segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bom Ano Novo

Hoje transcrevo aqui parte da mensagem de Natal/Ano Novo que enviámos aos nossos amigos e familiares:

“Deixem as tristezas e os problemas em 2012 e aproveitem o 2013 para renovar esperanças, expectativas e empreender vontades no concretizar de desejos! Eles não se realizam só porque comemos umas passas ao sabor de champanhe.

“Como dizem os Maias, o Mundo não acabou, entrámos numa nova Era... Que seja uma Era melhor em que não ficamos sentados à espera que façam as coisas por nós, mas sim em que nós fazemos as coisas acontecer!”

Bom Ano Novo, alegre e sem excessos!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Diário Digital: Taxa de obesidade infantil nos EUA diminui pela primeira vez em 30 anos

A taxa de obesidade em crianças nos Estados Unidos diminuiu pela primeira vez, depois de mais do que triplicar nos últimos 30 anos, revelou um estudo dos Centros Americanos para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC).

A taxa de obesidade em crianças com idades entre os 2 e 4 anos de famílias de baixos rendimentos que beneficiaram de programas federais de alimentação atingiu um pico em 2004, antes de diminuir ligeiramente em 2010.

«Do nosso conhecimento, este é o primeiro estudo nacional que mostra que a prevalência da obesidade e obesidade extrema entre as crianças americanas começou a declinar», escreveu Liping Pan, principal autor do estudo publicado no Jornal da Associação Médica Americana.

«Os resultados deste estudo demonstram modestos progressos recentes na prevenção da obesidade entre as crianças. Eles podem ter consequências importantes por causa dos riscos da obesidade e da obesidade extrema na primeira infância para a saúde ao longo da vida», disse.

O estudo mostra que a obesidade é mais prevalente em famílias mais pobres e de minorias.

Os pesquisadores analisaram dados de um sistema de vigilância da nutrição pediátrica, que cobre quase metade das crianças elegíveis para os programas de ajuda alimentar federais.

Desta forma, foram capazes de ter acesso ao tamanho e peso de cerca de 27,5 milhões de crianças com idades compreendidas entre 2 e 4 anos, em 30 Estados do país.

Os números mostram que a taxa de obesidade das crianças aumentou de 13,05% em 1998 para 15,36% em 2004, antes de diminuir para 14,94% em 2010.

Já as taxas de obesidade extrema entre as crianças passaram de 1,75% em 1998 para 2,22% em 2004, antes de cair para 2,07% em 2010, segundo o estudo.

Mais de um terço das crianças americanas estavam acima do peso em 2008, de acordo com o CDC. A taxa de obesidade de crianças entre seis e 11 anos aumentou de 7% em 1980 para 20% em 2008. A dos adolescentes entre 12 e 19 anos passou de 5% a 18% durante o mesmo período.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608135

sábado, 29 de dezembro de 2012

Diário Digital: Antibióticos não funcionam contra tosse, diz estudo

Antibióticos são ineficazes para tratar pacientes com tosse persistente causada por infecções pulmonares, segundo um estudo publicado pela revista especializada Lancet.

O estudo, realizado com mais de 2.000 pacientes de 12 países europeus, verificou que a duração e a gravidade dos sintomas nos que foram tratados com antibióticos não foi diferente dos que foram tratados com placebos.

Mas especialistas advertem que em casos de suspeita de pneumonia, os antibióticos devem, ainda assim, ser usados, devido à gravidade da doença.

A pesquisa, realizada entre Novembro de 2007 e Abril de 2010 em países como a Bélgica, Grã-Bretanha, França e Alemanha, contou com a participação de 2.061 pacientes que apresentavam uma tosse persistente por mais de 28 dias, com suspeita de infecções pulmonares, como bronquite.

Os participantes preencheram um «diário da doença» ao longo do tratamento e classificaram a gravidade dos seus sintomas, que incluíam tosse, falta de ar, dores no peito e narizes entupidos.

Paul Little, da Universidade de Southampton, que liderou a pesquisa, afirmou: «a receita do antibiótico amoxicilina no tratamento de infecções respiratórias em pacientes em que não há suspeitas de pneumonia não deve contribuir para a melhoria do paciente e pode até provocar danos».

De acordo com o pesquisador, «a prescrição médica excessiva de antibióticos, especialmente quando eles são ineficazes, pode fazer com que estes pacientes desenvolvam resistência e sofram efeitos colaterais, como diarreia, alergias e vómitos».

«As nossas conclusões mostram que as pessoas estão melhores quando não tomam nada. Mas como um pequeno número de pacientes irá beneficiar dos efeitos dos antibióticos, o nosso desafio continua a ser identificar esses indivíduos», afirma.

Michael Moore, do Colégio Real de Clínicos Gerais da Grã-Bretanha e co-autor do estudo, afirmou que «é importante que clínicos gerais tenham conhecimento claro sobre quando podem ou não prescrever antibióticos para pacientes de modo a reduzir o aparecimento da resistência bacteriana».

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608056

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Diário Digital: Estudo: Meninos sentem mais dor que as meninas e a principal é a de barriga

Um estudo realizado pela Universidade do Porto a 8.647 crianças portuguesas, nascidas este milénio, indica que os meninos se queixam mais de dor do que as meninas, sendo a «dor de barriga» o principal mal de que padecem.

O estudo pioneiro em Portugal, denominado «Geração XXI», hoje apresentado no Porto, e cujos objectivos passam por conhecer o crescimento e desenvolvimento das crianças nascidas no início deste milénio, revela que do total dos rapazes avaliados 47% queixa-se de dor nos últimos três meses, enquanto que do total das meninas, queixam-se de dor 42%.

A dor de que as crianças mais se queixam é a «dor de barriga» (52,1%), logo seguida de dor de cabeça (44,4%) e «dor nas pernas» (36%). A dor de garganta e de dentes vem logo a seguir.

Dores de braços (6,6%), dores de peito (8,3%) e dores na zona pélvis (10,8%) são as dores de que as crianças se queixam menos.

No campo dos conflitos entre pais e filhos, o documento indica que quanto mais estudos têm os progenitores, mais se regista “disciplina não violenta”, ou seja, o mãe/pai explica ao filho o que “estava a fazer errado”, “tira regalias (brinquedos)”, ou põe-no de castigo (ficar no quarto).

Por outro lado, quanto menos estudos têm os progenitores mais maus tratos físicos (graves ou extremos) são inflingidos às crianças. Maus tratos físicos são, por exemplo, bater na criança em alguma parte do corpo, atirá-la para o chão ou bater-lhe com a mão fechada ou dar um pontapé com força.

Maus tratos físicos extremos são, definidos no estudo, o agarrar pelo pescoço e sacudir a criança, queimar ou derramar líquido quente nele de propósito ou ameaçar com uma arma branca ou de fogo.

O estudo revela também que perto de 40% das crianças portuguesas sofrem de peso a mais e que as meninas têm mais “excesso de peso” e “obesidade” do que os rapazes, havendo um agravamento de peso a mais dos quatro para os sete anos de idade.

Do total das crianças avaliadas, 34,7% das meninas tem peso a mais aos quatro anos de idade (23,1% sofre de excesso de peso e 11,6% sofre de obesidade), enquanto que nos meninos o peso a mais situa-se nos 31,7% (22% com excesso de peso e 9,7% com obesidade), lê-se no estudo.

O peso a mais nas crianças agrava-se dos quatro para os sete anos, principalmente no género masculino, que aumenta no campo da obesidade, por exemplo, de 9,7% para 15,9%, ou seja regista-se um aumento de 39%. Nas meninas há também um aumento de obesidade dos 11,6% para os 16,4%, ou seja mais 29,3% aos sete anos do que aos quatro anos de idade.

Um outro indicador do estudo é que o peso das crianças é tanto maior, quanto menor é a escolaridade da mãe.

A prevalência de excesso de peso e de obesidade nas crianças com sete anos de idade é na ordem dos 19,7% com as mães que têm o 9º ano de escolaridade ou menos, baixando para os 11,7% de crianças com peso a mais se as mães tiverem o 12º ano de escolaridade ou estudos superiores.

Uma outra conclusão do estudo é que os filhos de mães que apresentam excesso de peso ou obesidade, têm maior incidência de peso a mais.

Nas mães com obesidade, 30,7% dos seus filhos padecem também de obesidade aos sete anos de idade; e as progenitoras com excesso de peso, regista-se que 23% dos seus filhos sofrem também desse excesso.

As crianças avaliadas neste estudo pioneiro em Portugal nasceram todas entre abril de 2005 e agosto de 2006, em cinco maternidades públicas do Grande Porto, e têm sido observadas desde os primeiros meses de gestação até aos dias de hoje por técnicos da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, confirmou à Lusa o coordenador do projeto Henrique Barros.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=607230

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Camarão salteado


Ingredientes:
400gr camarão
8 dentes de alho
Azeite qb
Piripíri qb

Preparação:
Regar uma frigideira com azeite. Esmagar e descascar os dentes de alho e juntar ao azeite. Deixar aquecer.
Adicionar o camarão e um pouco de piripíri.
Mexer com uma espátula de madeira até estar cozido.

Dicas:
O camarão não deverá ser muito pequeno, pois, com a cozedura, irá diminuir bastante.

Receita em pdf.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Dar uma volta aos chocolates, bombons e afins


Quem é que recebeu, pelo menos, uma caixa de bombons ou chocolates este Natal? Ou melhor, quem é que não recebeu?!?

Eu percebo. Por vezes temos demasiadas prendas para oferecer a demasiada gente e optar por uma caixa de bombons é simplesmente mais fácil e barato. E, verdade seja dita, a maior parte das vezes, preferimos uma caixa de doces a uns panos para a cozinha...

Mas são muitos... muitos a juntar aos também demasiados recebidos por altura da Páscoa (nessa altura nem se fala) e confesso que, lá em casa, não conseguimos consumir tudo até porque continuamos a cortar no consumo de açúcar em defesa da nossa saúde.

Por isso, em antevisão ao que se iria passar nesta altura, há umas semanas atrás resolvi dar uma volta à gaveta onde guardamos este tipo de coisas (para quem for lá a casa e se quiser servir, é a gaveta mesmo por baixo da televisão! Estão à vontade!).

O resultado foi um saco cheio de chocolates, bombons e afins. Outro saco cheio de papel e cartão e ainda um outro cheio de plásticos... que desperdício de comida e dinheiro...

Agora há novamente espaço para os doces recebidos estes dias... que destino vão ter, ainda não sei. Pode ser que algum guloso nos faça uma visita em breve :)

Boa volta!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Registo de prendas

Quando, há umas semanas, publiquei a lista para prendas de Natal, uma amiga enviou-me um email dizendo que ela utiliza também um excel para registar as prendas que vai dando, ao longo do ano, a toda a gente.

Com este histórico, evita repetir presentes, bastando ir apontando o que vai oferecendo e guardando os registos de todos os anos.

