Um artigo pertinente perante a realidade familiar dos dias de hoje! O amor assume muitas formas :)
Boas notícias!
Nos contos infantis, proíbem idas ao baile, oferecem maçãs envenenadas e espartilhos que sufocam. A sabedoria popular diz que às madrastas só o nome lhes basta. Contudo, quando o homem por quem se apaixonam traz filhos na bagagem, há mulheres que acabam por descobrir diferentes significados para a expressão.
Aos 27 anos Isabel tinha um emprego estável e casa própria, mas ainda não se sentia “uma adulta de verdade”. Não se identificava com os amigos que tinham filhos e ser mãe não fazia parte dos planos. “Conhecer o Ricardo acabou por ser o meu ritual de passagem para a vida adulta. Quando nos envolvemos ele trazia dois filhos de outra relação e foi pegar ou largar”, recorda Isabel. Ao namorar com um pai, Isabel, que não tencionava ser mãe, teve que se habituar à palavra madrasta.
Para além dos desafios inerentes a qualquer relação, Isabel e Ricardo tinham na deles um obstáculo extra na forma de dois rapazes reguilas de 5 e 7 anos. “Com os rapazes houve duas provas de fogo cruciais, que me deixaram mais ansiosa do que qualquer outra coisa: o dia em os conheci e, mais tarde, a primeira vez que fiquei sozinha com eles, pouco depois de termos ido viver juntos”, conta Isabel.
Ricardo lembra-se bem desses momentos e garante que não foram menos stressantes para ele. “A Isabel tinha muito medo porque achava que era péssima com crianças. Eu tentava desdramatizar, mas, lá no fundo, estava pior… Como é que se apresenta uma namorada a dois miúdos? Andei dias a pensar se a apresentava como namorada ou amiga”. A decisão estava tomada e sete ou oito meses depois de terem começado a namorar, Ricardo levou os filhos ao jardim zoológico para lhes apresentar “uma amiga muito especial.” A tarde no zoo ia a meio quando Tomé, do alto dos seus sete anos, puxou a blusa de Isabel e lhe perguntou: “És tu que vais ser a minha mãe número dois?”.
Com várias funções se escreve a palavra madrasta
A resposta de Isabel à pergunta de Tomé ajudou a definir desde o primeiro dia o seu papel naquela família. “Disse-lhe que mãe só há uma e que não se pode pôr números nas pessoas, mas que gostava de ser amiga dele e do irmão”, relembra Isabel, que actualmente já tem um filho com Ricardo. Esta abordagem vai ao encontro do que a especialista em estudos de madrastas, Donna Smith, considera ser a chave para uma relação de sucesso com os enteados: assumir o papel de uma tia ou de uma boa amiga.
“O ideal é dizer às mulheres que se tornam madrastas: ‘Não és a mãe dos teus enteados, tem calma e deixa que o pai te insira na família. Sê agradável, observa em silêncio e não interfiras nas interacções pai-filhos”, aconselha Donna Smith, professora na Universidade de Kentucky e co-autora do livro Stepfamilies: Issues in Research, Theory, and Practice.
Donna Smith despertou para o estudo do papel das madrastas há 32 anos, depois de ter casado com o pai de um adolescente de 15 anos. “Eu e o Jeff [o enteado] gostávamos um do outro, ele queria que o pai casasse comigo e eu tinha a certeza de que ia conseguir lidar com tudo, tendo em conta que dava aulas sobre educação familiar há cinco anos”, revela a académica americana. A teoria não poderia preparar Donna para o que a esperava e, três meses depois do casamento, viu-se obrigada a tirar da prateleira o livro How to Win as a Stepfamily, de John e Emily Visher, que lhe fora oferecido pelos colegas como prenda de casamento, que a ajudou a gerir a relação.
Fala com ela
Em todas as respostas que deu ao Life&Style, Donna Smith sublinhou que, em muitos casos de famílias recompostas, é essencial obter ajuda profissional ou, pelo menos, que as madrastas tenham um grupo de apoio, que as possa ajudar a lidar com as ambiguidades de ser madrasta. “Não esperem demasiado tempo. Estas famílias têm uma taxa de divórcio de cerca de 40%, frequentemente até ao terceiro ano!”, respondeu Donna Smith via email, numa frase em que os pontos de exclamação se multiplicaram.
“Ainda acreditamos que vamos casar, ter os nossos filhos e ficar casadas o resto das nossas vidas. Contudo, as estatísticas já não remetem para esta ideia. Nos Estados Unidos a taxa de divórcio ronda os 45-50% e cerca de 70% dessas pessoas volta a casar, assim, é provável que muitos de nós venhamos a ser madrastas ou padrastos – cerca de um em cada três americanos pelo menos, serão”, acrescenta Donna Smith, de 63 anos.
Em Portugal, a par das taxas de divórcio, o número de famílias recompostas, com filhos de relações anteriores, também tem vindo a aumentar. Entre 2001 e 2011 subiu de 2,7% para 6,55%, sendo que a maioria dos casais nesta situação opta pela união de facto, um valor que corresponde a 59,18%.
Filhos e enteados
Patrícia, nome fictício, poderia pertencer a essa maioria, não tivesse sido tão efémera a sua experiência como madrasta. “Em menos de um ano passei por situações com os filhos do meu companheiro que nunca tinham acontecido com a minha filha. Acho que tentei ser uma pessoa que não era, neste caso uma madrasta-mãe, e acabou por não correr bem”, conta a mulher de 41 anos.
Quando se envolveu com um homem, pai de três filhos com idades entre os 12 e os 17 anos, Patrícia sentiu-se “a mulher mais sortuda do universo”. “Vi naquele homem uma porta aberta para realizar tudo o que sempre quis, era a promessa da família feliz que não consegui ter no meu casamento. Ele tinha os filhos dele, eu tinha a minha e, para mim, fazia sentido juntar tudo. Esse era o nosso plano. Falhou em parte porque eu não soube gerir a dor daquela família que queria a todo custo que fosse minha.”
O homem por quem Patrícia se apaixonou perdera a mulher quatro anos antes, vítima de cancro. A família que Patrícia tanto desejava seria composta por ela, pela sua filha, por um viúvo e três órfãos. As primeiras tentativas de aproximação não foram bem recebidas. “Tinha muita pena dos filhos dele por não terem mãe e dei por mim a fazer e dizer coisas que só uma mãe faria. Eu achava que estava a ajudar, mas eles não estavam prontos, nem precisavam de uma estranha armada em madrasta boa.”
Para Donna Smith as famílias recompostas depois de uma morte apresentam particularidades que podem dificultar o papel dos “intrusos”. “Ao lembrarem-se da pessoa que perderam, adultos e crianças podem pensar nela de um modo idealístico, por vezes até irrealista. Nenhum padrasto ou madrasta está à altura dessa imagem.” Patrícia foi apanhada a meio de um processo de luto, o que acabou por acentuar as diferenças entre todos. “Vivíamos na mesma casa mas era como se fossemos equipas diferentes, eu e a minha filha e os outros. Foi muito desgastante para todos. Estava tudo bem com o meu companheiro mas eu sentia-me a bruxa”.
A relação de Patrícia e do companheiro não resistiu a estas e a outras feridas e, cerca de um ano depois, separam-se com a certeza de que todos fizeram o melhor que podiam. Habituada a lidar com situações semelhantes, Donna Smith relembra que há algumas regras para que ninguém tenha que se tornar na madrasta má da Cinderela ou na bruxa da Branca de Neve: “Não esperes que a tua família recomposta funcione como a de um primeiro casamento. Não vai. Não esperes que uma madrasta assuma o lugar de uma mãe biológica. Não consegue.”
http://lifestyle.publico.pt/artigos/319650_mae-ou-madrasta-so-o-amor-lhes-basta
Mostrar mensagens com a etiqueta Família. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Família. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 5 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Best of: Pequenos mimos
Este é um dos meus artigos preferidos! Mais simples e sincero é difícil. Por isso, e porque foi um dos artigos mais lidos no Dicas da Migalha, aqui fica a sugestão para ler e reler :)
Bons mimos!
.........
Por
vezes, pequenos gestos, com poucas ou nenhumas implicações, fazem felizes
aqueles que mais amamos. E são esses pequenos mimos que enriquecem o nosso dia
:)
Não
é muito difícil fazer uma criança pequena feliz. Não precisam de muitos bens
materiais, precisam sim de muita atenção e dedicação. E connosco, adultos,
também não é assim tão diferente... Ou, pelo menos, não deveria ser...
Hoje
quero apenas recordar alguns mimos que me fazem feliz e que sei que fizeram
outros felizes :)
Aqui
há dias, a minha mãe fez arroz doce para um almoço de fim-de-semana. O meu
mais-que-tudo não foi a esse almoço por estar a trabalhar, mas, no dia
seguinte, sem ele saber, coloquei uma caixinha cheia de arroz doce na marmita
para o almoço. Esta é capaz de ser a sobremesa preferida dele e foi um mimo que
ele adorou :)
Uma
tarde destas, perguntei à migalhinha se queria ir à padaria comprar pão.
