O Banco Público de Gâmetas, a funcionar desde maio de 2011 na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, já proporcionou o nascimento de cinco bebés concebidos com sémen de dador, disse hoje à Lusa a diretora da unidade.
Isabel Sousa Pereira salientou que, além dos bebés que já nasceram, há outras mulheres grávidas.
A responsável congratulou-se com o facto de em dois anos de funcionamento, o único banco público de gâmetas português ter resolvido o problema de todos os casais inscritos na sua lista de espera para tratamentos de procriação medicamente assistida com gâmetas de dador.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=637875
Mostrar mensagens com a etiqueta Fertilidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fertilidade. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 21 de junho de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Jornal de Notícias: Mulher que recebeu transplante de útero teve de abortar
Os médicos de um hospital turco interromperam a gravidez de Derya Sert, a primeira mulher que recebeu um transplante de útero, anunciou hoje uma fonte médica.
"A gravidez de Derya Sert foi interrompida porque após oito semanas de gestação, a ecografia não mostrava os batimentos cardíacos do embrião", disse, em comunicado, Mustafa Ünal, médico chefe do Hospital Universitário de Akdeniz, no sul da província turca de Antalya.
Os médicos do hospital anunciaram, a 12 de abril, a primeira gravidez de Sert, que recebeu o transplante de útero de uma doadora falecida, revelando o sucesso da implantação de vários embriões fecundados 'in vitro'.
Derya Sert, de 23 anos, nasceu sem útero e tornou-se na primeira mulher a receber, com sucesso, um transplante de útero em agosto de 2011.
Uma primeira tentativa de transplante, realizada em 2000 na Arábia Saudita, a partir de uma doadora viva, resultou em fracasso passado três meses.
O sucesso do transplante realizado em 2011 por uma equipa de médicos turcos em Antalya tem dado esperança a milhares de mulheres que não conseguem ter filhos.
De acordo com dados estatísticos citado spela agência AFP, uma mulher em cada 5.000 no mundo nasce sem útero.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3218993&seccao=Sa%FAde&page=-1
"A gravidez de Derya Sert foi interrompida porque após oito semanas de gestação, a ecografia não mostrava os batimentos cardíacos do embrião", disse, em comunicado, Mustafa Ünal, médico chefe do Hospital Universitário de Akdeniz, no sul da província turca de Antalya.
Os médicos do hospital anunciaram, a 12 de abril, a primeira gravidez de Sert, que recebeu o transplante de útero de uma doadora falecida, revelando o sucesso da implantação de vários embriões fecundados 'in vitro'.
Derya Sert, de 23 anos, nasceu sem útero e tornou-se na primeira mulher a receber, com sucesso, um transplante de útero em agosto de 2011.
Uma primeira tentativa de transplante, realizada em 2000 na Arábia Saudita, a partir de uma doadora viva, resultou em fracasso passado três meses.
O sucesso do transplante realizado em 2011 por uma equipa de médicos turcos em Antalya tem dado esperança a milhares de mulheres que não conseguem ter filhos.
De acordo com dados estatísticos citado spela agência AFP, uma mulher em cada 5.000 no mundo nasce sem útero.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3218993&seccao=Sa%FAde&page=-1
sábado, 11 de maio de 2013
Diário Digital: Medicina da Reprodução rejeita limitação dos tratamentos de casais a um por ano
A Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR) criticou hoje a limitação dos tratamentos de casais inférteis a um por ano no Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que pode comprometer o sucesso do apoio médico à reprodução.
«Esta limitação acaba por desmotivar os casais e diminuir a taxa de êxito dos tratamentos», disse a presidente da SPMR, Teresa Almeida Santos, alertando que «muitos casais podem perder a oportunidade» de ter filhos devido àquela imposição.
No SNS, cada casal pode realizar apenas um ciclo de tratamento por ano, podendo, se for necessário, fazer um total de três tentativas custeadas pelo Estado.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=630793
«Esta limitação acaba por desmotivar os casais e diminuir a taxa de êxito dos tratamentos», disse a presidente da SPMR, Teresa Almeida Santos, alertando que «muitos casais podem perder a oportunidade» de ter filhos devido àquela imposição.
No SNS, cada casal pode realizar apenas um ciclo de tratamento por ano, podendo, se for necessário, fazer um total de três tentativas custeadas pelo Estado.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=630793
sábado, 20 de abril de 2013
Diário Digital: Primeira mulher a receber transplante de útero está grávida
Uma jovem turca de 22 anos, a primeira mulher do mundo a receber um transplante de útero com êxito, está grávida, outro feito mundial, anunciaram esta sexta-feira os seus médicos.
«Os testes preliminares de duas semanas são compatíveis com uma gravidez», indicou, em comunicado, o professor Mustafa Unal, médico-chefe do hospital universitário Akdeniz em Antalya.
Os médicos conseguiram implantar com sucesso no útero de Derya Sert varios embriões fecundados in vitro a partir dos seus óvulos e de espermatozóides do seu marido.
«A saúde da paciente é boa», enfatiza o comunicado do seu médico.
Nascida sem útero, a jovem tornou-se, em Agosto de 2011, na primeira mulher a sofrer um transplante de útero com êxito.
Este transplante, realizado por uma equipa de médicos turcos em Antalya, deu esperanças a milhares de mulheres no mundo, onde cada uma em cada 5.000 nasce sem útero, segundo as estatísticas.
A gravidez de Derya Sert apresenta muitos riscos, mas está a decorrer de uma maneira normal, e a jovem deverá dar à luz por cesariana.
O seu útero deverá ser extraído nos meses seguintes ao nascimento para evitar complicações e risco de rejeição.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=626893
«Os testes preliminares de duas semanas são compatíveis com uma gravidez», indicou, em comunicado, o professor Mustafa Unal, médico-chefe do hospital universitário Akdeniz em Antalya.
Os médicos conseguiram implantar com sucesso no útero de Derya Sert varios embriões fecundados in vitro a partir dos seus óvulos e de espermatozóides do seu marido.
«A saúde da paciente é boa», enfatiza o comunicado do seu médico.
Nascida sem útero, a jovem tornou-se, em Agosto de 2011, na primeira mulher a sofrer um transplante de útero com êxito.
Este transplante, realizado por uma equipa de médicos turcos em Antalya, deu esperanças a milhares de mulheres no mundo, onde cada uma em cada 5.000 nasce sem útero, segundo as estatísticas.
A gravidez de Derya Sert apresenta muitos riscos, mas está a decorrer de uma maneira normal, e a jovem deverá dar à luz por cesariana.
O seu útero deverá ser extraído nos meses seguintes ao nascimento para evitar complicações e risco de rejeição.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=626893
sexta-feira, 15 de março de 2013
Diário Digital: Declínio da fertilidade pode afectar o desejo de engravidar
Os médicos são unânimes: por mais que a ciência tenha dado grandes saltos em pesquisas, medicamentos, exames e tratamentos, quando se fala em reprodução, ainda é o tempo quem dá as cartas. Quanto mais a idade avança, mais o corpo feminino envelhece e, com ele, os óvulos que a mulher carrega desde que nasceu. Assim, engravidar vai tornando-se uma tarefa mais difícil para o organismo e, às vezes, perigosa para a saúde feminina.
«É preciso reconhecer que a biologia não acompanha o avanço social feminino», diz Mario Cavagna, director da divisão de reprodução humana do Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da Mulher, em São Paulo.
Evidentemente, há mulheres que se tornaram mães aos 40, 50 e até 60 anos, no entanto, os especialistas são categóricos ao dizer que elas são excepções e viveram histórias de risco. «Muito se fala de casos de sucesso, mas quase nada se noticia sobre gestantes mais velhas que tiveram problemas sérios de saúde durante os nove meses ou deram à luz a bebés portadores de doenças genéticas», diz Paulo Bianchi, médico coordenador do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva no Hospital Samaritano, também na capital paulista.
Segundo o relatório «Estatísticas do Registro Civil 2011», divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 18,3% das novas mães têm entre 30 e 34 anos actualmente. Há dez anos, quase a mesma percentagem (20,9%) estava na faixa de 15 e 19 anos.
O problema de deixar esse plano para um futuro indeterminado é que muitas adiam a maternidade sem saber detalhes do próprio corpo e quando chegam ao consultório do ginecologista a dizer que querem engravidar podem receber uma notícia não muito animadora: o tempo não está a favor.
Diversos estudos divulgados mundo afora indicam que, até por volta dos 35 anos, a fertilidade feminina em geral é satisfatória. Depois disso, ano após ano, a queda é cada vez mais acentuada. O artigo «Optimizando a Fertilidade Natural», da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, publicado em 2008, apresentou um gráfico que relacionou a idade de mulheres de várias épocas e lugares do mundo com a taxa de gravidez. Entre 20 e 25 anos, o número de mulheres que engravidou ficou entre 400 mil e 600 mil. Entre 30 e 35 anos, declinou para a faixa de 300 mil a 500 mil. Depois dos 40 anos, caiu para 200 mil, baixando para a faixa de 100 mil a zero entre 40 e 45 anos.
Também é de conhecimento médico que com o avançar da idade não só a fertilidade declina como também aumentam os números de abortos e de bebés nascidos com problemas genéticos, como a síndrome de Down.
Isso tudo porque não só a quantidade de óvulos diminui: a qualidade do material cai. Bianchi afirma que, durante a ovulação, o óvulo passa por um processo de divisão chamado meiose. Ele perde metade do seu material genético para se juntar a um espermatozóide, que também só tem metade do material genético, e então formar o embrião, com a carga total de material necessária.
Com o avanço da idade feminina, a meiose vai ficando cada vez mais instável: um óvulo pode perder mais ou menos metade do material genético e com isso fica mais difícil de ser fecundado. E ainda assim, se a fecundação ocorrer, são grandes as hipóteses de um aborto ou de o feto nascer com alguma deficiência.
«Todo o ginecologista, além de conversar com a paciente a respeito da importância de ter um estilo de vida saudável, o que inclui cuidados com a alimentação e precauções para evitar doenças sexualmente transmissíveis, tem de fazer o aconselhamento reprodutivo. Ele peca por omissão se não abordar o assunto e instruí-la a respeito das dificuldades e dos problemas de uma gestação tardia. Não se trata de incentivar ninguém a engravidar, mas sim de esclarecer e explicar a importância de planear a maternidade», declara Cavagna.
Não há como aumentar o tempo de vida fértil. «Tomar a pílula de modo ininterrupto não ajuda a postergar o tempo da fertilidade, só interrompe a menstruação. Os óvulos, tal como outras células, nascem já com prazo de vida, é a chamada apoptose, a morte celular programada», diz Eduardo Cordioli, coordenador médico da obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Mas há o que considerar ao conversar com o ginecologista se a mulher deseja engravidar depois dos 35 anos e quer saber o quão isso pode ser arriscado:
- A idade em que a mãe, as avós e as tias maternas entraram na menopausa. É provável que a mulher siga a mesma tendência;
- A idade em que ocorreu a primeira menstruação. Quanto mais cedo, mais cedo findará a vida fértil;
- O intervalo entre os ciclos menstruais. Se eles estão a ficar mais espaçados, pode ser um sinal de que a fertilidade está a declinar;
- O estilo de vida. Se a mulher fuma, bebe ou tem excesso de peso prejudica cada vez mais as probabilidades de gestar. O tabagismo, por exemplo, acelera a destruição dos folículos ovarianos, afectando gravemente a função reprodutiva. Uma alimentação deficitária em zinco e selénio também não é recomendada;
- A realização de quimioterapia ou radioterapia, tratamentos que alteram a fertilidade.
Além de uma conversa detalhada com o ginecologista, é possível averiguar com um exame de sangue como anda a saúde reprodutiva em relação ao que é esperado para a faixa etária e então pensar se vale ou não postergar a gravidez. «Trata-se da dosagem da hormona Anti-Mülleriano (AMH) ou Substância Inibidora Mulleriana (MIS), que determina a reserva folicular ovariana», diz Cavagna.
Quanto maior a reserva, menos arriscado é o adiamento, ainda que não seja um dado determinante, já que, para engravidar, outros aspectos corporais precisam de estar em ordem.
Optar pelo congelamento de óvulos é uma saída em que muitas mulheres têm pensado como solução para adiar a gestação antes mesmo de chegar ao consultório ginecológico.
Embora essa seja uma opção válida, os médicos pedem cautela: o procedimento não é uma garantia de gravidez, ainda mais tratando-se de implantar o embrião, fruto de um óvulo congelado, em mulheres com idade avançada –principalmente mais de 40 anos. Muitas pacientes depositam toda a sua confiança em técnicas de reprodução assistida e esquecem-se de que os procedimentos, por mais modernos que sejam, continuam a precisar de um material básico, o óvulo, e de um organismo saudável.
«Pouco adianta implantar o embrião depois dos 40. Há que considerar que o corpo já está mais velho, que é mais difícil aguentar uma gestação», diz Cordioli.