Ah, a lista tem uma coluna para prendas de Páscoa, pois, na família dela, também se oferecem prendas na Páscoa :)

Outra vantagem desta lista é que se pode ir apontando as ideias que vão surgindo e os “pedidos” e “dicas” que nos vão dando ao longo do ano.

Bons registos!

Registo de prendas.pdf

[Não consegui adicionar a versão em excel. Se alguém quiser o ficheiro em excel, basta enviar um email para dicas.da.migalha@gmail.com com o Assunto: Excel Registo de prendas. Assim que me for possível, envio :)]

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal

Hoje quero apenas desejar um Feliz Natal a todos!

Sejam tempos de crise, de contenção ou de dificuldades, mas que nunca falte o amor e carinho da família e amigos.

É tempo de partilhar, não prendas, mas tempo e atenção.

Feliz Natal!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Diário Digital: Três em cada 10 crianças que andam no infantário têm asma

Três em cada dez crianças que frequentam infantários têm asma, segundo um estudo realizado em mais de 40 instituições de Lisboa e Porto que analisou o impacto da ventilação destes espaços na saúde respiratória dos menores.

A investigação, realizada por peritos da Faculdade de Ciências Médicas e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), está quase em fase de conclusão e os primeiros resultados obtidos vão ser discutidos no próximo mês num seminário em Lisboa.

Em entrevista à agência Lusa, os investigadores Nuno Neuparth e João Vaz revelaram que uma das conclusões é a necessidade de melhorar as formas de ventilação dos espaços.

Quando as janelas das salas dos infantários se encontram encerradas, a qualidade do ar tem níveis piores, mostrando maior saturação, nalguns casos com níveis “relativamente elevados”. Esta realidade foi testada medindo os níveis de C02 (dióxido de carbono) que, por seu lado, surgem também associados a manifestações de asma, como a pieira.

“Quanto maior o nível de C02, maior é o nível de pieira”, explicou Nuno Neuparth, alergologista e professor na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, adiantando que o C02 foi utilizado apenas como indicador de viciação do ar ambiente.

Para atestar a condição de saúde das crianças, os investigadores começaram por realizar questionários às famílias dos meninos das 46 instituições particulares de solidariedade social de Lisboa e Porto, todas frequentadas por menores dos 0 aos 5 anos.

Foram os resultados destes inquéritos que permitiram concluir que quase 30% destas crianças apresenta asma, tendo tido pelo menos um episódio de pieira no último ano.

Uma prevalência maior do que a registada na população geral, refere Nuno Neuparth, lembrando que um estudo mundial com uma componente portuguesa demonstrou uma prevalência de 15% em adolescentes de 13/14 anos.

Além dos questionários, os peritos realizaram testes não invasivos para medir a acidez e inflamação dos brônquios e fizeram zaragatoas (colheita de saliva) em 60 meninos.

Pegaram depois num grupo também de 60 crianças da mesma idade que visitou as urgências do Hospital da Luz e compararam as características das infecções virais dos dois grupos.

“Concluímos que os vírus são diferentes. De uma maneira geral os que infectam os da creche são menos graves”, adiantou o investigador.

Depois de analisadas crianças e condições ambientais nos 46 infantários, o estudo centrou-se, numa segunda fase, em 20 instituições, tendo sido escolhidas as que apresentaram piores e melhores níveis de viciação do ar.

Além da importância de ter sistemas de ventilação nos edifícios, os investigadores dizem que com a alteração de procedimentos nas creches pode ser suficiente, apontado como exemplo a abertura das portas das salas durante os intervalos das actividades.

Este projecto, que recebeu 180 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, vai precisamente culminar com um livro com recomendações para os infantários.

“Estes meninos estão mais expostos a infecções virais do que os que não estão no infantário. Podemos ajudar a resolver o problema recomendando que se melhorem as condições de vida nas creches. Certos de que para melhorar a qualidade do ar interior é preciso melhorar a ventilação”, resume Nuno Neuparth.

Para as crianças com episódios de asma ou pieira, a recomendação passa pela consulta a um médico especialista, que pode definir estratégias de tratamento e prevenção que os proteja e diminua a sua desvantagem em relação aos outros colegas.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=607358

sábado, 22 de dezembro de 2012

Jornal de Notícias: Excesso de peso afeta mais de metade das crianças portuguesas

Mais de metade das crianças com menos de cinco anos tem excesso de peso, uma realidade "preocupante" que mostra que estamos a falhar na prevenção da obesidade, alerta uma especialista da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação.

Os resultados constam de um estudo realizado por esta instituição científica, com representatividade nacional, que mostrou que as crianças e adolescentes apresentam peso superior, altura inferior e índice de massa corporal superior aos valores de referência usados pela Direção Geral da Saúde, sendo esta prevalência mais elevada nos rapazes (32,5%) do que nas raparigas (24,6%).

De acordo com o estudo, a prevalência de excesso de peso é superior nas crianças mais novas, sendo de 57,6% entre os zero e os 2 anos, 49,1% dos 3 aos 5 anos, de 31,9% dos 6 aos 9 anos e de 17,7% entre os 10 e os 13 anos.

Para a nutricionista Maria Daniel Vaz de Almeida, uma das coordenadoras do estudo, esta prevalência de excesso de peso nas crianças é mais preocupante, pelo risco de se "vir a tornar crónica e trazer com ela todo um cortejo de doenças e de má qualidade de vida".

"Estes dados indicam que estamos a falhar na prevenção da obesidade. Será necessário haver uma política que identifique a obesidade como um problema de saúde pública e sobretudo prevenir e parar antes que comece", afirmou a especialista que defende uma política nutricional integrada com vários ministérios. 

Para Maria Daniel Vaz de Almeida, não basta fazer campanhas de sensibilização, pois estes resultados demonstram que tem que se atuar ao nível da oferta alimentar nas escolas e de proporcionar mais espaço para uma vida mais ativa. 

"Sabemos que a maior parte das pessoas até consegue identificar o problema, mas há aqui qualquer coisa que falha. É preciso ver como se traduz aconselhamento numa vida mais saudável e mais ativa", acrescentou.

A responsável não esconde preocupação com as dificuldades económicas que o país atravessa, acreditando que a obesidade vai disparar nos próximos tempos. 

"Iremos assistir provavelmente a um aumento de obesidade, por causa dos produtos mais ricos em açúcar que são mais baratos. É um paradoxo, mas vai haver mais obesidade com as pessoas a comer pior, a optar por uma oferta alimentar com densidade energética muito elevada, mas mais barata do que fruta e produtos hortícolas", alerta. 

Ao nível dos adultos, o mais surpreendente para a nutricionista foi constatar que se verificou um decréscimo de obesidade e excesso de peso nas mulheres, "o que é bom indicador".

"Nos homens mantém-se a tendência ou sobe, sobretudo a partir dos 30 anos", uma realidade que a responsável explica pelo facto de as mulheres serem mais sensíveis e haver uma maior pressão social quanto à imagem corporal e ao peso.

O estudo mostra que entre os adultos, 38,2% das mulheres e 64,5% dos homens têm excesso de peso, embora seja entre o sexo feminino que se regista maior risco cardiovascular (31% mulheres e 28% homens) devido aos valores de perímetro da cintura.

Relativamente á distribuição geográfica, os Açores é a região com maior prevalência de excesso de peso entre as crianças e o Algarve a região com menor prevalência.

No que respeita aos adultos, os piores resultados encontram-se nos Açores, na Madeira e no Alentejo.

Maria Daniel Vaz de Almeida sublinhou que relativamente aos adultos os dados estão completos, mas em relação às crianças são ainda parciais, faltando os da "ingestão alimentar", que deverão estar prontos dentro de dois meses.

Estes dados permitirão "identificar grupos de risco e perceber por que é que a realidade é esta".

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2954821

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Correio da Manhã: Vacina retirada a grávidas

A Autoridade Europeia do Medicamento (EMA) concluiu que não devem ser administradas vacinas contra o sarampo, papeira, rubéola e/ou varicela durante a gravidez e em doentes com deficiências do sistema imunitário. A conclusão da Autoridade do Medicamento surge após uma revisão da utilização das vacinas monovalente e polivalente.

Segundo a EMA, as mulheres devem evitar engravidar até um mês após a vacinação contra aquelas doenças.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/vacina-retirada--a-gravidas

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Bolachinhas de gengibre e chocolate


Ingredientes:
250gr farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
25gr cacau
125gr margarina amolecida
130gr açúcar mascavado
2 ovos
2 colheres de café de gengibre em pó

Preparação:
Numa tigela, misturar a farinha, o fermento e o cacau. Mexer bem.
Numa tigela grande, juntar a margarina, o açúcar e os ovos e bater com a batedeira eléctrica até se obter uma mistura homogénea. Adicionar o gengibre e misturar bem.
Aos poucos, adicionar a farinha/cacau e envolver bem.
Envolver a mistura em película aderente e estender com um rolo até ficar com cerca de 5cm de altura. Levar ao frigorífico durante, pelo menos, 30 minutos.
Pré-aquecer o forno a 180º. Estender a massa numa superfície enfarinhada e cortar as bolachas com cortadores.
Levar ao forno durante 10 minutos. Deixar arrefecer sobre uma grelha.

Dicas:
O facto de a massa estar refrigerada facilita o trabalho dos cortadores. À medida que vai sendo trabalhada, poderá ficar mais mole, pelo que se pode voltar a colocar no frigorífico.
Quando já sobra pouca massa para cortar, costumo fazer bolachinhas redondas, mas eu sou pouco paciente :)
Um pouco de chocolate negro derretido acompanha lindamente estas bolachinhas!
Com a massa ainda crua, pode-se fazer um buraquinho no topo. Depois de cozidas e com a ajuda de uma fita, dão uma bela decoração para a árvore de Natal... não garanto é que ainda as tenham na véspera :)

Receita em pdf.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Desenformar um bolo


Não há mês mais guloso que o Dezembro! Não há quem resista a um bolo-rei, umas azevias ou rabanadas ou um ainda morno arroz doce! Nem nós, que andamos a cortar no açúcar, resistimos totalmente...

Desenformar um bolo sem que se desmanche todo consegue ser um desafio. Foi por isso que comecei a recorrer à tampa da caixa do bolo para me ajudar nesta tarefa. É que, ainda por cima, sou um bocado dada ao disparate...

Depois de retirar um bolo do forno, não se deve deixar muito tempo a arrefecer, pois irá agarra-se ainda mais à forma. Se estiver agarrado, convém passar com uma faca ou algo do género para “descolar”, mas sempre com o cuidado de não riscar a forma.

Depois é só colocar a tampa da caixa por cima e virar tudo. O bolo cairá de pernas para o ar e depois é só colocar a base e voltar a virar.

Bons bolos!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Caixinha das brincadeiras


A migalhinha ainda não anda na escolinha e passa os dias comigo ou com os meus pais.

Às vezes, falta-me a criatividade e receio estar a fazer sempre as mesmas actividades. Por isso, resolvi criar uma caixinha das brincadeiras! É algo muito simples e fácil de fazer e com a qual a migalhinha fica muito animada :)

A ansiedade da descoberta faz metade do trabalho!