Fala-se em pão e rua e os olhos dela até brilham! O triciclo dela estava
“estacionado” na sala e, quando se estava a calçar, viu-o. Pediu logo para ir
ao pão no triciclo. Ora, levá-la no triciclo implica dar uma volta maior (pois
a rua directa não tem propriamente passeio) e no final implicava também uma
longa subida em que teria de empurrar o triciclo. Mas nada disto importa quando
ela me olha com aqueles olhos enormes cor de azeitona. Lá foi ela toda
contente, com o seu bebé ao colo, até à padaria. Depois colocou o pão no
cestinho do triciclo de volta a casa. Foi um passeio agradável num final de
tarde calma e foi um mimo que ela adorou :)
Hoje
de manhã estava a tomar banho, enquanto a migalhinha cirandava pela casa a
fazer companhia ao papá. Às tantas, lá foi ter comigo à casa-de-banho... abriu
a porta, entrou, encostou a porta (para eu não ter frio), colocou a minha toalha
em cima do aquecedor e ali ficou a brincar até eu sair do banho. Depois, ainda
me passou a toalha, ajudou-me a secar as pernas e ainda quis levar o meu pijama
para o quarto! A minha pirralha de 22 meses está uma crescida e foi um mimo que
eu adorei :)
Tantos
outros mimos há tão simples e fáceis como estes! Basta vontade e amor! E assim
se faz outra pessoa feliz!
Bons
mimos!
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Bem-vindo Campeão!
Desta
vez a ausência foi mais do que justificada. O mais recente membro da família
nasceu no passado dia 14 e tem-nos ocupado todo o dia... e toda a noite...
Isto
de acordar tantas vezes durante a noite deixa as suas marcas, mas prometo
voltar à escrita assim que conseguir dormir 4 horas de seguida :)
Até
lá, e durante os meses de Julho e Agosto, vamos ter um best of do Dicas da Migalha, recordando os artigos mais lidos de
sempre!
Agora,
se me dão licença, tenho uma fralda para ir mudar...
Até
breve!
sábado, 18 de maio de 2013
Correio da Manhã: Há 416 mil mães sós com os filhos
O número de mães que vivem sozinhas com os filhos disparou na última década em Portugal. Em 2011, havia 416 343 mulheres, com mais de 24 anos, a viver na companhia dos filhos. Esse número representa um aumento de 36,1 por cento relativamente a 2001, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Para assinalar o Dia da Mãe, que se comemora amanhã, o INE traçou o "retrato da mãe que vive com os filhos", baseando-se nos dados dos Censos de 2011.
De acordo com esse registo, em 2011, residiam em Portugal 5 515 578 mulheres, das quais 2 014 048 eram mães a viver no seu agregado, que integrava também os filhos.
Os dados do INE comprovam que as portuguesas são mães cada vez mais tarde. Em 2001, era-se mãe em média aos 26,8 anos, enquanto em 2011 a maternidade surge aos 29,2 anos.
Segundo o INE, 1 365 532 mulheres eram casadas, 138 144 viviam em união de facto, 416 343 em núcleos monoparentais de mãe e 94 029 em núcleos de casais reconstituídos. Em 2011, as mães tinham em média 45,6 anos e viviam com 1,5 filhos.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/sociedade/ha-416-mil-maes-sos-com-os-filhos
Para assinalar o Dia da Mãe, que se comemora amanhã, o INE traçou o "retrato da mãe que vive com os filhos", baseando-se nos dados dos Censos de 2011.
De acordo com esse registo, em 2011, residiam em Portugal 5 515 578 mulheres, das quais 2 014 048 eram mães a viver no seu agregado, que integrava também os filhos.
Os dados do INE comprovam que as portuguesas são mães cada vez mais tarde. Em 2001, era-se mãe em média aos 26,8 anos, enquanto em 2011 a maternidade surge aos 29,2 anos.
Segundo o INE, 1 365 532 mulheres eram casadas, 138 144 viviam em união de facto, 416 343 em núcleos monoparentais de mãe e 94 029 em núcleos de casais reconstituídos. Em 2011, as mães tinham em média 45,6 anos e viviam com 1,5 filhos.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/sociedade/ha-416-mil-maes-sos-com-os-filhos
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Preparar também é mentalizar
Chegada
às 34 semanas de gravidez, achei que era boa ideia preparar a mala para levar
para a maternidade. A Migalhinha nasceu de 40 semanas e 2 dias, mas nunca se
sabe...
Entre
lavar e arrumar a roupinha do pequenote, preparar a mala, ir à arrecadação buscar
o ovinho, a alcofa e afins, acho que parte deste processo ajuda-me também a
mentalizar que já falta pouco e que, não tarda, a vida cá de casa irá mudar
radicalmente novamente.
Verdade
seja dita, a grande mudança aconteceu com o nascimento da Migalhinha. Mas o
conceito de “a nossa família” vai mudar, vai crescer e todos vamos ter de nos
adaptar.
Pergunto-me
como será que a Migalhinha irá reagir. Terá ciúmes? Irá ignorá-lo? Irá ajudar a
tomar conta do mano?
Durante
estes meses temos feito o possível para que ela compreenda que vêm aí alguém
com quem vai ter de partilhar a mamã, o papá e o seu espaço. Temos também feito
um esforço para que ela não sinta que o mano lhe vai roubar amor, atenção e
carinho.
Se
ela quer colo da mamã, eu dou, mesmo com uma gigante barriga. Fico mais
cansada, é um facto, mas não acho que lhe deva negar esses e outros mimos. Talvez
ande com ela ao colo durante menos tempo, mas nunca lhe nego colo.
O
nosso amor não vai ser repartido pelos dois. Vai ser acrescentado!
A
mala está quase pronta. A roupinha está lavada e arrumada. Faltam apenas alguns
pormenores e estaremos todos prontos para receber o pequenote.
Boa
preparação... e mentalização!
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Público: Mãe ou madrasta, só o amor lhes basta
Nos contos infantis, proíbem idas ao baile, oferecem maçãs envenenadas e espartilhos que sufocam. A sabedoria popular diz que às madrastas só o nome lhes basta. Contudo, quando o homem por quem se apaixonam traz filhos na bagagem, há mulheres que acabam por descobrir diferentes significados para a expressão.
Aos 27 anos Isabel tinha um emprego estável e casa própria, mas ainda não se sentia “uma adulta de verdade”. Não se identificava com os amigos que tinham filhos e ser mãe não fazia parte dos planos. “Conhecer o Ricardo acabou por ser o meu ritual de passagem para a vida adulta. Quando nos envolvemos ele trazia dois filhos de outra relação e foi pegar ou largar”, recorda Isabel. Ao namorar com um pai, Isabel, que não tencionava ser mãe, teve que se habituar à palavra madrasta.
Para além dos desafios inerentes a qualquer relação, Isabel e Ricardo tinham na deles um obstáculo extra na forma de dois rapazes reguilas de 5 e 7 anos. “Com os rapazes houve duas provas de fogo cruciais, que me deixaram mais ansiosa do que qualquer outra coisa: o dia em os conheci e, mais tarde, a primeira vez que fiquei sozinha com eles, pouco depois de termos ido viver juntos”, conta Isabel.
Ricardo lembra-se bem desses momentos e garante que não foram menos stressantes para ele. “A Isabel tinha muito medo porque achava que era péssima com crianças. Eu tentava desdramatizar, mas, lá no fundo, estava pior… Como é que se apresenta uma namorada a dois miúdos? Andei dias a pensar se a apresentava como namorada ou amiga”. A decisão estava tomada e sete ou oito meses depois de terem começado a namorar, Ricardo levou os filhos ao jardim zoológico para lhes apresentar “uma amiga muito especial.” A tarde no zoo ia a meio quando Tomé, do alto dos seus sete anos, puxou a blusa de Isabel e lhe perguntou: “És tu que vais ser a minha mãe número dois?”.
Com várias funções se escreve a palavra madrasta
A resposta de Isabel à pergunta de Tomé ajudou a definir desde o primeiro dia o seu papel naquela família. “Disse-lhe que mãe só há uma e que não se pode pôr números nas pessoas, mas que gostava de ser amiga dele e do irmão”, relembra Isabel, que actualmente já tem um filho com Ricardo. Esta abordagem vai ao encontro do que a especialista em estudos de madrastas, Donna Smith, considera ser a chave para uma relação de sucesso com os enteados: assumir o papel de uma tia ou de uma boa amiga.