Também não é indicado pensar em congelar depois dos 35 anos. O ideal, de acordo com Cavagna, é optar pelo congelamento entre 28 e 32 anos, período em que os óvulos têm mais qualidade. Segundo Cordioli, há o perigo de postergar o uso de óvulos congelados. «Não existem ainda pesquisas consistentes que assegurem quanto tempo o material aguenta em boas condições.»
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=620353
«É preciso reconhecer que a biologia não acompanha o avanço social feminino», diz Mario Cavagna, director da divisão de reprodução humana do Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da Mulher, em São Paulo.
Evidentemente, há mulheres que se tornaram mães aos 40, 50 e até 60 anos, no entanto, os especialistas são categóricos ao dizer que elas são excepções e viveram histórias de risco. «Muito se fala de casos de sucesso, mas quase nada se noticia sobre gestantes mais velhas que tiveram problemas sérios de saúde durante os nove meses ou deram à luz a bebés portadores de doenças genéticas», diz Paulo Bianchi, médico coordenador do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva no Hospital Samaritano, também na capital paulista.
Segundo o relatório «Estatísticas do Registro Civil 2011», divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 18,3% das novas mães têm entre 30 e 34 anos actualmente. Há dez anos, quase a mesma percentagem (20,9%) estava na faixa de 15 e 19 anos.
O problema de deixar esse plano para um futuro indeterminado é que muitas adiam a maternidade sem saber detalhes do próprio corpo e quando chegam ao consultório do ginecologista a dizer que querem engravidar podem receber uma notícia não muito animadora: o tempo não está a favor.
Diversos estudos divulgados mundo afora indicam que, até por volta dos 35 anos, a fertilidade feminina em geral é satisfatória. Depois disso, ano após ano, a queda é cada vez mais acentuada. O artigo «Optimizando a Fertilidade Natural», da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, publicado em 2008, apresentou um gráfico que relacionou a idade de mulheres de várias épocas e lugares do mundo com a taxa de gravidez. Entre 20 e 25 anos, o número de mulheres que engravidou ficou entre 400 mil e 600 mil. Entre 30 e 35 anos, declinou para a faixa de 300 mil a 500 mil. Depois dos 40 anos, caiu para 200 mil, baixando para a faixa de 100 mil a zero entre 40 e 45 anos.
Também é de conhecimento médico que com o avançar da idade não só a fertilidade declina como também aumentam os números de abortos e de bebés nascidos com problemas genéticos, como a síndrome de Down.
Isso tudo porque não só a quantidade de óvulos diminui: a qualidade do material cai. Bianchi afirma que, durante a ovulação, o óvulo passa por um processo de divisão chamado meiose. Ele perde metade do seu material genético para se juntar a um espermatozóide, que também só tem metade do material genético, e então formar o embrião, com a carga total de material necessária.
Com o avanço da idade feminina, a meiose vai ficando cada vez mais instável: um óvulo pode perder mais ou menos metade do material genético e com isso fica mais difícil de ser fecundado. E ainda assim, se a fecundação ocorrer, são grandes as hipóteses de um aborto ou de o feto nascer com alguma deficiência.
«Todo o ginecologista, além de conversar com a paciente a respeito da importância de ter um estilo de vida saudável, o que inclui cuidados com a alimentação e precauções para evitar doenças sexualmente transmissíveis, tem de fazer o aconselhamento reprodutivo. Ele peca por omissão se não abordar o assunto e instruí-la a respeito das dificuldades e dos problemas de uma gestação tardia. Não se trata de incentivar ninguém a engravidar, mas sim de esclarecer e explicar a importância de planear a maternidade», declara Cavagna.
Não há como aumentar o tempo de vida fértil. «Tomar a pílula de modo ininterrupto não ajuda a postergar o tempo da fertilidade, só interrompe a menstruação. Os óvulos, tal como outras células, nascem já com prazo de vida, é a chamada apoptose, a morte celular programada», diz Eduardo Cordioli, coordenador médico da obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Mas há o que considerar ao conversar com o ginecologista se a mulher deseja engravidar depois dos 35 anos e quer saber o quão isso pode ser arriscado:
- A idade em que a mãe, as avós e as tias maternas entraram na menopausa. É provável que a mulher siga a mesma tendência;
- A idade em que ocorreu a primeira menstruação. Quanto mais cedo, mais cedo findará a vida fértil;
- O intervalo entre os ciclos menstruais. Se eles estão a ficar mais espaçados, pode ser um sinal de que a fertilidade está a declinar;
- O estilo de vida. Se a mulher fuma, bebe ou tem excesso de peso prejudica cada vez mais as probabilidades de gestar. O tabagismo, por exemplo, acelera a destruição dos folículos ovarianos, afectando gravemente a função reprodutiva. Uma alimentação deficitária em zinco e selénio também não é recomendada;
- A realização de quimioterapia ou radioterapia, tratamentos que alteram a fertilidade.
Além de uma conversa detalhada com o ginecologista, é possível averiguar com um exame de sangue como anda a saúde reprodutiva em relação ao que é esperado para a faixa etária e então pensar se vale ou não postergar a gravidez. «Trata-se da dosagem da hormona Anti-Mülleriano (AMH) ou Substância Inibidora Mulleriana (MIS), que determina a reserva folicular ovariana», diz Cavagna.
Quanto maior a reserva, menos arriscado é o adiamento, ainda que não seja um dado determinante, já que, para engravidar, outros aspectos corporais precisam de estar em ordem.
Optar pelo congelamento de óvulos é uma saída em que muitas mulheres têm pensado como solução para adiar a gestação antes mesmo de chegar ao consultório ginecológico.
Embora essa seja uma opção válida, os médicos pedem cautela: o procedimento não é uma garantia de gravidez, ainda mais tratando-se de implantar o embrião, fruto de um óvulo congelado, em mulheres com idade avançada –principalmente mais de 40 anos. Muitas pacientes depositam toda a sua confiança em técnicas de reprodução assistida e esquecem-se de que os procedimentos, por mais modernos que sejam, continuam a precisar de um material básico, o óvulo, e de um organismo saudável.
«Pouco adianta implantar o embrião depois dos 40. Há que considerar que o corpo já está mais velho, que é mais difícil aguentar uma gestação», diz Cordioli.
Também não é indicado pensar em congelar depois dos 35 anos. O ideal, de acordo com Cavagna, é optar pelo congelamento entre 28 e 32 anos, período em que os óvulos têm mais qualidade. Segundo Cordioli, há o perigo de postergar o uso de óvulos congelados. «Não existem ainda pesquisas consistentes que assegurem quanto tempo o material aguenta em boas condições.»
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=620353
domingo, 13 de janeiro de 2013
Correio da Manhã: Menos sete mil bebés
A natalidade em Portugal continua em queda: em 2012 nasceram 90 026 crianças, menos 7074 que em 2011, ano em que nasceram 97 100 bebés, segundo afirmou à Lusa Laura Vilarinho, responsável da Unidade de Rastreio Neonatal do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.
Os números são do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce, conhecido por teste do pezinho, que consiste no rastreio a 25 doenças através de uma amostra de sangue. A recolha de sangue é feita no pé do recém-nascido, entre o terceiro e o sexto dia de vida.
A diminuição acentuada da natalidade em Portugal já tinha sido registada, em julho do ano passado, no relatório do Observatório das Famílias e das Políticas de Família. Segundo o documento, era esperado que no final do ano se atingissem mínimos históricos dos nascimentos no nosso país, o que acabou por se confirmar.
O Observatório das Famílias e das Políticas de Família chamou ainda a atenção para a diminuição da dimensão média das famílias, o aumento das pessoas a viver sós e das famílias monoparentais e recompostas. Além disso, celebraram-se menos casamentos e mais divórcios.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/menos-sete-mil-bebes
Os números são do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce, conhecido por teste do pezinho, que consiste no rastreio a 25 doenças através de uma amostra de sangue. A recolha de sangue é feita no pé do recém-nascido, entre o terceiro e o sexto dia de vida.
A diminuição acentuada da natalidade em Portugal já tinha sido registada, em julho do ano passado, no relatório do Observatório das Famílias e das Políticas de Família. Segundo o documento, era esperado que no final do ano se atingissem mínimos históricos dos nascimentos no nosso país, o que acabou por se confirmar.
O Observatório das Famílias e das Políticas de Família chamou ainda a atenção para a diminuição da dimensão média das famílias, o aumento das pessoas a viver sós e das famílias monoparentais e recompostas. Além disso, celebraram-se menos casamentos e mais divórcios.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/menos-sete-mil-bebes
sábado, 5 de janeiro de 2013
Diário Digital: Percentagem de cesarianas aumenta no privado e diminui no SNS
A percentagem de cesarianas realizadas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) desceu ligeiramente em 2010, enquanto as que foram feitas nas unidades privadas aumentaram, segundo um relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS).
O documento sobre a produção nos centros de saúde e unidades hospitalares em 2010, divulgado pela DGS na sexta-feira, mostra que 32,1% dos partos no SNS foram cesarianas, quando em 2009 representavam 32,9 por cento.
Em termos brutos, em 2010 realizaram-se 26.594 cesarianas nos hospitais públicos, menos 341 do que em 2009.
Já no privado verificou-se a tendência inversa, com a percentagem de cesarianas a passar de 60,7% em 2009 para 67,5 por cento em 2010.
Numa análise ao tipo de unidade onde foram realizados os partos, verifica-se que a percentagem de nascimentos no SNS subiu em 2010, representando 87,3 por cento do total, quase mais dois pontos percentuais que no ano anterior.
O relatório, datado de julho mas só agora divulgado, mostra um decréscimo de 360 partos entre 2009 e 2010, ano em que se registou um total de 94.942 partos.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608374
O documento sobre a produção nos centros de saúde e unidades hospitalares em 2010, divulgado pela DGS na sexta-feira, mostra que 32,1% dos partos no SNS foram cesarianas, quando em 2009 representavam 32,9 por cento.
Em termos brutos, em 2010 realizaram-se 26.594 cesarianas nos hospitais públicos, menos 341 do que em 2009.
Já no privado verificou-se a tendência inversa, com a percentagem de cesarianas a passar de 60,7% em 2009 para 67,5 por cento em 2010.
Numa análise ao tipo de unidade onde foram realizados os partos, verifica-se que a percentagem de nascimentos no SNS subiu em 2010, representando 87,3 por cento do total, quase mais dois pontos percentuais que no ano anterior.
O relatório, datado de julho mas só agora divulgado, mostra um decréscimo de 360 partos entre 2009 e 2010, ano em que se registou um total de 94.942 partos.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608374
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Público: Quando é preciso dar um empurrão à cegonha
O jogo da agulha dizia que Ana Sofia Caniço, 34 anos, iria ter quatro rapazes e duas raparigas. Ana ria-se. Imaginava-se a ser mãe desde que se lembra de brincar com bonecas.
Mas seis filhos estava claramente acima do que alguma vez poderia imaginar. Foi um ano depois de estar casada, ainda com 26 anos, que começou a tentar engravidar. Passados oito anos está grávida de 23 semanas de um segundo filho, que na prática é um oitavo. Ana tem um problema de infertilidade e já passou por vários abortos. Hoje tem cá a Mariana com dois anos e meio e o Rodrigo parece estar a portar-se bem na barriga. Mas diz que ainda lhe parece tudo “um bocadinho irreal”. “Cheguei a questionar se algum dia teria um filho nos braços.” Agora tem. Mas isso não apaga a doença que já lhe levou seis bebés. Não impede esta psicóloga educacional de se lembrar da idade que teria cada filho, em que mês deveriam ter nascido, o que estariam agora a fazer na escola.
Não há números oficiais, mas as estimativas da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução apontam para que existam em Portugal cerca de 500 mil casais inférteis em idade reprodutiva, ou seja, perto de 9% dos casais. Um número que se tem vindo a agravar nas últimas décadas, também devido ao adiar da maternidade. “Considera-se que estamos perante um problema de infertilidade quando não há uma gravidez ao final de 12 meses de tentativas numa vida de relações sexuais regulares e sem contraceptivos”, resume Carlos Calhaz Jorge, responsável pela Unidade de Medicina de Reprodução do Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria e também membro da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução.
Contudo, apesar de haver um número cada vez maior de pessoas a precisar de dar um empurrão à chegada da cegonha, o último relatório do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, divulgado em Setembro, indica que em 2010 cerca de 2,2% dos nascimentos em Portugal resultaram de técnicas de procriação medicamente assistida – quando a média europeia ultrapassa os 3% e nos países nórdicos chega aos 5%. Mesmo assim, os dados representam um aumento de 35,5 % de recém-nascidos, comparativamente aos resultados de 2009, o que se deve a uma melhor recolha de números, mas também ao aumento da capacidade de resposta dos centros públicos e às taxas de sucesso, refere o relatório.