Basta uma pequena caixa de cartão (usei uma que andava cá em casa sem destino marcado).

Depois, numa folha branca (ou com bonecada), criam-se vários quadradinhos e escrevem-se as várias actividades que se podem fazer.

Forra-se a folha com papel autocolante transparente e cortam-se os quadradinhos.

Juntam-se todos misturados na caixa e, quando faltarem ideias ou simplesmente quiserem fazer algo surpreendente, é só abrir e tirar um papel!

Outra grande vantagem é que se podem ir acrescentando actividades novas à medida que a criançada vai crescendo ou que as ideias vão surgindo.

Boas brincadeiras!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Inverno, frio Inverno

Com o frio que tem estado, ninguém diria que o Inverno só começa no próximo dia 21, às 11h11! Os casacos quentinhos, os aquecedores ligados, a lareira acesa, as pantufas fofinhas e as mantas por cima das pernas... É o Inverno!

Não se deixem abater pelos dias frios e chuvosos e demasiado curtos. Nesta altura do ano, lembro-me sempre de uma amiga que detesta o Verão e adora o Inverno, especialmente estando em casa, com a lareira a perfumar e um chocolate bem quente nas mãos :)

Por isso, comemorem!

É tempo de reunir os amigos para um serão descontraído. Fazer uma viagem à terra para conversar com os primos enquanto se vai buscar musgo. Dar um passeio de final de tarde em família e ficar maravilhado com as luzes de Natal.

É o tempo de aconchego. Aproveitem-no bem!

Doce Inverno!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Jornal de Notícias: Estamos a gastar mais na comida e menos na higiene

Gastos dos consumidores no retalho concentram-se no essencial. Estudo revela que produtos de higiene para o lar e pessoal sofrem quebra, mas também as bebidas - alcoólicas e não alcoólicas.

Em tempos de crise, os consumidores portugueses estão a comprar apenas o essencial - alimentação. Corta-se em tudo o resto. Os números não enganam: nos primeiros 11 meses deste ano, a mercearia representa 36,3% das vendas da grande distribuição; contra apenas 35,8% em 2011; em compensação, os produtos de higiene para o lar já só valem 8,2% das vendas (eram 8,5%) e o peso na faturação da higiene pessoal caiu de 12,2% para 11,9%.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2949712

sábado, 15 de dezembro de 2012

Jornal de Notícias: Pais não têm dinheiro para vacinar os filhos

As vacinas não comparticipadas pelo Estado estão a ser cada vez menos compradas pelos pais. Os pediatras alertam para o perigo de parar planos de vacinação já iniciados, mas as famílias estão sem dinheiro.

"Existe uma redução clara nas vacinas fora do Plano Nacional de Vacinação (PNV) que são dadas às crianças", disse, ao JN, José Gonçalves Oliveira, do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos (OM) e presidente da Associação de Pediatria do Minho. "Das vacinas, não comparticipadas pelo Ministério da Saúde, os pediatras recomendavam e recomendam a toma de, pelo menos, duas: as vacinas contra doenças pneumocócitas e a rotavírus", afirmou o pediatra. "Agora, nas consultas, os pais dizem que não têm dinheiro para pagar as vacinas e pedem-nos a nós, médicos, para 'escolher' a vacina mais importante", frisou Paula Fonseca, pediatra.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2929742

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Público: Banco público de células estaminais vai ser reaberto

O Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) e o Hospital de S. João, no Porto, vão reactivar o único banco público de recolha de sangue de células do cordão umbilical.

O IPST, que tutela o banco de células estaminais desde Agosto, e o Hospital de S. João assinam esta semana um protocolo para recolha na maternidade do hospital do Porto, mas a rede será posteriormente alargada a outros hospitais, noticiou a TSF esta quinta-feira.

O Lusocord tinha sido encerrado em Setembro pelo instituto por aí terem sido detectadas irregularidades na gestão e nos procedimentos de recolha de células estaminais. Hélder Trindade, presidente do IPST, explicou que o trabalho de campo já está em curso.

“Uma vez que, neste momento, já decorreram todos os ensaios para podermos começar a congelação de unidades de sangue do cordão, nos próximos dias um passo importante é assinarmos o protocolo com a primeira maternidade que vai entrar em colaboração com o banco público do cordão, a maternidade do Hospital de S. João. A partir desse momento, estamos em condições de começar a última fase, que é a de criopreservação de unidades de sangue de cordão", esclareceu.

Quanto aos motivos que levaram ao encerramento do Lusocord em Setembro — irregularidades na recolha, transporte e conservação das células estaminais —, Hélder Trindade garante que o processo passará a ser sujeito a outro tipo de cuidados.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/banco-publico-de-celulas-estaminais-vai-ser-reaberto-1576335

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Broa de milho em cama de bacalhau


Ingredientes:
120gr broa de milho
6 dentes de alho
Salsa qb
Azeite qb
400gr bacalhau fresco em posta

Preparação:
Numa picadora, picar a broa e os dentes de alho.
Numa tigela, misturar a broa, o alho e a salsa picada. Acrescentar uma dose generosa de azeite para unir os diversos ingredientes.
Num pirex, dispor as postas de bacalhau.
Espalhar a mistura de broa por cima do bacalhau, pressionando um pouco para formar uma camada compacta.
Levar ao forno, pré-aquecido a 180º, durante cerca de 15 minutos.
Servir acompanhado de um quente puré de batata.

Dicas:
Pode-se usar bacalhau seco e demolhado, no entanto, poderá ser necessário ajustar o tempo de cozedura.
Supostamente, o bacalhau fresco já está no ponto de sal (compro congelado), mas passo sempre por água para retirar mais um pouco.
A broa de milho pode ser substituída por outra, por exemplo de centeio.

Receita em pdf.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Untar formas e tabuleiros


Muitos bolos e pratos de forno exigem que a forma ou tabuleiro sejam untados para evitar que a comida fique agarrada.

Pode-se untar de diversas maneiras. Há quem use um pouco de margarina sólida e espalhe com as mãos, há quem prefira os sprays de óleo (confesso que nunca experimentei), mas cá em casa fazemos assim:

Deitamos um pouco de azeite ou margarina líquida (que o serviço de encomendas online tanto gosta de oferecer) na forma/tabuleiro. Para espalhar, fazemos uma “boneca” (esta aprendi com a minha mãe). A “boneca” não é mais do que uma folha de papel de cozinha amachucado em forma de bola com outra folha à volta a embrulhar. Espalha a gordura que é um espectáculo!

Lembre-se de uma coisa, se ficarem com um pouco de gordura nas mãos, não as lavem. É um excelente hidratante para a tipicamente seca pele das mãos. Não sei se a margarina faz bem, mas o azeite é um dos melhores hidratantes que existe!

Bom untar!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Resultados do passatempo By*Viola


O sorteio foi feito ao cheiro de um café e um chá de limão! :)

O passatempo da parceira Dicas da Migalha com o By*Viola já tem vencedor! E como não gosto muito de rodeios, aqui vai disto.

O vencedor é:

Leonor Nunes

Para receber o seu prémio, terá apenas de enviar um email para dicas.da.migalha@gmail.com e rosa.rviola@gmail.com com as seguintes informações:

-      Nome
-      Morada para o envio
-      Confirmar qual a peça escolhida (das quatro possíveis)

Ficamos à espera.

A quem não ganhou, não fiquem tristes. Também não costumo ter sorte nenhuma nestas coisas. E, se tudo correr bem, teremos mais passatempos daqui a uns tempos.

(Mas tenham em atenção aos requisitos, pois apenas três concorrentes cumpriam os quatro requisitos.)

Parabéns!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Juntar a família e juntar os amigos

Com o Natal quase aí, as viagens à terra para passar uns dias com a família são comuns e reconfortantes. Há algo de harmonioso neste espírito, em reunir com os parentes que estão longe e recordar outros tempos em frente a uma lareira que arde para aquecer a casa e o espírito.

Também durante este mês, são recorrentes as marcações para jantares de Natal com diversos grupos de amigos... Por vezes, as noites de sexta-feira e sábado não chegam para tantas solicitações.

Se há quem prefira a comodidade de um restaurante típico, há quem não dispense o conforto do lar.

Pessoalmente, gosto de recriar um pouco o espírito da reunião familiar com o grupo de amigos mais próximo.

Começamos por escolher uma das casas (que vai variando de ano para ano). Com bastante antecedência, discutimos a ementa na qual tentamos fugir ao tradicional para não enjoarmos nada e preparamos a lista de compras.

No próprio dia, vamos todos (ou apenas alguns) às compras e juntamo-nos, ainda de manhã, na casa seleccionada. A partir daí é preparar a ementa todos juntos e em equipa... Ou melhor, em família :)

Daí até à nossa ceia de Natal o tempo corre sem darmos por ele. Segue-se a troca de presentes e as conversas parvas até tarde.

É delicioso e respira-se uma união naturalmente inata!

A família não é composta por apenas aqueles com quem partilhamos o nome. O nosso conceito de família estende-se àqueles que fazem parte da nossa vida: ontem, hoje e sempre...

Bons encontros!

domingo, 9 de dezembro de 2012

Diário de Notícias: Há excesso de crianças a usar óculos

O oftalmologista António Travassos afirmou hoje que existe um excesso de crianças a usar óculos sem necessidade clínica e que só o fazem porque existe uma pressão nesse sentido.

Em declarações à agência Lusa, o antigo presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) disse que muitas das crianças que usam óculos têm dioptrias que não justificam a correção pelo uso de óculos.

O médico recusou-se a atribuir a uma só causa este excessivo uso de óculos por parte das crianças, afirmando que existem vários motivos, como razões estéticas ou a pressão das óticas.

António Travassos lembrou que existem óticas que vão às escolas fazer rastreios à visão das crianças, o que pode conduzir ao uso de óculos por crianças.

Para este especialista, crianças com dioptrias na ordem das 0.25, 0.50 ou 0.75 não têm necessariamente que usar óculos, embora isso aconteça.

Isso mesmo confirmou à Lusa a oftalmologista pediátrica Rita Gama, para quem a prescrição de óculos para crianças com menos de duas dioptrias não se justifica, salvo algumas exceções.

A especialista considera que esta prescrição só pode ter uma razão: inexperiência no atendimento de crianças.

Isto porque "é diferente" receitar óculos para adultos e crianças, pelas suas características, razão para nos mais novos ser sempre necessária a dilatação da pupila, através de gotas.

Rita Gama reconhece que as óticas têm algum papel na prescrição injustificada de óculos, mas não considera isso preocupante, além de ser "uma despesa desnecessária".

"Os rastreios visuais são feitos por óticas e por vezes são estas que fazem com que as crianças que de facto precisam vão ao oftalmologista", sublinhou.

António Travassos é, nesta matéria, perentório: "Quem prescreve não deve vender".

Sobre os efeitos da crise no acesso aos óculos das pessoas com dificuldade de visão, António Travassos não conhece, para já, casos concretos.