“O ideal é dizer às mulheres que se tornam madrastas: ‘Não és a mãe dos teus enteados, tem calma e deixa que o pai te insira na família. Sê agradável, observa em silêncio e não interfiras nas interacções pai-filhos”, aconselha Donna Smith, professora na Universidade de Kentucky e co-autora do livro Stepfamilies: Issues in Research, Theory, and Practice.
Donna Smith despertou para o estudo do papel das madrastas há 32 anos, depois de ter casado com o pai de um adolescente de 15 anos. “Eu e o Jeff [o enteado] gostávamos um do outro, ele queria que o pai casasse comigo e eu tinha a certeza de que ia conseguir lidar com tudo, tendo em conta que dava aulas sobre educação familiar há cinco anos”, revela a académica americana. A teoria não poderia preparar Donna para o que a esperava e, três meses depois do casamento, viu-se obrigada a tirar da prateleira o livro How to Win as a Stepfamily, de John e Emily Visher, que lhe fora oferecido pelos colegas como prenda de casamento, que a ajudou a gerir a relação.
Fala com ela
Em todas as respostas que deu ao Life&Style, Donna Smith sublinhou que, em muitos casos de famílias recompostas, é essencial obter ajuda profissional ou, pelo menos, que as madrastas tenham um grupo de apoio, que as possa ajudar a lidar com as ambiguidades de ser madrasta. “Não esperem demasiado tempo. Estas famílias têm uma taxa de divórcio de cerca de 40%, frequentemente até ao terceiro ano!”, respondeu Donna Smith via email, numa frase em que os pontos de exclamação se multiplicaram.
“Ainda acreditamos que vamos casar, ter os nossos filhos e ficar casadas o resto das nossas vidas. Contudo, as estatísticas já não remetem para esta ideia. Nos Estados Unidos a taxa de divórcio ronda os 45-50% e cerca de 70% dessas pessoas volta a casar, assim, é provável que muitos de nós venhamos a ser madrastas ou padrastos – cerca de um em cada três americanos pelo menos, serão”, acrescenta Donna Smith, de 63 anos.
Em Portugal, a par das taxas de divórcio, o número de famílias recompostas, com filhos de relações anteriores, também tem vindo a aumentar. Entre 2001 e 2011 subiu de 2,7% para 6,55%, sendo que a maioria dos casais nesta situação opta pela união de facto, um valor que corresponde a 59,18%.
Filhos e enteados
Patrícia, nome fictício, poderia pertencer a essa maioria, não tivesse sido tão efémera a sua experiência como madrasta. “Em menos de um ano passei por situações com os filhos do meu companheiro que nunca tinham acontecido com a minha filha. Acho que tentei ser uma pessoa que não era, neste caso uma madrasta-mãe, e acabou por não correr bem”, conta a mulher de 41 anos.
Quando se envolveu com um homem, pai de três filhos com idades entre os 12 e os 17 anos, Patrícia sentiu-se “a mulher mais sortuda do universo”. “Vi naquele homem uma porta aberta para realizar tudo o que sempre quis, era a promessa da família feliz que não consegui ter no meu casamento. Ele tinha os filhos dele, eu tinha a minha e, para mim, fazia sentido juntar tudo. Esse era o nosso plano. Falhou em parte porque eu não soube gerir a dor daquela família que queria a todo custo que fosse minha.”
O homem por quem Patrícia se apaixonou perdera a mulher quatro anos antes, vítima de cancro. A família que Patrícia tanto desejava seria composta por ela, pela sua filha, por um viúvo e três órfãos. As primeiras tentativas de aproximação não foram bem recebidas. “Tinha muita pena dos filhos dele por não terem mãe e dei por mim a fazer e dizer coisas que só uma mãe faria. Eu achava que estava a ajudar, mas eles não estavam prontos, nem precisavam de uma estranha armada em madrasta boa.”
Para Donna Smith as famílias recompostas depois de uma morte apresentam particularidades que podem dificultar o papel dos “intrusos”. “Ao lembrarem-se da pessoa que perderam, adultos e crianças podem pensar nela de um modo idealístico, por vezes até irrealista. Nenhum padrasto ou madrasta está à altura dessa imagem.” Patrícia foi apanhada a meio de um processo de luto, o que acabou por acentuar as diferenças entre todos. “Vivíamos na mesma casa mas era como se fossemos equipas diferentes, eu e a minha filha e os outros. Foi muito desgastante para todos. Estava tudo bem com o meu companheiro mas eu sentia-me a bruxa”.
A relação de Patrícia e do companheiro não resistiu a estas e a outras feridas e, cerca de um ano depois, separam-se com a certeza de que todos fizeram o melhor que podiam. Habituada a lidar com situações semelhantes, Donna Smith relembra que há algumas regras para que ninguém tenha que se tornar na madrasta má da Cinderela ou na bruxa da Branca de Neve: “Não esperes que a tua família recomposta funcione como a de um primeiro casamento. Não vai. Não esperes que uma madrasta assuma o lugar de uma mãe biológica. Não consegue.”
http://lifestyle.publico.pt/artigos/319650_mae-ou-madrasta-so-o-amor-lhes-basta
Aos 27 anos Isabel tinha um emprego estável e casa própria, mas ainda não se sentia “uma adulta de verdade”. Não se identificava com os amigos que tinham filhos e ser mãe não fazia parte dos planos. “Conhecer o Ricardo acabou por ser o meu ritual de passagem para a vida adulta. Quando nos envolvemos ele trazia dois filhos de outra relação e foi pegar ou largar”, recorda Isabel. Ao namorar com um pai, Isabel, que não tencionava ser mãe, teve que se habituar à palavra madrasta.
Para além dos desafios inerentes a qualquer relação, Isabel e Ricardo tinham na deles um obstáculo extra na forma de dois rapazes reguilas de 5 e 7 anos. “Com os rapazes houve duas provas de fogo cruciais, que me deixaram mais ansiosa do que qualquer outra coisa: o dia em os conheci e, mais tarde, a primeira vez que fiquei sozinha com eles, pouco depois de termos ido viver juntos”, conta Isabel.
Ricardo lembra-se bem desses momentos e garante que não foram menos stressantes para ele. “A Isabel tinha muito medo porque achava que era péssima com crianças. Eu tentava desdramatizar, mas, lá no fundo, estava pior… Como é que se apresenta uma namorada a dois miúdos? Andei dias a pensar se a apresentava como namorada ou amiga”. A decisão estava tomada e sete ou oito meses depois de terem começado a namorar, Ricardo levou os filhos ao jardim zoológico para lhes apresentar “uma amiga muito especial.” A tarde no zoo ia a meio quando Tomé, do alto dos seus sete anos, puxou a blusa de Isabel e lhe perguntou: “És tu que vais ser a minha mãe número dois?”.
Com várias funções se escreve a palavra madrasta
A resposta de Isabel à pergunta de Tomé ajudou a definir desde o primeiro dia o seu papel naquela família. “Disse-lhe que mãe só há uma e que não se pode pôr números nas pessoas, mas que gostava de ser amiga dele e do irmão”, relembra Isabel, que actualmente já tem um filho com Ricardo. Esta abordagem vai ao encontro do que a especialista em estudos de madrastas, Donna Smith, considera ser a chave para uma relação de sucesso com os enteados: assumir o papel de uma tia ou de uma boa amiga.
“O ideal é dizer às mulheres que se tornam madrastas: ‘Não és a mãe dos teus enteados, tem calma e deixa que o pai te insira na família. Sê agradável, observa em silêncio e não interfiras nas interacções pai-filhos”, aconselha Donna Smith, professora na Universidade de Kentucky e co-autora do livro Stepfamilies: Issues in Research, Theory, and Practice.
Donna Smith despertou para o estudo do papel das madrastas há 32 anos, depois de ter casado com o pai de um adolescente de 15 anos. “Eu e o Jeff [o enteado] gostávamos um do outro, ele queria que o pai casasse comigo e eu tinha a certeza de que ia conseguir lidar com tudo, tendo em conta que dava aulas sobre educação familiar há cinco anos”, revela a académica americana. A teoria não poderia preparar Donna para o que a esperava e, três meses depois do casamento, viu-se obrigada a tirar da prateleira o livro How to Win as a Stepfamily, de John e Emily Visher, que lhe fora oferecido pelos colegas como prenda de casamento, que a ajudou a gerir a relação.
Fala com ela
Em todas as respostas que deu ao Life&Style, Donna Smith sublinhou que, em muitos casos de famílias recompostas, é essencial obter ajuda profissional ou, pelo menos, que as madrastas tenham um grupo de apoio, que as possa ajudar a lidar com as ambiguidades de ser madrasta. “Não esperem demasiado tempo. Estas famílias têm uma taxa de divórcio de cerca de 40%, frequentemente até ao terceiro ano!”, respondeu Donna Smith via email, numa frase em que os pontos de exclamação se multiplicaram.