Mariana tem um quarto em tons de verde e rosa
Contabilizando só as técnicas mais complexas, foram quase dois mil bebés a nascer com a ajuda da medicina e da ciência. Quanto a listas de espera, no final de 2011 no Serviço Nacional de Saúde estavam 1800 casais à espera de um tratamento, de um total de três tentativas de que dispõem até aos 40 anos para poderem ter um filho.
O quarto de Mariana, decorado ao pormenor em tons de verde e rosa, com treliças nas paredes e uma árvore pintada repleta de flores e borboletas mostra o quanto Ana Caniço e o marido desejavam ter um filho. Tudo combina. Em todos os recantos há pormenores que não deixam dúvidas de que aqui dorme uma menina. Nas mesas e prateleiras estão molduras que mostram o casal com Mariana e está também exposto o teste de gravidez. E no topo de um armário há até um molde em gesso da redonda barriga de Ana pouco antes do parto.
Ana Caniço começou cedo a tentar ser mãe, mas rapidamente se deparou com um problema: quase não consegue ovular naturalmente e, por isso, a sua capacidade de engravidar sem apoio é muito reduzida. Tem também abortos espontâneos sucessivos que ainda não se conseguiram explicar. Decidiu por isso, e por ter apoio familiar, fazer os tratamentos no sector privado, para se deparar menos com a angústia da espera.
Em geral, segundo explica Alberto Barros, um dos médicos pioneiros da área no Hospital de São João, agora professor catedrático de genética da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e director de um dos principais centros privados de tratamentos de procriação medicamente assistida, a causa da infertilidade distribui-se da mesma forma entre os membros do casal, sendo que no caso da mulher a dificuldade de engravidar acentua-se a partir dos 30 anos, existindo uma queda drástica depois dos 35 . Há também 10% dos casos em que a causa da infertilidade permanece por explicar.
“A mulher tem duas idades, a cronológica e a procriativa que tem uma nota de 'muito bom' até aos 30 anos, 'bom grande' até aos 32, 'bom pequeno' aos 33, 34 e aos 35, 36 um 'suficiente mais'. A qualidade dos ovócitos, nomeadamente o conteúdo genético, tem muito a ver com a idade da mulher e isso não acontece tanto com o homem. Como diz o povo, 'homem velho com mulher nova, filhos até à cova'”, diz Alberto Barros, que lembra que “a gravidez não acontece como quem carrega num interruptor”. E aconselha os casais a não adiarem demasiado a decisão de ter filhos para se existir um problema haver tempo para o resolver, já que entre medicamentos, cirurgias, inseminação artificial e recolha de células ou procura de um dador para fecundação em laboratório, várias são as alternativas a considerar.
Ana começou a tentar engravidar em Maio de 2004 e em Novembro desse mesmo ano detectou-se que tem ovários poliquísticos. Foi apenas em Maio de 2005 que pôde avançar para tratamentos à base de hormonas que induzem a ovulação e, após três meses sem sucesso, em Agosto teve o seu primeiro positivo. Comprou uma chucha e planeou ao pormenor a forma como deu a novidade ao marido. “Estávamos grávidos e não podíamos estar mais felizes”. A felicidade parou às dez semanas. A gravidez não evoluiu.
Em Janeiro de 2006 conseguiu uma nova gravidez, mas que também não passou das sete semanas. “A nós não nos conforta saber que é muito comum haver abortos ou aquela questão do senso comum de que somos capazes de engravidar. Sei que consigo mas não sei se consigo levar avante a gravidez. E o ser nova não interessa nada, pois uma pessoa que fique viúva também pode casar outra vez. Aquele bebé era o nosso bebé e as pessoas falam como se os bebés fossem um bocadinho descartáveis.” Para Ana não são. Continua a guardar ecografias e tudo o que está relacionado com as gravidezes que perdeu.
Ana ficou grávida de três bebés
Ana começou a esmorecer mas sempre que tinha luz-verde do médico voltava a tentar. Em Outubro fez mais tratamentos, desta vez com injecções de estimulação, sem sucesso. Em Março de 2007 os tratamentos, sempre controlados com ecografia, deram lugar a dois ovócitos. Ana conseguiu engravidar e na primeira ecografia teve uma surpresa: afinal estava grávida de três bebés. Apesar de saberem que as gravidezes gemelares têm mais riscos, não estavam preparados para o que viria a seguir. Às 18 semanas entrou em trabalho de parto. Fizeram uma cesariana e tiraram um dos bebés, para poderem salvar os outros. Só que Ana teve várias complicações, corria risco de vida e estava na iminência de perder o útero. Pouco mais de uma semana depois os médicos decidiram fazer-lhe nova cesariana para fazer um aborto medicamente assistido.
“A sensação é de um vazio enorme emocionalmente e em termos físicos”, diz, recordando que nos quartos ao lado estavam mães com os seus bebés ao colo e famílias felizes. Ana teve subida do leite mas não restou nenhum dos três filhos rapazes para amamentar. E o pior foi ter sido obrigada a parar as tentativas durante ano e meio. Chegou a pensar adoptar mas recorda que “a adopção é outro processo de espera e de angústia”. Terminada a pausa seguiram-se mais estimulações e duas tentativas com um tratamento mais avançado em laboratório tal como a fecundação in vitro: a microinjecção intracitoplasmática (ICSI), que consiste em injectar um único espermatozóide nos ovócitos que são retirados à mulher por via vaginal e em implantar depois os embriões. Numa delas houve gravidez, com um novo aborto. Só no final do Verão de 2009 veio o positivo de Mariana que acabou por nascer a 11 de Abril de 2010 com 2985 quilogramas, depois de uma gravidez controlada quase semanalmente para Ana poder “respirar”.
São casos de sucesso e de persistência como o de Ana que animam Margarida Pires, de 33 anos, a superar os efeitos dos tratamentos. Sempre disse que queria ser mãe muito nova. Talvez aos 18 anos. Mas a vida demorou mais a assentar e acabou por achar mais prudente terminar primeiro a licenciatura em psicologia. Só depois de casar pensou avançar com os planos. “Para nós era um dado adquirido que quando quiséssemos íamos engravidar”. A natureza trocou as voltas de Margarida e do marido, que há quase quatro anos tentam aumentar a família.
Depois de mais de um ano na expectativa de que a menstruação não viesse Margarida decidiu pedir ajuda médica e na altura valeu-se dos vários contactos que tinha. Os primeiros exames indicavam que estava tudo bem. “Cada vez que se muda de médico é um batalhão de exames e acabamos por perder muito tempo nestes processos. É desgastante”, explica. Foi com o resultado de um espermograma do seu marido que veio a explicação. O problema estava no comportamento dos espermatozóides de Manuel que não se moviam como deviam. A solução passava também por uma ICSI, muito utilizada em casos de infertilidade masculina.
O preço de ter um filho
Mas quando tudo parecia encaminhado Margarida esbarrou no preço pedido por este tipo de tratamentos no sector privado, não cobertos em geral pelos seguros de saúde. Uma única tentativa ficaria em cerca de 3500 a 4000 euros, valor ao qual ainda é necessário juntar alguns medicamentos. Valores que Ana também sabe de cor: só desde a gravidez gemelar gastou mais de dez mil euros, sem contar com deslocações e medicamentos. Ana e Margarida são unânimes e assumem que a sociedade prepara os casais para a quase obrigatoriedade de terem filhos mas que o lado dos eventuais problemas fica sempre de fora, sendo que se fala na factura que um filho acarreta mas ninguém diz que há muitos que nascem apenas após um grande investimento financeiro. As consultas, medicamentos e exames podem ultrapassar as largas centenas de euros e mesmo um dos tratamentos mais simples, a inseminação intra-uterina, anda na casa dos 500 euros. Já a fertilização in vitro é mais barata do que a ICSI mas mesmo assim não costuma ficar em menos de 2500 euros.
Margarida decidiu inscrever-se na lista de espera para um hospital público. Teve a primeira consulta no Hospital Garcia de Orta em Março de 2012 e fez o primeiro tratamento em Maio, sem qualquer sucesso. A percentagem de sucesso dos tratamentos está entre os 30 e os 40%. Carlos Calhaz Jorge sublinha que “as variáveis envolvidas são enormes e que falta saber mais coisas sobre a natureza”, já que continuamos a depender da qualidade das células e que é aí que é preciso trabalhar mais.
“Tem havido algumas melhorias na individualização dos métodos de estimular os ovários e nos meios de cultura laboratorial, mas ainda falta avançar muito, mesmo nos instrumentos utilizados em laboratórios”, refere, mas recorda que mesmo num casal sem problemas a probabilidade de haver uma gravidez em cada ciclo é de 20%, pelo que a taxa de sucesso da procriação medicamente assistida está até em níveis acima e tem-se, também, conseguido trabalhar na qualidade, para reduzir por exemplo o número de gravidezes gemelares, que acarretam sempre mais riscos. “Quanto mais conheço mais questiono como é que há tanta gravidez. É preciso que haja tanta coisa bem para que uma gravidez ocorra que a surpresa está mais no âmbito da facilidade do que da dificuldade”, acrescenta Alberto Barros.
A próxima tentativa de Margarida será só em 2013, ainda sem data marcada e será a penúltima. O Serviço Nacional de Saúde comparticipa até três tratamentos, mas com o limite de um por ano. Uma imposição que desagrada tanto a Carlos Calhaz Jorge como a Alberto Barros. Mais do que o problema de só se comparticiparem três tratamentos, os especialistas criticam a imposição de só poder ser um por ano. “Isso retira a capacidade de gestão clínica, nomeadamente quando os casais se aproximam mais do limite etário que foi definido”, diz Calhaz Jorge. No sistema público as mulheres devem ter menos de 40 anos para poderem ser submetidas a tratamentos.
E não se prevê que as coisas venham a mudar num curto espaço de tempo. O presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, organismo que regula os centros prestadores destes tratamentos, explica que têm sobretudo “dado continuidade e não procurado fazer grandes transformações” à legislação em Portugal. A comissão tem, por isso, apostado em “permitir que o avanço da ciência possa ser aplicado” no país e que a qualidade dos tratamentos disponibilizados seja garantida, independentemente da instituição onde os casais se dirigem.
Muito sofrimento para quem vive o processo
O juiz Eurico Reis recorda que infertilidade é um conceito mundialmente aceite e que está inclusive definido pela Organização Mundial de Saúde, pelo que qualquer decisão relacionada com o tema “deve evitar superficialidades e reconhecer que há muito sofrimento” para quem vive o processo. O responsável reconhece a existência de algumas assimetrias a nível nacional, nomeadamente a maior dificuldade de acesso a tratamentos em Lisboa, Alentejo e Algarve. Porém, perante a actual crise económica e financeira, o especialista teme um “retrocesso” na situação do país e que “os constrangimentos financeiros” se sobreponham contribuindo para reduzir ainda mais a taxa de natalidade – quando se prevê que este ano termine com menos de 90 mil bebés nascidos em Portugal, ou seja, menos que o número de óbitos.
Até à próxima oportunidade Margarida e o marido tentam continuar a aprender a lidar com o vazio e estudam alternativas. Leram que a acupunctura pode ajudar e vão tentar, mas uma parte da família mais próxima nem sequer sabe o que estão a atravessar. “É uma coisa nossa que preferimos viver sozinhos. Irrita-me ter de ouvir que é por andar nervosa ou ter toda a gente a dar palpites. Na altura dos tratamentos fui-me muito abaixo, mas é um problema nosso, que vivemos a dois, ainda que de maneiras diferentes. Somos um casal muito unido e continuaremos bem sem filhos, mas neste processo não se consegue pensar nem fazer mais nada”.
Uma postura diferente da de Ana Caniço, que encontrou na sua experiência pessoal uma boa oportunidade de divulgar o tema da infertilidade, tendo-se por isso juntado à Associação Portuguesa de Fertilidade, criada por Cláudia Vieira em 2006 quando se deparou com dificuldades em engravidar. Tinha 28 anos e estava casada há um ano quando sentiu que reunia todas as condições para ter filhos. Oito meses depois nada acontecia e pediu ajuda, até porque tinha um caso de infertilidade na família e “estava alerta”. Tinha uma das trompas obstruída e, a juntar-se a isso, havia um problema também na forma como os espermatozóides do seu marido se moviam. Ao terceiro tratamento engravidou de gémeos e pensou: “O difícil foi engravidar mas consegui”. Às 21 semanas foi surpreendida por contracções e perdeu o casal para o qual já tinha nomes. “É uma dor e um vazio tão grandes que pensei que nunca mais recuperava”. Nova gravidez, 15 dias depois novo aborto.