A presidente da SPO, Manuela Carmona, reconhece que, devido à crise, as pessoas evitam trocar de óculos com a frequência com que o faziam no passado.

Este atraso na troca de óculos não é tão preocupante nos adultos como nas crianças, as quais, devido ao crescimento, precisam de trocar de óculos com mais frequência, adiantou.

Sobre os efeitos na saúde deste efeito da crise, Manuela Carmona disse que estes não são graves.

Os oftalmologistas reúnem-se a partir de quinta-feira no 55º Congresso Português de Oftalmologia. Até dia 08 decorre ainda o primeiro Congresso de Oftalmologia de Língua Portuguesa.

São esperados 800 especialistas portugueses, dos países africanos lusófonos, Espanha, Brasil, EUA e Canadá.

Da programação científica do congresso destacam-se as conferências sobre tumores oculares e cirurgia oculoplástica, enquanto no primeiro Congresso de Oftalmologia de Língua Portuguesa a temática central serão as patologias específicas de África, como a oncocercose e o tracoma.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2927814&page=-1

sábado, 8 de dezembro de 2012

Diário Digital: Irritabilidade frequente em crianças é considerada doença

A Sociedade Americana de Psiquiatria aprovou este fim-de-semana uma revisão na classificação de algumas patologias mentais, que situa o autismo e as suas variantes numa única categoria e a forte irritabilidade das crianças como uma verdadeira doença, anunciou a associação no seu site na Internet.

«O nosso trabalho teve como objectivo definir de forma mais exacta as doenças mentais que têm um verdadeiro impacto na vida dos doentes, mas não ampliar o campo da Psiquiatria», destaca David Kupfer, que preside o grupo de trabalho para a revisão do manual, num comunicado publicado no site da American Psyquiatric Association (APA).

Esta é a primeira revisão desde 1994 do manual de referência para o diagnóstico de doenças mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) nos Estados Unidos e a quinta desde a sua criação.

A nova classificação reúne todas as variantes do autismo numa única categoria, chamada «distúrbios do espectro autista», e exclui a Síndrome de Asperger, que afecta crianças muito inteligentes, mas com grandes dificuldades de interacção social e que até agora era diagnosticada separadamente do autismo.

A dislexia também desaparece do manual, enquanto foram criadas novas categorias como a irritabilidade frequente e forte nas crianças, agora considerada uma doença mental.

O «stress pós-traumático» também foi incluído num novo capítulo sobre traumas e distúrbios ligados ao stress.

O distúrbio que consiste em comer compulsivamente agora também é reconhecido como uma patologia mental.

Esta última modificação é o resultado de um longo debate, geralmente árduo, entre psiquiatras, as fundações e organizações de pacientes, sobretudo no caso do autismo.

Alguns psiquiatras e organizações particulares temem, por exemplo, que esta nova classificação exclua muitas crianças com Síndrome de Asperger.

Os novos critérios, cujos detalhes serão divulgados quando o novo manual de diagnóstico psiquiátrico for publicado, em Maio de 2013, podem deixar alguns dos afectados sem acesso a programas de ajuda social, médica e escolar. De facto, para serem aplicados, os seguros e programas públicos baseiam-se na definição de doenças estabelecida pela APA.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=604972

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Não se esqueçam: Passatempo By*Viola


Não se esqueçam de participar no passatempo em parceira com o blog By*Viola!

Relembro que iremos sortear uma peça de bijuteria artesanal da sua própria criação. Teremos várias peças à escolha para agradar a todos os gostos (ver foto).

Para serem candidatos, basta cumprir quatro requisitos:

1.      Serem seguidores do blog Dicas da Migalha
2.      Fazerem um comentário ao artigo de hoje (no Dicas da Migalha) dizendo qual das peças preferem e porquê
3.      Serem seguidores do blog By*Viola
4.      Fazerem “gosto” na página do facebook By*Viola.

Tudo isto até ao próximo dia 9 de Dezembro (domingo). No dia 10 faremos o sorteio e dia 11 anunciaremos os resultados nos dois blogs.

Participem!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Empadão de peru


(Receita partilhada pela amiga e seguidora Babi! Obrigada!)

Ingredientes:
1kg carne de peru
2 cebolas
7 dentes de alho
100gr chouriço
2 cenouras
Orégãos e sal qb
1 a 2 folhas de louro
125gr molho de tomate
Puré de batata (3 doses)
2 ovos

Preparação:
Picar a carne, as cebolas, o alho, o chouriço e as cenouras.
Num tacho, refogar o alho e cebola em azeite.
Misturar os restantes ingredientes picados, com uma colher de chá de orégãos e uma colher de chá de sal. Juntar a mistura de carne à cebola e alho. Juntar as folhas de louro inteiras e deixar cozinhar. Quando a carne já estiver cozinhada, juntar o molho de tomate e mexer bem. Preparar o puré de batata.
Num pirex grande, colocar uma primeira camada de puré e depois metade da carne. Colocar novamente puré, a restante carne e terminar com uma terceira camada de puré.
Bater os 2 ovos e pincelar por cima do empadão.
Levar ao forno, pré-aquecido a 180º, até ficar dourado.

Dicas:
As folhas de louro devem estar inteiras para ser mais fácil retirá-las depois.
Pode-se por pedacinhos de chouriço por cima para decorar (como aqui em casa só metade de nós gosta de chouriço, coloquei só em metade).

Receita em pdf.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Embrulhos personalizados


Este ano, resolvi fazer embrulhos personalizados e originais.

Em vez do tradicional papel de embrulho, cheio de Pais Natais e árvores brilhantes, comprei papel kraft. Para quem não sabe (eu não sabia o nome), é aquele papel bege que se vê na foto.

Comprei uma quantidade quase industrial, mas ficou em conta e vai dar para muito tempo e para muitos outros projectos, nomeadamente para a migalhinha se divertir em cima de uma das enormes folhas a desenhar como se não houvesse amanhã :)

Fica bastante elegante, sóbrio e bonito (na minha opinião, claro!).

Mas a personalização não ficou por aqui. Resolvi fazer também os laços e fugir às fitas brilhantes.

Como comprei imensas cores de feltro para uma brincadeira para a migalhinha, aproveitei o que sobrou para fazer flores, borboletas e outros que tais para decorar os embrulhos.

Ficou giro e original, não ficou?! :) 

Bons embrulhos!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Passatempo By*Viola


O prometido é devido, por isso, aqui estamos para fazer o primeiro passatempo do Dicas da Migalha! :)

Em parceira com o blog By*Viola, iremos sortear uma peça de bijuteria artesanal da sua própria criação. Teremos várias peças à escolha para agradar a todos os gostos (ver foto).

Para serem candidatos, basta cumprir quatro requisitos:

  1. Serem seguidores do blog Dicas da Migalha
  2. Fazerem um comentário ao artigo de hoje (no Dicas da Migalha) dizendo qual das peças preferem e porquê
  3. Serem seguidores do blog By*Viola
  4. Fazerem “gosto” na página do facebook By*Viola.
Tudo isto até ao próximo dia 9 de Dezembro. No dia 10 faremos o sorteio (é sempre uma boa desculpa para um cafezinho com uma amiga!) e dia 11 anunciaremos os resultados nos dois blogs. 

Estou com uma ansiedade típica de criança... :)

Boa sorte!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Meninas bonecas, meninos carrinhos

O Natal está quase aí! E, mesmo em tempos de contenção, já se sabe que a maioria das crianças vai receber brinquedos e mais brinquedos...

Os brinquedos são essenciais ao bom desenvolvimento e aprendizagem das crianças. São uma maneira saudável e descontraída de aprender e crescer. 

(Não seriam precisos tantos, mas isso é conversa para outro dia...).

Mas há um pormenor comum e recorrente que me chateia particularmente: a mania de que as bonecas são para as meninas e os carrinhos para os meninos. E quem diz bonecas e carrinhos, diz cozinhas, bolas e afins...

Porque é que as meninas não hão-de chutar uma bola? Porque é que os meninos não hão-de mudar a roupa às bonecas? Será que estaremos a forçar-lhes uma brincadeira contranatura ou estaremos apenas a estimulá-los e a mostra-lhes que o mundo é mais do que simplesmente cor-de-rosa ou azul?

No prédio onde moram os meus pais, mora um menino que é um ano mais velho que a migalhinha. Uma manhã por semana ele vai lá a casa brincar um bocadinho. Eles adoram e brincam a tudo! Andam de carrinho, brincam com as bonecas, jogam à bola e bebem chazinho com bolo :)

É tudo simplesmente simples! Sem complicações nem preconceitos!

É claro que a migalhinha prefere as suas bonecas, ou bebés como ela diz, e o rapazote prefere os carros e aviões que colecciona, mas não deixam de brincar com brinquedos diferentes nem um com o outro!

Agora que olho pela janela e vejo o meu mais-que-tudo e a minha migalhinha a jogar à bola no pátio do prédio, penso “e porque não oferecer algo diferente? Estarei mesmo a ofender alguém?”... Estão os dois tão felizes! 

Boas escolhas!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Público: Sozinhos em casa com os filhos

Mudaram fraldas, deram-lhes banho e de comer, entretiveram-nos e viram o tempo a correr pelos dedos quando chegava o fim do dia. Vasco Ferreira, 31 anos, produtor de espectáculos em Paredes de Coura, e Manuel Magalhães Sant'Ana, 36 anos, investigador em Bioética na Universidade do Porto a viver em Faro, ficaram sozinhos com os seus filhos quando eles tinham meses, gozando do regime que lhes permite fazê-lo sem que isso afecte o seu rendimento.

São uma excepção à regra – que as estatísticas em Portugal não revelam por falta de dados, mas os estudos qualitativos sim – e podem ser considerados casos-padrão, contextualiza Maria das Dores Guerreiro, do Observatório das Família e das Política de Família e do CIES-IUL. As mulheres de ambos tinham uma situação profissional menos flexível do que eles. “Nos casos mais comuns em que as situações profissionais estão em pé de igualdade e tanto o pai como a mãe têm condições rígida de trabalho, difíceis de conciliar com a vida familiar, tende a ser a mãe a optar pelo uso das licenças”, diz a socióloga. “Mas a situação mais generalizada, após a licença parental paga entre 80% a 100%, em Portugal, é recorrer a serviços pagos (creches, amas) ou a familiares quando os há”.

Quando a segunda filha de Vasco Ferreira nasceu, a mulher estava a trabalhar por conta própria; no caso de Manuel Sant’Ana a conclusão de um projecto europeu de investigação impedia a mãe de ficar com o filho. Tanto uma como a outra criança deixaram de mamar cedo, eram os pais que davam os biberões – e eram pais a tempo inteiro. Vasco e Manuel começaram por achar que iriam ter tempo para trabalhar nos intervalos. Nenhum conseguiu.

“Durante três meses foi dedicação a 100%”, lembra o produtor de espectáculos sobre o período entre Outubro e Dezembro de 2011. Fala de uma opção “completamente natural”: “Tinha imensa vontade de ficar em casa. A Cátia [mulher] tinha feito a licença com a Beatriz [a primeira filha], sentia-se sozinha e desamparada e eu tinha de assumir o papel para não ser tão carregado para ela.” 