“Ainda acreditamos que vamos casar, ter os nossos filhos e ficar casadas o resto das nossas vidas. Contudo, as estatísticas já não remetem para esta ideia. Nos Estados Unidos a taxa de divórcio ronda os 45-50% e cerca de 70% dessas pessoas volta a casar, assim, é provável que muitos de nós venhamos a ser madrastas ou padrastos – cerca de um em cada três americanos pelo menos, serão”, acrescenta Donna Smith, de 63 anos.
Em Portugal, a par das taxas de divórcio, o número de famílias recompostas, com filhos de relações anteriores, também tem vindo a aumentar. Entre 2001 e 2011 subiu de 2,7% para 6,55%, sendo que a maioria dos casais nesta situação opta pela união de facto, um valor que corresponde a 59,18%.
Filhos e enteados
Patrícia, nome fictício, poderia pertencer a essa maioria, não tivesse sido tão efémera a sua experiência como madrasta. “Em menos de um ano passei por situações com os filhos do meu companheiro que nunca tinham acontecido com a minha filha. Acho que tentei ser uma pessoa que não era, neste caso uma madrasta-mãe, e acabou por não correr bem”, conta a mulher de 41 anos.
Quando se envolveu com um homem, pai de três filhos com idades entre os 12 e os 17 anos, Patrícia sentiu-se “a mulher mais sortuda do universo”. “Vi naquele homem uma porta aberta para realizar tudo o que sempre quis, era a promessa da família feliz que não consegui ter no meu casamento. Ele tinha os filhos dele, eu tinha a minha e, para mim, fazia sentido juntar tudo. Esse era o nosso plano. Falhou em parte porque eu não soube gerir a dor daquela família que queria a todo custo que fosse minha.”
O homem por quem Patrícia se apaixonou perdera a mulher quatro anos antes, vítima de cancro. A família que Patrícia tanto desejava seria composta por ela, pela sua filha, por um viúvo e três órfãos. As primeiras tentativas de aproximação não foram bem recebidas. “Tinha muita pena dos filhos dele por não terem mãe e dei por mim a fazer e dizer coisas que só uma mãe faria. Eu achava que estava a ajudar, mas eles não estavam prontos, nem precisavam de uma estranha armada em madrasta boa.”
Para Donna Smith as famílias recompostas depois de uma morte apresentam particularidades que podem dificultar o papel dos “intrusos”. “Ao lembrarem-se da pessoa que perderam, adultos e crianças podem pensar nela de um modo idealístico, por vezes até irrealista. Nenhum padrasto ou madrasta está à altura dessa imagem.” Patrícia foi apanhada a meio de um processo de luto, o que acabou por acentuar as diferenças entre todos. “Vivíamos na mesma casa mas era como se fossemos equipas diferentes, eu e a minha filha e os outros. Foi muito desgastante para todos. Estava tudo bem com o meu companheiro mas eu sentia-me a bruxa”.
A relação de Patrícia e do companheiro não resistiu a estas e a outras feridas e, cerca de um ano depois, separam-se com a certeza de que todos fizeram o melhor que podiam. Habituada a lidar com situações semelhantes, Donna Smith relembra que há algumas regras para que ninguém tenha que se tornar na madrasta má da Cinderela ou na bruxa da Branca de Neve: “Não esperes que a tua família recomposta funcione como a de um primeiro casamento. Não vai. Não esperes que uma madrasta assuma o lugar de uma mãe biológica. Não consegue.”
http://lifestyle.publico.pt/artigos/319650_mae-ou-madrasta-so-o-amor-lhes-basta
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Público: Os teus filhos não são meus. São nossos
Entre 2001 e 2011 o número de famílias recompostas, com filhos de anteriores relações, subiu de 2,7 para 6,55%. Isso obriga a repensar o conceito de família e levanta novas exigências quanto ao exercício da parentalidade.
Quando nos enviou um email a explicar a constituição da sua família, Susana Pragosa, de 34 anos, terminava assim: "Confuso, não?" A advogada vive em Oeiras com o seu actual companheiro, Gonçalo Marques, engenheiro de 32 anos. Juntos têm um bebé, o Afonso, mas cada um destes adultos traz já, de anteriores relações, filhos: ele dois, ela um. Ao todo, no dia em que fomos ao espaçoso apartamento de Oeiras havia quatro pequenos rapazes, mas apenas o bebé Afonso é irmão de todos.
Com o casal vivem todos os dias o Afonso, filho dos dois, e o Diogo, que tem quatro anos e é fruto da anterior relação de Susana Pragosa. Durante cerca de uma semana, todos os meses, e ainda nas férias juntam-se mais dois pequenos à casa - os filhos de Gonçalo Marques, com cinco e dois anos, que vêm do Algarve, onde moram com a mãe. Há ainda mais um dado para baralhar a equação: de três em três meses, o pai do Diogo vem de Macau até Portugal passar dez dias com o filho. O casal já se habituou à gestão de uma "família recomposta complexa", como lhe chamam os especialistas por oposição às "famílias recompostas simples", aquelas em que apenas um dos membros do casal tem um filho de uma relação anterior.
A fazer na Faculdade de Letras da Universidade do Porto um doutoramento em Sociologia sobre o tema, a investigadora Cristina Cunha não tem dúvidas de que o conceito de família se alterou: "Com as mudanças nos comportamentos dos casais, na redução da esperança de vida, da união em virtude do aumento do divórcio e com as alterações da paisagem demográfica da família a partir da década de 1960 o modelo, até então dominante, da família dita tradicional, intacta ou nuclear dá lugar, em finais do século XX, a uma pluralidade de modelos familiares que, por sua vez, geraram novas interrogações sociológicas sobre a família."
Na casa de Susana Pragosa e de Gonçalo Marques, o Diogo, o João e o Frederico estão entretidos a brincar. "São os melhores amigos", garante a mãe. Entre eles, apenas o João e o Frederico são irmãos. O irmão comum a todos está ao colo da mãe, o bebé ainda de meses da família.
Depois dos divórcios e a partir do momento em que optaram pela vivência em conjunto o casal teve de estabelecer normas, para acautelar o bom funcionamento da nova família. "Por vezes torna-se um bocadinho avassalador. Nas outras famílias há rotinas muito instituídas, e aqui também tem de haver", explica a advogada. Refere-se aos dias em que estão todos juntos: nestas alturas não pode ser tudo uma festa, tem de continuar a haver horas para se deitarem, para tomarem banho, tem de haver rotinas. Ainda assim, por vezes encontram um dos garotos no corredor à noite, a caminho do quarto de outro. "Mas nós gostamos desta rebaldaria e temos sentido de humor", diz Susana Pragosa.
A única estratégia que adoptam é pensar sempre num programa quando passam fins-de-semana juntos. Primeiro para dar tempo de qualidade às crianças, depois, porque "é mais cansativo tê-los em casa", ri-se Gonçalo Marques.
Os papéis
Também foi necessário conciliar os papéis de pai e de mãe. Um exercício delicado que implica a noção de que não são pai e mãe de todos, mas que também não podem deixar tratar de forma diferente os filhos de um e de outro - isto é, não pode haver mais mimos nem mais ralhetes para uns do que para outros: "Tenho de ser a mesma coisa com todos, independentemente dos dias que passo com cada um. Quando vêm os meus filhos, tem de ser igual - os castigos, o dia-a-dia. Porque se não também havia as pessoas boas e as más... Além disso, nós temos mesmo de ter as regras, porque eles são muitos", conta o engenheiro.
As regras também não podem mudar muito de casa para casa, fazem notar. Há mais adultos envolvidos, papéis de pai e de mãe para clarificar, mais avós, mais espaços, é preciso conciliar estas esferas todas e tentar não desautorizar ninguém. Algo que depois de um divórcio nem sempre é fácil. "O importante é que os vários adultos colaborem", observa Susana Pragosa. Sobre a autoridade que têm perante as crianças, independentemente dos que são filhos ou não, Gonçalo Marques acrescenta: "Se eu estou a ralhar com algum deles, a Susana assume a minha posição, não me desautoriza, e vice-versa. E se acha que eu não tenho razão resolvemos a questão os dois, à parte." Susana Pragosa explica que, com o filho, o Diogo, pode ralhar e que ele vai sempre gostar dela: "Com os outros não é assim. Aí, o pai [Gonçalo], tem de estar atento e entrar."
Cristina Cunha esclarece que uma família recomposta se apresenta como um "modelo de família com características próprias e cuja construção se oferece como um processo complexo: "Obriga à elaboração de regras, normas e padrões de comportamento partilhados e negociados pelos membros da família, traduzindo assim uma ambiguidade de papéis." E acrescenta que "a participação do padrasto e/ou da madrasta na educação dos enteados será tanto mais eficaz, se o fizer de forma indirecta, isto é, se as regras forem impostas e geridas pela mãe ou pelo pai".