Era altura de deixar o serviço público onde tinha esgotado as tentativas. No primeiro tratamento numa clínica privada engravidou de Marta e de Margarida, curiosamente gémeas verdadeiras, agora com quatro anos e meio. “Foi uma gravidez vivida com contenção e entrei em trabalho de parto às 33 semanas. Nasceram com 1600 e 1380 quilogramas, mas recuperaram bem”, recorda. Cláudia e o marido sempre sonharam com uma família maior e arriscou mais um tratamento que foi certeiro. Agora as gémeas contam com o irmão Francisco, de dez meses. “Foi uma gravidez mais tranquila em que consegui manter a minha actividade profissional e passear na rua com as gémeas e a mostrar a barriga.” Cláudia, ultrapassado o choque inicial, optou por exteriorizar o que vivia e, perante a falta de informação e de um sítio onde procurar apoio, criou a associação à qual ainda dedica muito tempo. “Ainda existem muitas limitações de acessibilidade e procuramos ajudar as pessoas o mais cedo possível numa altura em que é tão importante renovar gerações”, sublinha.
Alberto Barros acredita que se os casais se abrirem com os amigos como fizeram Ana e Cláudia que isso ajuda: “Todo este processo custa sobretudo do pescoço para cima. O problema emocional é fundamental. Ainda há muitas pessoas que escondem o problema dos seus familiares mais próximos, mas dizer é uma forma de evitar que as pessoas continuem a perguntar quando é que vêm os filhos. A infertilidade é como as feridas. As feridas devem estar quietas e não se deve pôr a mão por cima desnecessariamente porque incomoda e quem está à volta deve perceber isso”.
“Não é uma doença aguda, é crónica e vai-se arrastando. A vivência das frustrações pode ser muito pesada. O oposto disso é o aparecimento de uma criança que em 80% dos casos anula o passado, mas há outros 20% em que se mantém mesmo nos que conseguem. As crianças que nascem destes esforços são um pouco nossas e os casais também sentem isso”, completa Calhaz Jorge. Aliás, Alberto Barros tem mesmo um dossier onde guarda algumas fotografias que os pais bem-sucedidos lhe enviam, recordando em especial um caso concretizado ao fim de 19 anos e meio de tentativas. “Mas há algo que ainda me toca mais, são as cartas e comentários que me são dirigidas de casais que foram tratados e que não tendo sucesso traduzem o reconhecimento do esforço que foi feito”, diz o médico. Defende por isso, que estas gravidezes de risco sejam tratadas com especial atenção. “Se todas as gravidezes devem andar ao colo, umas mais do que outras devem ter esse mesmo colo”, resume.
Perante tantas pedras no caminho, Ana continua a defender que se deve persistir “enquanto for menos doloroso tentar e enquanto houver clinicamente expectativas de que os tratamentos possam resultar. Agora quando a tentativa começa a ser mais difícil do que a ideia de não ter filhos deve haver um momento para parar”. Quanto a um terceiro filho... “Eu gostava, mas vou fazer uma quarta cesariana. Também não quero pedir demais”, refere enquanto olha para a barriga e faz uma nova festa a Rodrigo.
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/quando-e-preciso-dar-um-empurrao-a-cegonha-1575040
Mas seis filhos estava claramente acima do que alguma vez poderia imaginar. Foi um ano depois de estar casada, ainda com 26 anos, que começou a tentar engravidar. Passados oito anos está grávida de 23 semanas de um segundo filho, que na prática é um oitavo. Ana tem um problema de infertilidade e já passou por vários abortos. Hoje tem cá a Mariana com dois anos e meio e o Rodrigo parece estar a portar-se bem na barriga. Mas diz que ainda lhe parece tudo “um bocadinho irreal”. “Cheguei a questionar se algum dia teria um filho nos braços.” Agora tem. Mas isso não apaga a doença que já lhe levou seis bebés. Não impede esta psicóloga educacional de se lembrar da idade que teria cada filho, em que mês deveriam ter nascido, o que estariam agora a fazer na escola.
Não há números oficiais, mas as estimativas da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução apontam para que existam em Portugal cerca de 500 mil casais inférteis em idade reprodutiva, ou seja, perto de 9% dos casais. Um número que se tem vindo a agravar nas últimas décadas, também devido ao adiar da maternidade. “Considera-se que estamos perante um problema de infertilidade quando não há uma gravidez ao final de 12 meses de tentativas numa vida de relações sexuais regulares e sem contraceptivos”, resume Carlos Calhaz Jorge, responsável pela Unidade de Medicina de Reprodução do Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria e também membro da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução.
Contudo, apesar de haver um número cada vez maior de pessoas a precisar de dar um empurrão à chegada da cegonha, o último relatório do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, divulgado em Setembro, indica que em 2010 cerca de 2,2% dos nascimentos em Portugal resultaram de técnicas de procriação medicamente assistida – quando a média europeia ultrapassa os 3% e nos países nórdicos chega aos 5%. Mesmo assim, os dados representam um aumento de 35,5 % de recém-nascidos, comparativamente aos resultados de 2009, o que se deve a uma melhor recolha de números, mas também ao aumento da capacidade de resposta dos centros públicos e às taxas de sucesso, refere o relatório.
Mariana tem um quarto em tons de verde e rosa
Contabilizando só as técnicas mais complexas, foram quase dois mil bebés a nascer com a ajuda da medicina e da ciência. Quanto a listas de espera, no final de 2011 no Serviço Nacional de Saúde estavam 1800 casais à espera de um tratamento, de um total de três tentativas de que dispõem até aos 40 anos para poderem ter um filho.
O quarto de Mariana, decorado ao pormenor em tons de verde e rosa, com treliças nas paredes e uma árvore pintada repleta de flores e borboletas mostra o quanto Ana Caniço e o marido desejavam ter um filho. Tudo combina. Em todos os recantos há pormenores que não deixam dúvidas de que aqui dorme uma menina. Nas mesas e prateleiras estão molduras que mostram o casal com Mariana e está também exposto o teste de gravidez. E no topo de um armário há até um molde em gesso da redonda barriga de Ana pouco antes do parto.
Ana Caniço começou cedo a tentar ser mãe, mas rapidamente se deparou com um problema: quase não consegue ovular naturalmente e, por isso, a sua capacidade de engravidar sem apoio é muito reduzida. Tem também abortos espontâneos sucessivos que ainda não se conseguiram explicar. Decidiu por isso, e por ter apoio familiar, fazer os tratamentos no sector privado, para se deparar menos com a angústia da espera.
Em geral, segundo explica Alberto Barros, um dos médicos pioneiros da área no Hospital de São João, agora professor catedrático de genética da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e director de um dos principais centros privados de tratamentos de procriação medicamente assistida, a causa da infertilidade distribui-se da mesma forma entre os membros do casal, sendo que no caso da mulher a dificuldade de engravidar acentua-se a partir dos 30 anos, existindo uma queda drástica depois dos 35 . Há também 10% dos casos em que a causa da infertilidade permanece por explicar.
“A mulher tem duas idades, a cronológica e a procriativa que tem uma nota de 'muito bom' até aos 30 anos, 'bom grande' até aos 32, 'bom pequeno' aos 33, 34 e aos 35, 36 um 'suficiente mais'. A qualidade dos ovócitos, nomeadamente o conteúdo genético, tem muito a ver com a idade da mulher e isso não acontece tanto com o homem. Como diz o povo, 'homem velho com mulher nova, filhos até à cova'”, diz Alberto Barros, que lembra que “a gravidez não acontece como quem carrega num interruptor”. E aconselha os casais a não adiarem demasiado a decisão de ter filhos para se existir um problema haver tempo para o resolver, já que entre medicamentos, cirurgias, inseminação artificial e recolha de células ou procura de um dador para fecundação em laboratório, várias são as alternativas a considerar.
Ana começou a tentar engravidar em Maio de 2004 e em Novembro desse mesmo ano detectou-se que tem ovários poliquísticos. Foi apenas em Maio de 2005 que pôde avançar para tratamentos à base de hormonas que induzem a ovulação e, após três meses sem sucesso, em Agosto teve o seu primeiro positivo. Comprou uma chucha e planeou ao pormenor a forma como deu a novidade ao marido. “Estávamos grávidos e não podíamos estar mais felizes”. A felicidade parou às dez semanas. A gravidez não evoluiu.
Em Janeiro de 2006 conseguiu uma nova gravidez, mas que também não passou das sete semanas. “A nós não nos conforta saber que é muito comum haver abortos ou aquela questão do senso comum de que somos capazes de engravidar. Sei que consigo mas não sei se consigo levar avante a gravidez. E o ser nova não interessa nada, pois uma pessoa que fique viúva também pode casar outra vez. Aquele bebé era o nosso bebé e as pessoas falam como se os bebés fossem um bocadinho descartáveis.” Para Ana não são. Continua a guardar ecografias e tudo o que está relacionado com as gravidezes que perdeu.
Ana ficou grávida de três bebés
Ana começou a esmorecer mas sempre que tinha luz-verde do médico voltava a tentar. Em Outubro fez mais tratamentos, desta vez com injecções de estimulação, sem sucesso. Em Março de 2007 os tratamentos, sempre controlados com ecografia, deram lugar a dois ovócitos. Ana conseguiu engravidar e na primeira ecografia teve uma surpresa: afinal estava grávida de três bebés. Apesar de saberem que as gravidezes gemelares têm mais riscos, não estavam preparados para o que viria a seguir. Às 18 semanas entrou em trabalho de parto. Fizeram uma cesariana e tiraram um dos bebés, para poderem salvar os outros. Só que Ana teve várias complicações, corria risco de vida e estava na iminência de perder o útero. Pouco mais de uma semana depois os médicos decidiram fazer-lhe nova cesariana para fazer um aborto medicamente assistido.
“A sensação é de um vazio enorme emocionalmente e em termos físicos”, diz, recordando que nos quartos ao lado estavam mães com os seus bebés ao colo e famílias felizes. Ana teve subida do leite mas não restou nenhum dos três filhos rapazes para amamentar. E o pior foi ter sido obrigada a parar as tentativas durante ano e meio. Chegou a pensar adoptar mas recorda que “a adopção é outro processo de espera e de angústia”. Terminada a pausa seguiram-se mais estimulações e duas tentativas com um tratamento mais avançado em laboratório tal como a fecundação in vitro: a microinjecção intracitoplasmática (ICSI), que consiste em injectar um único espermatozóide nos ovócitos que são retirados à mulher por via vaginal e em implantar depois os embriões. Numa delas houve gravidez, com um novo aborto. Só no final do Verão de 2009 veio o positivo de Mariana que acabou por nascer a 11 de Abril de 2010 com 2985 quilogramas, depois de uma gravidez controlada quase semanalmente para Ana poder “respirar”.
São casos de sucesso e de persistência como o de Ana que animam Margarida Pires, de 33 anos, a superar os efeitos dos tratamentos. Sempre disse que queria ser mãe muito nova. Talvez aos 18 anos. Mas a vida demorou mais a assentar e acabou por achar mais prudente terminar primeiro a licenciatura em psicologia. Só depois de casar pensou avançar com os planos. “Para nós era um dado adquirido que quando quiséssemos íamos engravidar”. A natureza trocou as voltas de Margarida e do marido, que há quase quatro anos tentam aumentar a família.
Depois de mais de um ano na expectativa de que a menstruação não viesse Margarida decidiu pedir ajuda médica e na altura valeu-se dos vários contactos que tinha. Os primeiros exames indicavam que estava tudo bem. “Cada vez que se muda de médico é um batalhão de exames e acabamos por perder muito tempo nestes processos. É desgastante”, explica. Foi com o resultado de um espermograma do seu marido que veio a explicação. O problema estava no comportamento dos espermatozóides de Manuel que não se moviam como deviam. A solução passava também por uma ICSI, muito utilizada em casos de infertilidade masculina.
O preço de ter um filho
Mas quando tudo parecia encaminhado Margarida esbarrou no preço pedido por este tipo de tratamentos no sector privado, não cobertos em geral pelos seguros de saúde. Uma única tentativa ficaria em cerca de 3500 a 4000 euros, valor ao qual ainda é necessário juntar alguns medicamentos. Valores que Ana também sabe de cor: só desde a gravidez gemelar gastou mais de dez mil euros, sem contar com deslocações e medicamentos. Ana e Margarida são unânimes e assumem que a sociedade prepara os casais para a quase obrigatoriedade de terem filhos mas que o lado dos eventuais problemas fica sempre de fora, sendo que se fala na factura que um filho acarreta mas ninguém diz que há muitos que nascem apenas após um grande investimento financeiro. As consultas, medicamentos e exames podem ultrapassar as largas centenas de euros e mesmo um dos tratamentos mais simples, a inseminação intra-uterina, anda na casa dos 500 euros. Já a fertilização in vitro é mais barata do que a ICSI mas mesmo assim não costuma ficar em menos de 2500 euros.
Margarida decidiu inscrever-se na lista de espera para um hospital público. Teve a primeira consulta no Hospital Garcia de Orta em Março de 2012 e fez o primeiro tratamento em Maio, sem qualquer sucesso. A percentagem de sucesso dos tratamentos está entre os 30 e os 40%. Carlos Calhaz Jorge sublinha que “as variáveis envolvidas são enormes e que falta saber mais coisas sobre a natureza”, já que continuamos a depender da qualidade das células e que é aí que é preciso trabalhar mais.