Quando foi aos serviços da Segurança Social, Vasco Ferreira viu-se enrolado em burocracias complicadas e acabou por ser ele a tratar de todo o processo porque os funcionários não sabiam como lidar com a situação. Diziam-lhe que só tinham feito pedido de licença parental para homens “duas vezes e há muito tempo”. Manuel Sant’Ana lembra que, em Faro, ninguém “sabia preencher o requerimento de subsídio” e houve até quem dissesse “que só a mãe podia gozar de licença exclusiva”. A directora de serviços acabou por resolver o problema.

Apenas para quem tem altos rendimentos?

Segundo a lei, depois de a mãe gozar os 42 dias iniciais obrigatórios, o pai pode pedir o subsídio parental em vez dela até 120, 150 ou 180 dias seguidos – em 2011, a partilha pelos pais em pelo menos um mês desta licença foi de 20%, segundo dados do Instituto de Segurança Social, ou seja, 16.719 homens entre 81.300 licenças concedidas. Mas este número exclui os funcionários públicos que descontam para a ADSE e outros sistemas que não desagregam os dados por sexo e, portanto, deixa de fora uma parte significativa de pais e mães, lembra Maria das Dores Guerreiro. Apesar dos 20% serem ainda um número baixo, revelam um aumento expressivo desde que a lei entrou em vigor em 2009 e uma “grande mudança” nas “novas gerações”, diz a socióloga. Porque cada país tem sistemas de licença diferentes, não é possível fazer uma comparação a nível europeu, mas o que se sabe é que quanto mais tempo de licença parental as políticas públicas prevêem, mais ele é gozado.

Hoje os pais podem ficar em casa durante o primeiro ano de vida dos filhos desde que a licença parental seja partilhada entre os dois membros do casal: a mulher pode ficar em casa durante cinco meses com remuneração a 100% e se o sexto mês for gozado pelo pai a remuneração é de 83%. Ainda podem estender por mais seis meses a licença: a contrapartida é que cada um tem de gozar três meses e só recebe 25% do salário. Esta extensão não é popular em Portugal: em 2011 apenas 2,5% dos casais do sector privado recorreram a ela, 1734 mulheres e 307 homens. O que não espanta Maria das Dores Guerreiro, que não reconhece “aplicabilidade generalizável” à medida: “Como é que as famílias se podem organizar com menos 75% do rendimento de um deles? Isto não é possível para a classe média, apenas para quem tem altos rendimentos ou está em situações atípicas de emprego.” O facto de, mesmo assim, as mulheres terem sido cinco vezes mais do que os homens não a surpreende, porque “se os salários das mulheres são mais baixos é lógico que sejam elas a mobilizar esta figura – e eventualmente haverá mais mulheres em situações de emprego flexível ou atípico (seja qual for essa atipicidade) que lhes permitem beneficiar desta medida de política”.

Maria das Dores Guerreiro ressalva que, ao contrário do que acontece noutros países em que grande parte das mulheres com filhos pequenos trabalha a tempo parcial, em Portugal os orçamentos das famílias assentam sobretudo em dois salários a tempo inteiro: quase 70% dos casais com filhos pequenos trabalham a tempo inteiro. Por isso, estas medidas de licença a tempo parcial tendem a ser gozadas por franjas específicas de famílias em situação muito particular perante o mercado de trabalho, quanto a regime de horários e quanto a regime contratual. Mas “não se deve ignorar que este tipo de situações de trabalho profissional cresceu nos últimos anos em Portugal, logo haverá mais pessoas em condições de encontrarem benefício na medida”.

“Tarefeiro” e “dedicação total”

Paulo Caseirito, 31 anos, foge ao caso típico: acaba de regressar à direcção de gestão de risco de uma seguradora, onde trabalha, depois de ter ficado em casa três meses com o filho. Desta vez, ninguém estranhou, porque fez exactamente o mesmo com a filha há cerca de três anos. A mulher, que trabalha na banca, tinha acabado de ser promovida e não convinha ficar mais do que os três meses de licença. “Ela tinha ficado em casa um tempo antes do parto, e achámos que não seria justo estar a ser ela a ficar fora do trabalho tanto tempo”. Ele, que nunca tinha pegado num bebé antes de ser pai, decidiu então que, a partir dos três meses dos filhos, ficaria em casa a tempo inteiro. Apesar de nunca se ter desligado completamente do trabalho, diz que nunca teve problemas com as chefias e que a opção não teve qualquer impacto na sua carreira – “até fui promovido e aumentado”. Sim, é verdade que há três anos amigos e colegas reagiram com surpresa – mas desta vez não.

Entre Fevereiro e Junho de 2010, Manuel Sant’Ana, que adiou o prazo da sua bolsa de doutoramento, começou a partilhar um espaço em que tudo mudou, a sua casa. Lançou-se a pensar que era uma oportunidade, que seria “impecável” a desempenhar o papel de pai a tempo inteiro e que até iria trabalhar em casa. Percebeu que tinha de enfrentar “desafios tremendos”, “muito mais duros para os homens”, porque as mulheres “conseguem lidar muito melhor com as questões da maternidade”: “Até porque enquanto está a dar de mamar a mulher tem a oxitocina, hormona das emoções responsável pela ligação com os filhos. Com os pais, os afectos são construídos. Não há guião e nada mudou no meu organismo que me prepare para a paternidade, como acontece com as mulheres”.

Das coisas práticas que cuidar de um bebé implicam e que o faziam sentir “um tarefeiro”, Manuel confessa que nunca fez nada “tão exigente”. “Os seis primeiros meses de paternidade foram os mais exigentes de toda a minha vida. A privação de sono, a invasão do espaço, a alteração de rotinas e inabilidade em compreender aquele pequeno ser tornavam os meus (nossos) dias verdadeiramente alucinantes. Comparado com isso, fazer um doutoramento é para meninos.” Porque não há experiência prévia para lidar “com um ser que é totalmente dependente de nós”. “Nos primeiros meses a evolução de uma criança é muito rápida e quando nos estamos a adaptar a uma fase já ela passou para a fase seguinte. Mudar fraldas é o mais fácil.”Depois quando começam a interagir, tudo muda", diz: “A partir daí já estamos dentro dos afectos.”

Vasco Ferreira fala da sensação de que não podia falhar: “Senti-me completamente dedicado, e que, conforme o tempo avançava, era o elo de ligação da criança ao mundo, a primeira relação com tudo era eu. É uma coisa exacerbada que não tinha experimentado. Os dias passaram a ser uma dedicação total.” Ele não conseguia pensar em mais nada, e via televisão ou lia um livro sem reter absolutamente nada. “A nossa cabeça não está virada para aí. Por outro lado, há também uma frustração por nos sentirmos um pouco sozinhos: como somos a porta de entrada para o bebé sentimos que temos de estar sempre presentes, enquanto os outros têm uma vida. Quem fica em casa fica um bocado desligado do mundo.”

De resto, nada mudou na relação de Vasco Ferreira com a mulher: “Sempre tive uma perspectiva muito aberta, nunca tive ideia predefinida sobre o que é a paternidade e a maternidade.” No meio em que está, o artístico, a licença de paternidade “é vista como um direito”, ninguém estranhou, nem os chefes; entre os mais velhos, sentia que olhavam para a situação como se fosse um sacrifício e ele um “bom rapaz”. Quanto a Manuel Sant’Ana, nunca sentiu que a sua “masculinidade” fosse “posta em causa” pela opção que tomou: “Sinto orgulho”. “O criticismo foi mais para ela, ainda há muitos preconceitos e as pessoas olham para essa opção como se ela tivesse abandonado o filho”, lamenta.

Hoje, Francisca, a filha com quem Vasco Ferreira ficou desde os primeiros meses, está na fase em que só se agarra à mãe; a mais velha, Beatriz, que morria de ciúmes e se distanciava do pai quando a irmã nasceu, está no período em que o pai é um herói, conta. Manuel Sant’Ana terá um segundo filho em breve. Desta vez, é ele quem tem um prazo de entrega de doutoramento e a mulher pode e vai adiar o seu projecto para ficar a tomar conta do bebé. “Vamos trocar de funções”, diz.

Depois de terminado este texto foram-nos chegando mais depoimentos de pais que ficaram com os filhos e que publicamos:

“Fiquei a conhecer melhor a minha filha e a mim próprio quando estou com ela”

José Pedro Blasques, 32 anos, investigador pós-doutoramento na Universidade Técnica da Dinamarca na área de desenho estrutural de turbinas eólicas

"Moro na Dinamarca e fiquei em casa seis meses com a minha filha Lara quando ela tinha cinco meses e até aos 11 meses. Ela começou a passar alguns dias no infantário a partir dos nove meses. Era bastante mais nova que os colegas, pelo que foi bom para ela, para nós e para a instituição que tenhamos usado algum tempo nesta fase de transição.

Eu e a minha namorada, Ingunn, tínhamos um ano para partilhar a licença parental entre nós e decidimos dividir. Embora o sistema seja bastante flexível, na maioria dos casos a mulher fica com o ano inteiro para ela. Para mim, estes seis meses foi a melhor coisa que podia ter feito!

No princípio foi o desafio de mudar a alimentação da mama para papas. Resolvida essa parte, a Lara e eu éramos independentes. Instalou-se a rotina, o truque era tentar ter um plano para todos os dias – piscina, parque infantil para pais (não permitido a mães), passeios no parque, e visitas a museus. Para mim foi aprender o quão duro e quão imensamente gratificante é tratar de uma criança, especialmente da minha filha.

Digo que foi duro porque hoje sinto que é muito bom para a nossa relação: tanto eu como a Ingunn sabemos, por experiência própria, o desafio que pode ser, de um momento para o outro, ter que pôr tudo de lado e pensar só na Lara por longos períodos de tempo.

Digo gratificante porque a Lara e eu tivemos tempo para nos conhecer um ao outro. Para a mãe este processo é bastante natural devido à amamentação. No entanto, para o pai este tempo tem que ser criado. Estes seis meses foram a minha oportunidade – pelo menos uma vez nas nossas vidas a Lara e eu estivemos o que pareceu todo o tempo do mundo.

Fiquei a conhecê-la melhor, o mais valioso. Fiquei também a conhecer-me quando estou com ela. Por exemplo, hoje, se tenho que tratar dela durante algum tempo (especialmente se está mal disposta), volto sempre a esse período que tive com ela. Primeiro, e mais importante, para encontrar confiança. Isto é muito importante porque, como pais, o normal é uma pessoa sentir-se insegura – querer fazer tudo bem mas não saber como. Segundo, porque se aprendem truques ou maneiras de fazê-la sentir-se bem sem ter de desperdiçar muita energia. Sim, porque tratar de uma criança é tipo maratona, tens que estar muito concentrado para saber exactamente quanta energia te sobra para saberes quanta podes usar. Desta forma acabo por maximizar os tempos bons com ela.