Os filhos deste casal de Oeiras tratam os novos companheiros dos pais por "tia Susana" e "tio Gonçalo". Já quanto aos avós não fazem distinções e simplificam: vai tudo corrido a "avô" e "avó". E quando Gonçalo Marques fala, através do Skype, com os dois filhos que vivem no Algarve com a mãe os pequenos também querem falar com o Diogo, filho da actual mulher.
"Nunca se rejeitaram", garante Susana Pragosa, que se lembra perfeitamente do dia em que o filho mais velho de Gonçalo e o seu se conheceram. O casal já namorava e tinha ido passar um fim-de-semana ao Algarve. Gonçalo Marques saiu do carro para pôr gasolina e Susana Pragosa ficou lá dentro com os dois miúdos. Foram eles que iniciaram a conversa. "Como te chamas?" foi a primeira pergunta. Depois o filho de Gonçalo perguntou ao Diogo: "Onde está o teu pai?" "Na China." "E como se chama?" "Gonçalo." "Ah, o meu também." Susana Pragosa até filmou a conversa com o telemóvel. No início, chegou a acontecer, numa ou noutra ocasião, as crianças só quererem o pai ou a mãe. Se estivessem por exemplo a chorar, não era indiferente quem lá ia, tinha de ser o pai ou a mãe.
Com o tempo foi passando. A mais velha das crianças tinha três anos quando o casal começou a namorar. Por isso, são poucas as memórias que guardam da composição familiar anterior. Há uns meses, Susana Pragosa e o ex-marido foram juntos ao colégio do filho para uma entrevista e o Diogo até achou graça ver os pais lado a lado, não se lembrava de alguma vez o ter visto num contexto social.
Uma das partes mais sensíveis para estes namorados - não se voltaram a casar e gostam de dizer que são namorados - foi mesmo a dificuldade que os avós tiveram em aceitar as mudanças. "Foi complicado. São famílias muito tradicionais, mas aos poucos está a haver uma adaptação. Tivemos os dois um casamento tradicional, depois houve um divórcio, depois um novo relacionamento com mais filhos. Ainda ontem fomos jantar todos a casa dos meus pais. Fazem um esforço, mas não é fácil para eles", conta Susana Pragosa. Gonçalo Marques acrescenta: "Os pais da Susana tinham um neto, passado um ano e meio têm quatro."
Mudanças nos tempos
Susana Pragosa tinha 23 anos quando se casou, Gonçalo Marques 26. Ela esteve casada seis anos, ele cerca de cinco. "Os nossos amigos que se casaram cedo estão a enfrentar o mesmo problema. Os meninos também já têm amigos com pais divorciados", conta ele. Por isso, entre a geração mais nova, entre os amigos, não notaram qualquer preconceito. "Foi tudo bem aceite. Os tempos mudaram muito", conclui a advogada.
Apesar de os tempos terem mudado e de haver cada vez mais famílias recompostas, o casal João e Maria (nomes fictícios) não quis ser identificado. Vivem em união de facto há quatro anos e com eles moram os filhos dela, um menino de nove anos e uma menina de sete. Vão para casa do pai de 15 em 15 dias e jantam com ele duas vezes por semana. Com a filha dele é ao contrário: de 15 em 15 dias, vai ela até lá casa. Nestes fins-de-semana e nas férias estão todos juntos.
João e Maria são ambos arquitectos e docentes universitários no Porto. Ela tem 37 anos, ele 41. O primeiro receio que tiveram quando se juntaram foi que não houvesse empatia entre as crianças. Trataram de acautelar isso, apresentando os filhos aos poucos uns aos outros: "Primeiro namorámos cerca de seis meses e os miúdos não sabiam. Durante esse período acabámos por nos juntar com os miúdos para fazer programas em conjunto mas como amigos, para eles não reagirem mal. Deram-se bem", conta Maria. Frisa que "foi tudo gradual" e que, quando foram viver juntos, as crianças já estavam "ambientadas".
De acordo com a pesquisa de Cristina Cunha, à semelhança do resto da Europa também em Portugal há cada vez mais famílias recompostas. A investigadora sublinha que os Censos de 2001 e 2011 e os dados do Instituto Nacional de Estatística permitem concluir que, em 2011, as famílias recompostas representavam em Portugal 6,55% do total de núcleos conjugais com filhos - quando, em 2001, representavam apenas 2,7%. Entre estes, a maioria dos núcleos familiares corresponde a casais "de facto" (59,18%), o que significa que após o divórcio ou a separação a opção foi viver em conjugalidade mas sem casamento.
Maria nota bem esta mudança que ocorreu nos últimos dez anos em Portugal: "Na escola do meu filho [de nove anos] a maioria continua a ter uma família convencional. Numa turma de cerca de 20 só três é que não têm. Mas na turma da minha filha, que é três anos mais nova, a maioria, praticamente todos, tem situações diferentes em casa. O pai fora, um divórcio...", conta. A própria professora deparou-se com essa realidade no dia da família e até aproveitou para contar uma história precisamente à volta do assunto.
Cristina Cunha sublinha que vários estudos apontam para o facto de a recomposição familiar "impor o reequacionar de certos laços de família, o repensar dos papéis familiares, dos deveres e direitos de cada um dos protagonistas envolvidos". "No contexto do casal recomposto, face às múltiplas situações da vida do quotidiano, cada um dos actores sociais reagirá segundo os seus próprios valores, procurando negociar com o outro parceiro", diz. Acrescenta que "o casal é confrontado com a necessidade de encontrar compromissos dinâmicos para responder às situações da vida quotidiana". Para a investigadora, não há dúvida de que estes casais enfrentam "uma série de dificuldades e desafios, em particular no domínio do exercício simultâneo dos papéis conjugais e parentais".
O ex-marido de Maria também formou uma nova família e teve um filho. Os miúdos até já chegaram a perguntar por que não estão todos juntos - ex-maridos, ex-mulheres, novos companheiros, filhos e irmãos. João, o novo companheiro de Maria, diz mesmo que a actual geração encara as novas famílias com absoluta naturalidade: "Eu e a minha ex-mulher somos convidados para festas de amigos, vamos os dois e eu vou com a minha actual mulher. Não temos uma relação de proximidade, não somos os melhores amigos, mas há uma relação de respeito. Telefonamo-nos para saber se a miúda vai para o ballet, se vai para a piscina, se vai ao médico", conta.
Quanto aos filhos de Maria, a actual companheira, assume um papel que, não sendo de pai, não é de menos autoridade por isso: "Dizerem-me "não és meu pai" não foi algo que tivesse surgido muitas vezes. Mas, se surge, não o sinto como uma rejeição. Respondo simplesmente: "Não, não sou teu pai. Mas sou um adulto e quero-te bem."
http://lifestyle.publico.pt/artigos/319221_os-teus-filhos-nao-sao-meus-sao-nossos
Quando nos enviou um email a explicar a constituição da sua família, Susana Pragosa, de 34 anos, terminava assim: "Confuso, não?" A advogada vive em Oeiras com o seu actual companheiro, Gonçalo Marques, engenheiro de 32 anos. Juntos têm um bebé, o Afonso, mas cada um destes adultos traz já, de anteriores relações, filhos: ele dois, ela um. Ao todo, no dia em que fomos ao espaçoso apartamento de Oeiras havia quatro pequenos rapazes, mas apenas o bebé Afonso é irmão de todos.
Com o casal vivem todos os dias o Afonso, filho dos dois, e o Diogo, que tem quatro anos e é fruto da anterior relação de Susana Pragosa. Durante cerca de uma semana, todos os meses, e ainda nas férias juntam-se mais dois pequenos à casa - os filhos de Gonçalo Marques, com cinco e dois anos, que vêm do Algarve, onde moram com a mãe. Há ainda mais um dado para baralhar a equação: de três em três meses, o pai do Diogo vem de Macau até Portugal passar dez dias com o filho. O casal já se habituou à gestão de uma "família recomposta complexa", como lhe chamam os especialistas por oposição às "famílias recompostas simples", aquelas em que apenas um dos membros do casal tem um filho de uma relação anterior.
A fazer na Faculdade de Letras da Universidade do Porto um doutoramento em Sociologia sobre o tema, a investigadora Cristina Cunha não tem dúvidas de que o conceito de família se alterou: "Com as mudanças nos comportamentos dos casais, na redução da esperança de vida, da união em virtude do aumento do divórcio e com as alterações da paisagem demográfica da família a partir da década de 1960 o modelo, até então dominante, da família dita tradicional, intacta ou nuclear dá lugar, em finais do século XX, a uma pluralidade de modelos familiares que, por sua vez, geraram novas interrogações sociológicas sobre a família."
Na casa de Susana Pragosa e de Gonçalo Marques, o Diogo, o João e o Frederico estão entretidos a brincar. "São os melhores amigos", garante a mãe. Entre eles, apenas o João e o Frederico são irmãos. O irmão comum a todos está ao colo da mãe, o bebé ainda de meses da família.