“Tem havido algumas melhorias na individualização dos métodos de estimular os ovários e nos meios de cultura laboratorial, mas ainda falta avançar muito, mesmo nos instrumentos utilizados em laboratórios”, refere, mas recorda que mesmo num casal sem problemas a probabilidade de haver uma gravidez em cada ciclo é de 20%, pelo que a taxa de sucesso da procriação medicamente assistida está até em níveis acima e tem-se, também, conseguido trabalhar na qualidade, para reduzir por exemplo o número de gravidezes gemelares, que acarretam sempre mais riscos. “Quanto mais conheço mais questiono como é que há tanta gravidez. É preciso que haja tanta coisa bem para que uma gravidez ocorra que a surpresa está mais no âmbito da facilidade do que da dificuldade”, acrescenta Alberto Barros.
A próxima tentativa de Margarida será só em 2013, ainda sem data marcada e será a penúltima. O Serviço Nacional de Saúde comparticipa até três tratamentos, mas com o limite de um por ano. Uma imposição que desagrada tanto a Carlos Calhaz Jorge como a Alberto Barros. Mais do que o problema de só se comparticiparem três tratamentos, os especialistas criticam a imposição de só poder ser um por ano. “Isso retira a capacidade de gestão clínica, nomeadamente quando os casais se aproximam mais do limite etário que foi definido”, diz Calhaz Jorge. No sistema público as mulheres devem ter menos de 40 anos para poderem ser submetidas a tratamentos.
E não se prevê que as coisas venham a mudar num curto espaço de tempo. O presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, organismo que regula os centros prestadores destes tratamentos, explica que têm sobretudo “dado continuidade e não procurado fazer grandes transformações” à legislação em Portugal. A comissão tem, por isso, apostado em “permitir que o avanço da ciência possa ser aplicado” no país e que a qualidade dos tratamentos disponibilizados seja garantida, independentemente da instituição onde os casais se dirigem.
Muito sofrimento para quem vive o processo
O juiz Eurico Reis recorda que infertilidade é um conceito mundialmente aceite e que está inclusive definido pela Organização Mundial de Saúde, pelo que qualquer decisão relacionada com o tema “deve evitar superficialidades e reconhecer que há muito sofrimento” para quem vive o processo. O responsável reconhece a existência de algumas assimetrias a nível nacional, nomeadamente a maior dificuldade de acesso a tratamentos em Lisboa, Alentejo e Algarve. Porém, perante a actual crise económica e financeira, o especialista teme um “retrocesso” na situação do país e que “os constrangimentos financeiros” se sobreponham contribuindo para reduzir ainda mais a taxa de natalidade – quando se prevê que este ano termine com menos de 90 mil bebés nascidos em Portugal, ou seja, menos que o número de óbitos.
Até à próxima oportunidade Margarida e o marido tentam continuar a aprender a lidar com o vazio e estudam alternativas. Leram que a acupunctura pode ajudar e vão tentar, mas uma parte da família mais próxima nem sequer sabe o que estão a atravessar. “É uma coisa nossa que preferimos viver sozinhos. Irrita-me ter de ouvir que é por andar nervosa ou ter toda a gente a dar palpites. Na altura dos tratamentos fui-me muito abaixo, mas é um problema nosso, que vivemos a dois, ainda que de maneiras diferentes. Somos um casal muito unido e continuaremos bem sem filhos, mas neste processo não se consegue pensar nem fazer mais nada”.
Uma postura diferente da de Ana Caniço, que encontrou na sua experiência pessoal uma boa oportunidade de divulgar o tema da infertilidade, tendo-se por isso juntado à Associação Portuguesa de Fertilidade, criada por Cláudia Vieira em 2006 quando se deparou com dificuldades em engravidar. Tinha 28 anos e estava casada há um ano quando sentiu que reunia todas as condições para ter filhos. Oito meses depois nada acontecia e pediu ajuda, até porque tinha um caso de infertilidade na família e “estava alerta”. Tinha uma das trompas obstruída e, a juntar-se a isso, havia um problema também na forma como os espermatozóides do seu marido se moviam. Ao terceiro tratamento engravidou de gémeos e pensou: “O difícil foi engravidar mas consegui”. Às 21 semanas foi surpreendida por contracções e perdeu o casal para o qual já tinha nomes. “É uma dor e um vazio tão grandes que pensei que nunca mais recuperava”. Nova gravidez, 15 dias depois novo aborto.
Era altura de deixar o serviço público onde tinha esgotado as tentativas. No primeiro tratamento numa clínica privada engravidou de Marta e de Margarida, curiosamente gémeas verdadeiras, agora com quatro anos e meio. “Foi uma gravidez vivida com contenção e entrei em trabalho de parto às 33 semanas. Nasceram com 1600 e 1380 quilogramas, mas recuperaram bem”, recorda. Cláudia e o marido sempre sonharam com uma família maior e arriscou mais um tratamento que foi certeiro. Agora as gémeas contam com o irmão Francisco, de dez meses. “Foi uma gravidez mais tranquila em que consegui manter a minha actividade profissional e passear na rua com as gémeas e a mostrar a barriga.” Cláudia, ultrapassado o choque inicial, optou por exteriorizar o que vivia e, perante a falta de informação e de um sítio onde procurar apoio, criou a associação à qual ainda dedica muito tempo. “Ainda existem muitas limitações de acessibilidade e procuramos ajudar as pessoas o mais cedo possível numa altura em que é tão importante renovar gerações”, sublinha.
Alberto Barros acredita que se os casais se abrirem com os amigos como fizeram Ana e Cláudia que isso ajuda: “Todo este processo custa sobretudo do pescoço para cima. O problema emocional é fundamental. Ainda há muitas pessoas que escondem o problema dos seus familiares mais próximos, mas dizer é uma forma de evitar que as pessoas continuem a perguntar quando é que vêm os filhos. A infertilidade é como as feridas. As feridas devem estar quietas e não se deve pôr a mão por cima desnecessariamente porque incomoda e quem está à volta deve perceber isso”.
“Não é uma doença aguda, é crónica e vai-se arrastando. A vivência das frustrações pode ser muito pesada. O oposto disso é o aparecimento de uma criança que em 80% dos casos anula o passado, mas há outros 20% em que se mantém mesmo nos que conseguem. As crianças que nascem destes esforços são um pouco nossas e os casais também sentem isso”, completa Calhaz Jorge. Aliás, Alberto Barros tem mesmo um dossier onde guarda algumas fotografias que os pais bem-sucedidos lhe enviam, recordando em especial um caso concretizado ao fim de 19 anos e meio de tentativas. “Mas há algo que ainda me toca mais, são as cartas e comentários que me são dirigidas de casais que foram tratados e que não tendo sucesso traduzem o reconhecimento do esforço que foi feito”, diz o médico. Defende por isso, que estas gravidezes de risco sejam tratadas com especial atenção. “Se todas as gravidezes devem andar ao colo, umas mais do que outras devem ter esse mesmo colo”, resume.
Perante tantas pedras no caminho, Ana continua a defender que se deve persistir “enquanto for menos doloroso tentar e enquanto houver clinicamente expectativas de que os tratamentos possam resultar. Agora quando a tentativa começa a ser mais difícil do que a ideia de não ter filhos deve haver um momento para parar”. Quanto a um terceiro filho... “Eu gostava, mas vou fazer uma quarta cesariana. Também não quero pedir demais”, refere enquanto olha para a barriga e faz uma nova festa a Rodrigo.
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/quando-e-preciso-dar-um-empurrao-a-cegonha-1575040
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Sol: 2012, o ano com menos bebés
A quebra acentuada da natalidade em Portugal tem sido vista como uma tendência dos últimos 30 anos, mas o ano de 2012 bateu todos os recordes. De acordo com dados relativos ao chamado 'teste do pezinho', este é o ano com menos nascimentos de que há registo.
Laura Vilarinho, directora do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce (vulgarmente conhecido por teste do pezinho), mostrou-se preocupada com a evolução da taxa de natalidade em Portugal. Em declarações à TSF, afirmou que nos primeiros nove meses do ano foram feitos cerca de 67 mil testes, ou seja, menos 6500 face ao mesmo período do ano passado.
Em Junho, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o número de nascimentos em Portugal foi precisamente de 6439, o que faz daquele o mês com menos nascimentos de que há registo nos últimos 60 anos.
Números que representam menos 19% de nascimentos face ao mesmo mês do ano passado, escreve a edição de hoje do Correio da Manhã.
Uma preocupação é partilhada pela demógrafa Maria João Rosa Valente, que garante serem precisas novas políticas de incentivo à natalidade, nomeadamente em termos de uma mais eficaz compatibilização entre os filhos e o trabalho, para inverter a situação.
Segundo a directora do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce, as expectativas para o futuro não são mais optimistas do que o cenário actual: até ao fim do ano, o número de bebés nascidos em Portugal não deverá ultrapassar os 90 mil.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=62311
Laura Vilarinho, directora do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce (vulgarmente conhecido por teste do pezinho), mostrou-se preocupada com a evolução da taxa de natalidade em Portugal. Em declarações à TSF, afirmou que nos primeiros nove meses do ano foram feitos cerca de 67 mil testes, ou seja, menos 6500 face ao mesmo período do ano passado.
Em Junho, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o número de nascimentos em Portugal foi precisamente de 6439, o que faz daquele o mês com menos nascimentos de que há registo nos últimos 60 anos.
Números que representam menos 19% de nascimentos face ao mesmo mês do ano passado, escreve a edição de hoje do Correio da Manhã.
Uma preocupação é partilhada pela demógrafa Maria João Rosa Valente, que garante serem precisas novas políticas de incentivo à natalidade, nomeadamente em termos de uma mais eficaz compatibilização entre os filhos e o trabalho, para inverter a situação.
Segundo a directora do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce, as expectativas para o futuro não são mais optimistas do que o cenário actual: até ao fim do ano, o número de bebés nascidos em Portugal não deverá ultrapassar os 90 mil.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=62311
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Correio da Manhã: Primeiro bebé concebido com sémen recolhido no banco público vai nascer este mês
O primeiro bebé concebido com recurso a sémen de dador do banco público de gâmetas vai nascer este mês, tendo as amostras recolhidas sido utilizadas para três dezenas de ciclos de tratamento contra a infertilidade.
Isabel Sousa Pereira, responsável pelo Banco Público de Gâmetas, instalado na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, disse que, desde que foi criado, foram realizados cerca de três dezenas de ciclos de tratamento através de Inseminação Intra-Uterina (IIU), Fertilização In Vitro (FIV) e Injeção Intra-Citoplasmática (ICSI) com sémen de dador.
Estes tratamentos apresentam uma taxa de gravidez de 23,1 por cento, o que "está dentro dos resultados esperados e cientificamente aceites", segundo Isabel Sousa Pereira. A especialista disse que, até ao momento, foram observados cerca de 100 candidatos a dador de sémen, embora nem todos tenham sido aceites por não respeitarem as regras protocoladas.
Dos candidatos masculinos aceites, dez terminaram a quarentena e as suas dádivas já têm vindo a ser usadas. A terminar a quarentena estão outros dez. No banco regista-se um menor número de candidatas femininas (dadoras de óvulos), tendo até hoje sido completados dois ciclos de tratamentos (FIV/ICSI) e estando em curso outros.
Isabel Sousa Pereira esclareceu que as doações só começaram a ser disponibilizadas a partir de fevereiro, pelo que os primeiros recém-nascidos de gravidez de termo só nascerão a partir do final deste mês e durante o mês de novembro. Ocorreu um parto, mas foi prematuro. Para já, as amostras - sémen e óvulos - ainda não estão a ser disponibilizadas para outras instituições públicas, pelo que os casais que necessitem de gâmetas doadas têm de ser atendidos no Centro Hospitalar do Porto.
O Banco Português de Gâmetas é financiado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo a sua criação sido autorizada pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2011.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/primeiro-bebe-concebido-com-semen-recolhido-no-banco-publico-vai-nascer-este-mes
Isabel Sousa Pereira, responsável pelo Banco Público de Gâmetas, instalado na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, disse que, desde que foi criado, foram realizados cerca de três dezenas de ciclos de tratamento através de Inseminação Intra-Uterina (IIU), Fertilização In Vitro (FIV) e Injeção Intra-Citoplasmática (ICSI) com sémen de dador.
Estes tratamentos apresentam uma taxa de gravidez de 23,1 por cento, o que "está dentro dos resultados esperados e cientificamente aceites", segundo Isabel Sousa Pereira. A especialista disse que, até ao momento, foram observados cerca de 100 candidatos a dador de sémen, embora nem todos tenham sido aceites por não respeitarem as regras protocoladas.
Dos candidatos masculinos aceites, dez terminaram a quarentena e as suas dádivas já têm vindo a ser usadas. A terminar a quarentena estão outros dez. No banco regista-se um menor número de candidatas femininas (dadoras de óvulos), tendo até hoje sido completados dois ciclos de tratamentos (FIV/ICSI) e estando em curso outros.