No emprego disse adeus em Março e voltei em Agosto. Trabalho na universidade, ou seja para o Estado. Por lei tenho este direito. Mais, por lei ninguém pode sequer sugerir que a minha decisão de tirar seis meses poderá de alguma forma afectar a minha situação de trabalho. Pelo que a coisa é bastante clara. O meu chefe fez o mesmo que eu quando teve filhos. Mais uma vez por lei a entidade empregadora não pode fazer nada quanto à minha decisão. A minha mãe ficou preocupada se isto seria bom para o meu futuro. Mas tem piada que muito provavelmente esta questão não se poria se eu fosse mulher.

Tive que deixar de trabalhar e de pensar no trabalho... que pode ser mais difícil do que se pensa.

Tenho direito ao salário por inteiro durante 12 semanas e o resto do tempo recebo um rendimento tipo subsídio de desemprego – cerca de 1340 euros depois de impostos, que parece muito mas é pouco para o nível de vida de cá. Porquê esta opção? Pago impostos bastante altos, o tempo não é assim grande coisa e este tipo de regalias são uma das razões pela qual gosto de cá estar. Tinha a oportunidade de passar tempo com a minha filha e a oportunidade de não trabalhar durante seis meses, pelo que não vejo a razão pela qual não haveria de o fazer.

O mais importante foi perceber a quantidade de energia que é necessária para tratar de bebés e o que isto exige de nós como pessoas. Temos que fazer algo que não é muito natural, deixar de prioritizar as nossas necessidades e pensar primeiro nas dos nossos filhos (pelo menos quando são tão novos). Depois há o lado prático, as fraldas, a comida, os banhos, os médicos, etc. Isto tudo tem que ser aprendido. Eu não sabia nada de bebés até a Lara nascer, pelo que é lógico que demore um pouco de tempo. É muito fácil esquecer isto e ficar imensamente frustrado quando tudo não corre como o planeado.

A minha família sempre me apoiou, ficaram felizes de eu estar feliz. Tenho alguns amigos que tinham feito o mesmo e que, de certa forma, me inspiraram a tomar esta decisão. Para outros que tinham usado menos tempo acho que gostaram de sentir que era possível. Em muitos casos o desafio está entre o casal. Muitas mulheres cá sentem que este tempo é delas e que poderão ou não deixar o pai usá-lo. A Ingunn ouviu muitas vezes este comentário no grupo de mães dela – "Ah, mas tu deixaste o Zé ficar com a Lara?". Por outro lado, alguns pais também não estão interessados, encontrei muitos no parque infantil para pais que se queixavam e diziam que não gostavam. Entre nós foi sempre claro que iriamos dividir o tempo. Tem-se discutido nos media se deveria ser obrigatório os pais passarem tempo com os filhos, i.e., parte do tempo ser só para o pai e se ele não usar a mãe também não o pode usar."

“Culturalmente nós, homens, ainda temos que ganhar esse espaço”

Paulo Vasconcelos, 34 anos, engenheiro

"Como a criança foi alimentada em exclusivo com leite materno, quisemos maximizar o período inicial de proximidade com a mãe e deixar o mês do pai para o final desse período. Esta opção permitiu-nos ainda maximizar o tempo de permanência da criança em casa, sempre com um dos pais, uma vez que não temos o apoio dos avós, e adiar um pouco mais a ida para a creche. Fiquei com ela do quinto ao sexto mês.

No emprego precisei apenas de preparar com antecedência a minha ausência, de modo a fechar todos os dossiês em curso e garantir que os processos não ficariam pendentes.

Durante o mês da licença estive totalmente afastado do emprego e a empresa deu-me esse espaço.

A empresa permite esta licença e não põe qualquer obstáculo. Foi tranquilo e sem qualquer pressão.

Num primeiro momento, o principal desafio foi ganhar confiança para garantir em exclusivo todos os cuidados da criança. Numa segunda parte, foi a gestão de tempo sobretudo respeitando o horário rigoroso das necessidades do bebé. Cumprir horários foi de facto um desafio que, estando a sós com o bebé, nem sempre é fácil de garantir.

"No meu tempo não havia nada disto!" foi o principal comentário da família. E embora reconheça o mérito, a família ainda acha estranho o conceito. De uma forma discreta notei que ainda há algum preconceito, sobretudo das mulheres, em admitir que o pai também é capaz de responder a todas as tarefas que uma criança exige. Culturalmente nós, homens, ainda temos que ganhar esse espaço. Os amigos aplaudem, sobretudo os que já têm filhos e que pontualmente também passaram pela mesma experiência.

Mas ter ficado em casa com ele melhorou muito a relação com o meu filho. Por um lado, permitiu-me descomplicar o mito da exigência do cuidado de uma criança, deu-me a confiança de saber que consigo garantir o bem-estar do bebé. Reforçou laços de empatia que de outra forma, e nesta fase de ouro, certamente não seria possível. A mãe assume sempre um papel principal nos cuidados e, desse modo, a relação pai/filho tem necessariamente menos espaço para crescer, pelo menos nestes primeiros tempos. Este mês trouxe esse espaço, essa oportunidade de reforçar laços. Mas a comunicação não verbal foi a maior conquista do meu ponto de vista. Tanto eu percebo melhor todos os sinais do bebé, como ele próprio me vê e me encara com mais naturalidade e entusiasmo. É uma oportunidade de ouro num momento de ouro."

“A opção não foi bem recebida por alguns colegas e patrão”

Nuno Silva, 37 anos, arquitecto no desemprego

"Comecei a tomar conta da Sarah desde o nascimento dela, há dois anos. Durante os primeiros cinco meses em que a minha esposa esteve em casa, fiquei em casa nos primeiros 20 dias úteis, e no sexto mês fiquei sozinho com a Sarah. Durante o ano subsequente trabalhei menos um dia por semana, e a minha esposa também.

Um das razões desta opção foi a grande distância a que se encontravam (e encontram) os nossos pais ou quaisquer outros familiares directos, mas a principal razão é a nossa convicção de que nesta fase inicial – um, dois anos – existe uma enorme influência das pessoas que educam e interagem com os bebés na formação das suas personalidades, nas suas identidades como pessoas. Por isso, para nós não faz sentido transferir essa responsabilidade para terceiros: por muito profissionais, por muito afectivos que sejam não se equiparam aos pais. Vejo esta opção como um dever, uma "obrigação" que a responsabilidade de ser pai acarreta.

Também teve imensa influência o facto de tanto eu como a minha esposa termos passado pela mesma experiência na infância, em que as nossas famílias tudo fizeram para nos propiciar o melhor ambiente familiar possível.

Vemos a importância e relevância do valor da família não como um momento (o nascimento do bebé), mas como processo contínuo que se pretende construtivo para todos (pai, mãe e filhos).

Uma parte complicada foi a gestão com o emprego. Tinha um cargo de responsabilidade e esta opção não foi bem recebida por alguns colegas e principalmente pelo meu patrão. Fui afastado do cargo e das responsabilidades que desempenhava. Não foi fácil manter a convicção de dar o máximo de apoio à Sarah e de ter que sofrer as consequências por essa opção.

O principal desafio de ser pai foi e é manter a concentração no apoio a dar à Sarah. As crianças são como esponjas, sedentas de afecto e de informação. Tive que aprender com ela, ver como reagia ao seu crescimento/desenvolvimento psicomotor e tentar informar-me de como poderia dar resposta a essas exigências. Esse processo ainda não terminou e sinceramente penso que não vai terminar tão cedo. Educar é aprender também.

Outra dificuldade foi a incompreensão social sobre o papel que um pai deve ter. De uma forma geral, as pessoas reagiram positivamente, mas manifestaram-me o receio das consequências que essa opção teria para mim. Tinham razão em alguns aspectos, apesar de eu ter a certeza que faria tudo exactamente igual. O trabalho é importante, mas é passageiro, temporário, transitório, precário. Ser pai uma vez é ser-se pai para sempre. A responsabilidade e as consequências não podem cair na criança, que é a "personagem" isenta de qualquer responsabilidade na solução dos problemas laborais e sociais que são criados. No entanto, é muito reconfortante ouvir pessoas que conhecem a Sarah (especialmente na creche) dizer que ela é especial, muito amorosa, muito simpática, muito (re)activa, muito curiosa. Tenho a certeza que seria outra pessoa, sendo educada por um estranho.

Em que é que isso mudou a sua relação com a minha filha? Em relação à opção "normal", é eu sentir que a Sarah é a "minha" filha. Conheço-a como ninguém, acompanhei-a todos os dias da vida dela e tenho um dia-a-dia, com ela, de amor e de uma imensa cumplicidade. Sei que me conhece como pai e também como pessoa. Não conseguiria suportar o arrependimento de saber que tendo essa possibilidade teria dado prioridade ao emprego, que hoje não tenho, em detrimento da qualidade da educação que sempre ambicionei dar aos meus filhos.

Agora emigro para lhes proporcionar o futuro que nos negam todos os dias por cá."

“As mulheres ficavam espantadas com a destreza com que eu mudava fraldas”

Rui Pinto de Almeida, 51 anos, produtor/realizador/documentarista

"Fui pai, pela primeira vez, há 27 anos. Os meus horários de trabalho eram muito variáveis e quase sempre entre as 16 e as 24 horas. A opção de tratar da Patrícia, em alternativa a colocá-la num berçário, constituiu uma das experiências mais intensas que vivi até hoje.

Foi tudo: as mudanças de fraldas, a introdução das sopas por mim feitas na alimentação, a carne, depois o peixe, as diferentes frutas, os banhos, a aprendizagem do bacio, as histórias contadas antes das sestas, as idas ao pediatra, as primeiras palavras, o gatinhar, os primeiros passos, as tentativas de calçar meias… Enfim, muitas memórias que agora, neste preciso momento, vêm ao presente. Foram dois anos e oito meses que calam fundo na minha memória afectiva.

Fi-lo por "gosto por acompanhar a paternidade"; por ser "demasiado pequena para ser entregue aos cuidados de terceiros"; por "conforto e protecção"; por "falta de instituições na época".

Morava na margem Sul, saíamos de casa, eu e a Patrícia, por volta das 15h20, chegava ao emprego por volta das 15h50. Estacionava o carro, e ela acompanhava-me, primeiro no berço, depois no carrinho, e posteriormente a pé, no meu emprego. Entre as 18h15 e as 19h a mãe vinha buscá-la e levava-a de carro para casa. Eu regressava de transportes públicos ou com uma boleia de colegas.

A entidade empregadora, ou chefias directas, nunca me colocou constrangimentos.

Os desafios: as crianças não nascem com manual de instruções, o que facilitava a vida aos pais... Mas com paciência, firmeza sempre que necessário, recordações da minha infância (curioso, mas foi nessa altura que comecei a recordar frequentemente a relação dos meus pais comigo: o que eles me faziam, as suas preocupações, a responsabilização pelos meus actos), muita brincadeira, e sobretudo um grande espanto pelas evoluções e aquisições que a Patrícia ia fazendo. Isso era formidável! Fazia com a Patrícia coisas que seriam hoje impossíveis, como andar de mota aos dois anos, por exemplo. Os nossos passeios de mota até à Costa da Caparica estão-lhe gravados na memória.