Depois dos divórcios e a partir do momento em que optaram pela vivência em conjunto o casal teve de estabelecer normas, para acautelar o bom funcionamento da nova família. "Por vezes torna-se um bocadinho avassalador. Nas outras famílias há rotinas muito instituídas, e aqui também tem de haver", explica a advogada. Refere-se aos dias em que estão todos juntos: nestas alturas não pode ser tudo uma festa, tem de continuar a haver horas para se deitarem, para tomarem banho, tem de haver rotinas. Ainda assim, por vezes encontram um dos garotos no corredor à noite, a caminho do quarto de outro. "Mas nós gostamos desta rebaldaria e temos sentido de humor", diz Susana Pragosa.
A única estratégia que adoptam é pensar sempre num programa quando passam fins-de-semana juntos. Primeiro para dar tempo de qualidade às crianças, depois, porque "é mais cansativo tê-los em casa", ri-se Gonçalo Marques.
Os papéis
Também foi necessário conciliar os papéis de pai e de mãe. Um exercício delicado que implica a noção de que não são pai e mãe de todos, mas que também não podem deixar tratar de forma diferente os filhos de um e de outro - isto é, não pode haver mais mimos nem mais ralhetes para uns do que para outros: "Tenho de ser a mesma coisa com todos, independentemente dos dias que passo com cada um. Quando vêm os meus filhos, tem de ser igual - os castigos, o dia-a-dia. Porque se não também havia as pessoas boas e as más... Além disso, nós temos mesmo de ter as regras, porque eles são muitos", conta o engenheiro.
As regras também não podem mudar muito de casa para casa, fazem notar. Há mais adultos envolvidos, papéis de pai e de mãe para clarificar, mais avós, mais espaços, é preciso conciliar estas esferas todas e tentar não desautorizar ninguém. Algo que depois de um divórcio nem sempre é fácil. "O importante é que os vários adultos colaborem", observa Susana Pragosa. Sobre a autoridade que têm perante as crianças, independentemente dos que são filhos ou não, Gonçalo Marques acrescenta: "Se eu estou a ralhar com algum deles, a Susana assume a minha posição, não me desautoriza, e vice-versa. E se acha que eu não tenho razão resolvemos a questão os dois, à parte." Susana Pragosa explica que, com o filho, o Diogo, pode ralhar e que ele vai sempre gostar dela: "Com os outros não é assim. Aí, o pai [Gonçalo], tem de estar atento e entrar."
Cristina Cunha esclarece que uma família recomposta se apresenta como um "modelo de família com características próprias e cuja construção se oferece como um processo complexo: "Obriga à elaboração de regras, normas e padrões de comportamento partilhados e negociados pelos membros da família, traduzindo assim uma ambiguidade de papéis." E acrescenta que "a participação do padrasto e/ou da madrasta na educação dos enteados será tanto mais eficaz, se o fizer de forma indirecta, isto é, se as regras forem impostas e geridas pela mãe ou pelo pai".
Os filhos deste casal de Oeiras tratam os novos companheiros dos pais por "tia Susana" e "tio Gonçalo". Já quanto aos avós não fazem distinções e simplificam: vai tudo corrido a "avô" e "avó". E quando Gonçalo Marques fala, através do Skype, com os dois filhos que vivem no Algarve com a mãe os pequenos também querem falar com o Diogo, filho da actual mulher.
"Nunca se rejeitaram", garante Susana Pragosa, que se lembra perfeitamente do dia em que o filho mais velho de Gonçalo e o seu se conheceram. O casal já namorava e tinha ido passar um fim-de-semana ao Algarve. Gonçalo Marques saiu do carro para pôr gasolina e Susana Pragosa ficou lá dentro com os dois miúdos. Foram eles que iniciaram a conversa. "Como te chamas?" foi a primeira pergunta. Depois o filho de Gonçalo perguntou ao Diogo: "Onde está o teu pai?" "Na China." "E como se chama?" "Gonçalo." "Ah, o meu também." Susana Pragosa até filmou a conversa com o telemóvel. No início, chegou a acontecer, numa ou noutra ocasião, as crianças só quererem o pai ou a mãe. Se estivessem por exemplo a chorar, não era indiferente quem lá ia, tinha de ser o pai ou a mãe.
Com o tempo foi passando. A mais velha das crianças tinha três anos quando o casal começou a namorar. Por isso, são poucas as memórias que guardam da composição familiar anterior. Há uns meses, Susana Pragosa e o ex-marido foram juntos ao colégio do filho para uma entrevista e o Diogo até achou graça ver os pais lado a lado, não se lembrava de alguma vez o ter visto num contexto social.
Uma das partes mais sensíveis para estes namorados - não se voltaram a casar e gostam de dizer que são namorados - foi mesmo a dificuldade que os avós tiveram em aceitar as mudanças. "Foi complicado. São famílias muito tradicionais, mas aos poucos está a haver uma adaptação. Tivemos os dois um casamento tradicional, depois houve um divórcio, depois um novo relacionamento com mais filhos. Ainda ontem fomos jantar todos a casa dos meus pais. Fazem um esforço, mas não é fácil para eles", conta Susana Pragosa. Gonçalo Marques acrescenta: "Os pais da Susana tinham um neto, passado um ano e meio têm quatro."
Mudanças nos tempos
Susana Pragosa tinha 23 anos quando se casou, Gonçalo Marques 26. Ela esteve casada seis anos, ele cerca de cinco. "Os nossos amigos que se casaram cedo estão a enfrentar o mesmo problema. Os meninos também já têm amigos com pais divorciados", conta ele. Por isso, entre a geração mais nova, entre os amigos, não notaram qualquer preconceito. "Foi tudo bem aceite. Os tempos mudaram muito", conclui a advogada.
Apesar de os tempos terem mudado e de haver cada vez mais famílias recompostas, o casal João e Maria (nomes fictícios) não quis ser identificado. Vivem em união de facto há quatro anos e com eles moram os filhos dela, um menino de nove anos e uma menina de sete. Vão para casa do pai de 15 em 15 dias e jantam com ele duas vezes por semana. Com a filha dele é ao contrário: de 15 em 15 dias, vai ela até lá casa. Nestes fins-de-semana e nas férias estão todos juntos.
João e Maria são ambos arquitectos e docentes universitários no Porto. Ela tem 37 anos, ele 41. O primeiro receio que tiveram quando se juntaram foi que não houvesse empatia entre as crianças. Trataram de acautelar isso, apresentando os filhos aos poucos uns aos outros: "Primeiro namorámos cerca de seis meses e os miúdos não sabiam. Durante esse período acabámos por nos juntar com os miúdos para fazer programas em conjunto mas como amigos, para eles não reagirem mal. Deram-se bem", conta Maria. Frisa que "foi tudo gradual" e que, quando foram viver juntos, as crianças já estavam "ambientadas".
De acordo com a pesquisa de Cristina Cunha, à semelhança do resto da Europa também em Portugal há cada vez mais famílias recompostas. A investigadora sublinha que os Censos de 2001 e 2011 e os dados do Instituto Nacional de Estatística permitem concluir que, em 2011, as famílias recompostas representavam em Portugal 6,55% do total de núcleos conjugais com filhos - quando, em 2001, representavam apenas 2,7%. Entre estes, a maioria dos núcleos familiares corresponde a casais "de facto" (59,18%), o que significa que após o divórcio ou a separação a opção foi viver em conjugalidade mas sem casamento.
Maria nota bem esta mudança que ocorreu nos últimos dez anos em Portugal: "Na escola do meu filho [de nove anos] a maioria continua a ter uma família convencional. Numa turma de cerca de 20 só três é que não têm. Mas na turma da minha filha, que é três anos mais nova, a maioria, praticamente todos, tem situações diferentes em casa. O pai fora, um divórcio...", conta. A própria professora deparou-se com essa realidade no dia da família e até aproveitou para contar uma história precisamente à volta do assunto.
Cristina Cunha sublinha que vários estudos apontam para o facto de a recomposição familiar "impor o reequacionar de certos laços de família, o repensar dos papéis familiares, dos deveres e direitos de cada um dos protagonistas envolvidos". "No contexto do casal recomposto, face às múltiplas situações da vida do quotidiano, cada um dos actores sociais reagirá segundo os seus próprios valores, procurando negociar com o outro parceiro", diz. Acrescenta que "o casal é confrontado com a necessidade de encontrar compromissos dinâmicos para responder às situações da vida quotidiana". Para a investigadora, não há dúvida de que estes casais enfrentam "uma série de dificuldades e desafios, em particular no domínio do exercício simultâneo dos papéis conjugais e parentais".
