grande comprou o jogo para a PlayStation com o dinheiro da venda dos Gormitis. Arrumou-se o quarto e poupou-se dinheiro. Eu confesso que lhe cobro uma comissão pelos serviços prestados mas juro que é coisa pouca.
http://www.dinheirovivo.pt/Emprego/Artigo/CIECO057652.html?page=0
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
i online: Casos de filhos a bater nos pais aumentam 97% entre 2004 e 2011
O provérbio “Coisas de família, em família devem ficar” está ultrapassado. Nos últimos 11 anos chegaram à Associação Nacional de Apoio à Vítima (APAV) mais 172 mil crimes de violência doméstica que envolveram 76 582 vítimas. Os dados constam do relatório da associação ontem divulgado.
Os principais crimes reportados referem-se a maus-tratos psíquicos (50 mil queixas), maus--tratos físicos (46 mil) e ameaças e coacção (33 mil). Registaram-se ainda três mil casos de violação e abuso sexual.
No universo de famílias sinalizadas pela APAV houve 3380 pessoas a queixar-se, entre 2004 e 2011, de maus-tratos infligidos pelos filhos, o que se traduziu em 7805 factos criminosos, metade deles nas categorias de maus- -tratos psíquicos e físicos.
Mães e filhos A APAV constatou ainda que, em oito anos, foi registado um aumento processual de 97,7% neste tipo de violência doméstica. As mães são as principais vítimas, representando 59% dos processos abertos pela APAV, cabendo sobretudo aos rapazes (72%) o papel de agressor. Em termos etários, 40% dos pais agredidos têm mais de 65 anos, ao passo que, no caso dos agressores, um terço tem entre 18 e 35 anos.
Mas há mais dados relevantes na análise estatística da associação: no caso dos crimes contra crianças ocorridos na escola registou-se uma subida de 289% entre 2005 e 2011. Se há sete anos a APAV registou nove casos, em 2011 o número disparou para 35, num total de 186 crimes praticados em contexto escolar. As raparigas, sobretudo entre os 11 e os 17 anos, são as principais vítimas.
Alargando o âmbito da análise, a APAV abriu 7387 processos de apoio a crianças e jovens vítimas de crime e violência entre 2000 e 2011, tendo sido detectados 11 261 factos criminosos. De novo foram as raparigas as principais vítimas, representando 60,6% do universo de queixosos, isto é, 4477 dos processos abertos. Dividindo as crianças e jovens por escalões etários, houve 811 vítimas entre os 0 e os 3 anos, 721 crianças entre os 4 e os 5 anos e 1992 situações entre os 6 e os 10 anos, embora a maioria tivesse entre 11 e 17 anos (52,3%). Os maus- -tratos psíquicos dominam as queixas, seguidos dos maus-tratos físicos.
Os dados ontem revelados mostram que ainda prevalece a cultura do “sexo fraco”, pois as mulheres são outra vez as protagonistas de violência contra idosos. Em 2011, as mulheres representaram 78,4% das 749 vítimas de violência contra idosos, que na sua maioria tinham entre 65 e 75 anos. Ainda em 2011, 62,6% dos agressores eram homens. Das 749 vítimas idosas registadas no ano passado, 273 (36,4%) foram agredidas pelos filhos e 193 (25,7%) foram-no pelos cônjuges.
Analisados os números de casos de idosos violentados entre 2000 e 2011, estas proporções invertem-se, pois dos 6249 factos criminosos registados pela APAV, 23% foram praticados pelos filhos, ao passo que os cônjuges foram responsáveis por 29% dos casos.
http://www.ionline.pt/portugal/casos-filhos-bater-nos-pais-aumentam-97-entre-2004-2011
Os principais crimes reportados referem-se a maus-tratos psíquicos (50 mil queixas), maus--tratos físicos (46 mil) e ameaças e coacção (33 mil). Registaram-se ainda três mil casos de violação e abuso sexual.
No universo de famílias sinalizadas pela APAV houve 3380 pessoas a queixar-se, entre 2004 e 2011, de maus-tratos infligidos pelos filhos, o que se traduziu em 7805 factos criminosos, metade deles nas categorias de maus- -tratos psíquicos e físicos.
Mães e filhos A APAV constatou ainda que, em oito anos, foi registado um aumento processual de 97,7% neste tipo de violência doméstica. As mães são as principais vítimas, representando 59% dos processos abertos pela APAV, cabendo sobretudo aos rapazes (72%) o papel de agressor. Em termos etários, 40% dos pais agredidos têm mais de 65 anos, ao passo que, no caso dos agressores, um terço tem entre 18 e 35 anos.
Mas há mais dados relevantes na análise estatística da associação: no caso dos crimes contra crianças ocorridos na escola registou-se uma subida de 289% entre 2005 e 2011. Se há sete anos a APAV registou nove casos, em 2011 o número disparou para 35, num total de 186 crimes praticados em contexto escolar. As raparigas, sobretudo entre os 11 e os 17 anos, são as principais vítimas.
Alargando o âmbito da análise, a APAV abriu 7387 processos de apoio a crianças e jovens vítimas de crime e violência entre 2000 e 2011, tendo sido detectados 11 261 factos criminosos. De novo foram as raparigas as principais vítimas, representando 60,6% do universo de queixosos, isto é, 4477 dos processos abertos. Dividindo as crianças e jovens por escalões etários, houve 811 vítimas entre os 0 e os 3 anos, 721 crianças entre os 4 e os 5 anos e 1992 situações entre os 6 e os 10 anos, embora a maioria tivesse entre 11 e 17 anos (52,3%). Os maus- -tratos psíquicos dominam as queixas, seguidos dos maus-tratos físicos.
Os dados ontem revelados mostram que ainda prevalece a cultura do “sexo fraco”, pois as mulheres são outra vez as protagonistas de violência contra idosos. Em 2011, as mulheres representaram 78,4% das 749 vítimas de violência contra idosos, que na sua maioria tinham entre 65 e 75 anos. Ainda em 2011, 62,6% dos agressores eram homens. Das 749 vítimas idosas registadas no ano passado, 273 (36,4%) foram agredidas pelos filhos e 193 (25,7%) foram-no pelos cônjuges.
Analisados os números de casos de idosos violentados entre 2000 e 2011, estas proporções invertem-se, pois dos 6249 factos criminosos registados pela APAV, 23% foram praticados pelos filhos, ao passo que os cônjuges foram responsáveis por 29% dos casos.
http://www.ionline.pt/portugal/casos-filhos-bater-nos-pais-aumentam-97-entre-2004-2011
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