Os amigos achavam graça e sobretudo as mulheres ficavam espantadas com a destreza com que eu mudava fraldas ou fazia a comida ou a adormecia ao colo ou na sua cama.

A segunda filha, a Joana, agora com 22 anos, não teve tanto tempo comigo porque as minhas responsabilidades profissionais eram outras. Mas sempre que podia, tratava de estar o máximo tempo com ela, para as coisas práticas ou para os afectos.

Hoje, passaram quase três décadas. A nossa relação é uma relação normal de pai e filhas. Conheço a maior parte dos seus amigos/amigas, colegas de faculdade ou de emprego. Respeitamos a nossa esfera íntima, como sempre as habituei a respeitar. Nós sabemos/sentimos que os nossos abraços são especiais, que a diferença de opiniões não abala o vínculo, que a assertividade às vezes dói e que as comidinhas que lhes faço quando me visitam, ou que me fazem quando as visito, continuam a ser feitas com o maior carinho que nos podemos dar.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/sozinhos-em-casa-com-os-filhos-1573412#/0

sábado, 1 de dezembro de 2012

Público: Taxa da mortalidade infantil aumentou em 2011

A taxa de mortalidade infantil aumentou no ano passado, passando de 2,5 óbitos por mil nados-vivos para 3,1, sobretudo devido a um acréscimo nas mortes de bebés até aos 28 dias. Em 2011 morreram 302 crianças antes de completarem um ano de idade, mais 46 do que em 2010.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) está a analisar o que aconteceu, caso a caso, e conta ter pronto, nos próximos dias, um relatório detalhado sobre este fenómeno.

Os dados da mortalidade infantil são do Instituto Nacional de Estatística e foram esmiuçados na sexta-feira passada pelo director-geral da Saúde, Francisco George, num curso para médicos, dando origem a uma notícia do Tempo Medicina, que destacou a "inversão da tendência de queda" na taxa de mortalidade infantil, um indicador que tem colocado Portugal, nos últimos anos, na lista dos melhores países do mundo a este nível.

Sublinhando que não se deve dramatizar este acréscimo e que não se pode dizer que representa a inversão de uma tendência, Francisco George explicou ao PÚBLICO, segunda-feira, que o aumento pode ser motivado apenas pela chamada "lei dos pequenos números, um fenómeno que todos os epidemiologistas conhecem bem".

Em 2010 registou-se um valor de óbitos até aos 12 meses muito baixo, 256. Quando se atingem valores assim tão baixos é muito difícil continuar a diminuir, porque basta uma variação pequena para afectar a taxa de mortalidade. O director-geral da Saúde explica ainda que foi sobretudo numa das componentes da mortalidade infantil (a neonatal, até aos 28 dias), que houve acréscimo (230 óbitos contra 169 mortes em 2010), enquanto na componente pós-neonatal (até aos 12 meses) o movimento continuou a ser de descida.

As mortes nos primeiros dias de vida são menos evitáveis do que no período posterior. Por isso é que os casos estão a ser estudados um ano para se perceber o que aconteceu – uma das explicações pode residir no aumento de bebés nascidos graças a técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), que, por vezes, resultam no nascimento de gémeos e trigémeos, aumentando o risco de morte devido à prematuridade. Até aos primeiros 28 dias de vida o risco de morte pode ainda aumentar devido a anomalias congénitas.

"Na componente pós-neonatal continuamos a decrescer e a nossa taxa é das melhores do mundo", acentua Francisco George, que defende que é necessário aguardar pelos resultados de 2012 para se poder falar numa eventual mudança de tendência.

A taxa de mortalidade infantil traduz o risco de morte das crianças durante o primeiro ano de vida.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/taxa-da-mortalidade-infantil-aumentou-no-ano-passado-mas-dgs-desdramatiza-numeros-1575125

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Público: Quando é preciso dar um empurrão à cegonha

O jogo da agulha dizia que Ana Sofia Caniço, 34 anos, iria ter quatro rapazes e duas raparigas. Ana ria-se. Imaginava-se a ser mãe desde que se lembra de brincar com bonecas.

Mas seis filhos estava claramente acima do que alguma vez poderia imaginar. Foi um ano depois de estar casada, ainda com 26 anos, que começou a tentar engravidar. Passados oito anos está grávida de 23 semanas de um segundo filho, que na prática é um oitavo. Ana tem um problema de infertilidade e já passou por vários abortos. Hoje tem cá a Mariana com dois anos e meio e o Rodrigo parece estar a portar-se bem na barriga. Mas diz que ainda lhe parece tudo “um bocadinho irreal”. “Cheguei a questionar se algum dia teria um filho nos braços.” Agora tem. Mas isso não apaga a doença que já lhe levou seis bebés. Não impede esta psicóloga educacional de se lembrar da idade que teria cada filho, em que mês deveriam ter nascido, o que estariam agora a fazer na escola.

Não há números oficiais, mas as estimativas da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução apontam para que existam em Portugal cerca de 500 mil casais inférteis em idade reprodutiva, ou seja, perto de 9% dos casais. Um número que se tem vindo a agravar nas últimas décadas, também devido ao adiar da maternidade. “Considera-se que estamos perante um problema de infertilidade quando não há uma gravidez ao final de 12 meses de tentativas numa vida de relações sexuais regulares e sem contraceptivos”, resume Carlos Calhaz Jorge, responsável pela Unidade de Medicina de Reprodução do Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria e também membro da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução.

Contudo, apesar de haver um número cada vez maior de pessoas a precisar de dar um empurrão à chegada da cegonha, o último relatório do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, divulgado em Setembro, indica que em 2010 cerca de 2,2% dos nascimentos em Portugal resultaram de técnicas de procriação medicamente assistida – quando a média europeia ultrapassa os 3% e nos países nórdicos chega aos 5%. Mesmo assim, os dados representam um aumento de 35,5 % de recém-nascidos, comparativamente aos resultados de 2009, o que se deve a uma melhor recolha de números, mas também ao aumento da capacidade de resposta dos centros públicos e às taxas de sucesso, refere o relatório.

Mariana tem um quarto em tons de verde e rosa

Contabilizando só as técnicas mais complexas, foram quase dois mil bebés a nascer com a ajuda da medicina e da ciência. Quanto a listas de espera, no final de 2011 no Serviço Nacional de Saúde estavam 1800 casais à espera de um tratamento, de um total de três tentativas de que dispõem até aos 40 anos para poderem ter um filho.

O quarto de Mariana, decorado ao pormenor em tons de verde e rosa, com treliças nas paredes e uma árvore pintada repleta de flores e borboletas mostra o quanto Ana Caniço e o marido desejavam ter um filho. Tudo combina. Em todos os recantos há pormenores que não deixam dúvidas de que aqui dorme uma menina. Nas mesas e prateleiras estão molduras que mostram o casal com Mariana e está também exposto o teste de gravidez. E no topo de um armário há até um molde em gesso da redonda barriga de Ana pouco antes do parto.

Ana Caniço começou cedo a tentar ser mãe, mas rapidamente se deparou com um problema: quase não consegue ovular naturalmente e, por isso, a sua capacidade de engravidar sem apoio é muito reduzida. Tem também abortos espontâneos sucessivos que ainda não se conseguiram explicar. Decidiu por isso, e por ter apoio familiar, fazer os tratamentos no sector privado, para se deparar menos com a angústia da espera.

Em geral, segundo explica Alberto Barros, um dos médicos pioneiros da área no Hospital de São João, agora professor catedrático de genética da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e director de um dos principais centros privados de tratamentos de procriação medicamente assistida, a causa da infertilidade distribui-se da mesma forma entre os membros do casal, sendo que no caso da mulher a dificuldade de engravidar acentua-se a partir dos 30 anos, existindo uma queda drástica depois dos 35 . Há também 10% dos casos em que a causa da infertilidade permanece por explicar.

“A mulher tem duas idades, a cronológica e a procriativa que tem uma nota de 'muito bom' até aos 30 anos, 'bom grande' até aos 32, 'bom pequeno' aos 33, 34 e aos 35, 36 um 'suficiente mais'. A qualidade dos ovócitos, nomeadamente o conteúdo genético, tem muito a ver com a idade da mulher e isso não acontece tanto com o homem. Como diz o povo, 'homem velho com mulher nova, filhos até à cova'”, diz Alberto Barros, que lembra que “a gravidez não acontece como quem carrega num interruptor”. E aconselha os casais a não adiarem demasiado a decisão de ter filhos para se existir um problema haver tempo para o resolver, já que entre medicamentos, cirurgias, inseminação artificial e recolha de células ou procura de um dador para fecundação em laboratório, várias são as alternativas a considerar.

Ana começou a tentar engravidar em Maio de 2004 e em Novembro desse mesmo ano detectou-se que tem ovários poliquísticos. Foi apenas em Maio de 2005 que pôde avançar para tratamentos à base de hormonas que induzem a ovulação e, após três meses sem sucesso, em Agosto teve o seu primeiro positivo. Comprou uma chucha e planeou ao pormenor a forma como deu a novidade ao marido. “Estávamos grávidos e não podíamos estar mais felizes”. A felicidade parou às dez semanas. A gravidez não evoluiu.

Em Janeiro de 2006 conseguiu uma nova gravidez, mas que também não passou das sete semanas. “A nós não nos conforta saber que é muito comum haver abortos ou aquela questão do senso comum de que somos capazes de engravidar. Sei que consigo mas não sei se consigo levar avante a gravidez. E o ser nova não interessa nada, pois uma pessoa que fique viúva também pode casar outra vez. Aquele bebé era o nosso bebé e as pessoas falam como se os bebés fossem um bocadinho descartáveis.” Para Ana não são. Continua a guardar ecografias e tudo o que está relacionado com as gravidezes que perdeu.

Ana ficou grávida de três bebés

Ana começou a esmorecer mas sempre que tinha luz-verde do médico voltava a tentar. Em Outubro fez mais tratamentos, desta vez com injecções de estimulação, sem sucesso. Em Março de 2007 os tratamentos, sempre controlados com ecografia, deram lugar a dois ovócitos. Ana conseguiu engravidar e na primeira ecografia teve uma surpresa: afinal estava grávida de três bebés. Apesar de saberem que as gravidezes gemelares têm mais riscos, não estavam preparados para o que viria a seguir. Às 18 semanas entrou em trabalho de parto. Fizeram uma cesariana e tiraram um dos bebés, para poderem salvar os outros. Só que Ana teve várias complicações, corria risco de vida e estava na iminência de perder o útero. Pouco mais de uma semana depois os médicos decidiram fazer-lhe nova cesariana para fazer um aborto medicamente assistido.