O ex-marido de Maria também formou uma nova família e teve um filho. Os miúdos até já chegaram a perguntar por que não estão todos juntos - ex-maridos, ex-mulheres, novos companheiros, filhos e irmãos. João, o novo companheiro de Maria, diz mesmo que a actual geração encara as novas famílias com absoluta naturalidade: "Eu e a minha ex-mulher somos convidados para festas de amigos, vamos os dois e eu vou com a minha actual mulher. Não temos uma relação de proximidade, não somos os melhores amigos, mas há uma relação de respeito. Telefonamo-nos para saber se a miúda vai para o ballet, se vai para a piscina, se vai ao médico", conta.
Quanto aos filhos de Maria, a actual companheira, assume um papel que, não sendo de pai, não é de menos autoridade por isso: "Dizerem-me "não és meu pai" não foi algo que tivesse surgido muitas vezes. Mas, se surge, não o sinto como uma rejeição. Respondo simplesmente: "Não, não sou teu pai. Mas sou um adulto e quero-te bem."
http://lifestyle.publico.pt/artigos/319221_os-teus-filhos-nao-sao-meus-sao-nossos
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Vida de mãe e pai hoje em dia
Pensei
muito antes de me decidir a escrever sobre este assunto. É demasiado complexo e
difícil de resolver para ser simplesmente comentado em meia dúzia de linhas,
mas a verdade é que é algo que me indigna e que procuro combater como posso.
Comecemos
por observar como é o ritmo de trabalho nos dias que correm (isto para quem
ainda tem trabalho, claro): das 9h00 às 18h00 (com sorte!) incluindo a hora de
almoço, mais o tempo passado em deslocações... vá, vamos contar com 45 minutos
para cada lado (este factor varia demasiado...).
Agora
pensemos no ritmo das nossas crianças. Chegam à escola às 8h00 e saem às 19h00,
mais coisa, menos coisa. A não ser que tenham a sorte de ter avós disponíveis
para os ir buscar (felizmente ainda há muita gente que tem).
Somemos
ainda o tempo passado a dormir (essencial), a preparar refeições e a comê-las,
a arranjarmo-nos e a arrumar a casa (pelo menos limpar o pó de quando em
quando...).
O
que sobra?
É
para isto que nos dizem que temos de ter mais filhos? É a isto que chamam
incentivo à natalidade? Eu sei que temos de produzir, até porque temos contas
para pagar (as de casa e as do país), mas será que devemos medir a produtividade
na quantidade de horas que passamos no trabalho?
Tenho,
frequentemente, a sensação que medimos a dedicação e empenho no trabalho
meramente em função das horas que lá passamos. Quem é que nunca ouviu algo do
género ao sair às 17h00 para ir a uma consulta: “Já vais?! Grandes vidas!”... Sem
comentários...
Não
deveríamos estar todos a lutar por um aumento efectivo da produtividade, medido
com base em resultados? Não deveríamos todos dedicar mais tempo e atenção à
família e amigos na procura de um melhor equilíbrio emocional? Não seríamos
todos mais felizes e produtivos assim?
Não
posso dizer que tive uma infância tradicional: os meus pais trabalhavam por
conta própria, o que sempre os obrigou a dedicar bastante tempo a fazer o
negócio resultar. Era preciso dedicação para que se conseguissem resultados.
Hoje compreendo isso (embora nem sempre concorde). Teve as suas consequências:
não havia passeios de fim-de-semana, nem férias de Verão, nem outras coisas
tidas como garantidas pelos nossos amigos.
Mas,
apesar de todas as contingências, reconheço um enorme esforço (bem sucedido) no
acompanhamento do meu crescimento e do da minha irmã: pude fazer penteados à
minha mãe enquanto ela tratava da contabilidade, pude acompanhar o meu pai na
distribuição, pude frequentar natação e inglês mesmo implicando levarem-me lá,
pude estar com os meus pais sempre que queria (apesar de estarem a trabalhar),
pude conhecer uma realidade bem diferente da habitual, pude dedicar-me ao
estudo, pude brincar na rua, pude trabalhar e ganhar o meu dinheiro, pude
aprender a lidar com trabalho/estudo e pude fazer e aprender muito com esta
realidade. Apesar de tudo, sinto que fui acompanhada tão bem quanto lhes foi
possível.
Isto
tudo para dizer que me revolta que os pais de hoje não consigam acompanhar,
como certamente desejariam, os seus próprios filhos e que tenham de confiar a
sua educação aos avós e professores. Não é suposto ser assim!
De
alguma maneira, a sociedade tem de encontrar um equilíbrio entre trabalho, família
e lazer. Pelo bem da nossa sanidade mental, pelo bem das gerações vindouras e
pelo bem da própria sociedade e do seu futuro enquanto tal.
Temos
de perder menos tempo em deslocações. Temos de rentabilizar melhor o tempo
passado no trabalho, evitando distracções, reuniões sem interesse, conversas
sem fim e tarefas sem resultados. Temos de optimizar as tarefas domésticas, com
organização, sinergias e trabalho de equipa. Temos de ter tempo!
Temos
de alcançar a disciplina necessária para que cada um possa trabalhar com
flexibilidade de horário, com trabalho a partir de casa, com trabalho por
tarefas e organizado sem obrigatoriedade de horário.
O
problema é chegar a esse nível de disciplina e organização, mas porque não
tentar? Em nome de um melhor equilíbrio para todos...
Boa
sorte!
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Aprender com os amigos
Há
uns tempos atrás, combinei com uma amiga ir fazer um curso de costura. Ela até
tem alguns conhecimentos, mas aceitou o desafio de ir aprender algo mais
enquanto eu me iniciava nestas andanças. O factor “umas horas de conversa de
gajas” também ajudou :)
Mas
algumas contingências orçamentais fizeram-nos optar por adiar esta aventura,
pelo menos, por uns tempos. Ficámos as duas desiludidas, mas eis que lhe surgiu
uma ideia: “e se juntássemos os meus conhecimentos à tua vontade de aprender,
com um pouco de conversa à mistura?!?”.
Máquina
de costura, tecidos e acessórios e um projecto para um saco do pão! Depois foi
só combinar uma tarde e conversar mais do que costurar! Não, estou a brincar. Aprendi
bastante e por isso agradeço a paciência dela.
Uma
tarde acabou por não ser suficiente para concluirmos o nosso projecto (a
conversa não ajudou), mas fiquei com trabalho para casa. Não está a correr lá
muito bem, por isso acho que vou simplificar.
Entretanto
esta amiga lá foi de viagem para mais um trabalho no estrangeiro, mas quero ver
se tenho o saco pronto para quando ela regressar o poder exibir com orgulho...
e algumas costuras tortas...
Isto
tudo para dizer que, lá porque temos de pensar bem antes de gastar dinheiro,
não quer dizer que não possamos aprender algo de novo com os amigos ou família.
Se
cozinhar não é o vosso forte, que tal pedir umas aulas a uma tia. Ou aprender a
costurar com a avó. Ou até carpintaria ou electricidade ou qualquer outro
ofício. Estas lições certamente darão muito jeito no futuro. Aproveitam e
passam tempo de qualidade com as pessoas de quem gostam.
O
mesmo se aplica no que toca a ensinar os nossos filhos. Se sabemos fazer algo
minimamente bem, devemos passar esses ensinamentos às gerações seguintes, pois
nem tudo se aprende na escola. Um médico que sabe fazer uma bainha, um
contabilista que sabe reparar um cano ou um gestor que sabe arranjar uma
máquina da roupa, serão certamente profissionais mais competentes até no
próprio exercício das suas funções habituais. São conhecimentos úteis no dia-a-dia
de qualquer um! Quanto mais amplo o saber de habilidades, mais rica será essa
pessoa!
Boas
aprendizagens!
segunda-feira, 25 de março de 2013
Boa Páscoa
Estamos
em época Pascoal. Cá em casa não somos religiosos, ainda assim, o contexto
familiar e social, leva-nos a combinar o tradicional almoço de Páscoa em
família.
Seja
porque motivo for, reunir a família é sempre uma boa ideia. E não se esqueçam
de alguns pormenores importantes a ter em conta em épocas festivas:
-
Antes
de uma viagem mais longa de carro, verifiquem sempre os níveis de óleo, líquido
de refrigeração, líquido de limpa pára-brisas e o estado geral dos pneus e
escovas.
-
Na
viagem, moderem a velocidade e dediquem exclusiva atenção à estrada. A carteira
e a saúde de todos agradecem!
-
Ao
fazer as compras de supermercado, tenham em conta que sobra sempre imensa
comida e que os convidados tendem a trazer mais qualquer coisa para juntar à
mesa, por isso, combinem bem a merenda entre todos.
-
À
refeição, não abusem. O estômago agradece nas horas seguintes e o corpo e a
saúde agradecem nos próximos anos;
-
Na
típicas prendas, em vez de uma caixa de chocolates ou amêndoas de supermercado,
que tal uma opção mais caseira e muito fácil de fazer: amêndoas de Páscoa caseiras!