Isabel Sousa Pereira esclareceu que as doações só começaram a ser disponibilizadas a partir de fevereiro, pelo que os primeiros recém-nascidos de gravidez de termo só nascerão a partir do final deste mês e durante o mês de novembro. Ocorreu um parto, mas foi prematuro. Para já, as amostras - sémen e óvulos - ainda não estão a ser disponibilizadas para outras instituições públicas, pelo que os casais que necessitem de gâmetas doadas têm de ser atendidos no Centro Hospitalar do Porto.
O Banco Português de Gâmetas é financiado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo a sua criação sido autorizada pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2011.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/primeiro-bebe-concebido-com-semen-recolhido-no-banco-publico-vai-nascer-este-mes
sábado, 6 de outubro de 2012
Diário Digital: Abortos induzidos aumentam risco de partos prematuros
Investigadores analisaram os registos de 300.858 mulheres que deram à luz pela primeira vez numa gestação única (de um só bebé), de 1996 a 2008, e compararam os dados com o registo de abortos induzidos de 1983 a 2008. A análise foi publicada online no jornal Human Reproduction.
Após levar em conta factores como tabagismo, histórico de abortos, nível sócio-económico e outros, os pesquisadores descobriram que o risco de partos extremamente prematuros, ocorridos antes da 29ª semana de gestação, aumentava com o total de abortos aos quais a gestante tinha se submetido antes da gestação: 19 por cento se 1 aborto, 69 por cento no caso de 2, e 278 por cento se fossem 3.
Eles também descobriram um aumento do risco de parto prematuro (ocorrido antes da 37ª semana de gestação) e de peso baixo ao nascer, mas apenas nas mulheres que haviam realizado três ou mais abortos.
Os autores avisam que variáveis desconhecidas podem ter influenciado as descobertas e que o seu estudo não estabelece uma relação de causa e efeito. Contudo, acreditam que a descoberta pode ser explicada por infecções que algumas vezes ocorrem antes e depois da cirurgia de aborto.
«O risco é baixo», afirmou a principal autora do estudo, Reija Klemetti, do Instituto Nacional de Saúde e Bem-Estar da Finlândia, «e o aborto é um procedimento cirúrgico seguro. Mas submeter-se a mais de dois abortos pode trazer sequelas e essa informação deve ser incluída nos programas de educação sexual».
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=592521
Após levar em conta factores como tabagismo, histórico de abortos, nível sócio-económico e outros, os pesquisadores descobriram que o risco de partos extremamente prematuros, ocorridos antes da 29ª semana de gestação, aumentava com o total de abortos aos quais a gestante tinha se submetido antes da gestação: 19 por cento se 1 aborto, 69 por cento no caso de 2, e 278 por cento se fossem 3.
Eles também descobriram um aumento do risco de parto prematuro (ocorrido antes da 37ª semana de gestação) e de peso baixo ao nascer, mas apenas nas mulheres que haviam realizado três ou mais abortos.
Os autores avisam que variáveis desconhecidas podem ter influenciado as descobertas e que o seu estudo não estabelece uma relação de causa e efeito. Contudo, acreditam que a descoberta pode ser explicada por infecções que algumas vezes ocorrem antes e depois da cirurgia de aborto.
«O risco é baixo», afirmou a principal autora do estudo, Reija Klemetti, do Instituto Nacional de Saúde e Bem-Estar da Finlândia, «e o aborto é um procedimento cirúrgico seguro. Mas submeter-se a mais de dois abortos pode trazer sequelas e essa informação deve ser incluída nos programas de educação sexual».
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=592521
sábado, 29 de setembro de 2012
Sol: Mulheres com útero transplantado tentam engravidar
O caso é inédito. Duas mulheres suecas fizeram uma cirurgia de transplante dos úteros das respectivas mães e esperam agora conseguir engravidar. A operação foi um sucesso, mas a prova só estará superada quando os desejados bebés nascerem saudáveis.
A possibilidade teórica de transplantar úteros para engravidar não é nova. Diversos estudos em todo o mundo têm tentado caminhar nesse sentido, especialmente nos casos de cancro, em que o útero é retirado às mulheres.
Neste caso concreto, uma das mulheres nasceu sem útero e a outra foi obrigada a remover há vários anos devido a cancro. Ambas têm idades que rondam os 30 anos.
Anteriores tentativas não foram bem sucedidas a longo prazo, uma vez que o órgão acaba por ser rejeitado pelo novo corpo. Segundo o especialista sueco Michael Olausson, em teoria, o risco de rejeição é menor quando o dador é um membro da família mas, mais do que isso, quando «existe uma ligação emocional» entre ambos. Sendo a mãe a dadora, o caso das duas mulheres suecas parece ter tudo para dar certo.
Apesar de os transplantes terem corrido sem quaisquer complicações clínicas, «só podemos falar de um sucesso completo quando o procedimento resultar efectivamente em bebés», disse Michael Olausson, que foi um dos cirurgiões responsáveis.
Depois da operação, o passo seguinte é impedir a rejeição. Para isso, as duas mulheres (que não foram identificadas) não vão estar sujeitas a qualquer tratamento de fertilidade durante um ano para que os médicos possam monitorizar a resposta dos seus organismos à medicação que pretende impedir o sistema imunitário de atacar o novo órgão reprodutor.
Uma vez considerado aceite, deverão dar continuidade aos tratamentos de fertilização in-vitro que suspenderam antes da operação, e esperar que todo o procedimento se traduza nos desejados embriões.
http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=59383
A possibilidade teórica de transplantar úteros para engravidar não é nova. Diversos estudos em todo o mundo têm tentado caminhar nesse sentido, especialmente nos casos de cancro, em que o útero é retirado às mulheres.
Neste caso concreto, uma das mulheres nasceu sem útero e a outra foi obrigada a remover há vários anos devido a cancro. Ambas têm idades que rondam os 30 anos.
Anteriores tentativas não foram bem sucedidas a longo prazo, uma vez que o órgão acaba por ser rejeitado pelo novo corpo. Segundo o especialista sueco Michael Olausson, em teoria, o risco de rejeição é menor quando o dador é um membro da família mas, mais do que isso, quando «existe uma ligação emocional» entre ambos. Sendo a mãe a dadora, o caso das duas mulheres suecas parece ter tudo para dar certo.
Apesar de os transplantes terem corrido sem quaisquer complicações clínicas, «só podemos falar de um sucesso completo quando o procedimento resultar efectivamente em bebés», disse Michael Olausson, que foi um dos cirurgiões responsáveis.
Depois da operação, o passo seguinte é impedir a rejeição. Para isso, as duas mulheres (que não foram identificadas) não vão estar sujeitas a qualquer tratamento de fertilidade durante um ano para que os médicos possam monitorizar a resposta dos seus organismos à medicação que pretende impedir o sistema imunitário de atacar o novo órgão reprodutor.
Uma vez considerado aceite, deverão dar continuidade aos tratamentos de fertilização in-vitro que suspenderam antes da operação, e esperar que todo o procedimento se traduza nos desejados embriões.
http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=59383
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Diário Digital: Estudo: Comer nozes melhora a qualidade do esperma
Comer 75 gramas de nozes por dia melhora a vitalidade, a mobilidade e a morfologia dos espermatozóides nos homens de entre 21 e 35 anos, segundo um artigo publicado na revista Biology of Reproduction.
Aproximadamente 70 milhões de casais têm problemas de fertilidade no mundo, segundo a publicação, que indica que entre 30% e 50% dos casos podem ser atribuídos aos homens.
Alguns estudos sugerem que a qualidade do sémen humano diminuiu nos países industrializados, possivelmente devido à poluição, aos maus hábitos de estilo de vida e a uma dieta ao estilo ocidental.
Wendie Robbins, da Universidade da Califórnia, e a sua equipa averiguaram se o aumento dos ácidos gordos polinsaturados (AGP), que são fundamentais para o amadurecimento dos espermatozóides pode aumentar a qualidade do esperma nos homens que consomem uma dieta ocidental.
Segundo os especialistas, as melhores fontes para encontrar estes ácidos gordos neste tipo de dieta são os peixes e os suplementos de azeite de peixe, as sementes de linhaça e as nozes, que são especialmente ricas em ómega 3.
Os pesquisadores seleccionaram 117 homens saudáveis de idades entre 21 e 35 anos que consumiam uma dieta ocidental e dividiram-nos em dois grupos: um com 58 membros que evitaram o consumo de frutos secos e outro, com 59, que comeram 75 gramas de nozes por dia.
O sémen dos participantes foi examinado no início e no final da experiência que durou 12 semanas e os especialistas não encontraram mudanças significativos no índice de massa corporal, peso ou nível de actividade em ambos os grupos.
No entanto, detectaram que os que tinham consumido nozes haviam aumentado de maneira significativa os níveis de ácidos gordos ómega 6 e ómega 3, e tiveram uma melhoria na vitalidade, movimento e morfologia dos seus espermatozóides, enquanto o outro grupo não experimentou mudanças.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=587857
Aproximadamente 70 milhões de casais têm problemas de fertilidade no mundo, segundo a publicação, que indica que entre 30% e 50% dos casos podem ser atribuídos aos homens.
Alguns estudos sugerem que a qualidade do sémen humano diminuiu nos países industrializados, possivelmente devido à poluição, aos maus hábitos de estilo de vida e a uma dieta ao estilo ocidental.
Wendie Robbins, da Universidade da Califórnia, e a sua equipa averiguaram se o aumento dos ácidos gordos polinsaturados (AGP), que são fundamentais para o amadurecimento dos espermatozóides pode aumentar a qualidade do esperma nos homens que consomem uma dieta ocidental.
Segundo os especialistas, as melhores fontes para encontrar estes ácidos gordos neste tipo de dieta são os peixes e os suplementos de azeite de peixe, as sementes de linhaça e as nozes, que são especialmente ricas em ómega 3.
Os pesquisadores seleccionaram 117 homens saudáveis de idades entre 21 e 35 anos que consumiam uma dieta ocidental e dividiram-nos em dois grupos: um com 58 membros que evitaram o consumo de frutos secos e outro, com 59, que comeram 75 gramas de nozes por dia.
O sémen dos participantes foi examinado no início e no final da experiência que durou 12 semanas e os especialistas não encontraram mudanças significativos no índice de massa corporal, peso ou nível de actividade em ambos os grupos.
No entanto, detectaram que os que tinham consumido nozes haviam aumentado de maneira significativa os níveis de ácidos gordos ómega 6 e ómega 3, e tiveram uma melhoria na vitalidade, movimento e morfologia dos seus espermatozóides, enquanto o outro grupo não experimentou mudanças.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=587857
domingo, 5 de agosto de 2012
Diário Digital: Depressão na gravidez pode estimular parto prematuro
As mulheres que têm sintomas de depressão durante a gravidez sofrem maiores riscos de ter um parto prematuro, sugere um novo estudo desenvolvido na Universidade de Chicago (EUA). Os resultados foram publicados na revista American Journal of Obstetrics & Gynecology.
Os cientistas acompanharam mais de 14 mil mulheres grávidas durante toda a gestação. Segundo os dados recolhidos, as mulheres que apresentaram depressão antes e durante a gravidez eram 30% mais propensas a ter um parto prematuro do que aquelas sem o quadro clínico.
No entanto, os autores ainda não podem estabelecer uma relação de causa e efeito, já que existem outras variáveis para serem consideradas, como tabaco, hábitos alimentares durante a gravidez e o peso da mãe antes e durante a gestação. Mesmo assim, eles afirmam que os resultados combinam com estudos anteriores sobre o assunto. É importante alertar as mães com depressão sobre os sinais de um parto prematuro e como agir nesses casos.
Há algumas mudanças de hábitos que a mulher deve realizar em nome do desenvolvimento de uma gestação tranquila e livre de incómodos. Os ginecologistas Denis José Nascimento, presidente da comissão de gravidez de alto risco da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) e Mário Martinez, obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, listam os tópicos que merecem atenção especial durante os nove meses:
Tomar banhos muito quentes
«A gestante tem os vasos naturalmente mais abertos para facilitar a troca de sangue com o seu bebé, e a água quente do banho ou da sauna aumenta ainda mais essa dilatação, causando quebras de tensão», explica Mário Martinez.
Usar hidratantes com elevadas doses de ureia
O uso da ureia durante a gravidez não é indicado pela Anvisa, pois trata-se de uma substância tóxica que pode prejudicar o bebé. Como alternativa, os especialistas indicam os óleos de sementes de uva e de amêndoas, que penetram na pele, hidratam e não fazem mal ao bebé.
Pintar o cabelo
Tintas e alisamentos são tóxicos para o bebé. «Alguns produtos sem amónia podem ser usados, desde que não entrem em contacto com a raiz do cabelo», afirma o obstetra Mário. «Mesmo assim, o ideal é levar a embalagem ao médico na consulta pré-natal e pedir a opinião dele.»