“A sensação é de um vazio enorme emocionalmente e em termos físicos”, diz, recordando que nos quartos ao lado estavam mães com os seus bebés ao colo e famílias felizes. Ana teve subida do leite mas não restou nenhum dos três filhos rapazes para amamentar. E o pior foi ter sido obrigada a parar as tentativas durante ano e meio. Chegou a pensar adoptar mas recorda que “a adopção é outro processo de espera e de angústia”. Terminada a pausa seguiram-se mais estimulações e duas tentativas com um tratamento mais avançado em laboratório tal como a fecundação in vitro: a microinjecção intracitoplasmática (ICSI), que consiste em injectar um único espermatozóide nos ovócitos que são retirados à mulher por via vaginal e em implantar depois os embriões. Numa delas houve gravidez, com um novo aborto. Só no final do Verão de 2009 veio o positivo de Mariana que acabou por nascer a 11 de Abril de 2010 com 2985 quilogramas, depois de uma gravidez controlada quase semanalmente para Ana poder “respirar”.

São casos de sucesso e de persistência como o de Ana que animam Margarida Pires, de 33 anos, a superar os efeitos dos tratamentos. Sempre disse que queria ser mãe muito nova. Talvez aos 18 anos. Mas a vida demorou mais a assentar e acabou por achar mais prudente terminar primeiro a licenciatura em psicologia. Só depois de casar pensou avançar com os planos. “Para nós era um dado adquirido que quando quiséssemos íamos engravidar”. A natureza trocou as voltas de Margarida e do marido, que há quase quatro anos tentam aumentar a família.

Depois de mais de um ano na expectativa de que a menstruação não viesse Margarida decidiu pedir ajuda médica e na altura valeu-se dos vários contactos que tinha. Os primeiros exames indicavam que estava tudo bem. “Cada vez que se muda de médico é um batalhão de exames e acabamos por perder muito tempo nestes processos. É desgastante”, explica. Foi com o resultado de um espermograma do seu marido que veio a explicação. O problema estava no comportamento dos espermatozóides de Manuel que não se moviam como deviam. A solução passava também por uma ICSI, muito utilizada em casos de infertilidade masculina.

O preço de ter um filho

Mas quando tudo parecia encaminhado Margarida esbarrou no preço pedido por este tipo de tratamentos no sector privado, não cobertos em geral pelos seguros de saúde. Uma única tentativa ficaria em cerca de 3500 a 4000 euros, valor ao qual ainda é necessário juntar alguns medicamentos. Valores que Ana também sabe de cor: só desde a gravidez gemelar gastou mais de dez mil euros, sem contar com deslocações e medicamentos. Ana e Margarida são unânimes e assumem que a sociedade prepara os casais para a quase obrigatoriedade de terem filhos mas que o lado dos eventuais problemas fica sempre de fora, sendo que se fala na factura que um filho acarreta mas ninguém diz que há muitos que nascem apenas após um grande investimento financeiro. As consultas, medicamentos e exames podem ultrapassar as largas centenas de euros e mesmo um dos tratamentos mais simples, a inseminação intra-uterina, anda na casa dos 500 euros. Já a fertilização in vitro é mais barata do que a ICSI mas mesmo assim não costuma ficar em menos de 2500 euros.

Margarida decidiu inscrever-se na lista de espera para um hospital público. Teve a primeira consulta no Hospital Garcia de Orta em Março de 2012 e fez o primeiro tratamento em Maio, sem qualquer sucesso. A percentagem de sucesso dos tratamentos está entre os 30 e os 40%. Carlos Calhaz Jorge sublinha que “as variáveis envolvidas são enormes e que falta saber mais coisas sobre a natureza”, já que continuamos a depender da qualidade das células e que é aí que é preciso trabalhar mais.

“Tem havido algumas melhorias na individualização dos métodos de estimular os ovários e nos meios de cultura laboratorial, mas ainda falta avançar muito, mesmo nos instrumentos utilizados em laboratórios”, refere, mas recorda que mesmo num casal sem problemas a probabilidade de haver uma gravidez em cada ciclo é de 20%, pelo que a taxa de sucesso da procriação medicamente assistida está até em níveis acima e tem-se, também, conseguido trabalhar na qualidade, para reduzir por exemplo o número de gravidezes gemelares, que acarretam sempre mais riscos. “Quanto mais conheço mais questiono como é que há tanta gravidez. É preciso que haja tanta coisa bem para que uma gravidez ocorra que a surpresa está mais no âmbito da facilidade do que da dificuldade”, acrescenta Alberto Barros.

A próxima tentativa de Margarida será só em 2013, ainda sem data marcada e será a penúltima. O Serviço Nacional de Saúde comparticipa até três tratamentos, mas com o limite de um por ano. Uma imposição que desagrada tanto a Carlos Calhaz Jorge como a Alberto Barros. Mais do que o problema de só se comparticiparem três tratamentos, os especialistas criticam a imposição de só poder ser um por ano. “Isso retira a capacidade de gestão clínica, nomeadamente quando os casais se aproximam mais do limite etário que foi definido”, diz Calhaz Jorge. No sistema público as mulheres devem ter menos de 40 anos para poderem ser submetidas a tratamentos.

E não se prevê que as coisas venham a mudar num curto espaço de tempo. O presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, organismo que regula os centros prestadores destes tratamentos, explica que têm sobretudo “dado continuidade e não procurado fazer grandes transformações” à legislação em Portugal. A comissão tem, por isso, apostado em “permitir que o avanço da ciência possa ser aplicado” no país e que a qualidade dos tratamentos disponibilizados seja garantida, independentemente da instituição onde os casais se dirigem.

Muito sofrimento para quem vive o processo

O juiz Eurico Reis recorda que infertilidade é um conceito mundialmente aceite e que está inclusive definido pela Organização Mundial de Saúde, pelo que qualquer decisão relacionada com o tema “deve evitar superficialidades e reconhecer que há muito sofrimento” para quem vive o processo. O responsável reconhece a existência de algumas assimetrias a nível nacional, nomeadamente a maior dificuldade de acesso a tratamentos em Lisboa, Alentejo e Algarve. Porém, perante a actual crise económica e financeira, o especialista teme um “retrocesso” na situação do país e que “os constrangimentos financeiros” se sobreponham contribuindo para reduzir ainda mais a taxa de natalidade – quando se prevê que este ano termine com menos de 90 mil bebés nascidos em Portugal, ou seja, menos que o número de óbitos.

Até à próxima oportunidade Margarida e o marido tentam continuar a aprender a lidar com o vazio e estudam alternativas. Leram que a acupunctura pode ajudar e vão tentar, mas uma parte da família mais próxima nem sequer sabe o que estão a atravessar. “É uma coisa nossa que preferimos viver sozinhos. Irrita-me ter de ouvir que é por andar nervosa ou ter toda a gente a dar palpites. Na altura dos tratamentos fui-me muito abaixo, mas é um problema nosso, que vivemos a dois, ainda que de maneiras diferentes. Somos um casal muito unido e continuaremos bem sem filhos, mas neste processo não se consegue pensar nem fazer mais nada”.

Uma postura diferente da de Ana Caniço, que encontrou na sua experiência pessoal uma boa oportunidade de divulgar o tema da infertilidade, tendo-se por isso juntado à Associação Portuguesa de Fertilidade, criada por Cláudia Vieira em 2006 quando se deparou com dificuldades em engravidar. Tinha 28 anos e estava casada há um ano quando sentiu que reunia todas as condições para ter filhos. Oito meses depois nada acontecia e pediu ajuda, até porque tinha um caso de infertilidade na família e “estava alerta”. Tinha uma das trompas obstruída e, a juntar-se a isso, havia um problema também na forma como os espermatozóides do seu marido se moviam. Ao terceiro tratamento engravidou de gémeos e pensou: “O difícil foi engravidar mas consegui”. Às 21 semanas foi surpreendida por contracções e perdeu o casal para o qual já tinha nomes. “É uma dor e um vazio tão grandes que pensei que nunca mais recuperava”. Nova gravidez, 15 dias depois novo aborto.

Era altura de deixar o serviço público onde tinha esgotado as tentativas. No primeiro tratamento numa clínica privada engravidou de Marta e de Margarida, curiosamente gémeas verdadeiras, agora com quatro anos e meio. “Foi uma gravidez vivida com contenção e entrei em trabalho de parto às 33 semanas. Nasceram com 1600 e 1380 quilogramas, mas recuperaram bem”, recorda. Cláudia e o marido sempre sonharam com uma família maior e arriscou mais um tratamento que foi certeiro. Agora as gémeas contam com o irmão Francisco, de dez meses. “Foi uma gravidez mais tranquila em que consegui manter a minha actividade profissional e passear na rua com as gémeas e a mostrar a barriga.” Cláudia, ultrapassado o choque inicial, optou por exteriorizar o que vivia e, perante a falta de informação e de um sítio onde procurar apoio, criou a associação à qual ainda dedica muito tempo. “Ainda existem muitas limitações de acessibilidade e procuramos ajudar as pessoas o mais cedo possível numa altura em que é tão importante renovar gerações”, sublinha.

Alberto Barros acredita que se os casais se abrirem com os amigos como fizeram Ana e Cláudia que isso ajuda: “Todo este processo custa sobretudo do pescoço para cima. O problema emocional é fundamental. Ainda há muitas pessoas que escondem o problema dos seus familiares mais próximos, mas dizer é uma forma de evitar que as pessoas continuem a perguntar quando é que vêm os filhos. A infertilidade é como as feridas. As feridas devem estar quietas e não se deve pôr a mão por cima desnecessariamente porque incomoda e quem está à volta deve perceber isso”.

“Não é uma doença aguda, é crónica e vai-se arrastando. A vivência das frustrações pode ser muito pesada. O oposto disso é o aparecimento de uma criança que em 80% dos casos anula o passado, mas há outros 20% em que se mantém mesmo nos que conseguem. As crianças que nascem destes esforços são um pouco nossas e os casais também sentem isso”, completa Calhaz Jorge. Aliás, Alberto Barros tem mesmo um dossier onde guarda algumas fotografias que os pais bem-sucedidos lhe enviam, recordando em especial um caso concretizado ao fim de 19 anos e meio de tentativas. “Mas há algo que ainda me toca mais, são as cartas e comentários que me são dirigidas de casais que foram tratados e que não tendo sucesso traduzem o reconhecimento do esforço que foi feito”, diz o médico. Defende por isso, que estas gravidezes de risco sejam tratadas com especial atenção. “Se todas as gravidezes devem andar ao colo, umas mais do que outras devem ter esse mesmo colo”, resume.

Perante tantas pedras no caminho, Ana continua a defender que se deve persistir “enquanto for menos doloroso tentar e enquanto houver clinicamente expectativas de que os tratamentos possam resultar. Agora quando a tentativa começa a ser mais difícil do que a ideia de não ter filhos deve haver um momento para parar”. Quanto a um terceiro filho... “Eu gostava, mas vou fazer uma quarta cesariana. Também não quero pedir demais”, refere enquanto olha para a barriga e faz uma nova festa a Rodrigo.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/quando-e-preciso-dar-um-empurrao-a-cegonha-1575040