Boa
Páscoa!
segunda-feira, 11 de março de 2013
It's a...
...boy!
Pois
é, afinal as coisas cá por casa vão ficar mais equilibradas. Vem aí um rapagão
que gosta muito de dar pontapés!
A
migalhinha ainda se está a habituar a dizer “mano” em vez de “mana”, mas tenho
a certeza que vai adorar ter um grande amiguinho.
O
papá anda delirante com o seu jogador da bola!
A
mamã alegre da vida com o casalinho!
Vai
ser uma experiência diferente, um desafio, uma vida nova... novamente! :)
Bons
bebés!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Carnaval em família
As dicas do Dicas da Migalha não são só
para facilitar a nossa vida nas tarefas caseiras. Tento também dar sugestões de
como aproveitar melhor os prazeres da vida e o tempo em família e com os amigos.
A dica de hoje é simples e divertida. Se têm
crianças, estas irão, provavelmente, mascarar-se neste Carnaval que se
aproxima. Normalmente incentivamos os pequenotes a escolher uma fatiota
divertida e a brincar ao Carnaval, mas na realidade acabamos por não fazer parte
da diversão.
Então proponho que escolham fantasias a
combinar para todos aí de casa! Por aqui, no ano passado, fomos a família
pirata :)
Este ano, o meu mais-que-tudo propôs
mascaramo-nos de Astérix, Obélix e Panoramix, sendo que eu seria o Obélix por
causa da já enorme barriga (sim, pelos vistos as minhas barrigas de grávida são
sempre enormes!). Uhm, não estou convencida, por isso ainda vou pensar numa
alternativa menos... enorme...
Boa diversão!
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Domingos domingueiros
Andamos
sempre tão acelerados. Tão ocupados, com tanto para fazer, ver, conhecer e
aproveitar. Andamos sempre de um lado para o outro na perseguição de aproveitar
bem tudo o que temos ao nosso alcance no tempo que se quer bem aproveitado.
Tudo
isto é certo, tudo isto é válido, sempre e quando não nos esqueçamos de parar
para descansar e olhar à nossa volta.
Por
muito curtos que sejam os fins-de-semana (e são tão curtos!), de vez em quando
sabe bem aquilo a que chamo “Domingos domingueiros”! Basicamente consiste em
não fazer nada de muito elaborado o dia inteiro. Não saímos sequer de casa
(talvez apenas para ir comprar pão), o pijama é a vestimenta de eleição e a
companhia uns dos outros é suficiente para encher de tranquilidade o nosso
Domingo.
Não
são muito frequentes, até porque o trabalho, a família e os amigos costumam
preencher o tempo disponível, e também não convém que sejam, pois parte da
riqueza de “não fazer nenhum” está na sua raridade!
Mas
ontem foi Domingo domingueiro. A chuva, a ausência de tarefas extraordinárias e
o sábado bem preenchido assim permitiram. Deu para um longo pequeno-almoço, deu
para ver a grande final Djokovic-Murray, deu para brincar muito, deu para um
peixinho com molho de iogurte e deu para brincar ainda mais :)
Bons
Domingos domingueiros!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Decorar um bolo rapidamente
Como
não podia deixar de ser, o bolo foi feito e decorado em casa. Porquê?! Porque é
mais saudável, barato e saboroso!
Este
ano resolvemos fazer uma festinha mais pequena, por isso o bolo ficou apenas
com um andar (ainda que enorme). A massa do bolo foi a de cenoura e o recheio foi de brigadeiro. Delicioso!
O
tema do bolo foi fácil de decidir. A Migalhinha é louca por animais, por isso
fazer-lhe uma quinta foi algo simplesmente genial. Voltámos a usar pasta de
açúcar, mas desta vez usámos apenas para forrar o bolo e fazer alguns
pormenores. Para os animais usámos os da quinta que lhe tínhamos oferecido no
Natal.
Podíamos
ter feito os animais em pasta de açúcar também, mas, como não dominamos a
técnica, achámos melhor jogar pelo seguro!
A
Migalhinha adorou o seu bolo de aniversário e divertiu-se imenso na festa
dançando, pulando, correndo e rindo. Não há nada melhor! :)
Como
vêem, decorar um bolo não tem de ser complicado. Basta um pouco de jeito e
muita imaginação!
Boa
decoração!
domingo, 6 de janeiro de 2013
Parabéns Migalhinha!
Às
2h59 (da madrugada!!!) do dia 6 de Janeiro de 2011 nasceu a nossa Migalhinha!
O
nosso Mundo mudou como nunca imaginámos. Mudaram as prioridades, mudaram os
dias, mudaram as noites (!)... tudo mudou.
As
alegrias passaram a ser simples, os sorrisos passaram a ser constantes, os
abraços passaram a ser de ouro.
É
o nosso maior desafio e a nossa maior riqueza! E a vida nunca mais foi igual :)
Faz
hoje 2 anos que renasci.
Parabéns Migalhinha!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Bom Ano Novo
Hoje
transcrevo aqui parte da mensagem de Natal/Ano Novo que enviámos aos nossos
amigos e familiares:
“Deixem
as tristezas e os problemas em 2012 e aproveitem o 2013 para renovar
esperanças, expectativas e empreender vontades no concretizar de desejos! Eles
não se realizam só porque comemos umas passas ao sabor de champanhe.
“Como dizem os Maias, o Mundo não acabou, entrámos numa nova Era... Que seja uma Era melhor em que não ficamos sentados à espera que façam as coisas por nós, mas sim em que nós fazemos as coisas acontecer!”
Bom Ano Novo, alegre e sem excessos!
“Como dizem os Maias, o Mundo não acabou, entrámos numa nova Era... Que seja uma Era melhor em que não ficamos sentados à espera que façam as coisas por nós, mas sim em que nós fazemos as coisas acontecer!”
Bom Ano Novo, alegre e sem excessos!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Feliz Natal
Hoje
quero apenas desejar um Feliz Natal a todos!
Sejam
tempos de crise, de contenção ou de dificuldades, mas que nunca falte o amor e
carinho da família e amigos.
É
tempo de partilhar, não prendas, mas tempo e atenção.
Feliz
Natal!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Juntar a família e juntar os amigos
Com
o Natal quase aí, as viagens à terra para passar uns dias com a família são
comuns e reconfortantes. Há algo de harmonioso neste espírito, em reunir com os
parentes que estão longe e recordar outros tempos em frente a uma lareira que
arde para aquecer a casa e o espírito.
Também durante este mês, são recorrentes as marcações para jantares de Natal com diversos grupos de amigos... Por vezes, as noites de sexta-feira e sábado não chegam para tantas solicitações.
Se há quem prefira a comodidade de um restaurante típico, há quem não dispense o conforto do lar.
Pessoalmente, gosto de recriar um pouco o espírito da reunião familiar com o grupo de amigos mais próximo.
Começamos por escolher uma das casas (que vai variando de ano para ano). Com bastante antecedência, discutimos a ementa na qual tentamos fugir ao tradicional para não enjoarmos nada e preparamos a lista de compras.
No próprio dia, vamos todos (ou apenas alguns) às compras e juntamo-nos, ainda de manhã, na casa seleccionada. A partir daí é preparar a ementa todos juntos e em equipa... Ou melhor, em família :)
Daí até à nossa ceia de Natal o tempo corre sem darmos por ele. Segue-se a troca de presentes e as conversas parvas até tarde.
É delicioso e respira-se uma união naturalmente inata!
A família não é composta por apenas aqueles com quem partilhamos o nome. O nosso conceito de família estende-se àqueles que fazem parte da nossa vida: ontem, hoje e sempre...
Bons encontros!
Também durante este mês, são recorrentes as marcações para jantares de Natal com diversos grupos de amigos... Por vezes, as noites de sexta-feira e sábado não chegam para tantas solicitações.
Se há quem prefira a comodidade de um restaurante típico, há quem não dispense o conforto do lar.
Pessoalmente, gosto de recriar um pouco o espírito da reunião familiar com o grupo de amigos mais próximo.
Começamos por escolher uma das casas (que vai variando de ano para ano). Com bastante antecedência, discutimos a ementa na qual tentamos fugir ao tradicional para não enjoarmos nada e preparamos a lista de compras.
No próprio dia, vamos todos (ou apenas alguns) às compras e juntamo-nos, ainda de manhã, na casa seleccionada. A partir daí é preparar a ementa todos juntos e em equipa... Ou melhor, em família :)
Daí até à nossa ceia de Natal o tempo corre sem darmos por ele. Segue-se a troca de presentes e as conversas parvas até tarde.
É delicioso e respira-se uma união naturalmente inata!
A família não é composta por apenas aqueles com quem partilhamos o nome. O nosso conceito de família estende-se àqueles que fazem parte da nossa vida: ontem, hoje e sempre...
Bons encontros!
Subscrever:
Mensagens (Atom)