Abusar do peso na musculação
A actividade física é altamente recomendada neste período, mas a mulher precisa de ter cuidado com os exageros. Erguer demasiado peso, segundo o ginecologista Denis, causa lombalgia, e pode até levar a um parto prematuro.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=585064
Os cientistas acompanharam mais de 14 mil mulheres grávidas durante toda a gestação. Segundo os dados recolhidos, as mulheres que apresentaram depressão antes e durante a gravidez eram 30% mais propensas a ter um parto prematuro do que aquelas sem o quadro clínico.
No entanto, os autores ainda não podem estabelecer uma relação de causa e efeito, já que existem outras variáveis para serem consideradas, como tabaco, hábitos alimentares durante a gravidez e o peso da mãe antes e durante a gestação. Mesmo assim, eles afirmam que os resultados combinam com estudos anteriores sobre o assunto. É importante alertar as mães com depressão sobre os sinais de um parto prematuro e como agir nesses casos.
Há algumas mudanças de hábitos que a mulher deve realizar em nome do desenvolvimento de uma gestação tranquila e livre de incómodos. Os ginecologistas Denis José Nascimento, presidente da comissão de gravidez de alto risco da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) e Mário Martinez, obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, listam os tópicos que merecem atenção especial durante os nove meses:
Tomar banhos muito quentes
«A gestante tem os vasos naturalmente mais abertos para facilitar a troca de sangue com o seu bebé, e a água quente do banho ou da sauna aumenta ainda mais essa dilatação, causando quebras de tensão», explica Mário Martinez.
Usar hidratantes com elevadas doses de ureia
O uso da ureia durante a gravidez não é indicado pela Anvisa, pois trata-se de uma substância tóxica que pode prejudicar o bebé. Como alternativa, os especialistas indicam os óleos de sementes de uva e de amêndoas, que penetram na pele, hidratam e não fazem mal ao bebé.
Pintar o cabelo
Tintas e alisamentos são tóxicos para o bebé. «Alguns produtos sem amónia podem ser usados, desde que não entrem em contacto com a raiz do cabelo», afirma o obstetra Mário. «Mesmo assim, o ideal é levar a embalagem ao médico na consulta pré-natal e pedir a opinião dele.»
Abusar do peso na musculação
A actividade física é altamente recomendada neste período, mas a mulher precisa de ter cuidado com os exageros. Erguer demasiado peso, segundo o ginecologista Denis, causa lombalgia, e pode até levar a um parto prematuro.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=585064
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Diário Digital: Grávidas que passam muito tempo de pé podem prejudicar tamanho do bebé
As grávidas que passam longas horas de pé, por exemplo no trabalho, podem estar a prejudicar o tamanho do bebé, indica um estudo liderado por investigadores holandeses de Roterdão publicado esta semana na revista «Occupational and Environmental Medicine». O estudo conclui que «longos períodos em pé e elevadas cargas horárias semanais durante a gravidez parecem influenciar negativamente o crescimento do feto».
Os investigadores acompanharam a gravidez de 4.680 mulheres entre 2002 e 2006. Após o parto efectuaram medições dos bebés e relacionaram as dimensões dos recém-nascidos com as profissões exercidas pelas mães.
Entre as conclusões do estudo destaca-se o facto de as mulheres que têm profissões em que passam muito tempo de pé têm bebés com a cabeça aproximadamente 3% inferior à média.
Os investigadores analisaram mulheres que passavam muito tempo de pé (38,5%), ou que tinham de caminhar bastante (45,5%), bem como outras cujo trabalho implica levantar pesos (6%) e as que trabalham em turnos nocturnos (4%).
Também a carga horária semanal das grávidas foi analisada, tendo-se verificado que 47,5% trabalhavam 25 a 39 horas semanais e 23% superavam as 40 horas semanais.
As mulheres que trabalhavam mais de 40 horas por semana deram à luz bebés com um diâmetro de cabeça um centímetro inferior aos filhos das mulheres que trabalhavam menos de 25 horas semanais. Também o peso dos recém-nascidos das primeiras era inferior.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=579842
Os investigadores acompanharam a gravidez de 4.680 mulheres entre 2002 e 2006. Após o parto efectuaram medições dos bebés e relacionaram as dimensões dos recém-nascidos com as profissões exercidas pelas mães.
Entre as conclusões do estudo destaca-se o facto de as mulheres que têm profissões em que passam muito tempo de pé têm bebés com a cabeça aproximadamente 3% inferior à média.
Os investigadores analisaram mulheres que passavam muito tempo de pé (38,5%), ou que tinham de caminhar bastante (45,5%), bem como outras cujo trabalho implica levantar pesos (6%) e as que trabalham em turnos nocturnos (4%).
Também a carga horária semanal das grávidas foi analisada, tendo-se verificado que 47,5% trabalhavam 25 a 39 horas semanais e 23% superavam as 40 horas semanais.
As mulheres que trabalhavam mais de 40 horas por semana deram à luz bebés com um diâmetro de cabeça um centímetro inferior aos filhos das mulheres que trabalhavam menos de 25 horas semanais. Também o peso dos recém-nascidos das primeiras era inferior.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=579842
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Diário Digital: EUA: Médicos extraíram com sucesso tumor na boca de bebé no útero da mãe
Uma equipa de médicos norte-americanos extraíram um tumor na boca de um bebé quando estava no útero da mãe, naquela que foi a primeira cirurgia do género.
Os cirurgiões da Universidade de Miami e do Jackson Memorial Hospital, Riuben Quintero e Eftichia Kontopoulos, informaram na quinta-feira que a operação que durou pouco mais de uma hora foi realizada em 2010, tendo conseguido extrair, com laser, o tumor que tinha o tamanho de uma bola de ténis.
A criança, Leyna Mykaella González, de 20 meses, nasceu saudável e com uma pequena cicatriz na boca.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=578795
Os cirurgiões da Universidade de Miami e do Jackson Memorial Hospital, Riuben Quintero e Eftichia Kontopoulos, informaram na quinta-feira que a operação que durou pouco mais de uma hora foi realizada em 2010, tendo conseguido extrair, com laser, o tumor que tinha o tamanho de uma bola de ténis.
A criança, Leyna Mykaella González, de 20 meses, nasceu saudável e com uma pequena cicatriz na boca.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=578795
Sol: Contracepção: Maioria das mulheres desconhece alternativas à pílula
Um estudo internacional sobre contracepção, que é apresentado hoje em Atenas, revelou que persistem «importantes lacunas» ao nível do conhecimento e também mitos e conceitos errados sobre os métodos contraceptivos utilizados pelas mulheres.
Os autores do inquérito – a que a Lusa teve acesso – evidenciam «uma clara necessidade em aumentar a consciencialização sobre as opções existentes e disponíveis na área da contracepção e, ao mesmo tempo, proporcionar um melhor conhecimento para que as mulheres possam tomar decisões informadas».
Uma em dez mulheres afirmou erradamente que os contraceptivos de longa-duração não são tão eficazes como a pílula na prevenção da gravidez e que esses métodos, como os sistemas intra-uterinos e o implante, por exemplo, são soluções permanentes, ou seja, irreversíveis.
O estudo “I Plan On…” foi conduzido pela empresa independente de pesquisa Growth for Knowledge (GfK) em nove países - Austrália, Brasil, França, Alemanha, México, Rússia, Espanha, Reino Unido e EUA - entre 22 de Setembro a 06 de Outubro de 2011. Foram inquiridas a partir de um questionário online 4.199 mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.
Aproximadamente metade das mulheres analisadas (44 por cento) estão actualmente a usar a pílula como método contraceptivo, o preservativo foi referenciado por 38 por cento das inquiridas, como forma de contracepção, apenas dois por cento utiliza actualmente o implante, três por cento o anel vaginal e quatro por cento o dispositivo intra-uterino.
Mais de dois terços das mulheres analisadas neste estudo (68%) responderam que não estão a planear uma gravidez num futuro próximo ou de forma nenhuma. Cerca de metade (48%) mencionou que pretende primeiro atingir os seus objectivos de vida, enquanto 39 por cento apresentou como razão as restrições financeiras.
A maioria dos profissionais de saúde apresenta a pílula e o preservativo como os métodos-chave de contracepção. Apenas 16 por cento das inquiridas disseram que o seu médico lhes falou do anel vaginal, 13 por cento do implante e 19 por cento debateram o Dispositivo Intra-uterino (DIU) com o seu médico.
O estudo «I Plan On…» conclui ainda que mais de um quarto das mulheres acreditam que as pílulas anticoncepcionais são eficazes, independentemente da altura em que são tomadas, quando na realidade, são mais eficazes se tomadas na mesma altura do dia.
Cerca de metade das mulheres analisadas acredita que todas as formas de contracepção obriga-as a fazer algo regularmente (ou seja, tomar ou aplicar) para que estes sejam eficazes e cada três em quatro julga que todos os tipos de contracepção exigem, pelo menos, visitas anuais com um profissional de saúde para obter uma prescrição. O facto é que nem todos os contraceptivos necessitam de administração ou aplicação regular pelo utilizador de forma a ser eficaz.
Em declarações à Lusa, a ginecologista Ana Rosa Costa disse não ter ficado surpreendida com os resultados deste inquérito, considerando que, apesar de não ter incluído Portugal, «se calhar na nossa população, os resultados seriam os mesmos».
A contracepção oral é a escolha da maior parte das mulheres, «provavelmente porque têm falta de informação e de aconselhamento por parte dos médicos quando vão à procura de um método contraceptivo, ou porque a pílula já era usada na família e pelas amigas», disse a médica.
Ana Rosa Costa referiu que «as mulheres ainda confundem alguns métodos alternativos com a laqueação, quando na realidade são reversíveis, têm uma eficácia elevadíssima e alguns têm algum efeito terapêuticos».
Aliás, salientou a especialista, os sistemas intra-uterinos ou mesmo o implante «são métodos que acabam por ter um custo-eficácia superior ao contraceptivo hormonal por via oral».
«São comparticipados, são de longa duração e se forem retirados quando acaba o prazo acabam por ficar mais económicos do que estar a fazer pílula diária ou, mesmo, a interrupção da gravidez, que acarreta muitos custos para a sociedade, apesar de ser legal até às 10 semanas», acrescentou.
O estudo é apresentado no 12.º Congresso da Sociedade Europeia da Contraceção que decorre, em Atenas, na Grécia, até sábado.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=52556
Os autores do inquérito – a que a Lusa teve acesso – evidenciam «uma clara necessidade em aumentar a consciencialização sobre as opções existentes e disponíveis na área da contracepção e, ao mesmo tempo, proporcionar um melhor conhecimento para que as mulheres possam tomar decisões informadas».
Uma em dez mulheres afirmou erradamente que os contraceptivos de longa-duração não são tão eficazes como a pílula na prevenção da gravidez e que esses métodos, como os sistemas intra-uterinos e o implante, por exemplo, são soluções permanentes, ou seja, irreversíveis.
O estudo “I Plan On…” foi conduzido pela empresa independente de pesquisa Growth for Knowledge (GfK) em nove países - Austrália, Brasil, França, Alemanha, México, Rússia, Espanha, Reino Unido e EUA - entre 22 de Setembro a 06 de Outubro de 2011. Foram inquiridas a partir de um questionário online 4.199 mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.
Aproximadamente metade das mulheres analisadas (44 por cento) estão actualmente a usar a pílula como método contraceptivo, o preservativo foi referenciado por 38 por cento das inquiridas, como forma de contracepção, apenas dois por cento utiliza actualmente o implante, três por cento o anel vaginal e quatro por cento o dispositivo intra-uterino.
Mais de dois terços das mulheres analisadas neste estudo (68%) responderam que não estão a planear uma gravidez num futuro próximo ou de forma nenhuma. Cerca de metade (48%) mencionou que pretende primeiro atingir os seus objectivos de vida, enquanto 39 por cento apresentou como razão as restrições financeiras.
A maioria dos profissionais de saúde apresenta a pílula e o preservativo como os métodos-chave de contracepção. Apenas 16 por cento das inquiridas disseram que o seu médico lhes falou do anel vaginal, 13 por cento do implante e 19 por cento debateram o Dispositivo Intra-uterino (DIU) com o seu médico.
O estudo «I Plan On…» conclui ainda que mais de um quarto das mulheres acreditam que as pílulas anticoncepcionais são eficazes, independentemente da altura em que são tomadas, quando na realidade, são mais eficazes se tomadas na mesma altura do dia.
Cerca de metade das mulheres analisadas acredita que todas as formas de contracepção obriga-as a fazer algo regularmente (ou seja, tomar ou aplicar) para que estes sejam eficazes e cada três em quatro julga que todos os tipos de contracepção exigem, pelo menos, visitas anuais com um profissional de saúde para obter uma prescrição. O facto é que nem todos os contraceptivos necessitam de administração ou aplicação regular pelo utilizador de forma a ser eficaz.
Em declarações à Lusa, a ginecologista Ana Rosa Costa disse não ter ficado surpreendida com os resultados deste inquérito, considerando que, apesar de não ter incluído Portugal, «se calhar na nossa população, os resultados seriam os mesmos».
A contracepção oral é a escolha da maior parte das mulheres, «provavelmente porque têm falta de informação e de aconselhamento por parte dos médicos quando vão à procura de um método contraceptivo, ou porque a pílula já era usada na família e pelas amigas», disse a médica.
Ana Rosa Costa referiu que «as mulheres ainda confundem alguns métodos alternativos com a laqueação, quando na realidade são reversíveis, têm uma eficácia elevadíssima e alguns têm algum efeito terapêuticos».
Aliás, salientou a especialista, os sistemas intra-uterinos ou mesmo o implante «são métodos que acabam por ter um custo-eficácia superior ao contraceptivo hormonal por via oral».
«São comparticipados, são de longa duração e se forem retirados quando acaba o prazo acabam por ficar mais económicos do que estar a fazer pílula diária ou, mesmo, a interrupção da gravidez, que acarreta muitos custos para a sociedade, apesar de ser legal até às 10 semanas», acrescentou.
O estudo é apresentado no 12.º Congresso da Sociedade Europeia da Contraceção que decorre, em Atenas, na Grécia, até sábado.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=52556
sábado, 23 de junho de 2012
i online: Fertilidade. Casais adiam tratamentos devido ao custo da medicação
Há casais a adiar tratamentos de fertilidade por causa do custo da medicação. O alerta é da presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR), Teresa Almeida Santos, médica do Centro Hospital Universitário de Coimbra. A especialista diz que as dificuldades têm vindo a agravar-se, tendo conhecimento de uma dezena de casais que já podiam ter começado o tratamento mas recusaram continuar por não conseguir pagar as hormonas necessárias para a estimulação ovárica (gonadotrofinas), que rondam os mil euros.
“Muitas vezes têm de gastar este valor no espaço de duas semanas e há casais a pedir alternativas menos eficazes mas mais baratas”, adverte Teresa Almeida Santos, ressalvando que mesmo nas condições ideais só um terço dos ciclos iniciados tem sucesso. As situações de desemprego ou suspensão de subsídios são algumas das justificações. Teresa Almeida Santos defende que a resposta do Estado a esta dificuldade devia ser mais assertiva. “Como acontece com os contracepção, esta medicação devia ter compar- ticipação total e não a 69%. A política no sentido de aumentar o acesso aos tratamentos de procriação assistida já deu frutos, mas receio que perante a actual conjuntura haja um recuo.” Que vai sair mais caro: “Temos o país com a mais baixa taxa de natalidade da Europa e não conseguimos proporcionar o nascimento de filhos aos casais que as desejam. Se adiamos os tratamentos porque não temos condições económicas, adiamos ainda mais a idade das mães. Não deve ser o timing económico a determinar o tratamento.”
Monitorização no papel O alerta surge a propósito do Dia da Fertilidade, que se assinala amanhã. Numa sessão formativa com jornalistas, a especialista questionou o facto de não ter sido implementado ainda a nível nacional o sistema FERTIS, projecto prometido desde 2009 pelo Ministério da Saúde para monitorizar listas de espera para tratamentos de infertilidade e agilizar a referenciação. “Sabemos que a norte de Lisboa não há listas de esperas, mas não temos conhecimento da realidade epidemiológica. Há casais inscritos em mais de um centro e a referenciação para o privado aconteceu umas escassas dezenas de vezes.” Almeida Santos considerou ainda que o actual modelo de financiamento destes tratamentos através de incentivos aos centros públicos que os fazem dá azo a diferentes interpretações: as instruções da Administração Central do Sistema de Saúde são para financiar um ciclo de tratamentos por casal/ano, ficando a actividade contratada aquém do que é realizado nos serviços. Na prática, as administrações decidem se continuam além do contratualizado ou se fazem mais de um ciclo, sendo o limite financiado de três.
Teresa Almeida Santos revelou os últimos dados sobre tratamentos, por publicar: em 2010 realizaram-se 6865 ciclos das diferentes técnicas de procriação, mais do dobro de em 2008. Destes resultaram 1233 partos, alguns de gémeos.
http://www.ionline.pt/portugal/fertilidade-casais-adiam-tratamentos-devido-ao-custo-da-medicacao
“Muitas vezes têm de gastar este valor no espaço de duas semanas e há casais a pedir alternativas menos eficazes mas mais baratas”, adverte Teresa Almeida Santos, ressalvando que mesmo nas condições ideais só um terço dos ciclos iniciados tem sucesso. As situações de desemprego ou suspensão de subsídios são algumas das justificações. Teresa Almeida Santos defende que a resposta do Estado a esta dificuldade devia ser mais assertiva. “Como acontece com os contracepção, esta medicação devia ter compar- ticipação total e não a 69%. A política no sentido de aumentar o acesso aos tratamentos de procriação assistida já deu frutos, mas receio que perante a actual conjuntura haja um recuo.” Que vai sair mais caro: “Temos o país com a mais baixa taxa de natalidade da Europa e não conseguimos proporcionar o nascimento de filhos aos casais que as desejam. Se adiamos os tratamentos porque não temos condições económicas, adiamos ainda mais a idade das mães. Não deve ser o timing económico a determinar o tratamento.”
Monitorização no papel O alerta surge a propósito do Dia da Fertilidade, que se assinala amanhã. Numa sessão formativa com jornalistas, a especialista questionou o facto de não ter sido implementado ainda a nível nacional o sistema FERTIS, projecto prometido desde 2009 pelo Ministério da Saúde para monitorizar listas de espera para tratamentos de infertilidade e agilizar a referenciação. “Sabemos que a norte de Lisboa não há listas de esperas, mas não temos conhecimento da realidade epidemiológica. Há casais inscritos em mais de um centro e a referenciação para o privado aconteceu umas escassas dezenas de vezes.” Almeida Santos considerou ainda que o actual modelo de financiamento destes tratamentos através de incentivos aos centros públicos que os fazem dá azo a diferentes interpretações: as instruções da Administração Central do Sistema de Saúde são para financiar um ciclo de tratamentos por casal/ano, ficando a actividade contratada aquém do que é realizado nos serviços. Na prática, as administrações decidem se continuam além do contratualizado ou se fazem mais de um ciclo, sendo o limite financiado de três.
Teresa Almeida Santos revelou os últimos dados sobre tratamentos, por publicar: em 2010 realizaram-se 6865 ciclos das diferentes técnicas de procriação, mais do dobro de em 2008. Destes resultaram 1233 partos, alguns de gémeos.
http://www.ionline.pt/portugal/fertilidade-casais-adiam-tratamentos-devido-ao-custo-da-medicacao
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Diário de Notícias: Incentivo à natalidade contra aumento da idade da reforma
A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas defende mais incentivos à natalidade, como alternativa ao aumento da idade da reforma, e o recurso a planos de pensões privados propostos pela OCDE, como caminho para garantir a sustentabilidade da Segurança Social.
Em comunicado, a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) critica o relatório divulgado na segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), defendendo que o aumento da esperança média de vida "não representa, por si só, uma diminuição da capacidade do Estado de pagar reformas".
"O que verdadeiramente tem feito aumentar a idade da reforma em Portugal e diminuir o seu valor é o cada vez mais baixo número de nascimentos", reitera a APFN.
A associação apela à adoção de mais medidas políticas de apoio à natalidade "com caráter de urgência" e recorda o caso francês, que aumentou o Índice Sintético de Fecundidade (ISF) para 2,1.
O ISF é o indicador estatístico que representa o número médio de crianças nascidas vivas por mulher em idade fértil (entre os 15 e 49 anos) ao longo de um ano. O valor de 2,1 é considerado como sendo aquele que permite assegurar a substituição de gerações.
A associação que representa as famílias numerosas em Portugal defende que o fator de sustentabilidade do sistema de Segurança Social em Portugal deve passar a ser a idade média da população, sublinhando que, com medidas políticas que permitam às famílias ter mais filhos, o valor da idade média da população portuguesa poderá estabilizar, ou até mesmo diminuir.
Desta forma, acrescenta a APFN, estaria garantida a substituição de gerações e o futuro do sistema da Segurança Social.
Um terço dos 34 países da OCDE aumentou ou vai aumentar em breve a idade da reforma para os 67 ou mais anos.
A conclusão foi divulgada na segunda-feira no relatório da OCDE "Pensions Outlook 2012", que recomenda aos seus membros o aumento da idade da reforma e o incentivo a planos de pensões privados, como forma de garantir a sustentabilidade do sistema público de pensões nos diferentes países.
Para a organização, tendo em conta que nos próximos 50 anos a esperança média de vida deverá aumentar mais de sete anos nas economias mais desenvolvidas, "os governos deverão trabalhar no sentido de adequar a idade da reforma à esperança média de vida", seguindo os exemplos de países como a Dinamarca ou a Itália.
Em Portugal, a atual idade para a reforma é de 65 anos.
A APFN foi constituída em 1999 e representa famílias com três ou mais filhos.
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2604162&page=-1
Em comunicado, a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) critica o relatório divulgado na segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), defendendo que o aumento da esperança média de vida "não representa, por si só, uma diminuição da capacidade do Estado de pagar reformas".
"O que verdadeiramente tem feito aumentar a idade da reforma em Portugal e diminuir o seu valor é o cada vez mais baixo número de nascimentos", reitera a APFN.
A associação apela à adoção de mais medidas políticas de apoio à natalidade "com caráter de urgência" e recorda o caso francês, que aumentou o Índice Sintético de Fecundidade (ISF) para 2,1.
O ISF é o indicador estatístico que representa o número médio de crianças nascidas vivas por mulher em idade fértil (entre os 15 e 49 anos) ao longo de um ano. O valor de 2,1 é considerado como sendo aquele que permite assegurar a substituição de gerações.
A associação que representa as famílias numerosas em Portugal defende que o fator de sustentabilidade do sistema de Segurança Social em Portugal deve passar a ser a idade média da população, sublinhando que, com medidas políticas que permitam às famílias ter mais filhos, o valor da idade média da população portuguesa poderá estabilizar, ou até mesmo diminuir.
Desta forma, acrescenta a APFN, estaria garantida a substituição de gerações e o futuro do sistema da Segurança Social.
Um terço dos 34 países da OCDE aumentou ou vai aumentar em breve a idade da reforma para os 67 ou mais anos.
A conclusão foi divulgada na segunda-feira no relatório da OCDE "Pensions Outlook 2012", que recomenda aos seus membros o aumento da idade da reforma e o incentivo a planos de pensões privados, como forma de garantir a sustentabilidade do sistema público de pensões nos diferentes países.
Para a organização, tendo em conta que nos próximos 50 anos a esperança média de vida deverá aumentar mais de sete anos nas economias mais desenvolvidas, "os governos deverão trabalhar no sentido de adequar a idade da reforma à esperança média de vida", seguindo os exemplos de países como a Dinamarca ou a Itália.
Em Portugal, a atual idade para a reforma é de 65 anos.
A APFN foi constituída em 1999 e representa famílias com três ou mais filhos.
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2604162&page=-1
sábado, 2 de junho de 2012
Diário Digital: Interrupções no sono podem causar infertilidade
Uma nova pesquisa feita com ratos de laboratório pode indicar que a interrupção ou a má qualidade do sono podem afectar a fertilidade. Numa experiência simples, investigadores deixaram as luzes do laboratório acesas até às 24:00, ao invés de desligá-las às 18:00 horas. Isso fez com que a taxa de fertilidade dos animais caísse 50%.
Mamíferos e até mesmo árvores são conhecidos por sincronizarem os seus relógios internos (ciclos cicardianos), responsáveis pelo controlo de diversas funções corporais, com o dia e a noite. Especialistas em fertilidade e nesses ciclos concordam que a experiência feita com os ratos mostra uma ligação forte entre o relógio interno do animal e a sua capacidade de conceber.
Para que os dados encontrados possam ser aplicados a humanos, mais estudos devem ser feitos sobre o tema.
A pesquisa foi desenvolvida na Universidade Northwestern (EUA) e publicada no PLoS ONE.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=575079
Mamíferos e até mesmo árvores são conhecidos por sincronizarem os seus relógios internos (ciclos cicardianos), responsáveis pelo controlo de diversas funções corporais, com o dia e a noite. Especialistas em fertilidade e nesses ciclos concordam que a experiência feita com os ratos mostra uma ligação forte entre o relógio interno do animal e a sua capacidade de conceber.
Para que os dados encontrados possam ser aplicados a humanos, mais estudos devem ser feitos sobre o tema.
A pesquisa foi desenvolvida na Universidade Northwestern (EUA) e publicada no PLoS ONE.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=575079
Subscrever:
Mensagens (Atom)